sábado, outubro 31, 2009

Kisa je padala

Gripe A

"Esta gripe é uma roleta russa. Nos casos graves, 60% das pessoas têm outras doenças, mas há 40% que são saudáveis. Por isso, a pessoa tem que estar atenta aos sinais de agravamento... Não há dados muito fiáveis. Mas a Austrália e Nova Zelândia confirmam que o vírus é bipolar: relativamente seguro numa grande faixa da população e muito grave numa pequena percentagem. A incidência nesses países não ultrapassou os 15%. Uma gripe sazonal razoável cobre 5%, uma má 10%. Uma pandemia com 15% não ombreia com nenhuma das três do século anterior. Mas 15% é 50% mais do que uma gripe sazonal mais pesada e desorganiza a sociedade. Se se repetir o que aconteceu na Austrália, ficamos satisfeitos. Mas não podemos saber... (mais aqui)"

Novas bolhas

"Existem algumas razões para a proliferação de bolhas, entre as quais a dimensão do sector financeiro, o problema das instituições demasiado grandes para falirem e a renovada sede dos bancos pelo risco.

Os governos não têm sabido lidar com estes aspectos, mas também não podemos esperar que os bancos centrais garantam uma cura para estes males, muito embora possam lidar com alguns dos sintomas. Isto porque os sintomas são igualmente importantes.

Alguns economistas continuam a mostrar-se desfavoráveis ao "rebentamento" das bolhas por parte dos bancos centrais sob o pretexto de a política monetária não poder controlar os preços ao consumidor e os preços dos activos utilizando apenas um instrumento, isto é, a taxa de juro a curto prazo. Seguem-se quatro propostas que têm subjacente o uso dos instrumentos existentes de uma forma mais flexível, bem como a criação de novos instrumentos.

A primeira pressupõe o uso de instrumentos regulatórios alternativos quando disponíveis. Nos países onde esta opção é viável, esses instrumentos poderiam, por exemplo, ser aplicados ao mercado imobiliário, na condição de se ajustar o "tecto" do rácio entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel às condições de mercado.

A segunda proposta implica que os bancos centrais utilizem a margem de manobra existente na sua política monetária. Ou seja, não devem optar pela taxa de juro mais baixa para serem coerentes com a sua definição de estabilidade dos preços, mas escolher uma taxa de juro mais alta em caso de bolha.

A terceira requer que os bancos centrais complementem os seus modelos de previsão económica com uma análise das condições monetárias e financeiras, pelo facto de esses modelos não reflectirem choques financeiros nem bolhas.

Por último, é fundamental que haja coordenação entre os diversos bancos centrais. Embora cada um disponha de instrumentos para garantir a estabilidade dos preços na sua própria jurisdição, não podem esquecer que os preços dos activos tendem a correlacionar-se globalmente. O ideal seria concertarem medidas para darem um sinal mais forte.

Tenho consciência de que estas medidas não vão resolver o problema da instabilidade financeira e de que este só poderá ser solucionado através de uma reforma profunda do sector financeiro. No entanto, talvez seja melhor experimentar algumas das ferramentas referidas do que fingir que o problema vai resolver-se por si só.

Desconfio que já estamos perante novas bolhas nos mercados globais de acções e obrigações, e nalgumas secções do mercado de matérias-primas. Ora, essas bolhas poderão rebentar muito antes de a economia mundial recuperar da bolha mais recente. A meu ver, os bancos centrais deveriam rebentá-las antes que provoquem uma calamidade
."

Wolfgang Munchau

Escravos

"A escravatura é assunto sério. Serve, por exemplo, para que o Ocidente se fustigue pelos crimes dos seus antepassados.

Ou então, em versão moderna, para denunciar o ‘tráfico de mulheres’ e defender a imperiosa necessidade de liberalizar a prostituição, como se a medida fosse o fim do problema. Infelizmente, não é. Primeiro, porque a grande escravatura continua a ser a clássica: em África ou na Ásia existem hoje mais escravos braçais do que em qualquer outro período da história humana. E, segundo, porque Portugal não escapa ao fenómeno: os nove portugueses escravizados, famintos e acorrentados em Espanha são apenas uma amostra do que se passa a duas horas de Lisboa. E que Lisboa faz de conta que não vê. Os nossos progressistas adoram as ‘causas fracturantes’. Mas nove seres humanos tratados como animais não têm o mesmo charme
."

João Pereira Coutinho

É preciso abrir o olho.

"De acordo com o relatório da organização internacional dos Repórteres sem Fronteiras, Portugal caiu do 16º para o 30º lugar no ranking da liberdade de imprensa. Dando como assente que em democracia nenhum dos seus valores estruturantes, de que faz parte a liberdade de imprensa, é absoluto, mostra-se evidente que esta queda no ranking é preocupante.

É preciso abrir o olho, porque as novas tendências políticas não gostam de poderes livres e independentes, que fiscalizam, que questionam, que querem saber mais, porque a sua missão é a busca da verdade.

A verdade é que não precisávamos deste relatório para sentir no ar este cheiro asfixiante, que se revela de múltiplas maneiras. O cidadão tem de estar com os olhos bem abertos, porque a liberdade de imprensa é um valor que lhe pertence. É em nome dele que ela existe, por isso tem obrigação de a defender. Esperar que seja o poder político, as empresas de comunicação ou os jornalistas a defenderem a liberdade de imprensa é não querer acordar de um sonho.

Não vale a pena recorrer a interpretações enganosas para afirmar que tal acontece porque a forma de comunicar mudou ou porque o jornalismo já não funciona como funcionava. O mal não está na mudança, mas na substância, ou seja, no tipo de jornalista que temos e no jornalismo praticado. A subserviência, o jornalista de coluna vergada, a ausência de consciência ética da profissão e a não assumpção de uma cultura de responsabilidade estão a matar a liberdade de imprensa. A nova ordem comunicacional, com uma lógica empresarial que alterou os métodos e a forma de conceber e fazer jornalismo, não pode ser a única responsável. Sabemos que temos uma sociedade civil fraca e pouco exigente, mas é importante ter consciência desta realidade.

Como o mundo caminha, os governos vão ter cada vez mais dificuldades em passar as suas mensagens políticas e em fazer uma governação honesta. Estamos a viver o tempo das manigâncias e dos compadrios na arte da governação. A denúncia pública destes comportamentos e a identificação dos seus autores só é possível com uma comunicação social forte e credível.

O que está em jogo, para além da garantia constitucional da liberdade de imprensa, é o direito que a sociedade tem de ser informada. Sem dúvida que a democracia cresce quando os média têm trajectórias claras e transparentes. Por exemplo, o combate à corrupção e à criminalidade económico-financeira só é possível graças à força de uma imprensa livre e de uma opinião pública informada. Toda a atitude antiética e esquiva não passa de uma canhestra tentativa de acorrentar os princípios universais da liberdade de imprensa.

A imprensa não existe para agradar.O seu compromisso é com a verdade e com os diferentes públicos. Precisamos dos dois olhos bem abertos
."

Rui Rangel

sexta-feira, outubro 30, 2009

Quem manda nesta sucata?

"Quem manda nas empresas que terão tido funcionários e administradores que delas se serviram? Quem manda nos concursos lançados e contratos assinados? Quem manda corromper quem quer ser corrompido? Quem manda neste sistema de Justiça, que expõe os seus suspeitos?

A Polícia Judiciária escolheu um nome apropriado para a operação: "Face Oculta". São ocultos os seus mandantes e os seus tratantes. Estes não são crimes de presidentes à procura de prémios ou de accionistas a empolar lucros. As empresas são grandes mas os estupores são pequenos. Eis uma história de muitos pequenos corrompidos e de poucos grandes corruptores. E da eterna náusea de financiamento partidário pelo meio.

Galp, EDP, BCP, REN, CP, Refer são das maiores empresas portuguesas, cotadas com milhares de investidores ou estatizadas com milhões de accionistas. Mas não são elas as beneficiárias dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais, associação criminosa, tráfico de influências e peculato de que se suspeita. Pelo contrário, elas foram, se as suspeitas se confirmarem, prejudicadas, com maus negócios aprovados por alguém da cadeia hierárquica.

Uma cadeia é tão forte quanto o seu elo mais fraco. E todos os códigos de ética, manuais de conduta ou leis nacionais valem o mesmo que as suas lacunas e ambiguidades. O mundo está cheio de escroques. Portugal está cheio de escroques com poder. Mesmo que um pequeno e lucrativo poder.

Uma empresa grande é um ninho de potencial desgovernação. Quem controla os concursos lançados? Quem garante que não são feitos à medida? Quem está na cancela da rua contando o número de toneladas de sucata que saem?

Em muitas destas empresas os seus presidentes não são cegos, mas impotentes. Conhecem as pequenas máfias instaladas, sabem quem as comanda, mas não conseguindo prová-las, não as desalojam. Há até casos em que foram obrigados a reintegrá-las por ordem dos tribunais.

Este é o retrato de um país habitado por "senhores 10%", que recebem a comissãozinha por fechar os olhos, passar o papel para o fundo da pilha, mudar a vírgula. Um intestino pútrido de gente que se vende por vinte tostões com a prévia desculpa de que toda a gente assim faz.

O processo "Face Oculta" vai fazer correr muita tinta. Teófilo Santiago, o responsável da PJ, e João Marques Vidal, o procurador, têm reputação de rigorosos e implacáveis. E este processo já mostrou que não é verdade que o PS controle a justiça.

É um caso de crimes de sargentos mas também há generais. Paulo Penedos, arguido, não é um deles mas o seu pai, José Penedos, já foi envolvido, a semanas de terminar o seu mandato na REN, cuja renovação pode ficar comprometida. Mas o peixe mais graúdo nesta rede é Armando Vara, vice-presidente do BCP, qualificado no mandado como "pessoa influente em empresas com participações do Estado".

Armando Vara é inocente até prova em contrário. Mas o BCP, que anda a limpar o seu passado, a negociar indemnizações com aqueles que prejudicou e a separar o passado do futuro, não suporta mais um escândalo. No Natal de 2007, quando se soube da nova administração do BCP, aqui escrevi: "Leiam estas linhas: Santos Ferreira pode fazer parte da solução do BCP mas Armando Vara representa um novo problema." Vara devia suspender o seu mandato na administração do BCP. Mesmo, ou sobretudo, se se diz inocente: o interesse do banco é superior ao seu
."

Pedro Santos Guerreiro

quinta-feira, outubro 29, 2009

Stirb nicht vor mir

Gripe A.

"O menino de 10 anos que, anteontem, quarta-feira, morreu no Hospital D. Estefânia, em Lisboa, infectado com o vírus H1N1, sofria de uma cardiopatia congénita até então desconhecida (mais aqui)"
Portanto a gripe A pode gerar uma série de infecções em que a evolução é mais galopante dependendo da enorme variedade dos sistemas imunológicos da espécie humana. Uma espécie de SIDA para abreviar as coisas.

Parece que grande parte do alarmismo oficial tem justificação…

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Transporte público.

"PSP deteve um homem de 40 anos na estação da CP de Rio de Mouro, na Linha de Sintra, por ameaça a um revisor com uma catana com 40 centímetros de lâmina (mais aqui)"
Deixe o carro em casa e sinta a emoção de viajar em transporte público…

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A primeira prioridade.

"Cavaco Silva disse a José Sócrates que este era o tempo da cultura de negociação com a Oposição e, obviamente, com os parceiros sociais.

Com toda a legitimidade para governar e cumprir o mandato de quatro anos, o novo Executivo não pode, de acordo com as palavras do Presidente da República, manter a atitude arrogante que caracterizou a acção do anterior Governo durante quatro anos e meio.

A estas palavras sábias, Sócrates respondeu com a arrogância do costume. Lembrou que o voto do eleitorado em 27 de Setembro lhe dava toda a legitimidade para manter o rumo reformista do passado e que o Governo já tinha o seu rumo definido.

