terça-feira, março 31, 2009

O progresso em saldos

"Uma professora lançou a suspeita de que os Magalhães oferecidos (ou quase) às criancinhas possam estar a ser vendidos pelos respectivos pais ao desbarato. Nenhuma surpresa. Era de prever que, à semelhança do seu principal ideólogo e promotor, a engenhoca fosse mal empregada.

O eng. Sócrates, esse benemérito, deu-se a inimagináveis trabalhos para empurrar os portugueses rumo à modernidade. Os portugueses fingiram ouvir, aceitaram a benesse e, contas feitas (sem factura), permaneceram exactamente no sítio onde sempre estiveram, a desenrascar com manha uns trocos a expensas do Estado.

O primeiro-ministro olha o Magalhães e vê auto-estradas da informação, viadutos comunicacionais e, fora das referências rodoviárias, um futuro igual ao presente em voga "lá fora". Cá dentro, infelizmente, o povo olha o Magalhães e encena a fábula do boi e do palácio, com a particularidade de o boi não ter conseguido despachar o palácio por vinte ou trinta euros. Excepto por esse ligeiro sintoma de superioridade face ao ruminante, a verdade é que quem nasce para a Feira da Ladra não chega a Silicon Valley.

Ou à Dinamarca, que partilha com a Suécia e os EUA a vanguarda em matéria de implantação das novas tecnologias. Embora continue acima da Espanha e do Cazaquistão, Portugal caiu para 30.º na tabela do Fórum Económico Mundial (FEM), logo abaixo da Malásia e do Qatar. A vergonha das estatísticas é mais nítida quando se verifica que, segundo o mesmo FEM, o nosso Governo é o 4.º mundial no que toca à importância dada à informatização. Palácios a bois, de facto. Ou pérolas a porcos.

Se é improvável que, sozinhas, as transacções ilícitas do Magalhães expliquem o tombo de 2008, é altamente provável que motivem maiores tombos próximos. Nada garante que a prodigiosa máquina não seja objecto de exportação clandestina e que, neste momento, os fedelhos de Madrid e de Astana (a capital cazaque) não aprimorem a sua instrução graças ao génio inventivo da empresa JP Sá Couto e ao fulgor visionário do eng. Sócrates, que qualquer dia se cansa de aturar um povo boçal e ingrato. Isto se, como é próprio dos boçais e dos ingratos, o povo não se cansar dele primeiro
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Alberto Gonçalves

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