sábado, agosto 25, 2007

Para os enjoadinhos que puxam a água da nora - II

3. O assalto falhado, ou como o sequestrador virou refém


Estes factos são a prova insofismável de que o sonho neoconservador judaico-americano acabou transformado em pesadelo. Todavia, a grande maioria dos seus instigadores, apoiantes e simpatizantes continua a defendê-lo. Classificam-no como “bem intencionado”, “generoso” e prenhe de “boa-fé”. Mas, afinal de contas o que pretendiam os arquitectos da América, versão XXI?O objectivo era claro e aparentemente simples, face às consequências planetárias da implosão do Império Soviético: transformar os EUA não numa superpotência global, mas na única. O esquema foi urdido no final do século passado e publicamente divulgado, em 2000. Porém, era tão arrogante, inepto e descaradamente desonesto, nos planos material e intelectual, que dificilmente seria exequível. Resumidamente, a ideia nuclear consistia na criação de um todo-poderoso xerifado mundial – com um chefe (EUA) e dois ajudantes (Israel e Grã-Bretanha) – que prestaria serviços de segurança e protecção militar a todos os outros países do mundo, incluindo a exangue Rússia e a aparentemente distraída e laboriosa China, tão ocupada em produzir e enriquecer que, pensavam eles, não lhe restava tempo para pensar.O tributo a pagar aos “Césares do Terceiro Milénio” seria uma bagatela – o controlo e a exploração, livre e democrática, dos seus recursos nacionais e naturais (petróleo, gás, minerais estratégicos e preciosos – ouro, urânio, nióbio, titânio, crómio, mercúrio (prateado), cobalto, bauxite/alumínio, tungsténio, cobre, manganésio, níquel, platina, tântalo, e muitos mais).Para se ter uma ideia da dimensão e magnitude do delírio neoconservador é recomendável a leitura do documento original intitulado Reconstruindo as Defesas da América: Estratégias, Forças e Recursos para o Novo Século, concebido e elaborado pelo PNAC - Project for the New American Century/Projecto para o Novo Século Americano – um centro neoconservador de estudos e investigação sobre questões internacionais. As semelhanças com as práticas mais sinistras da Máfia/Cosa Nostra são aterradoras…
Em abono da verdade, este documento mais não era do que a actualização de um outro, escrito em 1996 (na fase final do 1.º mandato da administração Clinton/Gore), talhado à medida para boicotar os acordos israelo-palestianos de Oslo. Em ambos, estiveram presentes, directa ou indirectamente, a convicção, empenhamento e apoio financeiro ou intelectual, de Donald Rumsfeld, Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Dov Zakheim, Scootter Libby, Elliot Abrahams e Norman Podhoretz para citar apenas alguns. Menos de um ano depois da divulgação da nova doutrina militar proposta pelo lóbi judaico-americano, os citados, acompanhados de mais umas dezenas de correligionários, passaram a ocupar importantes cargos na primeira Administração Bush/Cheney (Jan/2001). Após o 11 de Setembro, retiraram-na das gavetas, deram-lhe umas pinceladas mais agressivas, e puseram-na oficialmente em prática, em 2002, com o pomposo nome de Estratégia de Segurança Nacional.Os resultados estão à vista em vários países – Afeganistão, Iraque, Líbano, Cisjordânia, Palestina, Faixa de Gaza. Todos estão atolados no caos, na guerra civil, em limpezas étnicas e em insanáveis conflitos político-religiosos. Balcãs (designadamente, no Kosovo), Curdistão, Chechénia (a espinha atravessada na garganta de Putin), Arménia, Bielorússia, Uzbequistão e as restantes repúblicas ex-soviéticas, que fazem fronteira com a Rússia e a China, individualmente ou em conjunto, tornaram-se geopoliticamente hipersensíveis. Intervenções diplomáticas com elevada descrição, intuição e talento nas artes de negociar e de gerar consensos são os ingredientes recomendados para esta caldeirada geopolítica.A situação em que vivemos é preocupantemente perigosa. O principal risco, face à situação no terreno, converge com o absoluto descontrolo e a permissividade dos países mais poderosos e das organizações multilaterais. Toneladas de discursos, programas e planos para o combate, alegadamente firme e implacável, a três dos grandes flagelos mundiais – o tráfico de droga, de armamento (convencional e nuclear) e a lavagem de dinheiro – são atirados para o lixo da história, todos os anos por sucessivos governos, independentemente dos seus credos ou ideologias.Em regiões crescentemente instáveis, e permeáveis à livre circulação de pessoas e de bens militarmente melindrosos, não se vislumbram resultados eficazes


