Sábado, Maio 24, 2008

Die Hard 4.0

O outro lado do petróleo

"De repente, o mundo acordou para a teia do petróleo. Menos aviões no ar, bilhetes mais caros, menos peixe na doca, polícias sem verba para patrulhar, multinacionais a perderem lucros. Tudo isto reflecte as dúvidas do mundo moderno quanto ao futuro. Ninguém sabe bem que reservas ainda existem. As companhias não dão dados fidedignos e mesmo as mega-descobertas vão levar anos até jorrarem óleo. Também ninguém sabe se haverá capacidade financeira por parte das petrolíferas para explorar os recursos com a rapidez desejada. Nos mercados financeiros, a especulação está atirar o preço do crude para máximos históricos, cavalgando as previsões catastrofistas das casas de investimento. Para as famílias que enchem o depósito nada disto interessa. O fundamental, para eles, é a carga fiscal e as elevadas margens das petrolíferas. Aqui, há duas hipóteses de pensamento. Ou se corta impostos em nome da liberdade do mercado. Ou se mantém em prol da Saúde financeira do Estado. O problema é que nenhuma das duas resolve o essencial: a necessidade de termos outra racionalidade energética."

Miguel Pacheco

Perguntas

"O ministro da Economia, logo aplaudido pelo Chefe de Estado, pediu à Autoridade da Concorrência que investigue a escalada do preço dos combustíveis.

Mas será que o ministro não sabe que a mais substancial fatia do preço dos combustíveis é constituída pelos impostos, ISP e IVA, bem acompanhada pela grossa fatia da especulação?

Será que a investigação poderá revelar, por exemplo, que o preço dos combustíveis, antes dos impostos, é inferior em Portugal ao que é em Espanha e que, após os impostos, vale a pena ir a Vigo, a Badajoz ou a Ayamonte atestar o depósito?

E será que a investigação vai chegar à conclusão que, apesar da indesmentível escalada em dólares dos preços do barril de petróleo, fazendo contas ao câmbio euro/dólar, na moeda europeia o petróleo está mais barato? Pois não disse o Chefe de Estado que é em euros que tem de se pensar?

E se a investigação chegar eventualmente à conclusão que a escalada do preço dos combustíveis em Portugal é um assalto à carteira do contribuinte, que paga impostos a jusante, em cima de impostos a montante e ainda paga impostos no consumo, que acontecerá com a escalada de todos os preços que se tem verificado em Portugal, a pretexto da subida do preço do petróleo, para esportular mais dinheiro aos pagantes do costume?

E se o inquérito concluir que a solução para este agravamento insustentável da condição de vida dos portugueses passa pela punição e extinção da ganância do Estado, que em tudo isto desempenha um papel mais mesquinho mas muito mais bem pago que o de um intermediário parasita, o Estado auto-flagela-se e baixa os impostos? Ou será que o Governo ignora o inquérito e conclui unilateralmente que a culpa é do terramoto na China?
"

João Paulo Guerra

Governo com paredes de vidro

"Sócrates é o símbolo do Portugal positivo, o “prozac” da Nação e um político que se poupa ao bruto choque da realidade.

O Governo prepara-se para mudar de sexo, do pai severo à mãe extremosa. Mas eis que alguém repara que existe um elefante no meio da sala – a crise económica. A ficção que o Governo criou foi simplesmente demolida pela realidade dos factos. Com o desemprego em 7.6% da população activa (cerca de 400 mil pessoas sem emprego), com um crescimento revisto em baixa para 1.5% (a previsão apontava para 2.2%), com a inflacção a tocar os 2.6% (contra os 2.1% previstos), com tal cenário já não é possível falar no milagre económico socialista. Recorde-se ainda que os portugueses entregam ao Estado, ao abrigo de uma insaciável carga fiscal, o equivalente a 139 dias de trabalho. Que retrato surge de Portugal? Um país sufocado por impostos, pobre entre ricos e que vive na ilusão de um desenvolvimento sempre adiado.

Mas a questão do desenvolvimento, ou da modernização, merece um breve comentário. Em Portugal, o desenvolvimento é sempre apresentado como se fosse um estado final. A razão para esta percepção reside numa mentalidade estática e numa visão estatista, em que a riqueza se adquire num momento preciso e para todo o sempre. No meio de tanta originalidade, o Governo de Sócrates não foge a esta regra. E por isso anunciou a bonança antes de tempo e tentou convencer os portugueses da natureza providencial da política do Executivo. Enquanto não se entender que a modernização é um processo longo e contínuo, que a produção de riqueza é uma actividade volátil e com riscos, Portugal estará condenado a uma economia bipolar, constantemente afectada por ciclos de euforia e depressão.

E perante a crise, o Governo apresenta-se estranhamente sem respostas. Regressado da Venezuela, o primeiro-ministro fala em “previsões realistas” e quase que pergunta surpreendido – Crise? Qual crise? Aliás, refira-se o talento político de um primeiro-ministro que desaparece sempre em tempos de crise. Sócrates é o símbolo do Portugal positivo, o prozac da Nação, logo deve ser poupado ao violento choque da realidade. Depois, quando o preço dos combustíveis sobe de forma alucinante, o ministro da Economia declara-se “preocupado” e manda investigar o mecanismo de formação dos preços. Finalmente, e em tempo de escassez alimentar, o Ministério da Agricultura revela ao País que o diospiro, o figo e o kiwi são “investimentos estratégios” com direito a financiamento público. Existe sempre uma dimensão cómica no cerne da impotência política
."

Carlos Marques de Almeida

Provedor dos pobres

Com o anunciado triunfo dos especuladores, quem não produz lucros deve morrer inexoravelmente”

Esta comédia do aumento quase diário dos preços dos combustíveis, com o Governo como mero observador distante e desinteressado, demonstra quanto os poderes públicos caminham para um alegre suicídio. Porque o que se passa com os combustíveis é só uma amostra do que nos espera. Na quarta-feira, José Sócrates, para evitar o pânico e salvar a honra do convento, prometeu o congelamento dos passe sociais até ao fim do ano e mais umas prebendas avulsas. Mas o mal é que os portugueses vão ficar por cá depois do fim do ano e ninguém sabe o que irá acontecer. Vivemos com uma permanente maldição.

Quando os nossos governantes se propõem atacar uma crise já instalada só provocam crises ainda maiores. Como aconteceu e irá continuar a acontecer no combate ao défice. Com Sócrates, Manuela, Santana ou qualquer outro milagreiro que se anuncie. A crise do preço do petróleo só teve uma vantagem: deu visibilidade final às mentiras de todas as filosofias ultraliberais. Os novos corruptos hoje vivem no melhor dos mundos, manipulando mercados e enriquecendo à custa do empobrecimento dos outros. E, se alguns portugueses podem guardar os carros nas garagens deixando as estradas para os que podem pagar o litro de combustível cem vezes mais caro do que o barril de petróleo, já não podem deixar de comer, de se vestir, de ter casa e de reclamar um mínimo de dignidade nas suas vidas.