Percebe-se claramente qual é o caminho que o primeiro-ministro pretende tomar nos tempos mais próximos. Um caminho que o leve, no mais curto prazo de tempo possível, a novas eleições e, claro, a uma nova maioria absoluta. Para isso, manteve o seu núcleo duro, afastou as peças mais polémicas que fizeram o PS perder votos, arranjou umas figuras simpáticas para a Educação, Agricultura e Trabalho e agora pretende ignorar a Oposição e o Parlamento. Isto é, Sócrates vai atirar à cara dos partidos a recusa em fazerem coligações ou acordos parlamentares e fazer chantagem com novas eleições. Esta é a primeira e grande prioridade do novo Governo
."

António Ribeiro Ferreira

quarta-feira, outubro 28, 2009

Vacinas e vacinas e a Espanha aqui tão perto....

Começou o protocolo de vacinação em Portugal com as recomendações, as fases e identificação dos grupos a que devem ser administradas.
Não vou aqui tecer considerações acerca das fases ou dos grupos alvo, são coisas da responsabilidade de quem desenhou o esquema.
Portugal comprou as vacinas aprovadas pela EMEA contra o vírus A (H1N1) segundo a informação de que dispomos e é pública, será a vacina da GSK (Pandemrix), igual à (Focetria) da Novartis.
Em Espanha foram compradas segundo os dados de que dispomos e portanto transmitidos pelos canais oficiais, as referidas e ainda a vacina da Baxter (Celvapan) para as grávidas, dado que é a única que não leva nenhum adjuvante, nem mertiolato, nem esqualeno por exemplo, para recordar.
As vacinas são obtidas através de vírus cultivados em embrião de ovo de galinhas sãs, o que é o caso da Pandemrix e da Focetria.
Só a Celvapan da Baxter está como já disse livre de adjuvantes e o seu desenvolvimento ou as culturas virais são feitas em células Vero (podem pesquizar na Net o que são).
Ora quem tem alergia às proteínas de ovo não pode também fazer estas vacinas, apenas pode fazer a vacina da Baxter, mas posso dizer também, que nos grupos de risco aumentado há pessoas com hipersensibilidade aumentada como é o caso dos asmáticos, pelo que deveriam fazer uma vacina sem adjuvantes.
Em Espanha este problema começa a ser levantado e com legitimidade científica, e é com factos científicos que eu coloco e tento colocar as questões, não discuto estados de alma, mesmo que venham de pessoas com graus académicos muito elevados, porque infelizmente neste país já se percebeu o que são alguns graus académicos que por aí andam.
Ponho as questões para que cada um pense e investigue por sua conta e na hora de decidir, decida como deve, minimamente informado como deve.
Eu espero que não vá descobrir que se importou vacina da Baxter para alguns aqui pelo sítio, porque vivemos num sítio de manhosos, porque a coisa podem crer é como o azeite e a água.

Questões de carácter

"O discurso do Presidente da República na posse do XVIII Governo Constitucional marcou toda a cerimónia de ontem no Palácio da Ajuda. Cavaco Silva fez questão de voltar ao tema das suas difíceis relações com José Sócrates, que aqueceu o Verão político e a própria campanha eleitoral das Legislativas.

De uma forma clara, o Presidente da República disse ao novo primeiro-ministro que "os cargos públicos são efémeros, mas o carácter dos homens é duradouro. Não são os cargos que definem a nossa personalidade, mas aquilo que somos em tudo aquilo que fazemos". Preto no branco, uma directa ao coração de José Sócrates. E para que os portugueses percebessem bem o que esteve no centro do conflito público e duro entre Belém e S. Bento, Cavaco Silva afirmou "que nunca faltei à palavra dada e aos compromissos que assumi, em público ou privado". Um discurso forte, sem papas na língua, directo ao homem que estava sentado ao seu lado e a quem tinha dado posse como primeiro-ministro. E se o Presidente da República insiste na cooperação estratégica com o Governo, Sócrates, na resposta, ficou-se pela cooperação institucional. Uma coisa é certa. Cavaco Silva fez um aviso forte e explícito ao primeiro-ministro: não lhe vai perdoar mais mentiras ou faltas de carácter, públicas ou privadas
."

António Ribeiro Ferreira

Uma aventura eleitoralista.

"Há demasiado tempo, talvez em 1984, a professora de História do 9.º ano prometeu um livro, não identificado, ao aluno com o melhor teste. No dia da grande decisão, a professora disse o meu nome e eu levantei-me, embaraçado pela distinção, satisfeito pelo prémio. Num ápice, fiquei-me pelo embaraço: o prémio era um livrinho da colecção "Uma Aventura", cópia indígena e pelintra dos "Famous Five" de Enid Blyton, os quais, aliás, lera aos seis anos. Aos catorze, andava, provavelmente sem compreender, pelos Camus e Kafka da praxe. Dei o livrinho a uma prima bebé e no 9.º ano não repeti os bons resultados a História. Embora a duras penas, aprendi nesse momento a incapacidade da docência em "motivar" as crianças. E aprendi o nome de Isabel Alçada, co-autora da mencionada colecção e hoje, talvez ironicamente, ministra da Educação. Pelo meio, ouvi que a senhora passou pelo Plano Nacional de Leitura, onde continuou a tentar infantilizar a população estudantil, tarefa nada difícil.

Dos novos ministros, o meu conhecimento esgota-se aqui. O meu e, ao que parece, o de toda a gente. Quando se diz que os estreantes constituem uma aposta do eng. Sócrates na "componente técnica", pretende-se dizer que ninguém tem ideia de quem sejam. Juntos na obediência dócil ao eng. Sócrates, estreantes e repetentes apontam dois caminhos. O primeiro é o desejo de sossegar polémicas (Educação, Saúde) ou em não as criar (Justiça, Administração Interna): oficialmente, o "reformismo" terminou antes de deixar marcas. O segundo caminho prende-se inteirinho com o dinheiro e, mediante abraço à esquerda e desprezo à despesa pública, descreve-se em três palavras: gastar, gastar, gastar. As Obras Públicas foram para um entusiasta das mesmas. A Economia foi para o dr. Vieira da Silva do Trabalho. O trabalho foi para uma sindicalista. E as Finanças permanecem no dr. Teixeira dos Santos, cujos méritos, esses sim técnicos, não moderam os propósitos do chefe.

Aparentemente, o chefe procedeu a um levantamento dos maiores problemas nacionais e inventou um Governo empenhado em mantê-los ou agravá-los. Com sorte, enquanto a médio prazo o país se afunda, no curto a popularidade do primeiro-ministro sobe, o que virá a jeito para dissuadir ou vencer eleições antecipadas. As almas seduzidas pelo eng. Sócrates falam em "Governo de combate". As almas cépticas suspeitam de que o combate é com o seu bolso, e partem já derrotadas.
"

Alberto Gonçalves

terça-feira, outubro 27, 2009

Passar fome...

"Um inquérito alimentar realizado pela Deco revelou que existem pelo menos 40 mil idosos em Portugal sem dinheiro para comer e que o custo dos alimentos é uma das razões para estas pessoas não consumirem alimentos mais saudáveis (mais aqui)".

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Big Brother dos famosos.

"A título de declaração de interesses, como parece estar em voga, informo que conheço o Ricardo Araújo Pereira (e, menos, o Zé Diogo Quintela) de dois ou três jantares e o ocasional e-mail ou telefonema. Acrescento que achei os Gato Fedorento dos primórdios um milagre que aconteceu à comédia nacional, depois achei o Magazine e o Zé Carlos um nadinha institucionais e acho o Esmiúça os Sufrágios, que agora acaba, uma alternativa decentíssima ao Daily Show, sem os respectivos meios técnicos e sem um apresentador que, como Jon Stewart desde há um par de anos, exibe desagradavelmente a influência entretanto acumulada.

O problema de Esmiúça os Sufrágios esteve nas entrevistas. A primeira parte, em que tínhamos Gato Fedorento a sério, era muito boa. A segunda parte, em que tínhamos políticos a brincar, nem por isso. A culpa não coube ao Ricardo, coube aos políticos que tentaram competir com ele em graça e, não possuindo nenhuma, obrigaram-no, por pudor, a conter a própria. A excepção aos políticos desengraçados foi Marcelo Rebelo de Sousa, cujo brilho intelectual o distingue no meio. A excepção aos políticos todos foi Cavaco Silva, que pura e simplesmente declinou o convite.

Nas caixas de comentários da Internet, a recusa de Cavaco nem sempre mereceu aplausos. Inúmeros cidadãos julgaram a atitude sobranceira, sob o argumento, presumo, de que um chefe de Estado não está acima de um espectáculo de humor. Sucede que, embora eu me incline a preferir o segundo ao primeiro, simbólica e tecnicamente está. E o exemplo de Barack Obama, citado com frequência, não me convence do contrário. Em Março passado, Obama fez o que, que eu saiba, apenas um presidente americano em funções (Gerald Ford, numa aparição assaz discreta no Saturday Night Live) fizera: participar num programa de entretenimento, no caso o Tonight Show, então de Jay Leno.

Obama é, pois, a mera consagração de uma tendência, a do estadista enquanto vedeta de variedades, capaz dos maiores malabarismos a fim de agradar ao paladar das massas e passar pelo sujeito "descontraído" e "irreverente" que a época pede. Se, mesmo assim, parte das massas desconfia, Obama troca a descontracção pela velha tesoura e tenta silenciar dissidências (ver, por favor, a ofensiva em curso da Casa Branca contra a Fox News). Por vezes, a distância entre a informalidade e a impaciência é curta. O facto de, em abono de uma dúbia "popularidade", os políticos contemporâneos se submeterem a tristes figuras não os torna melhores políticos nem, com certeza, pessoas mais tolerantes.

De resto, não é necessário recorrer à América para ver governantes passear "jovialidade" nuns canais e censurar outros. E não é preciso recorrer a Esmiúça os Sufrágios para ver a classe política em geral em prestações embaraçosas. Ainda recentemente, a história das "escutas" mostrou que Cavaco não é imune ao ridículo, mas o "não" aos Gato Fedorento mostrou que o ridículo dele tem limites. A haver um único político que os tenha, é bom que seja o Presidente da República. Já basta o que basta
. "

Alberto Gonçalves

segunda-feira, outubro 26, 2009

Voices.

Os bobos da corte

"Foi mais uma semana cheia de excitações, de gente excitada e de muita música para ir animando a malta. Um comunista a quem a Câmara de Lisboa pagou uma fita sobre a sua vidinha familiar andou nas bocas do mundo por ter insultado Deus e ter descoberto ao fim de muitos anos que a Bíblia é um manual de maus costumes.

Imagine-se. O homem, comunista de gema que é capaz de apoiar António Costa por causa de uns dinheirinhos públicos, andou todo este tempo a conviver e a apoiar todos os crimes cometidos pelos camaradas e vem agora falar em maus costumes. Mas como o senhor ganhou um Nobel e é muito querido nesta terra de cegos, foi um fartote de programas, debates, opiniões e, obviamente, mais uns livrinhos vendidos à conta da publicidade gratuita. E desta vez não faltou ninguém à chamada.

Politólogos, comentadores, analistas, padres, políticos, teólogos e outra gente fina gastaram imensa saliva com um ignorante manhoso, ávido de dinheiro e cheio de golpes para andar sempre na ribalta.

Mas as excitações não acabaram com esta triste figura. O senhor presidente relativo do Conselho conseguiu ao fim de 25 penosos dias apresentar o seu Governo. Foi uma excitação para os seus fiéis e afins. Então não é que o senhor presidente relativo do Conselho conseguiu arranjar cinco mulheres e dois professores para o seu novo Executivo?

