sábado, Agosto 02, 2008

Quanto vale um dólar?

"O dólar não pode descer mais no futuro sob pena de impedir o reequilíbrio do défice comercial em níveis sustentados.

Quanto mais irá desvalorizar o dólar? Ou será que já desvalorizou tanto que pode agora regressar a níveis mais elevados?

Para os europeus e asiáticos que viajam para os EUA, os preços norte-americanos são drasticamente mais baixos que os dos seus países de origem. Um quarto de hotel ou um jantar em Nova Iorque é ridiculamente mais barato do que em Londres, Paris ou Tóquio. Razão porque muitos viajantes aproveitam para encher as malas de compras antes de regressarem a casa.

Apesar destas provas tangíveis seria errado presumir que o dólar devia valorizar só pelo facto de os produtos norte-americanos serem muito mais baratos à taxa de câmbio actual. Embora os produtos e serviços possam ser mais baratos nos EUA do que noutros países, o preço médio dos produtos americanos continua a ser demasiado elevado para mitigar o gigantesco desequilíbrio comercial entre os EUA e o resto do mundo.

Importa aqui realçar que a desvalorização do dólar nos últimos anos não só tornou os produtos norte-americanos mais competitivos como contribuiu para um forte aumento do valor real das exportações dos EUA, que se situou acima dos 25% nos últimos três anos. O défice comercial, não obstante, manteve-se em 2007 nos 700 mil milhões de dólares, correspondendo a 5% do PIB.

O cenário actual, que se caracteriza pelos elevados défices comercial e da balança de transacções correntes – onde se incluem os investimentos líquidos –, implica os investidores estrangeiros adicionem 700 mil milhões de dólares de títulos do Tesouro norte-americano às suas carteiras. Ora, é a sua relutância em fazê-lo à taxa de câmbio actual que tem contribuído para a depreciação do dólar face a outras moedas, que contribui, por sua vez, para a desvalorização dos títulos em dólares das carteiras dos investidores estrangeiros que estejam denominadas em euros ou noutras moedas. Resultado? A fatia de dólares das carteiras de investimentos também diminui. No entanto, um dólar fraco também reduz o risco de a “nota verde” sofrer novas desvalorizações. O dólar não pode descer mais no futuro sob pena de impedir o reequilíbrio do défice comercial em níveis sustentados.

E o que significa nível sustentado quando se fala do défice comercial e do dólar? Embora os peritos procurem equacionar o problema em termos de equilíbrio de carteiras, o aspecto que se destaca nesta “equação” é outro: os americanos importam mais bens e serviços do resto do mundo do que aqueles que exportam – a que acresceram mais 700 mil milhões de dólares no ano passado. A diferença foi financiada através da transferência de acções e obrigações nesse mesmo valor, cujos juros e dividendos serão pagos por novas emissões de dinheiro. Vencido o prazo destes títulos, proceder-se-á ao seu refinanciamento através de novas acções e obrigações.

O sistema económico global não pode tolerar esta situação indefinidamente. Os EUA não podem continuar a importar mais bens e serviços do que aqueles que exportam. Mais tarde ou mais cedo terá de reembolsar o resto do mundo e, para isso, precisa de uma balança comercial excedentária. E o que vai determinar o valor do dólar a longo prazo é a sua depreciação, para que se possa evoluir de uma balança deficitária para uma balança excedentária. Ora bem, isto não vai acontecer tão depressa, mas é este rumo que a balança comercial deve tomar. Por outras palavras, o dólar tem de desvalorizar ainda mais.

O futuro preço do petróleo é um factor crucial para esta “equação”, tal como a dimensão da dependência dos EUA das importações petrolíferas. Os EUA importaram anualmente nos últimos quatro anos 3,6 mil milhões de barris. Ao preço actual, acima dos 140 dólares/barril, os custos de importação rondarão os 500 mil milhões de dólares. Quanto mais elevado for o preço do petróleo, mais o dólar terá de desvalorizar para se poder reduzir o défice comercial. Isto quer dizer que a subida do preço do petróleo em euros ou ienes obriga a uma descida ainda mais acentuada do dólar, que obriga, por sua vez, a que o preço do petróleo em dólares seja mais elevado.

Mas há outro factor importante em jogo quando se fala no futuro valor do dólar: as taxas de inflação nos EUA e no resto do mundo. O défice comercial norte-americano depende do valor real do dólar, isto é, do valor do dólar ajustado a diferenças nos níveis de preços nos EUA e no estrangeiro. Se a inflação nos EUA se agravar face à dos seus parceiros comerciais, o valor nominal do dólar terá de cair ainda mais para manter o mesmo valor real.

O diferencial de inflação entre o dólar e o euro é hoje relativamente pequeno, contrariamente ao que sucede face ao iene e ao renmimbi. No longo prazo, porém, os diferenciais de inflação poderão ter um papel determinante no rumo que o dólar irá tomar
."

Martin Feldstein

1 Comments:

Blogger José Carlos said...

nao sei nao mas os dolas vao voutar eu acho que 1 dolar vale 50 reais

sexta-feira, Março 12, 2010  

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