terça-feira, março 16, 2010

Entardecer


De mil cores com milhares de tons,
são feitas as paisagens que mudam incessantemente,
trata-se decerto da natureza e dos seus sons,
e, como tu mudaste o meu estado de alma com o teu sorriso permanente,
e no entanto parece que não sorris sempre,
como o pôr do sol, com mil tons de cor e sempre diferente,
na verdade trata-se de um milagre da natureza as permanentes mudanças,
mas nós nunca os vemos mesmo que os tenhamos na frente,
daí, meu amor, ganhei a calma que me deste num instante,
como num instante,
muda a cor da nuvem e da luz do entardecer,
vou-te dizer, devo-te bastante,
sei que não queres que diga,
aconteça o que acontecer, foi naquele pequeno instante,
que me aconteceu tornar-me um ser melhor,
sei que por pouco tempo,
porque tenho muitos defeitos, eu sei,
mesmo com um pôr do sol pouco brilhante,
deste-me alento e ganhei ao tempo,
daí a gratidão daquele momento instante,
em que me tornaste um ser melhor em construção,
que todos o somos,
apenas um segundo na vida, é como uma ideia em gestação,
ganhei calor e alegria neste pobre coração.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado 'rico' e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser 'rico'... Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e - de uma forma inovadora - pagando mais impostos.

Enquanto a pátria era salva, taxando 'ricos' como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda... por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.

E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não - como mais uma vez é feito - aumentar as receitas à nossa custa.

Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.

quinta-feira, março 18, 2010  

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