Uma façanha muito elogiada e que hoje tem o seu episódio de consagração com a posse solene dos senhores e senhoras que vão continuar a fingir que governam este sítio manhoso, pobre, cada vez mais pobre, deprimido, cada vez mais deprimido, cheio de larápios, e que larápios, cheio de mentirosos, e que mentirosos, e obviamente cada vez mais mal frequentado.

No meio de tanta excitação, é maçador lembrar aos indígenas alguns factos que andam meio esquecidos ou são rapidamente atirados para o baú das desgraças de que não interessa falar. Uma é o desemprego. No meio de tanta competência e de tanta gente séria e cheia de solenidades, acontece que o sítio já tem mais de 510 mil desempregados, um valor que nunca tinha sido atingido desde o 25 de Abril. Uma façanha que não enche de vergonha nenhum dos senhores e das senhoras que hoje vão começar a fingir que governam o sítio.

É maçador estragar tanta festa e tanta excitação de tanta gente de bem com tanta desgraça. O que faz falta é mesmo distrair a malta. E para isso tudo serve. Estúpidos, saramagos e outros que tais
."

António Ribeiro Ferreira

Reinventar a economia

"O fracasso generalizado dos economistas para prever a crise financeira que teve início em 2008 tem muito a ver com modelos defeituosos. A falta de modelos acertados significa que os decisores políticos e os bancos centrais não receberam nenhum aviso sobre o que ia acontecer.

Como George Akerlof e eu defendemos no nosso recente livro Animal Spirits, a actual crise financeira foi provocada por bolhas especulativas nos mercados imobiliário, bolsistas, energético e outros mercados de matérias-primas. As bolhas são provocadas por reacções em cadeia: a subida dos preços especulativos encoraja o optimismo, que, por sua vez, encoraja mais compras e que consequentemente leva a novos aumentos dos preços especulativos - até ao "crash".

No entanto, a palavra "bolha" não se encontra na maioria dos tratados e livros de economia. Da mesma forma, uma pesquisa nos documentos produzidos por bancos centrais de departamento de economia mostra que a palavra "bolha" é poucas vezes mencionada. De facto, a ideia de que as bolhas existem tornou-se algo tão vergonhoso na área económica e financeira que falar delas num seminário sobre economia é o mesmo que falar de astrologia num grupo de astrónomos.

O problema fundamental é que uma geração inteira de macroeconomistas aceitaram uma teoria que continha um erro na sua essência: o axioma de que as pessoas são totalmente racionais. E como mostrou o estatístico Leonard "Jimmie" Savage em 1954, se as pessoas seguem certos axiomas de racionalidade, devem comportar-se como se conhecessem todas as probabilidades e fizessem todos os cálculos necessários.

Assim, os economistas assumem que as pessoas usam, de facto, toda a informação disponível e sabem, ou comportam-se como se soubessem, todas as probabilidades de todos os eventos futuros concebíveis. Não são influenciadas por nada, a não ser os factos, e as probabilidades são assumidas como factos. Actualizam estas probabilidades assim que existe nova informação disponível. Assim, qualquer alteração no seu comportamento deve ser atribuída à sua resposta racional à informação verdadeiramente nova. E, se os actores económicos são sempre racionais, então a existência de bolhas - respostas irracionais do mercado - é impossível.

Mas a abundante evidência psicológica mostrou que as pessoas não satisfazem o axioma de racionalidade de Savage. Este é o elemento central da revolução que afectou a economia comportamental durante a última década.

De facto, as pessoas desconhecem, na maior parte das vezes, as probabilidades de eventos económicos futuros. Vivem num mundo em que as decisões económicas são ambíguas, já que o futuro não parece ser uma mera repetição de um passado quantificável. Para muitas pessoas, parece sempre que "desta vez é diferente".

O trabalho dos neurocientistas Scott Huettel e Michael Platt da Universidade de Duke demonstrou, através de ressonâncias magnéticas, que "em contextos de incerteza, a tomada de decisão não é mais complexa. Em vez disso, as duas formas de incerteza são apoiadas por diferentes mecanismos". Por outras palavras, diferentes partes do cérebro e circuitos emocionais estão envolvidos quando a incerteza está presente.

O economista matemático Donald J. Brown e a psicóloga Laurie R. Santos, da Universidade de Yale, estão a realizar experiências com seres humanos para tentar perceber como varia ao longo do tempo a tolerância humana no processo de decisão económica em situações de incerteza. A sua teoria revela "que os 'bull markets' caracterizam-se por comportamentos que procuram a incerteza e os 'bear markets' por comportamentos que evitam a incerteza". Estes comportamentos são aspectos da alteração de confiança, um fenómeno que estamos apenas a começar a entender.

A teoria puramente racional continua a ser útil para muitas coisas. Pode ser aplicada com cuidado em áreas em que as consequências de violar o axioma Savage não são muito graves. Os economistas também acertaram quando aplicaram esta teoria a uma série de questões microeconómicas, como por exemplo, porque estabelecem os monopolistas preços mais elevados.

Mas a teoria tem sido sobreaproveitada. Por exemplo, o "Modelo de Equilíbrio Geral Dinâmico e Estocástico da Zona Euro" desenvolvido por Frank Smets do Banco Central Europeu e Raf Wouters do Banco Nacional da Bélgica fornece uma lista precisa dos choques externos que devem impulsionar a economia. Mas em lado nenhum se assumiu a existência de bolhas: a economia não faz nada mais do que responder de forma totalmente racional a estes choques externos.

Milton Friedman (mentor de Savage e co-autor) e Anna J. Schwartz no livro "História Monetária dos Estados Unidos", de 1963, mostram que as anomalias da política monetária - exemplo típico de um choque externo - foram um factor importante na Grande Depressão de 1929.

Economistas como Barry Eichengreen, Jeffrey Sachs e Ben Bernanke têm ajudado a perceber que estas anomalias foram o resultado do esforço individual dos bancos centrais para permanecerem no padrão ouro, obrigando-os a manter as taxas de juro relativamente altas apesar do fraqueza da economia.

Para alguns, esta revelação representa um evento culminante para a teoria económica. A pior crise económica do século XX foi explicada - e foi sugerida uma forma de a corrigir - com uma teoria que não dependia de bolhas.

Ainda assim, eventos como a Grande Depressão, bem como a recente crise, nunca vão ser totalmente entendidos sem percebermos as bolhas. O facto dos erros da política monetária terem sido uma causa importante da Grande Depressão não significa que compreendemos totalmente essa crise, ou que outra crise (incluindo a actual) encaixe neste modelo.

De facto, o falhanço dos modelos económicos para prever a actual crise marcará o início da sua revisão. Isto vai acontecer à medida que os economistas redireccionam os seus esforços de pesquisa, ouvindo cientistas de diferentes especialidades. Só assim as autoridades monetárias vão conseguir entender melhor quando e como as bolhas podem descarrilar uma economia, e o que pode ser feito para o evitar.


Robert Shiller, Professor de Economia da Universidade de Yale e Economista-Chefe da MacroMarkets LLC, é co-autor, com George Akerlof, de "Animal Spirits: How Human Psychology Drives the Economy and Why It Matters for Global Capitalism
"."

Elogio ao grande jornalismo

"Há dias, critiquei uma reportagem do El País. Um jornalista entrara, sozinho, no Morro dos Macacos, favela violenta do Rio de Janeiro. Um polícia tentou dissuadi-lo, ele não ligou, foi morro dentro. Bandidos saíram-lhe ao encontro. Mal os viu (palavras do jornalista), pôs-se de joelhos e a tremer. Foi exclusivamente isso, o seu estado de alma aterrorizada, que narrou na reportagem, intitulada "Jornalista, não tremas que se quiséssemos matar-te já estavas morto". Não lhe critiquei o medo, mas a inépcia. Ontem, o El País voltou a tratar das favelas, desta vez a sério, numa reportagem de bons repórteres. Bernardo Gutiérrez escreve sobre a violência do Rio ouvindo especialistas que sabem e anónimos que vivem o que se relata. Texto informado e culto, ilustrado (oh quanto!) com fotos do português João Pina, de 29 anos (www.joao-pina.com). Pina esteve em reportagem nas favelas do Rio, em Setembro, para a revista americana New Yorker (trabalho que o El País comprou). Fotografou bandidos a posar com M16 a tiracolo e a jogar matraquilhos sem largar as automáticas FN. Uma convivência que pressupõe um trabalho longo de convencimento - nos antípodas do jornalismo para títulos sensacionais. Ver, no mesmo palco, o grande jornalismo derrotar o medíocre foi um prazer. "

Ferreira Fernandes

Bombas sexuais.

"Nem a mais refinada sátira consegue competir com as excrescências da ONU dedicadas aos "direitos humanos". Essas prestimosas instâncias, que essencialmente combatem Israel por via de "resoluções" e "relatórios", atingiram agora o apogeu de um já notável currículo de demência. A demência mais recente, e juro que não exagero nem um pedacinho, condena as subtilmente medidas antiterroristas levadas a cabo pelo governo israelita a pretexto de perturbarem, ou até humilharem, indivíduos de sexualidade "alternativa" ou "transgénica" (lamento, mas "transgénero" não passa no corrector ortográfico do Word, sem dúvida uma geringonça reaccionária).

Não perceberam? Também não é bem para ser percebido. Ainda assim, tentarei explicar. Parece que alguns dos senhores que em Telavive ou Jerusalém se rebentam no meio de civis têm por hábito disfarçar o intento vestindo-se de mulheres. Parece que, avisadas do disfarce, as autoridades locais inspeccionam os aparentes travestis árabes com particular atenção. Parece que a ONU acha intoleráveis - as inspecções, não os atentados.

Perante isto, o que dizer? No máximo, uma réstia de lucidez lembra-nos que, no Médio Oriente, um muçulmano travestido é sempre um potencial suicida: se não se mata entre israelitas, será provavelmente morto a título de heresia pela família ou pelo seu governo, se este não for o de Israel. Mas quem usa a lucidez para comentar o absurdo arma-se em excêntrico num mundo que, pelo menos se visto das Nações Unidas, enlouqueceu de vez
."

Alberto Gonçalves

domingo, outubro 25, 2009

Adeus, Manuela

"Manuela Ferreira Leite chutou as eleições no PSD para 2010. Fez bem. O gesto garante duas coisas, ambas meritórias.

Primeiro: relegitimar temporariamente a sua liderança e permitir que Ferreira Leite faça oposição sem o coro grego atrás. A senhora foi a eleições, a senhora que se entenda com o primeiro teste da legislatura: o Orçamento. Votar contra não é crime. À luz da sua campanha, talvez seja um derradeiro gesto de coerência.

Mas eleições em 2010 oferecem igualmente outra benesse: dar tempo aos sucessores, reais ou imaginários, para mostrarem o que valem, caso valham alguma coisa. Com quatro meses pelo meio (no mínimo), Ferreira Leite avisa que não haverá desculpas para que o PSD continue a manobrar na sombra. A despedida de Manuela Ferreira Leite foi inteligente e responsável. Duas virtudes que não abundam no PSD
."

João Pereira Coutinho

Saramago não incomoda nada

"E o Prémio Sousa Lara de 2009 vai para o eurodeputado do PSD Mário David, que tem vergonha de José Saramago e por isso lhe pediu que renuncie à cidadania portuguesa. É preciso um apurado patriotismo para decidir que em Portugal só se encaixam cidadãos impolutos e exemplares. Desgraçadamente, não sou patriota. Por umas e por outras, convenci-me de que, mais ou menos à semelhança dos restantes países, aqui coexistem pessoas dignas e bandalhos, sumidades e palermas, além de imensas criaturas assim-assim. É verdade que o sr. Saramago não ocupa o topo das minhas preferências, mas se ler os seus livrinhos e aturar os seus desabafos não forem actividades compulsivas, não me aflige partilhar a nacionalidade e a geografia com o homem.

