sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Problemas sociais (adenda).

"Uma funcionária da Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, denunciou ao Conselho Executivo (CE) que duas alunas estavam no interior da escola em atitudes “lésbicas e imorais”.

Esta notícia é a ponta do iceberg dos dramas que atinguem a nossa sociedade. Dramas que não chegam a ser publicitados. É o caso da Albertinha. Nasceu algures numa aldeia do nosso Portugal profundo. Um dia conheceu Tião quanto este apascentava as ovelhas do pai dela. Foi amor à primeira vista. Com efeito, o corpo musculado e peludo do animal despertou nela todo a líbido. A pouco e pouco foi-se aproximando de Tião até que um dia o (in)feliz desenlace aconteceu. Consciente que os pais nunca aceitariam aquela relação e que seria marginalizada por toda a aldeia, resolveu manter a relação no anonimato.

Mas Tião tinha um problema. As suas enormes unhas deixavam marcas suspeitas, cujas sucessivas explicações iam perdendo crédito. Um dia encheu-se de coragem e convenceu Tião a cortar as unhas. Recorreram ao serviço de um especialista. Mas os olhares apaixonados trocados, deixaram o homem desconfiado. Até que um dia ele decidiu seguiu-los, acabando por os apanhar em flagrante delito. Chocado com a situação, contou a toda a aldeia. Humilhados pelo acontecimento, os pais expulsaram-na de casa. Albertinha pegou no Tião e veio viver para a capital. Contactando o novo mundo, descobriu a existência de muitas associações modernas que defendiam as minorias com problemas semelhantes ao dela.

Encheu-se de coragem e foi a uma delas expôr o seu problema. O activista, chocado com a história, mandou-a consultar um médico especialista. Revoltada com a incompreensão daqueles que se intitulavam espíritos abertos mas, na verdade, eram iguais aos outros e temendo pela vida do Tião, resolveu separar-se deste. Desde então nunca mais foi a mesma. Psicologicamente abatida e desiludida pela hipocrisia da sociedade que cria falsos problemas para obter mediatismo, borrifando-se para os verdadeiros como o dela, ainda hoje contempla a lata de Pedigree religiosamente guardada na esperança de voltar a partilhar a refeição com o Tião, o pastor alemão.

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