Muito antes desta crise do petróleo os sucessivos governos desde Cavaco (inclusive) renderam-se a um determinismo que era afinal a maior das fraudes. As supostas virtualidades da economia de mercado. Ultraliberal, de preferência. Os caseiros gurus da economia, que ‘guiam’ e apoiam tão fracos governantes, não são como os nossos escritores, poetas, arquitectos, artistas ou até futebolistas. Nunca criaram algo. Nunca tiveram uma ideia. São sebenteiros empedernidos. Seguidores de modas. Que tudo ‘explicam’ e ‘justificam’. Muito especialmente as desgraças que nos vão atingindo.

Com o anunciado triunfo dos especuladores (filhotes dos ultraliberais), quem não produz lucros deve morrer inexoravelmente. Tudo o resto são falsamente piedosas variações à volta deste tema para adocicar a agressiva realidade que está à frente dos nossos olhos. É este mundo que nos estende o cartão-de-visita com a especulação sobre os preços do petróleo. O ‘futuro radioso’ que nos anuncia é o de um Estado despido de riqueza, dignidade e funções a garantir que os especuladores se não liquidem, para que o jogo continue, transformado numa espécie de provedor dos pobres.
"

João Marques dos Santos,

Sexta-feira, Maio 23, 2008

Adam and the Ants - Stand and deliver

Até amanhã e boa sorte!!!


Números desactualizados.

"O Governo garantiu hoje que o relatório de Bruxelas que aponta Portugal como o Estado-membro com maior disparidade na repartição dos rendimentos baseia-se em dados de 2004, corrigidos posteriormente pelo Eurostat, o que "diminui o nível de desigualdade (mais aqui)".
Significa isto que dados sobre outros relatórios mais favoráveis da União Europeia sobre Portugal, também estão baseados em dados desactualizados?

Etiquetas:

BP sobe preço dos combustíveis

"BP aumentou o preço dos combustíveis esta quinta-feira às 00h00. A subida aconteceu depois de a GALP ter recuado relativamente à subida que havia anunciado junto dos revendedores, para o mesmo dia e hora (mais aqui)".

Etiquetas:

E a criminalidade continua a diminuir...

"Duas confeitarias da Rua do Amial, no Porto, foram alvejadas a tiro, durante a madrugada de ontem, em supostos actos de vandalismo. Nos dois casos, os disparos - que atingiram as montras - foram efectuados do interior de uma viatura em andamento, ocupada por mais do que um indivíduo. Testemunhas indicaram às autoridades policiais veículos com diferentes características, pelo que se admitia que os ataques não tivessem tido a mesma autoria.(mais aqui)".

Etiquetas:

Combustíveis.

"A subida dos preços dos combustíveis está a desviar clientes dos postos tradicionais para as gasolineiras dos hipermercados, que praticam preços mais baixos, levando os automobilistas a formar filas diariamente, alguns para abastecer a crédito (mais aqui)."

Malesani "Cazzo"

Falou-se neste "artista" para treinador do Benfica. A animação nas conferências de imprensa estaria garantida...

WHEN THE SMOKE IS GOING DOWN

Uma moedinha para a GALP.

"A GALP está inconsolável. No primeiro trimestre deste ano teve menos 8,4% de lucros do que no mesmo período do ano passado, e agora só está a ganhar 1,2 milhões de euros por dia. O que é isso comparado com mais 2 ou 3 cêntimos nos preços da gasolina e do gasóleo? Os portugueses são uns queixinhas. A GALP queria-os ver a ganhar só 1,2 milhões por dia! A culpa da pobreza extrema da GALP (um dia destes haveremos de ver o dr. Ferreira de Oliveira e os outros administradores da GALP a pedir à porta da igreja dos Congregados) é do aumento dos preços do petróleo. É certo que, entre Dezembro de 2006 e Dezembro de 2007, o preço da gasolina 95 aumentou em Portugal 11% e o do gasóleo 17,2%, enquanto o preço médio do petróleo, em euros, subiu apenas 1,5%. Mas a GALP tem muitas despesas; ainda há dias, por exemplo, teve que comprar a Esso. Por isso, o dr. Ferreira de Oliveira vê "com profunda tristeza a especulação incompetente" (não a especulação financeira, que é, como se tem visto, particularmente "competente" a fazer subir preços, mas a dos consumidores que acusam a GALP e demais petrolíferas de cartelização, quando se sabe que os aumentos simultâneos dos preços dos combustíveis são mera coincidência). Por que não um peditório nacional a favor da GALP? "

Manuel António Pina

Os combustíveis e os coelhos da cartola

"O Governo decidiu congelar o aumento dos passes sociais até ao final do ano e vai aumentar os abonos de família em 25 por cento. No mesmo dia, o Governo fechou acordo com dois sindicatos da Função Pública sobre protecção social dos trabalhadores. É a resposta à crise, uma semana depois da revisão em baixa do PIB... e a um ano das eleições.

Estas são algumas das medidas, anunciadas por José Sócrates, no debate quinzenal no Parlamento, para combater os efeitos sociais da crise económica. O debate parlamentar foi, esta quarta-feira, dominado pela situação da economia e o governo não perdeu a oportunidade para marcar a agenda e criar notícia, num cenário aparentemente desfavorável do ponto de vista político.

É socialmente justo dar benefícios aos mais afectados pelo abrandamento da economia, pelo aumento brutal dos combustíveis e das taxas de juro, através da manutenção das tarifas dos transportes públicos e, por outro lado, através da melhoria do abono de família. É uma medida consensual e acertada de José Sócrates; não é demagógica, embora tenha em conta o calendário eleitoral que se avizinha, como é óbvio. Pouco tempo depois do fim do debate na Assembleia, as Finanças fecharam acordo com a FESAP e o STE quanto à protecção social dos funcionários públicos.

No entanto, nem tudo são rosas... No Parlamento, a oposição questionou o governo sobre a possibilidade de se aliviar a carga dos impostos sobre o preço final dos combustíveis e creio que aí a opinião pública dificilmente entenderá a argumentação do governo. A questão não está em saber quem decidiu há 5 anos a liberalização dos preços (governo PSD-PP), depois de 3 anos de congelamento dos preços nos tempos do engenheiro Guterres, governo a que José Sócrates pertencia, quando o barril de petróleo andava na casa dos 20 a 30 dólares. O problema está em saber que espaço de manobra terá o Estado para ajudar a economia real (empresa e famílias) a curto prazo, num cenário de permanente subida do preço do petróleo e com o cenário dos 150 dólares até ao final do ano, que terá repercussões muito graves na economia portuguesa. Uma coisa é o folclore da picardia político-partidária no parlamento entre Sócrates e Portas ou outro opositor; outra é a realidade sentida pelos consumidores, numa altura em que a Galp vai aumentar de novo o preço do gasóleo e da gasolina, de forma quase inacreditável, sem que o Estado (que ainda tem acções e lugar de chairman na Galp) nada faça para impedir aumentos muito acentuados do preço final do gasóleo e gasolina.