Já me espanta um bocadinho que se atribua ao homem o relevo que não merece. Na rua da minha infância, surgia às vezes um indivíduo que, auxiliado por uma corneta e um bombo, gritava blasfémias tão profundas e esclarecidas quanto as do sr. Saramago. Em lugar de lhe conceder o Nobel, a Casa dos Bicos e manchetes na imprensa, a vizinhança ria-se do infeliz. Ao infeliz faltou o que não falta ao sr. Saramago: disciplina de escrita e gente que lhe desse troco.

Além do tal Mário David, também figuras respeitáveis da Igreja e da comunidade judaica ajudaram o sr. Saramago na prática do seu desporto favorito: imaginar-se "incómodo". O sr. Saramago é o equivalente literário daqueles treinadores de futebol que passam a vida a proclamar que o seu Paços de Ferreira ou o seu Vitória de Setúbal "estão a incomodar muita gente". A boutade visa atribuir a quem a profere uma capacidade singular, um carácter indomável que eleva o autor acima da ralé "incomodada".

Escusado dizer que há aqui bastante presunção e algum delírio. Desde que não volte a dispor do poder de que dispôs durante o assomo estalinista de 1975, o sr. Saramago não me incomoda nada. Pelo contrário: na medida em que os seus anseios publicitários produzem regularmente o exacto tipo de burlesco que alimenta a crónica jornalística, o sr. Saramago até me é útil. Os seus alívios anticlericais, típicos de quem não leu ou não percebeu o Antigo Testamento, e as suas derivações ficcionais, típicas de quem leu e percebeu García Márquez e coisas piores, apenas incomodam os que o levam a sério, toleima em que, insisto, não caio. No fundo, tenho mais o que fazer. Notoriamente, Mário David, e não só Mário David, não tem
."

Alberto Gonçalves

sábado, outubro 24, 2009

Saramago.


Do "SOL"

O 'bunker'

"Sócrates apresentou o seu novo governo. Duas certezas: o governo não é novo e também não é governo. É um ‘bunker’ onde o primeiro-ministro reúne com os seus generais, preparando-se para uma guerra que ele não pode causar nem perder.

Comecemos pelas novidades: não existem. Verdade que aparecem uns nomes ‘técnicos’ em pastas anteriormente polémicas (Educação, Obras Públicas, Agricultura). Nenhum deles tem peso político ou nacional relevante.

De resto, é indiferente: com uma legislatura trémula, a ‘política pura’ será mais importante do que a ‘competência técnica’. E aqui a estratégia de Sócrates é defensiva: conserva os seus generais preferidos (Teixeira dos Santos, Vieira da Silva, Silva Pereira) ao mesmo tempo que protege os mais ferozes (Santos Silva) das balas do inimigo. Se este governo cair, avisa Sócrates do ‘bunker’, não será por sua culpa. Missão cumprida
."

João Pereira Coutinho

A Bíblia segundo Saramago.

"Confesso que ainda não li o novo livro de Saramago sobre os desmandos de Caim. Mas basta-me o que ouvi da sua boca, aquando da apresentação desta obra, para dizer o que me vai na alma.

Disse Saramago que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldades e de traições. O Deus da Bíblia é uma pessoa cruel, invejosa, vingativa e insuportável. Em pequeno dão-nos sal na boca e deitam-nos água e assim passamos a fazer parte da quadrilha".

Que forma estranha de um Prémio Nobel da literatura falar e comunicar o seu pensamento. A sua inquietude nos assuntos da religião não é compatível com a sua dimensão literária. De certeza que o livro é bem melhor que o pensamento divulgado. A política de marketing usada para divulgar o livro, embora consciente, foi errada e banalizou o pensamento de Saramago.

Só me interessa esta polémica na vertente do justo e da justiça. Pouco me dizem as raivas e os problemas mal resolvidos que ela encerra. E na dimensão do justo e da justiça todos sabemos que a Bíblia é o resultado da longa experiência religiosa do povo de Israel, com todas as suas virtudes e defeitos. É uma história de vida, feita de registos de várias pessoas, de diversas profissões, origens culturais e classes sociais, escrita ao longo de um período de mais de mil anos, em diversos lugares, em contextos diferentes.

A boa hermenêutica aconselha que qualquer texto deve ser interpretado no seu contexto e nunca isolado. Por isso é que a Bíblia é também um manual de boas virtudes, de coisas boas e admiráveis, quer do ponto de vista literário, quer da mensagem que transmite. Jesus, no Sermão da Montanha, ilustrou, de forma clara e concisa, essas virtudes: bem--aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

A Bíblia não pode ser interpretada de forma literal, porque muitos dos textos que a compõem são metafóricos, são datados e só fazem sentido no tempo em que foram escritos. Como Aristóteles e Tomás de Aquino disseram, o caminho do vício até à virtude é sinuoso, estando o vício nos extremos e a virtude sempre no meio-termo.

Foi este rigor que Saramago não teve. Custa-me dizer, mas foi panfletário e demagógico. Culpar Deus por todo o mal deste Mundo, embora, de forma contraditória, negue a sua existência, é um exagero.

E onde fica o homem?

Estamos a viver um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado. A capacidade de escolha entre o bem e o mal é um contributo humano fundamental, como diria Steinbeck.
"

Rui Rangel

Meter-se com lobos para se queixar

"Foi, ontem, o artigo mais lido no site do El País. O título dizia tudo: "Jornalista, deixa de tremer, que se quiséssemos matar-te já estarias morto." O jornalista do El País foi visitar o Morro dos Macacos, favela do Rio mundialmente célebre desde que se apurou para os Jogos Olímpicos na modalidade de tiro a helicóptero policial. O título dizia tudo. O problema é que a reportagem não dizia mais do que isso. Na terça-feira passada, depois dos confrontos que fizeram dezenas de mortos, incluindo os polícias de um helicóptero abatido, o jornalista apareceu na entrada da favela. Apesar dos conselhos da polícia, ele entrou morro acima. Sozinho. Pouco depois, foi cercado por um bando armado: "A minha primeira reacção foi baixar a cabeça, levar as mãos à nuca e pôr-me de joelhos", escreveu o jornalista. O seu medo, natural, levou à frase dita por um bandido e que vem no título. Felizmente, os bandidos mandaram-no embora. E a reportagem resumiu-se ao medo do jornalista. Era previsível encontrar bandidos loucos e descrever o medo, também previsível, não podia ser justificação para meter-se pela favela dentro. Indo, só deu um ambiente exótico ao que teve para contar, o seu medo. Gosto de jornalistas que entrem nas histórias que contam, não gosto é que as ocupem. "

Ferreira Fernandes

sexta-feira, outubro 23, 2009

O Problema principal do sítio

Depois do povinho ter votado, uma das condições "sine qua non" se pode definir uma democracia e separar as águas, mesmos as pestilentas deste pântano e de outros, porque assim se legitima os regimes , mesmo que sejam em Portugal, no Afeganistão, em Angola ou nos sítios que quiserem, depois, dizia eu, da ovelhada devidamente condicionada pelos subsídios que alguém irá pagar, o Sr Pinto de Sousa, penso que é esse o nome do tipo, foi chamado ao Palácio defronte ao Tejo na aldeia grande do sítio e entrando e saindo pela porta lateral, entregou a lista dos ajudantes que irão colocar por fim na na bancarrota este sítio.
Nâo mudou muito nas figuras, tudo peões, nem uma torre ou um cavalo ou até um bispo, tudo gente de segunda categoria para não destoar do chefe da "coisa".
Em letras garrafais o DN, jornal oficial do regime dizia que a primeira medida e mais importante decerto, porque a primeira era o casamento de homens com homens e mulheres com mulheres, coisa a que chamam de casais homossexuais.
O centrão esse recomenda-se.
Assim, começou o jogo de mudança de flanco conforme as circunstâncias que um Presidente da República fraco decerto deixará andar, como já foi demonstrado.
Aguarda-se que uma figura sem ideias como o actual PM, matreiro quanto baste, a vestir mais ou menos e a servir os interesses dos grupos financeiros, se disponha a pegar na desgraça que este actual, vai deixar o sítio se o sítio ainda existir.
No meio desta trapalhada, o conclave dos economistas tinham duas facções, os que defendem os investimento públicos, o que quer dizer a ladroagem sem fiscalizaçao dos tribunais como é hábito, nas obras públicas, que vão servir para criar mais novos ricos e engordar os que já são velhos e novos e os outros, que defendem as pequenas, as micro e médias empresas que foram destruidas pelo aparelho de estado socialista estalinista do poder, dirigido por um fulano das finanças e outro da segurança social.
Para provar, bastou estar atento às centenas de milhar de penhoras que eram publicadas durante meses nos jornais diários e que representam o drama de centenas de milhares de famílias que uma coisa, "cosa nostra" a que se chama de estado, roubou e fez falir, para que se subsidiasse quem nunca pagou um tostão para ter uma reforma, ou nunca trabalhou para receber o Rendimento Mínimo, mas que serviu para dar o voto a estes crápulas que nos vão continuar a governar.
Criminoso é o termo.
Os economistas que viram e calaram uns poucos quando do subprime porque a grande maioria é mesmo estúpida, nem mais nem menos, assim curto e grosso.
Aguarda-se que a bolha que cresce em tudo o que são aplicações financeiras vão pelo cano novamente e adivinhem quem são os autores, porque o sítio é o do costume: Wall Street.
Falando do mundo real, aquele que interessa ainda aos que não perderam a razão, passo um pequena citação para terminar:
"A questão de nos conduzirmos de modo a evitar os piores perigos deste ambiente consiste na constante aplicação de paliativos. Não será uma questão de dar apenas um passo dramático para afastar realidades, mas de ultrapassar constantemente novas crises e de enfrentar novas dificuldades"
Hedley Bull
Diria que o problema das sociedades em que vivemos é que se perdeu a noção da realidade e os problemas são resolvidos sem realismo.

Nova crise no horizonte

"Os mercados globais de acções estão novamente em efervescência. À superfície, lembra os anos de 2003 e 2004, altura em que as bolhas nas acções, no crédito, no imobiliário e nas matérias-primas começaram a ganhar forma, alimentadas pela ausência de inflação e pelos níveis baixos das taxas de juro nominais.

A grande diferença é que a nova bolha vai rebentar mais cedo.

De que elementos dispomos para dizer que se trata de uma bolha? A valorização do mercado de acções pode ser medida de diversas formas, mas as duas medidas que mais aprecio são o CAPE - rácio preço/lucro ajustado por ciclo - e o Q, ou o rácio entre o valor de mercado do capital instalado e o custo de substituição do capital instalado. A primeira é da lavra de Robert Shiller, professor de Economia na Universidade de Yale, ao passo que a segunda foi teorizada pelo economista James Tobin.

Uma e outra medem coisas muito diferentes. No entanto, tendem ambas a concordar em relação ao ‘mispricing' do mercado. Em meados de Setembro, ambas apontavam para uma valorização excessiva dos mercados de acções americanos na ordem dos 35% a 40%. Os mercados registaram, desde então, uma subida superior à média móvel das receitas.

A nova bolha releva unicamente dos níveis extremamente baixos das taxas de juro nominais, os quais motivaram a tomada dos mais diversos activos de risco.
Sintomaticamente, os preços imobiliários voltaram a subir. Os bancos centrais, contrariamente ao que aconteceu há cinco anos, passaram a desempenhar um papel duplo, isto é, a garantir a estabilidade monetária e a estabilidade financeira. Ora, estas duas metas podem facilmente entrar em conflito. Na Europa, e em circunstâncias normais, o Banco Central Europeu (BCE) já teria aumentado as taxas de juro. A sua prudência visa apenas evitar danos no sistema bancário europeu, constantemente subcapitalizado e dependente do BCE.

