quarta-feira, abril 30, 2008

Jornal espanhol cita polícias de ficção como sendo verdadeiros

"Amaral, Tavares, Meireles": os três nomes de polícias que o jornalista Aníbal Malvar, 43 anos, no El Mundo há 13, cita no texto de duas páginas como fazendo parte do "grupo da Polícia Judiciária de Portimão" confundem quem seguiu o caso: é que, se toda a gente sabe quem é Gonçalo Amaral, ninguém ouviu falar de João Tavares e de Francisco Meireles. Editores pedem aos jornalistas no terreno que tentem identificar estes dois agentes, com aparentemente tanto para dizer sobre o caso que sábado faz um ano. O mistério depressa se desfaz: Tavares e Meireles só existem como personagens do livro A Estrela de Maddie, que o ex-inspector da Polícia Judiciária Paulo Pereira Cristóvão publicou em Março. Malvar, por acaso, até menciona o livro e o seu autor, descrevendo a "teoria" que lhe subjaz - e que coincide com a que, frisa, é defendida pelo "grupo" de Gonçalo Amaral: a criança morreu e o seu corpo foi feito desaparecer pelos pais, eventualmente com ajuda dos amigos. Mas o jornalista espanhol esquece-se de referir o pequeno pormenor de estar a citar falas retiradas de um livro, falas de personagens de ficcão.

O autor da obra, que afirma nunca ter falado com o jornalista espanhol até ontem, quando este lhe ligou "perguntando se o que estava no livro é tudo factual ou se é um livro de ficção", diz ter ficado "completamente espantado ao ver, num artigo de um jornal credível, apresentados como polícias reais, como se de pessoas reais se tratasse", personagens que criou, "e ler citadas frases delas, como se o jornalista as tivesse ouvido ou alguém lhas tivesse contado." Achou "vergonhoso", mas, assume, "a dado momento do diálogo com o jornalista passei do espanto à pena. Porque fiquei com a ideia de que não havia maldade, só vontade de fazer um brilharete
(mais aqui)".

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