Bem pode o governo afastar responsabilidades, como acusa a oposição, mandando a Autoridade da Concorrência investigar se as petrolíferas se reúnem (à noite, à luz de um candeeiro a petróleo, em total clandestinidade?) para fixarem os preços, quais gangsters na Chicago dos anos 20 e 30 do século passado... mas a opinião pública quer medidas concretas para travar a Galp, Repsol e BP, porque o cenário cada vez menos virtual é o de um país que, depois de anos de sonolência e alheamento cívico, poderá voltar de novo aos protestos nas ruas.

Para um governo socialista, é certamente estimulante a discussão sobre a descida do ISP, na medida em que, na prática, temos assistido a um aumento indirecto dos impostos por via do ISP + IVA, uma vez que estes impostos incidem sobre o preço do petróleo e a receita fiscal acaba por aumentar à medida que o preço do petróleo. Claro que ninguém no governo Sócrates ficará satisfeito com os efeitos do petróleo para a economia real, mas é sempre curioso ouvir o primeiro-ministro do PS defender o argumento liberal de "deixem o mercado funcionar" e não intervir por via fiscal, ou seja, do Orçamento, alegando que quem não tem carro não deve ser penalizado pela intervenção do Estado. Teoricamente está certo, mas a que governo pertencia José Sócrates quando Guterres interveio no preço? O que pensará Guterres sobre esta evolução do pensamento do PS?

Este debate sobre os combustíveis acontece uma semana depois da revisão em baixa do PIB português para 1,5%, este ano. Mas esta quarta-feira há outra notícia igualmente importante que merece reflexão urgente: a economia espanhola praticamente estagnou no primeiro trimestre do ano, ao crescer apenas 0,3 por cento entre Janeiro e Março. No trimestre anterior tinha crescido 0,8 por cento. Há 13 anos que Espanha não registava um ritmo de crescimento tão lento. Em termos anuais, o crescimento caiu oito décimas, para os 2,7 por cento, com os sectores da construção e dos serviços a perderem 170 mil postos de trabalho. Vale a pena lembrar que Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal e investidor estrangeiro e que trabalham em Espanha mais de 100 mil portugueses.

Com Espanha em forte abrandamento e com os combustíveis caros a causar grave mossa na carteira dos portugueses, a economia arrisca-se este ano a crescer menos do que 1,5 por cento como prevê agora o governo, naturalmente com efeitos sobre a taxa de desemprego
. "

Luís Ferreira Lopes

Convergência com a Europa?

"A Comissão Europeia apresentou previsões nada primaveris. O ouro negro, em valores recorde, está a abanar o crescimento na Europa. Em Portugal, a inflação deverá disparar este ano e a economia crescer bem abaixo do que prevê o Governo.

São previsões, é certo, mas Bruxelas não costuma falhar tanto quanto o FMI... como o actual governo gosta de frisar. Para Portugal, o cenário seria pior se o FMI acertasse num PIB de apenas 1,3%, mas a Comissão Europeia também não é propriamente optimista: o crescimento deverá ser de 1,7% este ano, menos duas décimas do que o PIB registado em 2007 e menos meio por cento do que prevê o Governo.

Tendo em conta o que se passa lá fora e olhando para os alertas do governador Vítor Constâncio, não é nenhuma surpresa um crescimento desta ordem. Curiosamente, o primeiro-ministro mostrou-se satisfeito, afirmando que este número até revela "convergência com a Europa".

Ora, julgo que não há qualquer motivo para satisfação: convergência é ultrapassar sustentadamente o crescimento europeu e não bater palmas quando os outros crescem menos, logo aproximam-se dos nossos números. Não foi um momento feliz de José Sócrates... mas é verdade que os números poderiam ser piores.

Mais grave é a previsão para o próximo ano: o PIB deverá crescer apenas 1,6%, sobretudo graças ao abrandamento das exportações para os nossos principais parceiros europeus.

O cenário para a inflação também não é de Primavera: 2,8%, ou seja, mais 4 décimas do que no ano passado, devido aos aumentos dos preços da energia, o que na prática se traduz numa perda real do poder de compra da maioria dos portugueses, se tivermos em conta os aumentos de 2,1% fixados para a função pública e que servem de referência para o sector privado. Em 2009, a inflação já será de 2,3%, prevê Bruxelas.

Portugal sai da lista negra do défice público, que deverá continuar a cair: 2,2% do PIB este ano, menos 4 décimas do que no ano passado, e no próximo ano deverá subir de novo para 2,6% do PIB, em grande parte devido à perda de receita causada pela descida do IVA, mas José Sócrates já garantiu que o défice continuará a baixar. Pouco nos serve de consolo, mas França está à beira dos 3% de défice e arrisca levar um puxão de orelhas do comissário Almunía.

Inflação dispara - juros sobem?

Durante os últimos 12 meses, a Comissão já reviu em baixa as previsões de crescimento económico para a zona euro por quatro vezes. Agora baixa uma décima para 1,7%, mas a pior notícia está na previsão para a inflação: 3,2%, muito acima do tecto imposto pelas regras do euro - que é de 2%.

Isto significa que centenas de milhões de europeus vão ficar com a vida mais complicada este ano porque, além do rombo na carteira quando vão ao supermercado ou à estação de serviço, os juros podem voltar a subir dos actuais 4%, o que se traduz em mais encargos para pagar o empréstimo da casa ou do carro ao banco.

Se J.C. Trichet subir a principal taxa de juro e, nos próximos dias, a Reserva Federal dos EUA baixar dos actuais 2,25% para os 2% (para estancar a sangria do outro lado do Atlântico), a diferença de remuneração entre os dois lados do oceano será ainda maior e isso terá, seguramente, efeitos nos mercados e na economia real. Vamos a alguns exemplos:


o euro sobe face ao dólar, porque os investidores preferem aplicar o dinheiro onde o juro for mais atractivo;
com a moeda única mais forte, as exportações da zona euro ficam mais caras;
as economias do euro, designadamente a portuguesa, perdem competitividade;
o crescimento económico pode desacelerar ainda mais devido ao euro forte;
as empresas vendem menos, logo aumenta a probabilidade de mais despedimentos;
os aumentos dos salários ficam congelados e mal chegam para pagar os juros mais altos.

Enfim, a vida ficará mais complicada. Mas também quem acredita que a vida é fácil? Num momento em que os EUA enfrentam o cenário de recessão e têm um crescimento quase nulo no primeiro trimestre deste ano, creio que se Portugal crescer acima de 1,5% este ano já será uma boa notícia. E eu costumo ser optimista
..."

Luís Ferreira Lopes

Gasolina vendida a prestações

"O aumento do preço dos combustíveis em Portugal está a provocar alterações no hábitos de consumo dos automobilistas portugueses, que cada vez mais se deslocam a Espanha.

Algarve dá fiado

Com quase meio Algarve a ir já abastecer os carros a Espanha, só os cartões de frota e o regresso do velho «fiado» vão salvando os postos de combustível do Leste da região, onde já há despedimentos.