Não se perspectiva um aumento significativo da inflação nos próximos 12 meses, porém, tudo pode mudar em 2010. Se isso acontecer, os bancos centrais poderão ser forçados a adoptar políticas monetárias mais agressivas num espaço de tempo relativamente curto. Um ‘boom' inflacionista poderá ser seguido de uma nova recessão, crise bancária e, quiçá, deflação. A inflação e a deflação não são cenários opostos e sim sequenciais.

A actual situação pode, no entanto, dar origem a dois cenários - ou à combinação dos dois. No primeiro caso, a saída dos bancos centrais vai provocar uma nova queda nos preços dos activos de risco. No segundo, os bancos centrais podem escolher dar prioridade à estabilidade financeira em detrimento da estabilidade dos preços. Um cenário que, em minha opinião, pode provocar a pior crise financeira de que há memória. Por outras palavras, o perigo existe mau grado a resposta dos bancos centrais
."

Wolfgang Münchau

quinta-feira, outubro 22, 2009

Superioridade moral.

1/ "José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios? Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter (mais aqui)"

2/ "Para Edite Estrela, o eurodeputado Mário David «mostrou a sua intolerância e atitude inquisitorial ao solicitar ao escritor José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, que renuncie à nacionalidade portuguesa (mais aqui)"
Evidentemente que, neste reino do politicamente correcto, a superioridade moral da “Orquestra Vermelha” confere-lhe o direito às maiores barbaridades. Os outros… Bolinha baixa!

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"Escolhas de Marcelo"????

"O comentador político aproveitou a ironia de Ricardo Araújo Pereira sobre o facto de manter o seu programa "As escolhas de Marcelo" na RTP sem que o Governo, muitas vezes criticado, "tenha feito nada" para lhe pôr fim. E lançou uma forte crítica ao canal público. "Às vezes o que parece não é. Já viu que estive 2 meses de férias? E que o programa já vai em 15 minutos? [antes do Verão tinha meia hora]"." Já vejo" sublinhou Marcelo, "José Sócrates a falar para Santos Silva: 'Bem feito! Já nem se nota que ele tem programa' (mais aqui)".

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Duche de 3 minutos.

"O presidente da Venezuela pediu à população que pare de cantar no chuveiro e que restrinja os banhos a três minutos, pois há graves problemas de abastecimento de água e luz no país (mais aqui)".
Será por isso que o moço tem aquele aspecto?

quarta-feira, outubro 21, 2009

Ainda o Saramago.

«Li a Bíblia, não toda, mas li». E foi dessa leitura que surgiu em Saramago a «estranheza» pela história dos dois primeiros filhos de Adão e Eva - o casal primordial do livro dos Génesis. «Porque é que Deus aceitou o sacrifício de Abel e rejeitou o sacrifício de Caim? «perplexidade» perante este Deus arrastou-se, segundo o autor, nos últimos anos até chegar a ser livro. Um livro sobre um Deus cujas decisões não compreende. «O Deus da Bíblica não é de fiar (mais aqui).»
Evidentemente que ler partes da Bíblia sem estar imbuído do seu espírito dificulta a compreensão. E quando não há vontade de compreender…

Eventualmente, para algumas mentes, a Bíblia é demasiada avançada para ser compreendida embora seja “demasiado simples”. Deus aceitava as ofertas de Abel porque este o adorava enquanto Caim se limitava ao simples cumprimento de um ritual. Ou seja, Deus não aceita as pessoas por causa de suas ofertas e sacrifícios, e sim, pela sua fé em Deus, o melhor dos sacrifícios. Simplesmente a essência do Cristianismo. Não compreender isto...

Muita areia para quem só quer publicitar o seu livro…

Saramago

"Não tenho a intenção de abordar o Corão, tenho mais que fazer, estou a escrever outro livro que não será tão polémico como este (mais aqui)”.

José Saramago

Mas aí é que o grande Saramago falha. O Corão é um livro igualmente ou ainda mais interessante e merecia um romance dele. Precedido, claro está, de uma conferência de imprensa sobre as qualidades do Corão...

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"Infelizmente, a lei que a prazo acabará com os animais selvagens nos circos não promete acabar com os animais teoricamente racionais que a inventaram. O presidente do Instituto da Conservação da Natureza, entidade irónica num país em que a natureza é periodicamente arrasada por construtores e incendiários, justifica a medida com a saúde pública e a segurança. Ignoro quantos milhares de pessoas os macacos do Chen e os tigres do Cardinali mataram até hoje. Porém, estimo em milhões as vítimas desta senha reguladora que aos poucos procura, e aos poucos vai conseguindo, censurar-nos a comida, o tabaco, o álcool, o sedentarismo, o automóvel, o jogos, os noticiários críticos do Governo e, em suma, tudo o que ainda distingue o homem civilizado da bicharada, selvagem ou outra.

Às vezes penso se os pequenos zelotas da padronização foram escolhidos para cargos públicos por serem assim ou ficaram assim depois de alcançar os cargos. A psiquiatria explicará. Para já, suspeito da primeira hipótese: além do Estado, não faltam na "sociedade civil" sujeitinhos sempre dispostos a apoiar ou instigar medidas repressivas. Veja-se, no caso dos animais, as associações do ramo. Conheço algumas e, salvo excepções dignas, nunca lhes notei a menor preocupação com o bem- -estar dos bichos. Em compensação, aflige-os imenso que alguém os possa ter, gostar deles e ser retribuído. Os macacos e os tigres circenses são evidentemente um pretexto. Ou um início. A insignificância que dirige uma Associação Animal apareceu a avisar que a nova lei não basta: é urgente abolir todas as criaturas não humanas do circo. Entre parêntesis, diga--se que seria preferível abolir o dito: notoriamente, para ver palhaços não é necessário comprar bilhete e entrar numa tenda.

Fora de parêntesis, sabe-se como estas coisas começam e tenho um palpite sobre como podem acabar. Nem aprecio circos, mas é possível que tarde ou cedo o Estado e os parasitas que lhe habitam as franjas estendam o instinto totalitário à privacidade dos lares. No meu, onde convivo babado com quatro rafeiros adoráveis, não lhes prometo uma recepção simpática: se se quer de facto proteger as espécies, aconselho a não deixar a dos pequenos zelotas à solta
. "

Alberto Gonçalves

terça-feira, outubro 20, 2009

Deus não existe para o tipo com nome de erva, cabresto ou rábano-bastardo

«Deus não existe e o homenzinho a quem deram um Nobel, coisa que qualquer inútil, ou pateta útil, neste planeta consegue, desde que siga determinadas normas.
" Um novo céu e uma nova terra pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido", lê-se no Livro das Revelações. Risque o "céu", fique só com a "nova terra" e tem o segredo e a receita de todos os sistemas utópicos».
E.M.Cioran
O caquético escritor, muito adorado, de muito boa gente, escreve sobre as religiões, mas esquece as que professa ou professou e do que fez em seu nome, dele próprio e em nome delas, diria eu que alguns gastrópodes deixam rasto, ranho, mais conhecido de nome.
O tipo não esqueceu, sabe que todas as crenças, mitos ou ideologias que deram origem às maiores barbáries dos tempos que conhecemos e que sempre irão acontecer, incluindo os revolucionários modernos ou antigos, que havia e haverá sempre, qualquer coisa que remodelará o mundo.
Uns diziam que só Deus refaria o mundo, os jacobinos que ele apenas poderia ser remodelado pela humanidade. Não vejo difernças, apenas nos actores, pois tudo são utopias.
A história dos dois últimos séculos prova isto.
O utopismo dos marxistas leninistas foi uma destas crenças.
Eles não querem derrubar uma sociedade, mas sim criar uma comunidade ideal que a sociedade possa usar como modelo.
Marx acreditava que, com a chegada do comunismo, os conflitos de valores que tinham existido ao longo da história cessariam, e a sociedade poderia organizar-se em torno de um único conceito de vida boa. Era uma crença que havia de ter consequências desastrosas, como foi a experiência soviética em que este caquético ainda acredita, como em Cuba acredita e não vale a pena vir com os relativismos tão em voga.
São tudo religiões.
Todas têm dogmas, todas têm messias e todas tiveram seguidores , mas todas praticaram genocídios.
Bertrand Russel de quem muitos gostaram até determinada altura dizia:
"O bolchevismo como fenómeno social tem de ser considerado como uma religião e não como um movimento político vulgar"
Trotski escreveu também acerca do seu super homem: "um homem incomensuravelmente forte, mais forte, mais sábio e mais subtil; o seu corpo tornar-se-á mais harmónico , os seus movimentos, mais rítmicos, a sua voz, mais musical."
Em vez dos nazis não viram essa nova humanidade em termos raciais mas, estavam prontos a empregar a ciência e a psudociência numa tentativade de atingir esse objectivo.
Depois vieram os crimes em nome da recente religião, para ser breve e não perder tempo com lixo literário.
O papel principal do aparelho de segurança soviético era o de refazer a sociedade e não foram herança do czarismo.
E, no entanto os regimes colaboravam e não vou aqui falar das atrocidades do tempo de Lenine ou de Stalin, são conhecidas pelos que não sofrem da cegueira deste ser exilado e que no entanto cá volta para espumar os seus ódios.
Hitler é o mais odiado dos ditadores, mas não vou usar o relativismo mais uma vez, porque há causas para o que disse.
Na China comunista, os camponeses receberam ordens para agitar tudo o que mexesse, para que os pardais considerados uma praga em relação à agricultura em massa, modelo copiado da agricultura ocidental, como a indústria de Ford, caíssem exaustos ou em armadilhas de tal forma que foram dizimados e como consequência, apareceu uma praga de insectos, os pardais afinal não comiam apenas grãos de cereias, provocaram uma das grandes fomes coisas que os regimes comunistas bem conheciam e manipulavam, tinham percebido bem Malthus.
Foi entregu então uma mensagem secreta na embaixada soviética em Pequim, a pedir que enviassem centenas de milhares de pardais o mais rapidamente possível do extremo oriente soviético. Foi uma tarefa de Prometeu o extermínio de pardais, como foi a da eliminação dos que estavam contra os novos profetas, muitos deles também afastados por Lenine e por Estaline, os messias.
Afinal, diga lá senhor rábano-silvestre se é contra todas as religiões ou se apenas pretende produzir literatura de cordel, reforme-se ou deixe de assinar aquilo que publica.
Afinal o tipo é religioso e dos mais fervorosos...

'videokilled the video star'

"Há dois anos, uma sra. Maitê Proença, que segundo li é actriz de telenovelas, gravou um pequeno vídeo sobre Portugal, à época transmitido num programa da TV Globo. No vídeo, que se pretendia jocoso, a senhora imita o sotaque daqui, mostra uma casa em Sintra com o número da porta invertido e fala de um hotel de cinco estrelas sem técnico de informática. Aparentemente, isto bastou para que um nosso compatriota ressuscitasse agora tamanha irre- levância, promovesse um abaixo-assinado a exigir desculpas (?) e incendiasse a Internet com fúria nacionalista.

O único problema da tentativa cómica da sra. Proença é a falta de graça. Seria potencialmente hilariante se tratasse de características reais e realmente ridículas dos portugueses, como o fascínio pela "cultura" de países do Terceiro Mundo, Brasil incluído, que "compensa" o desconhecimento da cultura do Primeiro. Ou a capacidade de dar importância ao que não possui nenhuma.

Se, por exemplo, os franceses respondessem assim às paródias americanas, a Embaixada dos EUA em Paris seria obrigada a criar um departamento exclusivamente dedicado aos protestos. Nunca ouvi falar de protesto nenhum. Nações a sério concedem a brincadeiras o destaque que as brincadeiras merecem. A ofensa fácil e colectiva exige um caldo notável de presunção, insegurança, boçalidade e atraso de vida. O caso flagrante é o dos povos muçulmanos, que saem à rua em roupa interior sempre que alguém refere Maomé sem a devida vénia. Outro caso, menos flagrante, é curiosamente o brasileiro. Não há muito tempo, um episódio dos Simpsons que retratava o país enquanto um lugar de miséria e insegurança (imagine-se) motivou vasta indignação local, a ponto de altíssimas autoridades ameaçarem processar a produtora Fox.