4. Kissinger/Primakov: Bombeiros num incêndio longe do rescaldo
Perante este cenário manda o bom-senso que sejam tomadas medidas eficazes de contenção. Para tanto, está provado que não é através do belicismo e militarismo que serão conseguidos, em tempo útil, resultados satisfatórios para prevenir e evitar um “tsunami” político-militar de dimensões imprevisíveis.O protagonismo de Kissinger nestas movimentações informais e semi-secretas é o sinal de que os sinos tocaram a rebate nos centros mundiais de decisão, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. A sua entrada em cena representa uma amarga derrota para os indefectíveis neoconservadores.Agora, como diria Pombal, a prioridade é enterrar os mortos e cuidar dos vivos. O mesmo é dizer que importa recuperar o que ainda é possível e, pacientemente, juntar e colar os cacos resultantes das coboiadas organizadas pela dupla Bush/Cheney na Eurásia e no Médio Oriente.Por tudo isto, podem chamar-lhe o que quiserem mas, de facto, esta é mais uma operação de diplomacia paralela, protagonizada pelo octogenário (84) HK. Escassos sete anos depois do fatídico 9/11, a velha raposa da geopolítica mundial, com o alto patrocínio de Putin, deu o pontapé de saída para uma série de cimeiras, bilaterais e informais, entre os EUA e a Rússia. A iniciativa convoca Washington e Moscovo para o debate sobre o futuro das relações entre as duas potências. “Rússia-EUA: Um olhar sobre o futuro” foi o ponto de partida acordado. Suficientemente amplo para nele caber tudo o que é estratégico para ambos os lados.Não estamos a falar de um novo mapa cor-de-rosa. Os tempos mudaram e o mundo também. Os “mandantes anglo-americanos” parece terem chegado à conclusão de que é mais avisado acomodarem os respectivos interesses à mesa das negociações e não em trincheiras militares. Para já com os russos. Logo a seguir com a China, Índia e Brasil. Uma plataforma mais alargada, plural e realista na óptica do equilíbrio global de poderes.Do lado soviético, a tarefa de liderar a equipa negocial coube ao agora septuagenário (77) antigo porta-voz do Soviete Supremo da URSS na era de Gorbachev e primeiro-ministro (09/1998 a 05/1999) de um dos instáveis governos que caracterizaram a fase final da era de Yeltsin: Yevgeny Maksimovich Primakov. Experiente e reciclado da ressaca soviética, é um profundo conhecedor dos serviços secretos russos e das relações americano-soviéticas desde o início da guerra-fria, como veremos mais adiante.No que concerne a peso político e experiência, Kissinger e Primakov representam os interesses da casta de dirigentes políticos “realistas” que considera ter sido um erro caro e perigoso permitir que a transição do mundo bipolar para outra coisa qualquer, que ainda se encontra longe da estabilidade, tenha sido conduzida de forma desregulada. O mundo foi colocado perante uma nova realidade. Multiespectral pelas sombras e ilusões que pode provocar. Multilateral pelo substancial alargamento da mancha global de decisão nas suas diferentes e, por vezes, contraditórias valências. Por isso é mais complexa, difícil de controlar e muito menos previsível. Nesta nova correlação de forças, indianos, chineses e brasileiros, são cartas do baralho que não devem ser menosprezadas ou ignoradas.No final da primeira reunião de trabalho, em 13 de Julho passado, os dois altos dignitários das gerontocracias americana e soviética declinaram comentar detalhadamente o conteúdo das conversações que classificaram de “bem sucedidas”. Ambos sublinharam que se tratou do “primeiro de uma série de encontros de alto nível” entre as duas superpotências do século XX.“Discutimos muitos temas. O nosso objectivo não era obter qualquer tipo de cobertura mediática, nem marcar pontos em termos de relações públicas ou de enviar quaisquer tipos de mensagens propagandísticas para consumo doméstico. Estivemos aqui para resolver problemas”, precisou Primakov. “Em meados de Dezembro voltaremos a encontrar-nos em Washington, D.C.,” para trocar impressões com o presidente Bush, concluiu.Por seu turno, Kissinger, no estilo que lhe é peculiar, negou que o unilateralismo de Washington tenha sido um dos pontos críticos da reunião. Astutamente enfatizou que “a proliferação nuclear” e “as ameaças atómicas” são os reais perigos para a paz mundial e relegou para plano secundário as políticas públicas estadunidenses. Um realpolitiker, na mais profunda concepção germânica do termo…“Nós apreciámos o tempo que o presidente Putin nos concedeu e a forma franca como expôs os seus pontos de vista”, sublinhou Kissinger classificando-os como uma abordagem caracterizada pelo “realismo e abertura”. “Todavia, não penso – acrescentou – que a expansão [americana] seja um problema nesta fase. Neste momento o problema chave centra-se na forma como poderá ser evitado um conflito nuclear e, neste particular, nós acreditamos que a Rússia e a América devem ter objectivos comuns.”Esta retórica significa que a reunião foi bem mais fértil em pomos de discórdia do que em áreas de convergência e que, a linguagem utilizada, por vezes, poderá ter ultrapassado os limites do politicamente correcto.