O apelo dos preços nos postos de Espanha - que chegam a menos 40 cêntimos por litro de gasolina do que em Portugal - vem chegando progressivamente às populações mais longínquas da fronteira e chegou nas últimas semanas a Tavira, a 30 quilómetros do Guadiana.

Muito mais próximo da fronteira, em Vila Real de Santo António, Miguel Salas, 38 anos, também da Galp, já teve vários clientes a pôr 50 cêntimos de combustível, o que deverá dar à justa para chegar ao posto da BP do outro lado do Guadiana, a cerca de seis quilómetros de distância por asfalto.

Mais pessimista, o seu colega da BP da EN125, próximo da rotunda de Monte Gordo - alguns quilómetros mais afastado da fronteira -, Manuel Godinho, 52 anos, afirma: «Este posto chegou a fazer sete mil contos [35 mil euros] por turno, mas hoje quando fazemos 1.500 euros já é muito», contabiliza, acrescentando que já dois colegas seus tiveram que ser dispensados.

O aumento dos combustíveis em Portugal está a ter efeitos graves em Vilar Formoso, com gasolineiras e lojas comerciais praticamente «às moscas» enquanto que em Fuentes de Oñoro (Espanha) se registam «enchentes».

Alentejo: dez postos encerrados

«Na zona fronteiriça de Elvas, as pessoas metem cinco euros de gasolina para conseguir passar para Espanha onde enchem os depósitos», relatou João Carpinteiro, responsável da empresa Combustíveis do Alto Alentejo (CAA), que representa 14 postos de abastecimento de combustíveis e faz a distribuição ao domicilio no Alto Alentejo.

Uma vez que «há cada vez mais portugueses a abastecer os seus veículos em Espanha», onde os preços praticados são inferiores, João Carpinteiro considera que a situação «está deixar desesperados os empresários portugueses do sector».

Em declarações à agência Lusa, o responsável da CAA lembrou que cerca de uma dezena de postos de abastecimento, situados na raia alentejana, já encerraram as portas, em 2007, devido à escalada dos preços dos combustíveis em Portugal
. "

Mais aqui

Quinta-feira, Maio 22, 2008

22 de Maio de 1885


Morre Victor Hugo.

Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos

Victor Hugo, 1876, a propósito da abolição da pena de morte em Portugal (o primeiro país europeu a fazê-lo).


Filho de Joseph Hugo e de Sophie Trébuchet, nasceu em Besançon, no Doubs, mas passou a infância em París. Estadias em Nápoles e na Espanha acabaram por influenciar profundamente sua obra. Funda com os seus irmãos em 1819 uma revista, o Conservateur littéraire (Conservador literário), que já chama a atenção para o seu talento. No mesmo ano, ganha o concurso da Académie des Jeux Floraux.

O seu primeiro recolhimento de poemas, Odes, é publicado em 1822: tem então vinte anos.

Com Cromwell, publicado em 1827, alcança o sucesso. No prefácio deste drama em versos, que não foi encenado enquanto esteve vivo, opõe-se às convenções clássicas, em especial à unidade de tempo e à unidade de lugar.

Tem, até uma idade avançada, diversas amantes, sendo a mais famosa Juliette Drouet, atriz sem talento que lhe dedica a sua vida, e a quem ele escreve numerosos poemas. Ambos passavam juntos o aniversário do seu encontro e preenchiam, nesta ocasião, ano após ano, um caderno comum que nomeavam o Livro do aniversário.

Criado por sua mãe no espírito da monarquia, acaba por se convencer, pouco a pouco, do interesse da democracia ("Cresci", escreve num poema onde se justifica). A sua idéia é que "onde o conhecimento está apenas num homem, a monarquia se impõe." "Onde está num grupo de homens, deve fazer lugar à aristocracia. E quando todos têm acesso às luzes do saber, então vem o tempo da democracia".

Tendo se tornado favorável a uma democracia liberal e humanitária, é eleito deputado da Segunda República em 1848 e apoia a candidatura do "príncipe Louis-Napoléon”.
Exila-se após o golpe de Estado de 2 de Dezembro de 1851, que condena vigorosamente por razões morais em "Histoire d'un crime".
Durante o Segundo Império, em oposição a Napoleão III, vive em exílio em Jersey, Guernsey e Bruxelas. É um dos únicos proscritos a recusar a anistia decidida algum tempo depois: « Et s'il n'en reste qu'un, je serai celui-là » ("e se sobra apenas um, serei eu").
A morte da sua filha, Leopoldina, deixou-o a tal ponto desamparado que se deixa tentar, na sua lembrança, por experiências espíritas relatadas numa obra diferente nomeada "Les tables tournantes de Jersey".
De acordo com seu último desejo, seu corpo é depositado em um caixão humilde que é enterrado no Panthéon.
Tendo ficado vários dias exposto sob o Arco do Triunfo, estima-se que 1 milhão de pessoas vieram lhe prestar uma última homenagem.


Pensamento


A partir de 1849, Victor Hugo dedica um quarto da sua obra à política, um quarto à religião e outro à Filosofia humana e social. Se o pensamento de Victor Hugo pode parecer complexo e às vezes contraditório, não se pode dizer que seja monoteísta.
Reformista, deseja mudar a sociedade mas não mudar de sociedade. Se ele justifica o enriquecimento, denuncia violentamente a desigualdade social. É contra os ricos que capitalizam os seus lucros sem reinjetá-los na produção. A elite burguesa jamais o perdoará por isso.
Ele também se opõe à violência quando ela se aplica contra um poder democrático, mas a justifica (conforme à Declaração dos direitos do homem) contra um poder ilegítimo. É assim que, em 1851, lança um chamado à luta - "carregar seu fuzil e ficar preparado" - que não é seguido. Mantém esta posição até 1870, quando começa a Guerra Franco-Prussiana; Hugo a condena: "guerra de capricho" e não de liberdade.
Em seguida, o império é deposto e a guerra continua, desta vez contra a república; o argumento de Hugo em favor da fraternização resta, ainda, sem resposta. É assim que, em 17 de Setembro, publica uma chamada ao levantamento de massa e à resistência. Os republicanos moderados ficam horrorizados: preferem Bismarck aos "socialistas"! A população de Paris, no entanto, se mobiliza e lê avidamente Les Châtiments. (Ver Comuna de Paris).
Coerente, Hugo não podia ser comunista: "O significado da Comuna é imenso, ela poderia fazer grandes coisas, mas na verdade faz somente pequenas coisas. E pequenas coisas que são odiosas, é lamentável. Compreendam-me: sou um homem de revolução. Aceito, assim, as grandes necessidades, mas somente sob uma condição: que sejam a confirmação dos princípios e não o seu desrespeito. Todo o meu pensamento oscila entre dois pólos: civilização-revolução "." A construção de uma sociedade igualitária só será possível se for consequência de uma recomposição da sociedade liberal."
No entanto, diante da repressão que se abate sobre os comunistas, o poeta declara seu desgosto: "Alguns bandidos mataram 64 reféns. Replica-se matando 6000 prisioneiros!".
Denunciando até o fim a segregação social, Hugo declara durante a última reunião pública que preside: "A questão social perdura. Ela é terrível, mas é simples: é a questão dos que têm e dos que não têm!". Tratava-se precisamente de recolher fundos para permitir a 126 delegados operários a viagem ao primeiro Congresso socialista da França, em Marselha.