Em abono do Brasil, lembro que os Simpsons são talvez a série mais influente da história da televisão (e sim, também achincalharam a França). A sra. Proença nem sei quem é. Ou não sabia, que a absurda polémica em curso a tornou célebre numa terra que reage a galhofas falhadas mediante pretextos para galhofas garantidas. Entretanto, a actriz de telenovelas gravou novo vídeo, este com o reclamado pedido de desculpas e a jura, a título justificativo, de que a senhora até goza o presidente (dela). Ou seja, na escala de respeito da sra. Proença os portugueses situam-se abaixo de Lula. E isso já ofende o meu brio lusitano: não haverá um abaixo-assinado contra o segundo vídeo?
"

Alberto Gonçalves

segunda-feira, outubro 19, 2009

Revolution calling Live

A hora dos palhaços.

"A nova lei dos circos é talvez a grande responsável pela transformação do famoso animal feroz num gato muito manhoso."

A semana foi fértil em emoções, indignações, patriotismos bacocos, polémicas imbecis e, claro, como não podia deixar de ser, em muitas palhaçadas. Nada de novo, portanto. Neste sítio pobre, cada vez mais pobre, deprimido, cada vez mais deprimido, manhoso, cada vez mais manhoso, cheio de larápios, e que larápios, recheado de mentirosos, e que mentirosos, cada vez mais mal cheiroso e obviamente cada vez mais mal frequentado é natural que a imbecilidade ande sempre à superfície e que o circo com palhaços esfarrapados esteja sempre em primeiro lugar. E nada de novo irá acontecer esta semana, embora se espere muita excitação com o anúncio do novo Governo do senhor presidente relativo do Conselho.

Depois do espectáculo do diálogo, em que todos os partidos da Oposição participaram alegremente, com ar solene e palavras cheias de responsabilidade democrática, vêm aí os nomes dos ministros e ministras que irão desgovernar o sítio nos próximos tempos. Sim, desgovernar, porque no estado a que isto chegou o mais do mesmo significa mais pobreza, mais endividamento, mais desemprego, mais vigarice política e não só. É espantoso como a propaganda oficial e oficiosa conseguiu, depois das duas campanhas eleitorais, atirar para debaixo do tapete a gravíssima crise que está a atirar este sítio para as caudas das caudas da União Europeia e da OCDE.

Os propagandistas do regime, verdade seja dita, conseguiram evitar que a crise volte em força à agenda política. Conseguiram evitar que se fale das milhares das PME que estão com a corda ao pescoço, com as empresas que abrem falência, com os milhares de velhos e novos pobres que andam a viver à conta da solidariedade de autarquias e organizações privadas. Nada disso interessa. Os propagandistas do regime até conseguem falar em indicadores que apontam para uma retoma económica e atiram pela janela fora as poucas vozes que andam por aí a avisar do futuro negro que irá atingir os indígenas quando a economia recuperar e as taxas de juro dispararem, atirando para a miséria milhares de famílias hipotecadas com empréstimos à habitação e ao consumo. Mas nada disto interessa.

O sítio é muito moderno e avançado. Tão avançado que até é pioneiro em matéria de palhaçadas. E o primeiro a dar o exemplo é o senhor presidente relativo do Conselho. A nova lei dos circos é talvez a grande responsável pela transformação do famoso animal feroz num gato muito manhoso
. "

António Ribeiro Ferreira

As bodas de Sócrates.

"É invulgar (provavelmente é inédito) um governo tentar iniciar o seu mandato propondo coligações a toda a Oposição. A todos. Em conjunto. Não achar isto absurdo é consentir em passar a um José Sócrates, que agora é não só socialista mas também social-democrata, cristão-democrata, marxista e trotskista uma autorização legislativa para decretar o fim da política. E o fim da política é o início da ditadura.

Esta não foi uma proposta de diálogos. Foi uma cilada de silêncios futuros. Foi tentar o fim do contraditório sob uma capa de mansidão ecuménica anestesiante. Ao atrever-se a propor isto, Sócrates mostrou que para ele a ideologia e a doutrina, se alguma vez existiram, agora acabaram. Tanto lhe faz governar com Bloco de Esquerda ou com CDS-PP. Separados ou ao mesmo tempo. Abriu-se a tudo. O que lhe interessa é estar onde está. A todo o custo. Indo procurar governabilidade serôdia nos offshores das artimanhas políticas e nas zonas francas da incoerência. Mas os portugueses não escolherem o seu regime nos saldos num Freeport de conveniências políticas.

A democracia portuguesa não pode ser uma zona franca de oportunismos baratos. Quem votou PCP não quer ser governado por Manuela Ferreira Leite através de Sócrates. Quem votou Paulo Portas é porque não quer Francisco Louçã a marcar (ainda mais) a agenda do Partido Socialista. Achar que faz algum sentido propor simultaneamente a Francisco Louçã e a Paulo Portas uma parceria governativa é aceitar-se que a democracia, tal como a entendemos e definimos na Constituição da República, deixa de ter qualquer significado. Sócrates, nesta pestanejante dança nupcial em redor de todos os partidos, propôs uma extraordinária rebaldaria a cinco que choca os mais imaginativos e tolerantes libertinos. Isto seria uma versão em opereta política das Noivas de Santo António. Achar natural que o secretário-geral do Partido Socialista queira coligar-se ao mesmo tempo com Jerónimo de Sousa e Manuela Ferreira Leite é aceitar o fim da Segunda República e resignarmo-nos ao advento da Era do Híbrido.

A natureza há milénios que nos alerta para a infertilidade dos híbridos. Este monstruoso eunuco ideológico acrítico e abúlico que Sócrates queria como modelo para Portugal no Século XXI, se tivesse sido aceite, negaria tudo aquilo em que assenta a nossa liberdade e a nossa identidade. Abdicaríamos, de facto e de jure, da existência política. Felizmente, o país não se esgota em Sócrates. O resto dos líderes eleitos mandaram-no dar uma volta e passar mais pela Assembleia da República porque, quer ele queira quer não, o povo ainda é quem mais ordena.

Para memória futura, é importante reter que esta proposta de Sócrates denota uma disposição para continuar a deriva totalitária das autorizações legislativas passadas em branco que tiveram como resultado tapar a margem do Tejo com contentores, silenciar as vozes críticas nos média, lançar o caos entre professores e magistrados e pôr portugueses a nascer em Espanha. Também para memória futura convém deixar esta pergunta no ar: que seria deste Portugal sem chefia do Estado se toda a Assembleia da República tivesse caído no enlace maldito que Sócrates tentou?
"

Mário Crespo

A opinião dos estudos

"Nunca tive ambições comerciais, mas começo a pensar seriamente em abrir uma empresa de sondagens. Em épocas de crise ou de prosperidade, parece-me de longe o investimento mais rentável e garantido. Os outros são um risco tramado: restaurante em que os pezinhos de coentrada se assemelhem a um caldo verde não dura muito. E o mesmo vale para um concessionário que represente carros sérvios ou para uma livraria especializada em autobiografias de wrestlers.

Já as sondagens, e falo das sondagens políticas, são um descanso. Em teoria, as empresas do ramo sobretudo estimam, com a certeza possível, o sentido de voto num dado momento para uma dada eleição. Na prática, não só em Portugal, é frequente não darem uma para a caixa. Às vezes acertam? Claro que sim, mas poucos voltam a um restaurante que acerta na coentrada "às vezes". Nos caprichos das sondagens, porém, não existem consequências: todos se entregam jovialmente aos peritos que, quinze dias antes, falharam o resultado de um sufrágio por quinze pontos.

Os peritos defendem-se com pormenores técnicos que eu, vagamente recordado das minhas aventuras académicas no meio, até faço por perceber. O que não percebo é o prestígio, e o interesse, que as sondagens continuam a suscitar. Excepto, como disse, o interesse comercial: uma actividade que paira sem consequências acima das regras do mercado é um seguro de vida para quem a realiza. É verdade que também há críticos a sugerir sanções ou até proibições. Felizmente, qualquer estudo de opinião provaria que ninguém liga ao despeito de gente em queda nas sondagens e sem queda para o negócio
."

Alberto Gonçalves

domingo, outubro 18, 2009

Uma noite em seis alíneas

"1 Descendo nos votos e nos deputados, mas assegurando a maior fatia destes, o PS venceu as eleições legislativas. Descendo nos votos e nas autarquias, mas assegurando a maior fatia destas, o PSD conseguiu, ao que consta, perder as eleições autárquicas.

2. Enquanto defendem que Manuela Ferreira Leite não tem qualquer responsabilidade nas vitórias autárquicas do PSD, as múltiplas facções dissidentes do PSD acham que Manuela Ferreira Leite deve sair da direcção do partido o mais depressa possível, já que, presume-se, tem inteira responsabilidade nas derrotas autárquicas do PSD.

3. Não querendo mostrar-se um partido igual aos outros, o Bloco de Esquerda faz bem em evitar o poder. Das vezes que lá chegou, sempre em autarquias, foi através do rapidamente desavindo Sá Fernandes e da rapidamente arguida por corrupção Ana Cristina Ribeiro (a senhora de Salvaterra). O povo, que nem se importa de votar inconsequentemente no Bloco para as "legislativas", também concorda que a coisa não tem corrido bem e, ante a perspectiva de novos desastres nos mandatos autárquicos, preferiu abreviar o sofrimento do dr. Louçã, que assim continua livre para brincar às revoluções permanentes.

4. Na campanha e no triunfo, António Costa viu-se rodeado da "inteligência" lisboeta (na definição de um dos respectivos, e obscuríssimos, membros). Como a "inteligência" não é inteiramente estúpida e deseja ver retribuída a simpatia, será interessante acompanhar as retribuições dos próximos quatro anos.

5. Ao contrário de Lisboa, no Porto a "inteligência" ficou com a candidata derrotada, entretanto refugiada na "gamela" de Estrasburgo. O impacto na cultura regional e nacional será trágico.

6. O espanto dos analistas face à "contradição" entre o número de licenciados em Oeiras e a eleição de Isaltino Morais (ele próprio licenciado) demonstrou uma crença nas virtudes do nosso ensino superior que é, essa sim, espantosa
."

Alberto Gonçalves

sábado, outubro 17, 2009

Join Me In Death

Escutas.

"Por coincidência, neste fim-de-semana reli algumas páginas de um livro belíssimo de Fernando Dacosta, Nascido no Estado Novo, onde também se avançam curiosíssimos dados sobre a vida pessoal de Salazar. Lá se conta que a governanta, D. Maria, falava ao telefone através de linguagem cifrada, por suspeitar que o telefone estava sob escuta! Isto, imagine-se, há 50 anos! E os suspeitos de escutarem o todo-poderoso presidente do Conselho não eram os adversários do regime mas a própria PIDE.

O tema das escutas não é, portanto, de hoje – e não se percebe como o episódio que envolveu o Presidente da República tenha dado tanto que falar.

Ou melhor, só se percebe tendo em conta que o PS dispõe hoje de uma grande e eficaz máquina de propaganda e contra--propaganda. Nenhuma gaffe, nenhum deslize, nenhuma contradição de um político da oposição passa hoje em claro – sendo depois explorada à saciedade. Mesmo episódios ocorridos em salas reservadas são recuperados e esmiuçados ao mais ínfimo pormenor.

Manuela Ferreira Leite foi, neste aspecto, uma vítima da máquina socialista. Qualquer coisa que dissesse fora do ‘politicamente correcto’ era objecto de divulgação em grande escala e de ridicularização pública. Quando disse que «a família é para ter filhos» – frase absolutamente banal – sabe-se o que aconteceu: foi como se tivesse dito uma enormidade. Ou como se o normal fossem os casamentos de pessoas estéreis, ou de homossexuais, ou de velhotes já fora da idade de procriar...