5. Putin: Arte geopolítica tropeçou na rasteira da “imprensa livre”…
A ideia deste tipo de encontros surgiu no início do segundo trimestre de 2007, em Moscovo, durante um encontro privado entre Putin, Kissinger e Primakov. O chefe do Kremlin tê-los-á encorajado a desenvolver e a aprofundar o debate, mas com os pés bem assentes na terra.“O resultado das vossas reflexões deve manter-se afastado dos nossos ministérios dos Negócios Estrangeiros para evitar poeiras e ruídos inconvenientes. O desfecho do diálogo deverá ter o mesmo tratamento dado àqueles assuntos que, uma vez acordados, deveremos pôr em prática”, terá dito Putin.Pragmático e calculista, o presidente russo sugeriu que as conversações deveriam envolver um alargado painel de especialistas e aconselhou que as abordagens fossem realizadas sem preconceitos, com abertura e franqueza, de parte a parte.“Não nos podemos dar ao luxo de permitir que as relações entre a Rússia e os Estados Unidos sejam contaminadas por questões internas de cada país. Não devemos permitir que o nosso relacionamento bilateral seja negativamente influenciado por temas tão tacanhos como, por exemplo, campanhas eleitorais na Rússia ou nos EUA,” acentuou o chefe de estado russo.É obvio que ao fazer declarações sobre o tema, moderadamente reproduzidas por uma ínfima parte da imprensa russa, objectivamente, Putin quis lançar a confusão e a divisão no campo adversário. Contudo, não foi muito bem sucedido, uma vez que, os chamados meios de comunicação de massas do Ocidente, quase ignoraram o tema salvo raríssimas excepções…A este respeito quem melhor que o patriarca David Rockefeller (BG + TC + CFR) para nos dar a sua opinião sobre os bastidores dos “fazedores de opinião” e a promíscua relação que mantêm com os diversos agentes do (s) Poder (es): “Estamos gratos ao The Washington Post, The New York Times, Time Magazine e outras grandes publicações, cujos directores participaram nas nossas reuniões, respeitando os seus compromissos de discrição, durante quase 40 anos. Teria sido impossível desenvolvermos o nosso plano para o mundo se a nossa acção tivesse estado sujeita aos holofotes da publicidade durante estes anos. Mas o mundo está agora mais sofisticado e preparado para seguir em frente, rumo a um governo mundial. A soberania multinacional de uma elite intelectual e de banqueiros globais é seguramente preferível, à autodeterminação nacional praticada nos séculos passados.”A frase foi proferida por DR, sem sofismas, em Junho de 1991, em Baden Baden (Alemanha), durante uma das reuniões da Trilateral Commission, perante uma audiência de prosélitos dos principais países e continentes, empenhados na criação da supracitada rockefelleriana Nova Ordem Mundial (NOM). Entre eles encontravam-se alguns directores de jornais, rádios e televisões dos países mais desenvolvidos do mundo. Nos estatutos editoriais que os regem encontramos arrebatadas declarações de princípio sobre a independência, a separação de poderes, a procura da verdade etc…


Sob o alto patrocinio de um tal Leopoldo que geria uma quinta em África, com apoios condicionais do bloquinho dos índios, do partido da classe operária

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