Wikipedia

Belinda Carlisle

Porque hoje é feriado...

We Were Soldiers

Saiba onde está a gasolina mais barata em Portugal

"Quem for abastecer nos postos da Galp vai ser confrontado a partir da meia-noite de hoje (ontem) com um novo aumento no preço dos combustíveis, depois do aplicado pela operadora de mercado no passado domingo com o gasóleo a custar mais dois cêntimos.

Os sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis obrigaram a comunidade a arranjar novas formas de poupar dinheiro. Uma delas está online no site "mais gasolina", que disponibiliza, de Norte a Sul do país, os preços e localizações dos vários postos de abastecimento. A informação está em www.maisgasolina.com (pode aceder através do link no final deste texto) e todos podem contribuir para alargar os dados desta listagem, com preços e localizações detalhadas. Assim, antes de abastecer, é mais fácil verificar onde existe o combustível mais barato. Clique para visitar
o maisgasolina.com "
"O poder por definição exerce-se e sem dúvida os "donos" da GALP sabem assumi-lo em plenitude. Até quando? O efeito de bola de neve tornar-se-á incontrolável e precisamos de estabilidade política para se fazerem as reformas necessárias e urgentes. Os preços subirão em consequência do custo dos combustíveis, a nossa indústria será menos competitiva nas exportações, o pão, os transportes, os gastos do dia a dia serão maiores, enquanto os juros irão aumentar, como a inflação até que não exista mercado interno. Neste jogo de poder importa saber quem manda. O Governo? A GALP? O problema é suficientemente crítico para que se tomem medidas excepcionais para acontecimentos excepcionais. Nestes momentos saber-se-á verdadeiramente quem manda!"

Apaixonados.

"O juiz conselheiro Almeida Lopes, ex-presidente do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, foi ao tribunal onde se julga o caso Felgueiras e pôs tudo em pratos limpos: não há ‘saco azul’ mas sim uma série de apaixonados da presidente da Câmara de Felgueiras, cheios de libido e de sentimentos humanos mas geralmente pouco atendidos pelos tribunais.

Com as hormonas aos saltos, babando e cheios de ciúmes doentios, Horácio Costa e Joaquim Freitas ter-se-iam vingado de Fátima Felgueiras armando o processo que se conhece. Bom. Uma coisa é certa: Fátima Felgueiras veio ‘pin up’ do Brasil, mas nenhum argumento de Camilo Castelo Branco – que conhecia bem a região – é tão maravilhoso e suspeito como o denunciado pelo juiz amigo da autarca. O Minho guarda segredos deliciosos.
"

Francisco José Viegas

Gerações perdidas

"Que país é este em que há quem se congratule porque o desemprego desceu para 7,6%, quando mais de 400 mil continuam sem trabalho? Depois do choque dos números do crescimento, os dados do desemprego, que permitem a leitura de que a economia está a crescer abaixo das previsões mas está a criar emprego, foram um bálsamo para o Governo.

Conhecido o efeito arredondador das médias, a evolução positiva não resiste a uma análise detalhada: uma parte do efeito resulta do facto de milhares de pessoas terem desistido de procurar emprego, passando à condição de inactivos, desaparecendo, assim, das estatísticas.

Há outros detalhes inquietantes. É no segmento dos jovens entre os 25 e os 35 anos que o emprego mais cresceu mas, paradoxalmente, é nesse universo que proliferam as situações de precariedade e salários baixos, apesar das mais elevadas qualificações.

Cinco retratos de jovens urbanos, feitos pela jornalista Raquel Martins, nas páginas 20 e 21, dão bem a imagem de uma geração que, apesar de mais qualificada, se arrisca a viver pior do que os pais.

Pode argumentar-se que o problema é apenas da inadequação da formação superior às necessidades das empresas, com a opção por cursos de humanísticas e línguas em que a oferta de licenciados supera muito a procura. Essa é apenas uma parte da explicação porque há jovens qualificados, em áreas de défice nas empresas, como gestão, economia e engenharia, que avolumam os números do desemprego. Quando Portugal aparece internacionalmente mal colocado na qualidade de gestão das empresas, é a demonstração do atraso que levamos na necessária reestruturação empresarial do país.

As dificuldades de emprego dos mais jovens também são o reverso da medalha de uma legislação de trabalho desadequada à realidade, que favorece quem está instalado e prejudica quem quer entrar. Os salários baixos e os contratos a prazo ou os recibos verdes são a resposta das empresas à rigidez das leis laborais. Para o Governo, é mais importante facilitar o divórcio sem mútuo consentimento do que facilitar os despedimentos, com ou sem inadaptação.

Esquecido de que ao Estado cabe ser pessoa de bem, o Governo dá o pior exemplo. Porque é no universo do Estado que alastram as situações de contratos a termo e de recurso indevido a trabalho regular sob a fachada de prestação de serviços, tornando evidente que o Estado empregador vai ser dos mais penalizados com as propostas de tributação acrescida para estas situações avançadas pelo Estado legislador. Um caso paradigmático é o do programa Novas Oportunidades, para promover a qualificação de activos e desempregados, em que à ausência de uma relação de trabalho estável se somam atrasos no pagamento dos salários.

Os jovens, apesar de todos os problemas, têm ainda um longo caminho à sua frente. Pior estão os que são novos de mais para a reforma mas velhos demais para encontrarem um novo emprego. É esse segmento que abastece o batalhão dos inactivos e o que reclama políticas sociais.

Acabou o tempo dos empregos para toda a vida. O que em si não é positivo nem negativo. É apenas a realidade...
"

Luísa Bessa

Como nos safamos?

"A crise baralhou as contas do Governo, que corre o risco de entrar no ciclo eleitoral com o desemprego a crescer, os preços dos combustíveis a um nível proibitivo e o custo de bens essenciais a escaldar nos bolsos das famílias.

O cenário foi traçado por António Vitorino na RTP, partindo do pressuposto que a economia driblou a política. A solução estará no recurso aos fundos comunitários que aí vêm. Pode ser que o milagre se produza dessa maneira, mas convinha que não fosse em termos que reproduzissem os anteriores ciclos de desastre quando os fundos comunitários serviram para realizar investimento público não produtivo, submergido por gastos em pavilhões de exposições que não servem para nada, em formação profissional que não formou ninguém, em estruturas de saneamento que morreram ao fim de uma década.