A história de Cavaco e das escutas também mostrou a eficácia da máquina de contra-propaganda socialista – que, como sempre acontece nestas situações, conta depois com alguns idiotas úteis. Para lá de dispor da colaboração de jornalistas e directores de jornais – e este é o dado novo.

Em alguns jornais perdeu-se o pudor. Até há poucos anos, os responsáveis dos jornais tinham cuidados redobrados nos períodos eleitorais. Nestes períodos, é usual choverem nas redacções as ‘notícias bombásticas’, procurando criar ‘casos’ que condicionem a votação. É a conhecida tentativa de fabricar ‘factos políticos’.

Assim, em períodos de campanha, os jornais evitavam dar à estampa pretensos escândalos de contornos duvidosos, recusando o papel de correias de transmissão de interesses partidários. Mas esse pudor desapareceu.

Um destes dias, já em plena campanha autárquica, um diário (o Correio da Manhã) vinha acusar Santana Lopes de ter pago 600 euros à hora ao arquitecto Gehry. Ora isso passou-se há oito anos, por que raio sai agora essa notícia?! Porque a máquina de contra-propaganda do PS a plantou, um jornalista a engoliu e o director aceitou fazer manchete com ela.

E se este caso era demasiado óbvio quanto aos objectivos que pretendia atingir, há outros que o não são tanto.

Voltemos à vaca fria – o caso das escutas. Verificaram-se coisas extraordinárias. Viu-se, por exemplo, Alfredo Barroso a atacar o comportamento de Cavaco Silva face ao Governo.

Ora como pode Alfredo Barroso – por quem tenho estima e que convidei, em tempos, a colaborar no Expresso – dizer honestamente uma coisa destas, sabendo como ninguém as intrigas que eram urdidas em Belém contra o primeiro-ministro Cavaco Silva no tempo em que Mário Soares era Presidente?

A memória é curta, mas não tanto.

Barroso era chefe da Casa Civil da Presidência e conhece por dentro as sucessivas ofensivas públicas de Soares contra o então primeiro-ministro.

Quem não se lembra do ‘Portugal: Que Futuro?’, congresso que Soares organizou expressamente para atacar Cavaco e as suas políticas – e que seria repetido três anos depois sob outro nome?

Quem não se lembra de quando Mário Soares falou do «direito à indignação», legitimando um bloqueio ilegal da ponte 25 de Abril? A propósito: seria normal um Presidente solidarizar-se com um acontecimento que configurava um acto pré-insurreccional?

E que dizer da Presidência Aberta em Lisboa – organizada, segundo a própria Estrela Serrano, na época assessora do Presidente, para atacar o chefe do Governo Cavaco Silva e a ideia do «oásis» que este lançara? Tem isto alguma comparação com a insinuação de um assessor de Cavaco de que há escutas a Belém?

Este lamentável episódio não colocou mal o Presidente da República – que, atacado em toda a parte com uma ferocidade e uma violência nunca vistas, soube manter a compostura e agir com dignidade.

Confesso que às vezes tive de apagar a televisão para não ouvir as enormidades que se diziam sobre um episódio que não continha a menor substância – e que só esteve tanto tempo na agenda mediática porque a contra-propaganda o foi alimentando.

O que eu ouvi nalguns desses debates e entrevistas! Até comentadores futebolísticos, como Rui Moreira, se debruçaram sobre o tema – com uma agressividade e irresponsabilidade já pouco aceitáveis no futebol, mas impensáveis quando está em causa o chefe do Estado.

Cavaco – repito – mostrou-se sereno. A nossa intelligentsia, pelo contrário, deu uma triste imagem de si própria. Deixou-se manipular, instrumentalizar, mostrou falta de memória e de ponderação, inexplicável nervosismo, irresponsabilidade extrema.

Não estava na cara que os ataques ao Presidente da República e a sua colagem ao PSD em vésperas de eleições só interessavam ao PS, que assim matava dois coelhos de uma cajadada?

Não está na cara que o enfraquecimento do Presidente só interessa hoje ao PS e ao Governo – já que, perante o estado de fraqueza do PSD, Cavaco Silva é o único possível obstáculo à prepotência governativa?

Não está na cara que, mesmo aqueles que não gostam de Cavaco, não têm a mínima vantagem numa fragilização do Presidente, que é o único garante de um certo pluralismo?

O certo é que, nestes tempos difíceis em que o sectarismo campeia, ninguém mais, além do Presidente da República, está em condições de só ter em vista o interesse comum.

Os partidos – como a própria palavra ‘partido’ indica – têm interesses parcelares, de grupo.

Ora Cavaco Silva, como todos reconhecerão, tem dado provas de que não se deixa instrumentalizar nem amedrontar por ninguém. E não pode ser acusado de partidarismo: basta ver como, nesta crise, todos os partidos o criticaram.

Será muito difícil ver isto?
"

JAS

Vai a Fátima.

"Deus Pinheiro entrou no Parlamento e, trinta minutos depois, já estava fora dele. Fez bem. O Parlamento ficou a ganhar e Deus Pinheiro mostrou que, sem uma lei eleitoral capaz de responsabilizar cada tribuno, o lugar de deputado não é para levar a sério.

Durante a campanha, o ‘candidato’ serve para ‘encher’ listas que ninguém conhece e, verdade seja dita, em que ninguém vota. Vota-se no líder; a carroça que vem atrás faz parte da encomenda.

E, depois da eleição, o deputado não passa de um bedel sem autonomia que actua de acordo com os mandos e desmandos do chefe. Para efeitos práticos, é indiferente eleger Deus Pinheiro ou a minha mulher-a-dias. E é indiferente substituí-los, embora eu desconfie de que a minha Fátima, tão sensata e pontual, seria uma vantagem para o hemiciclo. Se precisarem do contacto, por favor, não hesitem
."

João Pereira Coutinho

Punição e vazio

"Escrevi, há tempos, que falar do fenómeno da criminalidade no actual contexto da vida nacional é o mesmo que falar dos caminhos que a vida percorre, do sistema nervoso do Estado e dos vasos comunicantes da política, de direitos, liberdades e garantias, de autoridade, que não autoritarismo, de responsabilidade, de desenvolvimento económico e social, de coesão nacional, de segurança, de estabilidade territorial e de soberania.

Os níveis, o tipo, a quantidade e qualidade da criminalidade, representam a seiva negativa que corre nas veias contaminadas de qualquer país e que será mais ou menos negativa, mais ou menos estrutural, consoante os níveis de eficácia do seu combate. E que ninguém se iluda, a criminalidade que temos entre nós é estrutural.

Mostra-se incontroverso o aumento da criminalidade. A violência, que lhe está associada, instalou-se nos mais diversos graus e minou todo o tecido social, todas as zonas urbanas e rurais. Já não é só um fenómeno que atinge certas franjas sociais, certas camadas da população ou os chamados ‘bairros problemáticos’. Atinge toda a sociedade. Face ao seu efeito de contaminação, ninguém está imune a este vírus.

Não existem sociedades bacteriologicamente puras. Temos, pois, que saber conviver com a criminalidade. Mas saber conviver não é ser cúmplice, por omissão ou por acção, quando estão em causa a liberdade, a segurança e os alicerces do Estado Democrático de Direito.

O que se passou com a revisão das leis criminais foi um pouco de tudo isto. O Governo e o Parlamento foram cúmplices na ignorância e na falta de sentido de responsabilidade. Avisámos a tempo que a revisão das leis penais não era boa para o País, para a Justiça e para os cidadãos. Perdeu-se dois anos à espera de um relatório que já se sabia o que diria. Perdeu-se também dinheiro, pago pelo bolso, já de si muito sacrificado, dos portugueses.

Não foram os juízes e o Ministério Público que produziram este ‘aborto’ legislativo mas foram eles que tiveram de o aplicar, com as consequências negativas que se conhece.

E este erro político é grosseiro ou não? E cabe dentro da margem de risco da actividade política ou não?

É grosseiro, e por ser tão evidente e palmar está fora dos limites do erro político e da boa-fé. E se a revisão foi feita para prejudicar os magistrados, quem saiu prejudicado foram os portugueses.

O que custa é que toda a gente sabia e sabe que esta revisão foi e será um factor de agravamento do estado da Justiça e não um instrumento de melhoria
."

Rui Rangel

sexta-feira, outubro 16, 2009

A nova eugenia

Repararam no poste colocado sem nada escrito?

Repararam que o mundo é controlado por uma organizção que domina e altera regras de jogo que de jogo nada tem?

Então coloquem os olhos e ouvidos e pesquizem o que eu não consigo colocar aqui como hiperligações porque não consigo.

Vão ao site ou microsite da gripe e vejam se conseguem saber o que, e dentro deles, são os grupos de risco, para levar com a nova vacina produzida e aprovada pela comissão europeia para nos tratar da saúde.

Chama-se EMEA.

Vejam que a vacina é produzida para nós pela SK&F e tem nome e tem composição.

Vão depois ao site do Infarmed e recordem porque razão foi retirada do mercado há anos uma vacina por ter tiomersal na sua composição, vejam e postem os links porque eu não consigo, há uma força muito poderosa que me impede.

Vejam que na composição há uma substância chamada de esqualeno ou ASO3.

Lembram-se do síndrome da guerra do golfo?

Sabem que o Congresso americano aprovou uma resolução que impede um cidadão de colocar um processo civil e criminal contra o estado americano ou contra indústria farmacêutica se acontecerem reacções secundárias imediatas ou tardias em relação a uma vacina que é obrigatória no sentido estrito do termo? Há estados em que é pura e simplesmente obrigatória.

Porque razão o estado português através de uma ministra sem estar em funções efectivas, porque está em gestão, pode determinar uma medida desta gravidade com uma vacina que não foi testada em termos de efeitos secundários?

Temos uma epidemia?

Mentira.

Temos uma pandemia?

Mentira, a OMS mudou os critérios para poder ter mãos livres mas não limpas.

Sabiam que os critérios mudaram este ano?

Afinal eles tinham de facto que inventar uma pandemia depois de não ter resultado a pandemia da gripe das aves e da mutação que esperavam.

Conhecem o caso Baxter?

O que fez a EMEA em relação à casa Baxter?

Que fez o Ministério da Saúde da Áustria e todos os outros envolvidos em relação ao material contaminado com vírus H5N1 enviado dos EUA?

Onde estão os tribunais de justiça da comunidade para dizer se houve erro, se foi grosseiro e se havia ou não dolo?

O rebanho vai colocar-se, como nos EUA em 1976, em fila indiana para receber as doses da vacina do H1N1, o novíssimo príncipe dos vírus na sua nova versão e vai colocar á frente, as crianças com idade superior a 6 meses, as grávidas desde o 2º trimestre e chamados de grupos de risco, que nem os médicos sabem quais são de facto os critérios de inclusão, tal o arrazoado que podem ler da Circular Normativa acessível ao mais comum dos mortais e que desafio que imprimam para futuras situações nº17/DSPCD de 14/19/2009.

Há juízes em Portugal com eles no sítio para impedir este possível desastre decidido no silêncio dos gabinetes de burocratas, sem provas clínicas em experiência e ensaios clínicos suficientes, para saber da segurança destas vacinas?

Então a segurança em relação ao tiomersal já não existe?

Que é que se sabe sobre o esqualeno em regimes vacinais em larga escala a não ser o que já foi demonstrado?

Perdidos.

"O PSD terminou as suas batalhas eleitorais e promete continuar com as internas. Ferreira Leite diz que não sai já.

