Fahrenheit 9/11
Ainda não vi o novo filme de Michael Moore mas, a polémica que o tem rodeado suscita a controvérsia e o desfile de opiniões, quer sobre Bush quer sobre o próprio Michael Moore.
Penso que se pode dizer, com o mínimo de bom senso e objectividade, que Bush é provavelmente o presidente mais imbecil,incompetente e perigosamente inimputável da história - não muito rica, acresente-se - da política norte americana. Por muito que custe a certos opinion makers que mais não fazem do que alinhar acriticamente com as decisões mais inacreditáveis da politica externa norte americana (sim, estou a pensar em Luis Delgado!), isso é um facto relativamente pacífico e amplamente consensual. O homem não nasceu para a politica e como se isso não bastasse, rodeou-se de assessores que manifestam apetência para a manipulação e representam o que de mais retrógado e tradicionalsta existe na sociedade americana.
Quanto ao filme em si - e repito, sem ainda o ter visto - pode-se esperar o previsível de um típico filme de propaganda: uma montagem mais ou menos distorcida da realidade, a manipulação de entrevistas e de opiniões retiradas fora do contexto para demonstrar algo, a cartoonização de situações e de próprias personagens, a mistura de factos reais com ficção, tudo com o objectivo publicamente declarado de convencer o máximo número de pessoas a não votarem em Bush nas próximas eleições. Este é o desígnio de Moore mas não é crível que os defensores de Bush passem a detestá-lo e vice-versa. É mais provável o extremar de posições do que propriamente a transferência de eleitorado como consequência directa de um filme que, entre outras coisas, denuncia (inventa? exagera?) ligações de Bush com a família Bin Laden.
Nos EUA, frequentemente assistimos ao patriotismo falar mais alto que o racionalismo, havendo um apelo sentimental à união, mesmo que superficial, sempre que o orgulho americano é atingido. Vimos os próprios meios de comunicação americanos tomarem sempre - independentemente de quem for governante- o partido do Prsidente, mesmo que isso signifique a omissão e inclusivamente a censura de imagens ou declarações lesivas aos supremos interesses da Nação americana. Vimos as pressões das distribuidoras para que o filme não fosse exibido nos EUA, o que - após a discutível Palma de Ouro em Cannes e subsequente projecção internacional - era quase impossivel evitar.
Eu pela minha parte confesso: irei ver o filme, embora saiba de antemão que aquilo é um panfleto, quase uma caricatura. Mas como todas as caricaturas, embora exageradas, existe sempre um fundo de verdade. E, neste caso, a realidade é infelizmente uma triste caricatura.

2 Comments:
Excellent, love it! » »
best regards, nice info film editing schools
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