Ida para Bruxelas - 2
Eu cá não vejo esse automatismo do prestígio e/ou visibilidade para Portugal, pelo facto do Burroso ir para Bruxelas. E pergunto-me: qual foi a visibilidade e o prestígio que ganhou anteriormente o Luxemburgo? A meu ver a visibilidade foi zero, e o prestígio foi negativo, dado o desempenho amorfo do Jacques Santer.
Candidatura que obedece ao princípio do menor denominador comum, para um órgão cada vez mais esvaído de poderes, percebe-se assim melhor a escolha de Burroso: se na América reina um mongolóide, porque não um presidente mentecapto na Comissão Europeia? A continuar assim, não tarda a síndroma de Down será condição necessária para o preenchimento de cargos protocolares.
Internamente, a saída de Burroso não representa por si só um problema. Ele que vá, para o mais longe possível, e de preferência que leve consigo todos os outros.
Assim, o problema não resulta da saída de Burroso, mas da permanência dos demais.
Também não deixa de ser curiosa a leitura dos acontecimentos, opondo forma e substância, dizendo grosso modo que «a Constituição diz que os eleitores votam em partidos mas os eleitores votam em pessoas». En passant, instala-se a noção de que a Constituição da República não passa de um documento ridículo, uma mera cartilha para mestres-de-cerimónia que não é para levar a sério nos momentos importantes, quando há uma semana atrás era uma trincheira de referência, só contornável por via de um referendo.
Penso que o Sampaio só pode é garantir a Constituição, nunca relativizá-la. O resto é negócio de bastidores, para um hipotético PSD de bom-senso impedir internamente que o palhaço vaidoso do Santana Lopes adquira um protagonismo que não merece e para o qual não está habilitado.
O que se não fosse tão destrutivo para o país até seria bom, na medida em que assim, a médio prazo, purgar-se-ia o país em várias frentes.
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ADIÓS, MAMÁ CARLOTA
I
Alegre el marinero
Con voz pausada canta,
Y el ancla ya levanta
Con extraño rumor.
La nave va en los mares
Botando cual pelota.
Adiós, mamá Carlota;
Adiós, mi tierno amor.
II
De la remota playa
Te mira con tristeza
La estúpida nobleza
Del mocho y del traidor.
En lo hondo de su pecho
Ya sienten su derrota.
Adiós, mamá Carlota;
Adiós, mi tierno amor.
III
Acábanse en Palacio
Tertulias, juegos, bailes,
Agítanse los frailes
En fuerza de dolor.
La chusma de las cruces
Gritando se alborota.
Adiós, mamá Carlota;
Adiós, mi tierno amor.
IV
Murmuran sordamente
Los tristes chambelanes,
Lloran los capellanes
Y las damas de honor.
El triste Chuchu Hermosa
Canta con lira rota:
Adiós, mamá Carlota;
Adiós, mi tierno amor.
V
Y en tanto los chinacos
Que ya cantan victoria,
Guardando tu memoria
Sin miedo ni rencor,
Dicen mientras el viento
Tu embarcación azota;
Adiós, mi tierno amor
[Vicente Riva Palacio]

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