sexta-feira, dezembro 18, 2009

Porreiro

"Os senhores da Europa, que tanto se afadigam a medirem o comprimento dos ‘jaquinzinhos’, o calibre da fruta ou as emanações dos fornos de lenha, estão-se nas tintas para que haja um membro da União em divergência acelerada e a caminho do Terceiro Mundo.

"Portugueses perdem o estilo de vida europeu", escrevia o Diário de Notícias de ontem. Mas o "estilo de vida europeu", como a coesão e a Europa social são tralhas de oratória arrumadas no sótão de uma Europa de burocratas debruçados sobre o próprio umbigo. "Porreiro, pá".

O poder de compra dos portugueses está cada vez mais longe da Europa. Nos últimos anos, em lugar de progredir ao encontro dos países europeus com melhor nível de vida, Portugal regrediu e abeirou-se de Chipre e por este andar não tarda que esteja a par da Letónia, rumo à Coreia do Norte. E não há quem veja isto, a não ser quem o sente nas dificuldades que são o pão de cada dia da maioria dos portugueses. De resto, as classes dirigentes, políticas e empresariais, estão satisfeitíssimas consigo próprias, com o sucesso das suas ideias e o resultado das suas práticas: Os portugueses são dos mais pobres da União Europeia. "Porreiro, pá".

A divulgação das estatísticas do INE, que dão expressão numérica à pelintrice que vai pelo País, coincide com o regateio do salário mínimo nacional, durante o qual o patronato tem argumentado que não há justificação estatística para um aumento de mais 15 euros. Em Espanha, aqui ao lado e tão longe, o salário mínimo fica 200 euros mais acima e as entidades patronais gastam mais 20 por cento em encargos com os trabalhadores. Mas Portugal, da mesma maneira que se desvia da Europa, vai-se afastando de Espanha, fazendo do atraso uma forma de vida. "Porreiro, pá
"."

João Paulo Guerra

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