sábado, junho 28, 2008

O pão terreno e o pão celeste

Relatório.
Conselho da Europa dá conta do regresso desta prática
Defensores do sistema avançam com argumentos éticos.
O abandono de crianças mantém-se, frequentemente em consequência de pobreza ou de doença, afirma um relatório do Conselho da Europa que dá conta do regresso das "rodas para bebés" - os lugares onde se pode abandonar um recém-nascido.
Se os recém-nascidos são, frequentemente, descobertos em caixotes de lixo ou em locais públicos, outros, menos numerosos, são abandonados de forma anónima numa estrutura especial, sobrevivente da "roda para bebés" ou "roda dos enjeitados", largamente espalhada através da Europa na Idade Média."
Assiste-se ao regresso controverso das rodas para bebés", explicou o deputado britânico Michael Hanckok, autor do relatório ontem debatido em Estrasburgo.
Na Alemanha, Suíça, Áustria, Hungria, Eslováquia, Bélgica, Itália, "caixas para bebés" foram instaladas nos últimos anos.
Acessíveis do exterior, pode-se aí abandonar anonimamente uma criança que será em seguida confiada a famílias que esperam uma adopção.
Registada imediatamente, embora a mãe ainda tenha um período durante o qual a pode reclamar, a criança recebe um nome e um apelido.
No início do mês, uma nova Babyklappe [caixa para bebé] foi construída na parede de um hospital alemão. Contam-se 80 na Alemanha e algumas dezenas em países como a Itália ou a República Checa, mas o fenómeno é mundial já que o Japão acaba de criar uma em Kumamoto.
Nos EUA, desde 1999, a maior parte dos estados permite o abandono anónimo de bebés, de recém-nascidos até um ano, em locais seguros e sem risco de perseguições penais.
A "caixa para bebés" gera controversa: em muitos países, o abandono, nomeadamente selvagem, é considerado crime e este sistema é entendido como "incitação a cometer um crime e a desresponsabilizar as mães".
Os defensores do sistema avançam argumentos éticos: luta contra o aborto, prevenção dos abandonos selvagens, infanticidas e maus tratos, e a certeza de ver as crianças adoptadas.
"É um mal menor, porque a vida da criança não é posta em perigo e ela torna-se adoptável", resumiu o deputado francês André Schneider.
O relatório, pobre em estatísticas sobre este tema sensível, afirma que o fenómeno do abandono "está longe de se esgotar na Europa central e oriental e é também bem real na Europa ocidental".
As mães que se separam dos seus recém-nascidos são, frequentemente, muito jovens, estrangeiras e sem autonomia.
Os comentários podem ser encontrados em todo o artigo, mas, já agora, parece ser mais importante a marcha do orgulho gay, doença no mínimo pelo exibicionismo, tanto dos media, como dos actores.
Tal como o uso de droga nas prisões aceite e normal, afinal nem vale a pena o tratamento compulsivo, pois é uma violência, assim como o uso de telemóveis para controlar de dentro das mesmas, as actividades pelos quais foram presos.
Estamos todos muito felizes...

