terça-feira, maio 19, 2009

Sócrates, Rendeiro e os accionistas do BPP

"Quarta-feira. No debate parlamentar José Sócrates atirou-se ao BPP, qualificando-o (juntamente com o BPN) de "caso de polícia". O sangue deve ter gelado nas veias de quem dirigiu o BPP. Porque ao comentar os dois processos de forma tão agressiva (até Teixeira dos Santos teve de acalmar o primeiro-ministro), Sócrates baralhou todo o processo. Para Rendeiro, para os restantes gestores do BPP; para as autoridades e para os accionistas (os clientes têm o problema quase resolvido).

Vamos por partes. A "fúria" do 1º ministro deve ter posto Rendeiro em sentido. Porque ao não mencionar nomes, Sócrates lançou a suspeita para cima de todos que geriram o banco; Rendeiro incluído. Repare-se que o primeiro-ministro foi ainda mais duro do que Carlos Tavares no Parlamento e, no entanto, Rendeiro (no comunicado de ontem) já não ameaçou com tribunais... Os accionistas também tiveram a sua conta: ficaram a saber que o Estado não vai mesmo salvar o banco.

Mas o ataque de Sócrates teve outro objectivo, não declarado: dar "luz verde" às instituições que investigam o BPP (e BPN) para estas acelerarem o processo. Coisa de que o primeiro-ministro precisa desesperadamente para encostar Francisco Louçã às cordas: já imaginou, caro leitor, se Sócrates chega à campanha para as legislativas sem nada para contrapôr às acusações de Louçã, de que o Governo andou a distribuir milhões aos bancos sem punir os banqueiros que prevaricaram? Isto promete aquecer
..."

Camilo Lourenço

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