quarta-feira, outubro 24, 2012

Ainda há trabalho a fazer na banca

"O sonho de qualquer empresa é proteger-se da concorrência. Eliminar a concorrência é o grande objectivo, limitá-la é aquilo que em geral se consegue atingir, especialmente quando as regulamentações estão mal feitas e as regulações funcionam mal ou estão capturadas pelos regulados. Todo o consumidor tem de ter presente que é assim a lógica de uma empresa. E todos os poderes públicos têm de estar sempre em alerta máximo.

Vem isto a propósito das comissões cobradas pelos bancos para se transferir a custódia de títulos. Transferir de um banco para outro uma carteira com cinco acções e duas obrigações varia entre os 12 euros e os 223 euros. O Santander é a instituição que mais cobra, os bancos "on-line" são os mais baratos.

O problema é muito semelhante ao que se registava há algum tempo com a amortização do crédito à habitação. Para impedir os clientes de mudarem o seu crédito hipotecário para a concorrência, os bancos cobravam taxas exorbitantes na amortização dos empréstimos. Foi preciso a intervenção do Estado, limitando o valor dessas comissões, para melhorar o funcionamento da concorrência neste segmento de empréstimos para a compra de casa própria.

As tácticas de limitação da concorrência com barreiras à saída dos clientes são comuns. A regra é conquistar o cliente e, a seguir, encerrar a porta para que ele não saia. Acontece na banca como noutros sectores.

Há duas formas de contrariar esses comportamentos anticoncorrenciais que todas as empresas tendem a ter.

Uma das vias é a da regulamentação e regulação. É frequentemente o único caminho quando os factos já se consumaram e o consumidor e as autoridades foram apanhados sem se darem conta. Foi este o caso do crédito hipotecário. Quem pediu os empréstimos não se lembrou que, um dia mais tarde, poderia valer a pena mudar de banco. Mas quem fez o produto não descurou essa hipótese.

A outra via é a que exige aos consumidores toda a atenção quando escolhe um banco para ser o financiador da compra da sua casa como para ficar com a guarda dos seus investimentos financeiros. O consumidor tem de saber colocar todas as hipóteses e fazer todas as perguntas. Este caminho não é fácil quando a literacia financeira é baixa e o mundo financeiro é cada vez mais sofisticado. Mas deve e pode ser trilhado quando se tem presente que o objectivo de qualquer negócio é prender o cliente.

O caso das comissões cobradas para transferir as carteiras de títulos revela que ainda há matérias no sector financeiro que precisam de ser reguladas. E que quem é cliente tem de perguntar sempre: e se eu quiser sair deste banco, quanto vou pagar?"

Helena Garrido

1 Comments:

Anonymous menvp said...

Cartelizadores em pânico
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-> Sempre que uma empresa pública concorrente apresenta lucros, os cartelizadores entram em pânico!
-> Um exemplo: quiseram introduzir taxas em cada levantamento multibanco... todavia, no entanto, o banco público CGD apresentava lucros sem ser necessário mais uma taxa... quem queria introduzir mais uma taxa teve de amochar!
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-> Depois de permitirmos que cartelizadores se desembaraçassem da concorrência da empresa pública GALP... passamos a ser roubados a 'torto e a direito' no preço dos combustíveis.
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-> Com o objectivo de se verem livres da concorrência pública, a falta de ética dos cartelizadores é óbvia:
- cartelizadores apoiaram a nacionalização do 'negócio madoffiano' BPN;
- e agora apoiam a privatização do banco público CGD - não é um 'negócio madoffiano', é um banco que funciona de forma regular: umas vezes apresenta lucros e outras vezes apresenta prejuízos.
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P.S.
Preço de combustíveis exagerado, taxas e mais taxas dos bancos, etc... são tudo factores que ATRAVANCAM o crescimento económico... e que poderiam ser eficazmente combatidos caso existisse a concorrência de empresas públicas!
---»»» Blog «CONCORRÊNCIA A SÉRIO».

quarta-feira, outubro 24, 2012  

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