Nem todo o investimento com dinheiros comunitários naufragou, mas a experiência portuguesa não é totalmente positiva. Basta lembrar as derrapagens de obras públicas. Gastar dinheiro público para reproduzir ciclos que perpetuam vícios assistencialistas do Estado na economia pode resolver os problemas eleitorais do PS, mas não resolve nenhum problema na economia. Sócrates pode safar-se com os fundos comunitários. E nós, simples contribuintes, como nos safamos?
"

Eduardo Dâmaso

UM HERÓI PORTUGUÊS

"O gravíssimo episódio dos cigarros apagou os outros reparos ao périplo venezuelano de Sócrates. É que algumas almas sensíveis a ditaduras condenaram a viagem de Sócrates à Venezuela como se a mesma fosse um folguedo sem pausas, a sorver daiquiris nas praias de Maracaíbo. Desde quando os sacrifícios de Estado são privilégio? Claro que Sócrates se encontrou com Chávez. E depois? A questão é justamente essa: Sócrates encontrou-se com Chávez. Quantos dos que o criticam teriam estômago para tanto?

Ao contrário do que se diz, o pior não é Chávez ser o típico tirano das bananas, dado à erradicação de liberdades, ao apoio de terroristas, a manifestações de megalomania pública e, em privado, a ter conversas consigo sobre o seu próprio destino. Com isso, e com o número crescente de miseráveis resultante do sucesso das políticas igualitárias locais, um homem civilizado pode relativamente bem. O pior é Chávez ser o boçal que é.

Tirando o romancista Sousa Tavares, que um dia confessou preferir almoçar com Chávez do que com George W. Bush, não sei de criatura normal que partilhe a preferência. Certo: Bush é mais rústico do que os seus defensores gostariam (e menos do que os seus detratores pretendem). Mas, em matéria de brutalidade, Chávez está fora de concurso.

Ver a criatura pela televisão já implica sangue-frio. Frequentar a mesma sala durante dois minutos deve ser coisa próxima da náusea, semelhante a assistir à "Tosca" no meio de claques da bola. Sócrates não se limitou a nada disso: a fim de arrancar uns barris de petróleo, confraternizou repetidamente com a criatura, ouviu a criatura citar Neruda e juntou-se à criatura numa prova de queijos portugueses. Aqui, atingiu-se o inultrapassável. O espectáculo de Chávez a degustar um serra mal curado enquanto evoca Bolívar e ri de boca aberta é insuportável para o ser humano médio.

Não é insuportável para Sócrates. E se é verdade que este fumou uns cigarros na viagem de ida, no lugar dele uma pessoa normal enchia-se de rum na viagem de volta. Para compensar o que afinal não bebeu na praia e, principalmente, para esquecer de vez a repugnante experiência. Apesar das suas fraquezas, em matéria de envergadura diplomática o primeiro-ministro é de uma dimensão desmedida. Um herói que, a troco da estabilidade petrolífera, penou por todos nós
."

Alberto Gonçalves

Quarta-feira, Maio 21, 2008

António Lopes Ribeiro


Irmão do actor Ribeirinho, começou por se dedicar à crítica cinematográfica, actividade a que se dedicou a partir dos 17 anos de idade, no jornal Diário de Lisboa, e no exercício da qual fundou diversas revistas dedicadas à crítica de cinema. Três anos mais tarde, estreia-se como realizador com o documentário Bailando ao Sol (1928).

De 1940 a 1970, parte da sua obra cinematográfica é dedicada aos actos oficiais do Estado Novo, sendo por isso chamado de "cineasta do regime". Alguns exemplos desta faceta de Lopes Ribeiro são A Revolução de Maio (1937), o Feitiço do Império (1940) ou Manifestação Nacional a Salazar (1941).

Para além destas duas actividades, António Lopes Ribeiro demarcou-se como produtor de cinema (fundador das Produções Lopes Ribeiro), jornalista, argumentista, profissional de televisão (como apresentador do programa Museu do Cinema, na RTP, nos anos 60), da rádio e figura do teatro.


Filmografia em Wikipedia

Como gostamos de saladinha de polvo...

Até amanhã e boa sorte!!!


Ainda a GALP

"A Galp Energia registou um lucro no primeiro trimestre deste ano de 109 milhões de euros, ou seja, 1,2 milhões de euros por dia. 'São excelentes resultados', admitiu o presidente da Galp, apesar das contas revelarem uma queda nos lucros de 8,4 por cento face a igual período de 2007, que só não foi maior devido às vendas de exploração e aos resultados da venda de gás. O mercado nacional registou uma quebra no consumo de gasolina da ordem dos 7,4 por cento e de 2 por cento no gasóleo (mais aqui)".
Na parte que nos toca, estamos a ter um prejuízo incalculável com o aumento dos juros, dos bens, da gasolina, dos impostos, etc. Haja alguém que tenha lucros nesta terra.

Etiquetas:

Júdice versus Marinho.

"A Ordem dos Advogados (OA) perdeu prestígio, capacidade negocial, não é respeitada, não lidera o combate pela justiça, nem houve um único acto legislativo que tivesse conseguido influenciar. Está entregue nas mãos de um populista que autoritariamente comanda tudo e todos e que entrou em conflito aberto com os conselhos distritais, o que não augura nada de bom. Não me lembro de algum bastonário ter criado alguma situação de tanta tensão com os conselhos distritais da Ordem dos Advogados. Quando o poder é pessoalizado, quando não existe descentralização, quando não há uma partilha de responsabilidades, não se verifica uma participação democrática, pois decide tudo completamente sozinho, os fermentos do processo ditadorial estão lá. Marinho Pinto foi, creio, o único bastonário que ganhou dinheiro a trabalhar com verbas da Ordem dos Advogados (mais aqui)".

José Miguel Júdice

Coisas da GALP.

"Galp diz que os preços até Abril subiram mais em Espanha que em Portugal. Se a escalada no preço do petróleo e dos combustíveis continuar terá de haver uma racionalização do número de postos de combustível em Portugal, afirmou ontem o presidente executivo da Galp Energia. Ferreira de Oliveira lembra que em Portugal as vendas por estação já estão abaixo das de Espanha e que se a quebra nos volumes vendidos continuar, será inevitável o encerramento de postos em Portugal para recuperar a rentabilidade do negócio de retalho (mais aqui)".
O senhor da GALP é engraçado. Disse que os preços subiram mais em Espanha mas esqueceu-se de dizer que “em Março, por exemplo, o gasóleo em Espanha era um dos mais baratos da UE, o quarto depois da Roménia, Bulgária e Eslovénia, sendo o quinto mais barato no caso da gasolina (mais aqui)”. Já agora, parabéns pelo lucro de 109 milhões (mais aqui)”

Etiquetas: ,

Vale e Azevedo.

"O mandado de captura passado em nome de João Vale e Azevedo já foi assinado pelo juiz Renato Barroso, que o condenou a sete anos e meio de prisão, e está nas mãos da procuradora Manuela Wapp, do Ministério Público da 5ª Vara da Boa-Hora, Lisboa. O ex-presidente do Benfica, apurou o CM junto da Procuradoria-Geral da República, é oficialmente e desde ontem um fugitivo à Justiça.