Passos Coelho deseja que a senhora saia para avançar ele. Marcelo não avança, a menos que Passos Coelho avance. E ainda existem nomes avulsos – Rangel, Sarmento – que pairam sobre os despojos. Perante este espectáculo, uma pessoa até acredita que o problema do partido é uma questão de nomes. Não é. É uma questão ideológica: se as legislativas ensinam alguma coisa é que o PSD está entre duas espadas.

De um lado, um PS ao centro que lhe roubou o espaço tradicional. Do outro, um CDS assumidamente à direita, que só pode crescer com os dramas existenciais do colega do lado. O PSD pode entreter-se com a Manuela, o Pedro, o Marcelo ou o Rato Mickey. Sem decidir para onde vai, o PSD arrisca-se a ficar onde está. Entalado e perdido
."

João Pereira Coutinho

Evitável.

"A vida do PSD vai passar a ser o tema. Mas há um País cheio de problemas por resolver e é isso que importa.

A Direcção Nacional do Partido Social-Democrata deliberou cumprir o mandato até ao fim, o que significa até Maio de 2010. Fá-lo num momento em que findou um ciclo eleitoral negativo para o PSD, com uma derrota expressiva nas legislativas e a perda de um número de câmaras também ele muito expressivo (21). Tal deliberação, embora muito legítima e respeitável, vai fragilizar o maior partido da Oposição. Quer se queira quer não, o processo eleitoral no PSD, o fervilhar interno, tiveram início ontem. Isto sucede porque, naturalmente, aparecerão candidatos à liderança, criar-se-ão expectativas sobre as identidades dos próprios candidatos, os alinhamentos far-se-ão. Acresce que a liderança não deixará de ser vista politicamente como uma liderança a prazo e discutir-se-á tudo – internamente, como nos media – menos o essencial, que são os projectos de alternativa que o Partido Social-Democrata tem para apresentar ao País.

Ou seja, a vida interna do PSD vai passar a ser o tema, expondo o Partido. A vida interna do PSD será escrutinada diariamente, o que não é problemático, mas há o País cheio de problemas por resolver e isso é que importa.

Por parte do Poder, as posições que o PSD venha a tomar sobre questões essenciais serão sempre menorizadas pela situação de transição em que o Partido se encontra.

Os erros de governação terão menos visibilidade.

Devíamos tirar algumas lições dos actos eleitorais que decorreram, em que os resultados reflectiram não o mérito do actual primeiro-ministro, mas demérito nosso, perante um Governo desgastado e descredibilizado.

Tudo isso implicará o fortalecimento de Sócrates. E, se por qualquer razão, o ciclo eleitoral vigorar por dois anos, seis meses serão um tempo precioso, mais precisamente um quarto.

Dramático? Não. Mas evitável.

Façamos das fraquezas forças. Como sempre, as situações difíceis podem transformar-se em lição e oportunidade. Assim as saibamos tirar e aproveitar.

Futuramente a solução de liderança para o PSD tem de passar por uma fortíssima agregação, reorganização, transparência na sua vida interna, mas também pela inovação no programa, no discurso e nos protagonistas. E já agora, por aquele conceito que alguns não gostam de trazer a estas coisas: a ética. Inevitável
."

Paula Teixeira da Cruz

A nova velha vida

"O país retorna à vida habitual. A temporada eleitoral deixou tudo ainda mais confuso e sem vestígio de solução.

Das eleições fica em herança um Governo minoritário, um PSD paralisado, um Parlamento fragmentado e um Presidente da República com o seu prestígio algo abalado. Para o cenário ficar completo, acrescente-se um Bloco de Esquerda maior na sua menoridade e um CDS/PP eufórico depois de uma transfusão de hormonas políticas. Ou seja, as instituições ficam mais fracas e o poder das pequenas forças contestatárias ganha uma importância inesperada. A democracia tem destas coisas, mas Portugal vai entrar numa fase em que a política de bastidores será dominante e as negociações a oração política de todos os dias.

Sócrates prepara todo o clima político para a prazo poder responsabilizar a oposição pela eventual instabilidade. Neste esquema socrático, o responsável maior será certamente o PSD que recusa a coligação formal, informal ou pontual. Quanto ao imediato, Sócrates antecipa um Governo ‘swing', embalado à Esquerda na consciência social e encostado à Direita na política liberal. Cansado do papel de vilão, Sócrates é o filho pródigo que de braços abertos e de mão estendida tenta controlar a disfuncional família que é a política nacional.

Quanto ao PSD, o partido promete entrar numa espécie de guerra fria em que a paz é improvável e a guerra é impossível. A situação do PSD é equivalente ao silêncio dos cemitérios, um partido dominado por um consenso podre em que ninguém entra porque ninguém sai. Politicamente, o PSD não está em condições para ser oposição e o símbolo da alternativa ou de uma qualquer esperança à Direita do PS. Pelas declarações de Ferreira Leite, o PSD será um partido único, politicamente isolado, e que reduz o papel da oposição ao deserto do voto contra. A política do PSD como grande partido da oposição não poderá ficar limitada entre a recusa acertada do bloco central e o orgulhosamente sós de Ferreira Leite. O compasso de espera no PSD é equivalente à castração política de um partido refém de si mesmo.

O coração puro e aberto de Sócrates é um conto de fadas para deleite dos inocentes. O novo primeiro- -ministro veste-se de anjo mas pensa em conduzir a oposição inteira até às portas do inferno. Se o Governo durar dois anos, Sócrates guarda para si o papel de herói-vítima que tudo fez contra a compulsiva irresponsabilidade de uma oposição ressentida. Se o Governo conseguir cumprir os quatro anos da legislatura, Portugal poderá mergulhar num pântano de águas profundas com sérias consequências para a próxima geração. E num cenário de crise e de bloqueio, terá a Presidência da República estômago para a dissolução do Parlamento?
"

Carlos Marques de Almeida

Ricardo Rodrigues anda metido em sarilhadas.

"A história é antiga e passa-se quando Ricardo Rodrigues, o todo-poderoso deputado e vice-presidente da bancada socialista, ainda andava pelos Açores e era uma figura muito apagada na política nacional.

Advogado, Ricardo Rodrigues apareceu ao lado de uma loira espampanante que se apresentou nos Açores como uma milionária que estava disposta a fazer avultados investimentos na Região.

Emigrante no Canadá, dizia-se possuidora de uma considerável fortuna e teve direito a imensas atenções da comunicação social local. A seu lado lá estava Ricardo Rodrigues, como advogado e procurador da senhora. À conta disso, passeou pelo mundo. As coisas correram mal e a agência da Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo meteu um processo à senhora por uma burla de muitos milhões de euros.

O processo andou, houve muitas bocas nos Açores, a Justiça falava em gang internacional, e o agora deputado processou um jornalista que falou neste caso e num outro que envolvia uma rede de pedofilia na Região. O processo andou de mão em mão, como de costume, e Ricardo Rodrigues até se demitiu do Governo Regional antes de aterrar em Lisboa. Agora, a Relação de Lisboa não lhe deu razão, e no acórdão espanta-se com o facto de o deputado não ter sido investigado e levado a julgamento com a sua grande amiga Debora.

PRÁ FRENTEX CAMARADA

O Bloco de Esquerda passou a noite de domingo no Fórum Lisboa. É evidente que o ambiente era muito próximo do de um velório. No meio da tristeza, houve um homem que passou parte da noite a consolar os inconsoláveis. Foi Fernando Rosas. A dado passo saiu da sala, foi para a rua e aí teve uma longa conversa ao telemóvel com um camarada triste, muito triste. Homem experiente, com muitos calos, acabou a conversa com firmeza: 'Prà frentex, camarada. Prà frentex.'

A COISA ESTEVE PRETA NA SEDE DA S. CAETANO

n Parecia um velório. A noite de domingo na sede do PSD foi mesmo muito triste. Os jornalistas foram metidos numa cave e só tinham direito a água. Nem pão havia. Militantes, figuras gradas, nada. Dirigentes nem se via. Os resultados iam aparecendo, e nada. Tudo triste, tudo ausente, tudo calado. Finalmente apareceu Manuela Ferreira Leite. Com uns vice-presidentes e alguns funcionários. Mas num dos cantos da sala, meio escondido, estava António Preto, o deputado das notas.

COSTA TINHA MESMO RAZÃO

António Costa andava fulo com as obras na Fontes Pereira de Melo, que nunca mais acabavam e só provocavam engarrafamentos. A culpa era da empresa de gás e o socialista chegou a falar de boicote. E tinha razão. Não é que na segunda-feira, como que por milagre, as obras estavam prontinhas? Hum!
"

António Ribeiro Ferreira

quinta-feira, outubro 15, 2009

Um texto que publico porque concordo!

O povo português acaba de demonstrar a sua fatal propensão para viver num mundo às avessas. Não há nada a fazer senão respeitá-la.
Mas nenhum respeito do quadro legal, institucional e político me impede de considerar absolutamente vergonhosa e delirante a opção que o eleitorado acaba de tomar e ainda menos me impede de falar dos resultados com o mais total desprezo.
Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.
Não se diga que tomo assim uma atitude de mau perdedor, ou que há falta de fair play da minha parte. É timbre das boas maneiras felicitar o vencedor, mas aqui eu encontro-me perante um conflito de deveres: esse, das felicitações na hora do acontecimento, que é um dever de cortesia, e o de dizer o que penso numa situação como aquela que atravessamos, que é um dever de cidadania.
Opto pelo segundo.
Por isso, quando profiro estas e outras afirmações,faço-o obedecendo ao imperativo cívico e político de denunciar também neste momento uma situação de catástrofe agravada que vai continuar a fazer-nos resvalar para um abismo irrecuperável.
Entendo que o Governo que sair destes resultados não pode ter tréguas e tenciono combatê-lo em tudo quanto puder.
Sabe-se de antemão que o próximo Governo não vai prestar para nada!
É de prever que, dentro de pouco tempo, sejamos arrastados para uma situação de miséria nacional irreversível, repito, de miséria nacional irreversível, e por isso deve ser desde já responsabilizado um eleitorado que, de qualquer maneira, há-de levar a sua impudência e a sua amorfia ao ponto de recomeçar com a mais séria conflitualidade social dentro de muito pouco tempo em relação a esta mesma gente inepta a quem deu a maioria.
O voto nas legislativas revelou-se acomodatício e complacente com o status quo.
Talvez por se tratar, na sua grande maioria, de um voto de dependentes directos ou indirectos do Estado, da expressão de criaturas invertebradas que não querem nenhuma espécie de mudança da vidinha que levam e que se estão marimbando para o futuro e para as hipotecas que as hostes socialistas têm vindo a agendar ao longo do tempo.
O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço.
Mas as empresas continuarão a falir, os desempregados continuarão a aumentar, os jovens continuarão sem ter um rumo profissional para a sua vida. Pelos vistos a maioria não só gosta disso, como embarcou nas manipulações grosseiras, nas publicidades enganosas, nas aldrabices mediáticas, na venda das ilusões mais fraudulentamente vazias de conteúdo.
A vitória foi dada à força política que governou pior, ao elenco de responsáveis que mais incompetentemente contribuiu para o agravamento da crise e para o esboroar da sustentabilidade, ao clube de luminárias pacóvias que não soube prevenir o desemprego, nem resolver os problemas do trabalho, nem os da educação, nem os da justiça, nem os da segurança, nem os do mundo rural, nem nenhuma das demais questões relevantes e relativas a todos os aspectos políticos, sociais,culturais, económicos e cívicos de que se faz a vida de um país.
Este prémio dado à incompetência mais clamorosa vai ter consequências desastrosas.
A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas.
A democracia é assim.
Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.
O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra.
Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.
A partir de agora, só haverá mais do mesmo.
Com os socialistas no Governo, Portugal não sairá da cepa torta nos próximos anos, ir-se-á afundando cada vez mais no pântano dos falhanços, das negociatas e dos conluios, e dentro de pouco tempo nem sequer será digno de ser independente.
Sejam muito felizes.
Um texto de Vasco Graça Moura
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