sexta-feira, dezembro 21, 2007

Fidelidades e traições

"[Sócrates] passou os últimos meses a navegar em águas turvas e já não há saída que o salve. Alain Lamarousse, conselheiro de Sarkozy, afirmou que se Sócrates promover um referendo ao Tratado Reformador é um traidor. O sr. Lamarousse, um pobre desgraçado sem tento na língua, nem percebeu que também ele é um (providencial) traidor. Mesmo anunciando um segredo de Polichinelo. É claro que Sócrates tem compromissos com o grupo dos líderes europeus anti-referendo. Que para salvaguardar a sua ‘obra-prima’ dos truques antidemocráticos, combinaram entre si a melhor forma de fazer engolir aos povos europeus esta Constituição sem apelido de família. É uma curiosa (in)versão da lógica dos factos. Afinal a questão é que Sócrates, na lógica da fidelidade e da traição do sr. Lamarousse, será sempre, um “traidor”. Quer promova o referendo quer não. Porque ao assumir compromissos com os elitistas líderes europeus estava já a atraiçoar o seu programa eleitoral e todo o seu eleitorado. Pelo menos.

Mas Sócrates atraiçoa-se, sobretudo, a si próprio, seja qual for a sua decisão final. Passou os últimos meses a navegar em águas turvas demais e já não há saída que o salve. É pena. Porque a questão do referendo tem já muito pouco a ver com a qualidade do tratado e a sua efectiva utilidade para a coesão e o futuro da Europa e dos Europeus. Muito embora o seu conteúdo continue a ser altamente discutível. Nem sequer com a nossa integração na Europa, que ninguém questiona há muito tempo. É exclusivamente uma questão de seriedade. De dignificação da política. Do modo como ela (não) é feita.. Da saúde do relacionamento entre eleitos e eleitores. Somos governados por gente séria, vertical, fiável ou por mistificadores menores? Esta é a única e eterna questão que a realização, ou não, do referendo suscita. Enfim. A qualidade da política a que nos habituaram contém a traição no seu ADN. Não sobrevive sem ela. Até que Sócrates anuncie publicamente quem irá, afinal, “trair”, vamos assistir a um combate desigual. De um lado estarão todos os sabujos e aldrabões que já começaram a preparar o terreno para que Sócrates se estatele sem grandes danos pessoais. Do outro lado estarão (acompanhados, sem dúvida, por alguns oportunistas que aproveitam todas as oportunidades para atirar pedras e ganhar notoriedade) todos quantos insistem em que a política pode (e deve) ser feita de um modo limpo. Sem trapaça. Com seriedade. Com princípios. Com um relacionamento saudável entre eleitores e eleitos. Com uma limpidez onde a palavra traição não tem lugar.

PS – Mais enigmático é que Cavaco, um homem estruturalmente sério, mas que não é imune a equívocos, seja contra a realização do referendo. E que permita que essas suas opiniões sejam enfatizadas publicamente (como o fez MRS do seu púlpito televisivo no passado domingo) à laia de absolvição de Sócrates pelo “não”. Tudo sem um desmentido inequívoco. Cavaco é o PR. Neste patamar de perplexidades impõe-se que nos questionemos. Como pode um PR incitar um 1.º ministro a violar promessas eleitorais? Aconselhar-lhe que se exponha ao descrédito? Ou permitir que tal ideia se instale? Que compromissos éticos tem Cavaco consigo próprio, e com todos nós, que lhe permitam tal “incitamento” ao embuste político?
"

João Marques dos Santos

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

A fome é boa conselheira
Pode.
Porque o Sr Cavaco é PR com o apoio do PS e para ser reeleito só pode com o apoio de Sócrates.
Cavaco é tão sério como os outros políticos que querem o poder, ou seja, com esta frase não sou ofensivo sou aquilo que ele, o Sr Cavaco, é, dúbio quanto baste.
O Presidente francês defende a França depois de defender as orientações de Washington para a Europa, tendo dito o que disse, foi ao Afeganistão mostrar vassalagem à Nato e ao patrão, tão longe do Atlântico Norte..
A Alemanha, com uma mulher à frente, mantém uma política dúbia, não esquecendo nunca de olhar para os eslavos e de ter reconhecido as independências da Eslovénia e da Croácia, antes da guerra, mas não pode no caso do Kosovo ser dúbia.
Um estado manipulado com uma transmigração massiva não pode ter por base uma nação de mentira.
O poder dos Estados Unidos já não dá para tudo, quando muito para ser potência regional e em outsourcing.
Aqui está o cerne.
A França quer ser potência regional no continente sempre em oposição à Alemanha.
É disto que se trata.
Mas o grupo de oposição à Nato, não é de brincar e inclui: a Rússia e a China.
Portanto ao presidente francês interessa que não haja referendo porque o tratado interessa à França.
Sócrates será traidor porque tomou compromissos que não devia e Sócrates não é Portugal.
O PR não é Portugal e nestas coisas não se pode substituir ao povo e à nação.
Os portugueses têm de aprender que os partidos são pequenas quintas e que eles são apenas ou ovelhas ou indivíduos que têm de saber onde está verdade e os interesses da nação de que fazem parte.
Os políticos e as elites deste sítio, em altura de crise, vendem-se por um prato de lentilhas.
O povo já nem lentilhas tem e a fome é boa conselheira.

sábado, dezembro 22, 2007  
Anonymous Anónimo said...

E assim se caminha para o fim?


Iranian official: "In a dozen years, Europe will be an Islamic continent"

He asserts that "the Islamisation of Europe is one of the consequences of the Islamic revolution in Iran." It would be interesting to hear him explain that statement in greater detail than he does below.

"Iran: Europe will become a Muslim continent, says Khamenei's spokesman," from AKI:

Tehran, 21 Dec. (AKI) - Europe will eventually become a Muslim continent, according to a representative of Iran's supreme leader, Ayatollah Seyyed Ali Khamenei.
"In a dozen years, Europe will be an Islamic continent," said Rasul Jalilzadeh on Friday as he was speaking to the basiji, a voluntary organisation in the capital Tehran.

"The Islamisation of the European continent is imminent and this step favours the arrival of the Mahdi," he said, referring to the 12th imam of Shiite Islam.

Shiites believe that the Imam Mahdi, who disppeared as an adolescent, will return to bring an end to chaos and bring universal justice.

Rasul Jalilzadeh believes that "the Islamisation of Europe is one of the consequences of the Islamic revolution in Iran" in that "the messages and values that this revolution has transmitted to the Europeans, to convince them "to abandon their current faiths and convert to Shiite Islam."


Hop to it, Eurodhimmis.

sábado, dezembro 22, 2007  

Enviar um comentário

<< Home

Divulgue o seu blog!