Se Vale e Azevedo cumprir pena 'até é moralmente reconfortante' para Pedro Dantas da Cunha, burlado em milhões pelo antigo amigo, mas a cadeia não apaga a revolta do empresário. 'Já não tem nada em nome dele e terá três ou quatro gerações da família a viver luxuosamente, com acesso aos melhores colégios e condições de vida, com dinheiro que me foi roubado, à Caixa Geral de Depósitos e ao Benfica. Continuará rico. Dois ou três anos de cadeia em troca de milhões seria uma opção tentadora para muita gente. Nunca para mim, mas seguramente para muita gente. A justiça tem destas lacunas', lamenta ao CM o empresário. Contas feitas, entre indemnização e juros, onze anos depois, Vale deve cerca de vinte milhões – a dividir por Dantas da Cunha e pela CGD
(mais aqui)".
"António Colaço já havia solicitado a prisão preventiva de Vale e Azevedo no âmbito de um outro processo relacionado com a alegada falsificação das cauções apresentadas pelo arguido ao tribunal, mas segundo o causídico o juiz entendeu que não era de aplicar tal medida de coacção mais grave (mais aqui)".

PSP agredidos à porta de escola.

"Dois agentes da PSP de Oeiras – ligados ao programa Escola Segura – foram agredidos anteontem à tarde junto à Escola Sophia de Mello Breyner, em Carnaxide, Oeiras. Ambos tiveram de receber tratamento hospitalar devido aos hematomas infligidos por três jovens com 18 e 19 anos, um deles ex-aluno daquele estabelecimento. Os três jovens foram notificados para comparecer ontem de manhã no Tribunal de Oeiras, mas só um apareceu. Desconhece-se a medida de coacção aplicada (mais aqui)".
A leitura das novidades texanas constituem sempre uma delícia. Veiam coma a nova lei penal poupa trabalho aos tribunais. Só apareceu um que depois vai informar os outros dois que não apareceram. O tribunal não perdeu muito tempo e os outros dois ficaram com tempo livre para desenvolverem as suas actividades lúdicas como a descrita nesta notícia.

Etiquetas:

21 de Maio de 1968



Dez milhões de franceses fazem greve.

Em 1968, descontentes com a disciplina rígida, os currículos escolares e a estrutura académica conservadora, estudantes de Paris organizam protestos que levam à ocupação da Universidade de Nanterre (oeste de Paris), em 23 de Março. Eles contestam também a situação social e política do país e o governo do general Charles de Gaulle, em virtude do desgaste provocado pela guerra de independência da Argélia. Entre os slogans criados estão É Proibido Proibir, O Poder Está nas Ruas e A Imaginação no Poder. A decisão da reitoria de fechar a faculdade, em 3 de Maio, faz a Sorbonne abrir as portas para os alunos de Nanterre. Influenciados pelos estudantes, operários de Paris realizam protestos, ocupando fábricas e organizando passeatas e greves. No Quartier Latin, bairro dos intelectuais em Paris, há barricadas. Em 6 de Maio ocorre o confronto entre 13 mil jovens e a polícia. A policia lança bombas de gás lacrimogêneo, respondidas com pedras pelos jovens. Entre os líderes estudantis destacam-se Daniel Cohn-Bendit e Tiennot Grumbach. Nos dias seguintes, continuam as manifestações, e cerca de 150 carros são danificados ou incendiados. A princípio, o governo francês fica paralisado. Mas a situação é controlada no final de Maio, com violenta repressão. No total são mais de 1,5 mil feridos. O governo de De Gaulle, abalado, sustenta-se no poder somente até Abril de 1969.

Os acontecimentos em Paris fazem parte de um movimento maior de contestação que ocorre em vários países do Ocidente, como Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Suíça, Dinamarca, Espanha, Reino Unido, Polónia, México, Argentina e Chile. Jovens e trabalhadores protestam contra a situação do pós-guerra, as guerras e as ocupações imperialistas. Nos Estados Unidos, por exemplo, os jovens opõem-se à Guerra do Vietnam e fazem manifestações do movimento hippie. Nas críticas, de modo geral, existe uma mistura de radicalismo político e irreverência, que acusa tanto o capitalismo como o socialismo.

Lord of The Ring III

O pecado mora na bomba de gasolina

"Não é só o preço da gasolina que está a ficar insuportável; a pressão social sobre o Governo e gasolineiras também. Uns e outros começaram por culpar os produtores de petróleo, que vendem caro. Depois, culparam os especuladores, que empolam o preço.
Agora, começaram a culpar-se mutuamente: as empresas queixam-se dos impostos; o Governo suspeita e atira a responsabilidade para a Autoridade da Concorrência, que evidentemente não vai provar nada.

Nenhuma Autoridade da Concorrência do mundo provou até hoje um cartel entre gasolineiras. Este é precisamente o crime do Direito da Concorrência mais difícil de provar: não basta o paralelismo de preços, é preciso provar que houve contacto entre empresas e que se promoveu a concertação.

Mais: não é preciso um cartel para haver concertação de preços. Basta que haja um líder de mercado com uma quota desequilibradamente grande e poucos concorrentes que se põem debaixo do chapéu de chuva: o líder marca o preço, os outros acompanham. Ora, ironicamente, o contestatário presidente da Anarec até está a ajudar as gasolineiras a concertarem preços, desde que passou a anunciar os aumentos de véspera. Os concorrentes ouvem e aumentam à mesma hora.

Mas se a teoria de conspiração entre gasolineiras é apenas isso só, a falta de concorrência no sector é um facto observável a olho nu. O problema começa na produção (onde há um cartel legal e não escrutinável, a OPEP), que extrai petróleo por dois ou 20 dólares, uma pequena percentagem dos mais de 120 dólares com que o barril é transaccionado nas bolsas. Porque o próprio produtor lucra. E porque os “especuladores” (uma espécie de eufemismo ao contrário para investidores) compram futuros assentes na expectativa de que o petróleo fique ainda mais caro. A procura é muita. E é cada vez maior a canalização de dinheiro para estes tipo de produtos (investimento hoje acessível a qualquer investidor, através de fundos e produtos estruturados).

OK, chegamos a um preço internacional comum. Mas, protesta-se, isso não justifica esta persistência dos aumentos, que remete para os períodos de hiper-inflação no Brasil, quando os produtos à tarde eram mais caros que de manhã. E a pressão social aumenta, desconfiada de uma parceria público-privado entre um Estado que encaixa mais de metade do preço de venda em impostos e gasolineiras que lucram cada vez mais.

Duas coisas são factualmente verdade: o Estado português é alarve na tributação das gasolinas; mas mesmo sem impostos, as nossas gasolinas são mais caras que outras na Europa.

O Governo não tem solução e o Estado tem pesos na consciência por ter feito mal a liberalização dos preços. Na verdade, os preços não são livres, são vigiados. Vigia-os a Autoridade da Concorrência, que produz relatórios há quatro anos sobre os preços praticados em Portugal; que recomendou o licenciamento livre em hipermercados, onde hoje se vende mais barato; que propôs painéis comparativos de preços à entrada das auto-estradas, onde se continua a vender mais caro. O Governo aprovou há um ano. Mas placas não há, ninguém as quer pagar...

