sábado, maio 27, 2006

Felizmente perderam

Decerto não agradará a muitos humanos do sítio o que vou dizer.
Decerto refugiam-se na alegria que não têm no dia-a-dia, nas vitórias que não surgem no futebol, e sem querer ser advogado do diabo, não as irão ter no campeonato que se avizinha. Acaba mal o que mal começa…

Mas, atentem no seguinte: a classe que manda não terá tanto descanso para continuar a inventar números e estatísticas, nem a esconder o que vai de mal a pior.
Sei também que para eles tanto faz, afinal estão todos mais ou menos anestesiados, os que ainda pensam que existe um país, os outros acomodam-se.

Dizia o que tem nome de filósofo que alguns vêem espanhóis por tudo o que é sítio e que o iberismo convicto é uma invenção e um fantasma.

A verdade é que basta ir aqui ao lado para perceber que a vida custa menos, apesar de se ganhar mais, lembrando que também se trabalha mais.

Mas chamou a atenção a criação de uma associação de amizade Portugal-Espanha e os elementos que a integram, deixando antever da constituição da mesma o histórico e os feitos dos mesmos, para melhor compreender a forma como uma teia é urdida e esta tem a forma de um polvo fêmea prenhe.

É claro que nem tudo vai mal, mas o pobre desconfia quando a esmola é grande… Refiro-me à lei da propriedade das farmácias, desconfiando da resposta de um tal cordeiro que frequentemente veste a pele de lobo e da luta que ocorreu nos idos de 86, se não estou em erro, quando foi aprovada lei e deitada outra fora, mostrando a luta que se gerou com direito a liberdade voto e outras coisas que se não podem revelar, embora já tenha prescrito, mas a vergonha e o que dela resta, essa não prescreve.

Portanto a vergonha é coisa antiga e um mau hábito que as modernidades não permitem, porque a memória não é para aqui chamada.

Que interessa que a Igreja não esteja representada nas cerimónias oficiais?

Que interessa que a maçonaria seja uma sociedade secreta e logo proibida, se afinal tem gente importante que vez em quando dá a cara, e se até qualquer um, desde que tenha boa conduta, e se apoie num elemento a ela pertencente para nela ingressar?

Este pensamento tão humano que pode ser confundido com inveja pelo sucesso a mim não pode ser imputado porque sou uma simples toupeira.

Interessante a boa conduta, o que será?

Lembram-se dos crucifixos e dos chouriços nas escolas?

A pouco e pouco se vão aproximando das águas do pântano, aprenderão a gostar das mesmas e serão consideradas boas, que não santas, apesar de pestilentas, porque essa palavra irá ser apagada por não dever fazer parte do vocabulário do laicismo. Afastei-me do tema, mas para quê um tema?

Ver sofrer, alegra; fazer sofrer alegra mais ainda; há nisto uma antiga verdade «humana, demasiado humana», à qual talvez subscrevessem macacos, porque, de facto, diz-se que com a invenção de certas crueldades anunciavam já o homem e precediam a sua vinda. Sem crueldade não há gozo, eis o que nos ensina a mais antiga e remota história do homem; o castigo é uma festa.” Nietzsche in “A Genealogia da Moral” .

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