O ideal de governo minimalista que anima o consenso de Washington é, no mínimo, anacrónico. Pertence a uma era na qual estados totalitários ameaçavam a liberdade e a prosperidade.
Hoje, o bem-estar humano e social está ameaçado sobretudo por estados enfraquecidos ou prostrados.
Em grande parte do mundo de hoje não se pode dizer que o estado existe.
Para a grande maioria da humanidade, a insegurança de Hobbes – perigo de morte violenta - é uma realidade do dia a dia.
A guerra no modelo de Clausewitz acabou, as guerras hoje são conflitos assimétricos.
As causas, são a imposição dos consensos de Washington, que continuam a ser obrigatórios ou sugeridos por muitas organizações supranacionais como o Banco Mundial, o FMI, a ONU, a OCDE, etc.
Alguns estados Singapura, Japão, Malásia, Holanda, Reino Unido, Suécia, Noruega – parecem ter a capacidade de preservar a coesão social, ao mesmo tempo que tentam responder à concorrência global.
O problema é que a maioria é fraca, corrupta ou incompetente. O nosso caso é paradigma e o que é mais grave, continua a insistir no mesmo caminho, continua a chafurdar no pântano.
Justiça inexistente, poderes de órgãos de estado fracos ou dominados por clientelas, despesa desviada para servir aquelas, aumento brutal da carga fiscal, sempre à custa da receita e avaliações vergonhosas da CEE onde estamos inseridos, onde a corrupção grassa e é contagiada aos estados membros.
As várias crises económicas, não foram compreendidas porque segundo a visão de muitos não podiam ter ocorrido.
Entretanto continua-se a apostar no mercado e na crença que este é autoregulável.
Não é.
A moeda única europeia controlada pelo BCE, cuja única obrigação é a de manter um nível de preços estável, e, com a mesma força criar um projecto de um mercado único global autoregulado, fica à partida sujeito ao fracasso, porque a roleta e o casino do mercado bolsista encurrala qualquer estado que tente por exemplo, aumentar o emprego através da expansão da actividade económica à custa do défice.
Afinal o Iluminismo, tem mais um episódio.
Depois das teorias marxistas e do desastre comunista, parece que regressamos a uma era semelhante à idade média.
Aborto livre, abandono e abuso de crianças e protegidos, os seus autores, por políticas criminais ausentes, lembra de facto que é preciso voltar a assimilar Hobbes e Malthus.
Se o caos não estiver já instalado o que será o caos?
Na obra de Dostoievski “Os irmãos Karamázov”, há um diálogo entre Ivan e Aliocha, que se pode chamar de parábola do Grande Inquisidor, um trecho dos mais belos, escritos em toda literatura conhecida pelo homem.
Em dada altura:
“Nenhuma ciência lhes dará o pão enquanto estiverem livres, mas acabarão por nos trazer a sua liberdade até aos nossos pés e por nos dizerem: “ É melhor que nos escravizem mas dêem-nos de comer”. Compreenderão finalmente que a liberdade e o pão terreno farto para todos serão inconciliáveis, porque nunca, mas nunca conseguirão partilhá-lo entre si! Também se convencerão de que nunca poderão ser livres, porque são fracos, pervertidos, miseráveis e rebeldes. Prometeste-lhes o pão celeste, mas, repito, como poderá ele igualar-se , aos olhos da tribo humana fraca, eternamente prevertida e ignóbil, ao pão terreno? E se Te seguirem, em nome do pãp celeste, milhares e dezenas de milhares de pessoas, o que acontecerá com os milhões e dezenas de milhões de criaturas incapazes de desprezar o pão terreno em favor do pão celeste? Ou são queridos para Ti as dezenas de milhares dos grande e fortes, e os restantes milhões, numerosos como as areias da praia, fracos mas que Te amam, devem servir apenas de material para os grandes e fortes? Não, também nos são queridos os fracos. São pervertidos e rebeldes, mas, no fim, serão precisamente eles os obedientes. Vão admirar-nos e considerar-nos deuses porque nós, à frente deles, consentimos em suportar o fardo da liberdade e em governá-los: tão terrível acabará por lhes parecer o serem livres! Mas diremos que obedecemos a Ti e governamos em Teu nome. Voltaremos a enganá-los porque não te deixaremos, desta vez, aproximares-Te de nós. Nesta falsidade consistirá o nosso sofrimento, porque termos que mentir. Era esse o significado daquela primeira pergunta no deserto e foi isso que rejeitaste em prol da liberdade, que colocaste acima de tudo.” (…)

1 Comments:

Anonymous toupeira said...

Voltamos à roda dos enjeitados, de facto é um mal menor.
As ideias do Iluminismo que provocaram os maiores morticínios, desde a Revolução Francesa, sempre em nome da Igualdade, da fraternidade e da liberdade, os genocídios praticados por Lenin e Stalin, em larga escala, e com a ilusão deixada por Marx que não entendeu de facto o capitalismo, os genocídios praticados por Hitler, também em nome de ideais não longe do Iluminismo ou os de Mao, levam agora a novas,(velhas), de séculos ideias que o capitalismo e o liberalismo, assim chamado porque enxertado de uma sociedade que nada tinha a ver com as sociedade continentais, falo da Inglaterra.
Sempre se aplicaram ideias e conceitos fora de contexto. Deus nos livre dos nossos defensores e principalmente quando a palavra liberdade é demasiado usada.
Hoje a nível global os valores morreram e a nova ética social é a ausência dela.
Quando mataram Deus os iluministas pensaram estar a dar à humanidade uma grande coisa e o resultado está á vista.
Não confundam, Deus com Igrejas, ou agnosticismo com ateísmo.
O pântano está aí.

domingo, junho 29, 2008  

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