terça-feira, setembro 22, 2009

A vitória de Durão Barroso

"Não há maior justiça do que contar a verdade. Julgo que em Portugal, a grande maioria das pessoas não faz ideia da dimensão do feito que Durão Barroso acabou de alcançar.

Antes de mais, enfrentou durante os últimos cinco anos uma resistência de muitos sectores europeus simplesmente por ser português. Essa oposição acentuou-se à medida que um segundo mandato se tornava uma possibilidade real. Para muitos na Europa, um português igualar o feito de um alemão, Walter Hallstein, e de um francês, Jacques Delors, os únicos até hoje com dois mandatos à frente da Comissão Europeia (contudo, convém notar, não foram votados pelo Parlamento Europeu), seria simplesmente inaceitável. A Cimeira dos Açores e as acusações de "neo-liberalismo" foram, acima de tudo, pretextos para impedir que um antigo PM português se elevasse ao topo onde apenas deveriam estar os "Pais" da "Europa". O facto de Durão Barroso ter resistido a isto é extraordinário.

Os seus adversários prosseguiram dois objectivos. Impedir um segundo mandato ou, não o conseguindo, reconduzi-lo com uma pequena maioria. Para isso, usaram a mais cobarde das tácticas: não apresentaram outro candidato, construindo tipos-ideais de acordo com as preferências de cada um. Durão Barroso derrotou-os.

O adiamento da nomeação jurídica em Junho permitiu que os grupos políticos vencidos nas eleições europeias conseguissem adiar a votação para Setembro. A partir daqui, Durão Barroso foi um político só. Foram todos de férias, e ele trabalhou e preparou-se. Apresentou um documento de "Orientações Políticas", ganhando com isso mais apoios. Discutiu-o com todos os grupos políticos do Parlamento Europeu, onde mostrou uma fibra e uma dimensão de líder político, desconhecidas para muitos, ganhando assim o respeito de muitos, incluindo de alguns dos seus adversários políticos. Chegou ao Plenário, na véspera da votação, e com um discurso cheio de convicção, conquistou os votos necessários para uma maioria absoluta, cenário em que quase ninguém acreditava. O apoio do Conselho e do PPE, o trabalho da Comissão, foram importantes, mas chegariam apenas para uma maioria simples. A diferença para a maioria absoluta deve-se inteiramente a Durão Barroso.

Hoje, o Presidente da Comissão goza de uma posição política muito favorável. Adquiriu uma legitimidade democrática sem precedentes entre os seus antecessores. Além disso, os fundamentos de um programa para os próximos cinco anos foram aprovados pelo Conselho e pelo Parlamento, aumentando assim a sua força política. Haverá muitas dificuldades pela frente, mas seria impossível antecipar este cenário tão positivo até há duas semanas atrás. Quando um dia se perceber devidamente a dimensão do que Durão Barroso alcançou nas últimas semanas, os portugueses terão razões para se sentirem orgulhosos
. "

João Marques de Almeida

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Isso é tudo muito bonito, mas não trás benefícios nenhuns para Portugal, o orgulho não enche barrigas com fome, e os desertores deveriam ser bem sucedidos no país onde nasceram em vez de o serem em benefício de terceiros, desses sim, deveremos ter orgulho

sexta-feira, setembro 25, 2009  

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