Bem pode o Governo chutar para a Concorrência, a bola fará ricochete. Um ministro terá de vir explicar uma de duas coisas: se for o das Finanças, ou pede resignação aos preços internacionais ou desce o ISP; se for o da Economia, ou anuncia uma intervenção ou cria um “défice tarifário” que se paga mais tarde.

Esperemos que seja Teixeira dos Santos a falar
."

Pedro Santos Guerreiro

Berardo e "OPA chinesa" marcam ano sem glória

"O Benfica cumpre amanhã um ano em bolsa. Um ano agitado. A OPA de Joe Berardo e a pretensa "OPA chinesa" apimentaram a negociação das acções mas não evitaram um aniversário sem glória, na bolsa.

Os títulos valem menos de metade do que na estreia e geram menos-valias potenciais substanciais aos mais de 50 mil accionistas que continuam a ver nos títulos da SAD mais do que um investimento financeiro. É a acção do "coração".

As acções da SAD encarnada estrearam no mercado de capitais a 22 de Maio do ano passado. O arranque foi positivo, com os títulos a fixarem-se nos 6,00 euros no primeiro negócio, bem acima dos 5,00 euros que serviram de referência para a estreia das acções.

Ontem, e praticamente doze meses depois, estas mesmas acções apresentavam um valor de 2,17 euros. Uma quebra acumulada de 56% que acaba por não surpreender, dado o exemplo das SAD rivais, a do Sporting e do FC Porto que têm atingido, sucessivamente, novos mínimos em bolsa
."

Jornal de Negócios

Seis anos de esvaziamento das expectativas dos portugueses

"A maior consequência do modesto crescimento previsto para a economia portuguesa em 2008 e 2009 – bem abaixo do esperado há um ano – será no emprego.

Vários economistas alertam para o facto de este enfraquecimento da actividade colocar em causa a previsão de descida do desemprego defendida na semana passada pelo ministro das Finanças – a criação de emprego será menor (também na Europa, avisou ontem Bruxelas) e o desemprego continuará alto. Este agravamento das condições de vida de muitos portugueses não faria seguramente parte dos planos do Governo, que está a menos de um ano e meio das eleições. O défice das contas públicas está controlado, mas isso diz pouco a muitas pessoas – é certo que a oposição do PSD, por agora em escombros, irá pegar neste ponto (Ferreira Leite e Passos Coelho já deram sinais claros). Do ponto de vista político Sócrates tem, contudo, um ponto favor: desde o célebre discurso da tanga de Durão Barroso, em 2002, a política económica tem esvaziado por completo as expectativas dos portugueses. Quando já ninguém acredita, a desilusão com a realidade é menor.
"

Bruno Faria Lopes

Altura de falar verdade sobre a dimensão da crise

"É mau sinal que o ministro da Economia tenha tentado tapar o sol com uma peneira ao ensaiar um desmentido canhestro ao anúncio feito pelo Eurostat de que o investimento directo estrangeiro (IDE) no nosso país caiu quase 60% no ano passado. Disse o ministro que o IDE que interessa - "os projectos de raiz" - até nem caiu, e que a culpa desta espectacular quebra foi do imobiliário.

Não faz sentido maquilhar a triste e dura realidade da crise internacional que, como era de esperar, está a atingir em cheio Portugal. Em Março, a construção caiu 2,7%, enquanto nos serviços o volume de negócios registou uma variação negativa de 3,8% - sendo que estes dois sectores juntos valem 68% do PIB. E o índice de produção industrial interrompeu dois anos consecutivos de crescimento, com uma quebra de 3,6% . O crescimento de 0,9% da nossa economia no primeiro trimestre foi o mais baixo da Zona Euro, que no mesmo período acelerou 2,2%.

O que todo o Governo tem a fazer é aprofundar a política iniciada na conferência de imprensa dada pelo ministro das Finanças no final da última reunião do Conselho de Ministros. Olhar os portugueses nos olhos, falar verdade, não lhes escondendo que atravessamos uma crise da qual não sabemos quando sairemos - e que por isso têm de estar preparados para viver com menos dinheiro nos bolsos
."

DE PEQUENINO SE CONVERTE O MENINO

"Em vez de dedicar o dia a elevadas funções como visitas ao estrangeiro, cumprimentos a futebolistas ou apelos à confiança da nação, o presidente da República decidiu preenchê-lo com um encontro de jovens em Belém. Curiosamente, para um convívio que visava discutir o trágico afastamento entre os jovens e a política, o prof. Cavaco apenas convocou jovens assaz próximos da política: juventudes partidárias, dirigentes de associações estudantis, promessas do sindicalismo, etc.

Não admira a unanimidade das conclusões. A uma voz, o presidente e a rapaziada proclamaram a urgência em promover outros encontros do género e, decerto para abranger a mocidade da província, em alargá-los a um "roteiro" nacional. Admiráveis são as próprias conclusões, as quais incluem a elaboração, pelas autarquias, de "planos estratégicos" que possam "estimular o interesse dos jovens pela política" e a "formação cívica" logo no infantário.

Não tarda, a politização dos petizes exigirá submetê-los a leituras da Constituição após os 36 meses de vida, à contemplação obrigatória do Canal Parlamento após os dezoito e à inscrição dos fetos em organizações de carácter interventivo e social até aos seis. O parto poderia decorrer nas sedes concelhias dos partidos, aliás uma resposta definitiva ao sumiço das maternidades.

Assim, e só assim, o país estará apto a produzir gerações jovens conscientes e esclarecidos, que se levam completamente a sério, dizem "atempadamente" sem um pingo de ironia e tendem a lamuriar-se junto dos crescidos com interessante insistência. Face a isto, apenas não se percebe a razão do corrente barulho em volta de crianças desaparecidas, maltratadas ou retiradas à força dos pais biológicos e adoptivos. O futuro que o professor Cavaco promete às crianças restantes não é mais radioso.
"

Alberto Gonçalves

Terça-feira, Maio 20, 2008

20 de Maio de 1941.


Ainda antes da captura final da Grécia, os estrategistas alemães estavam estudando o último objetivo da limitada campanha dos Balcãs: a estratégica ilha de Creta, a 96 km ao sul do continente grego. A 25 de abril Hitler assinou sua 28ª diretiva de guerra, que dizia:
" Como base para guerra aérea contra a Grã-Bretanha no Mediterrâneo Oriental, temos de nos preparar para ocupar a ilha de Creta (Operação Mercúcio)...O Comando desta operação é confiado ao Comandante-Chefe da Luftwaffe, que empregará para esse fim, primeiramente, as forças aerotransportadas e as forças aéreas estacionadas na área do Mediterrâneo..." Ao contrário do que ocorria com outras nações, as tropas aerotransportadas alemãs eram parte integrante da força aérea, e não do exército. Daí a responsabilidade da Luftwaffe pelo ataque à Creta.


Para a invasão aerotransportada (Operação Merkur), comandada pelo general Kurt Student (1890-1978), reuniu -se uma força de 493 transportes Ju 52s, mais uns 100 planadores de assalto DFS 230, nos aeródromos dos arredores