domingo, maio 01, 2011

A campanha faz-de-conta

"O estado de calamidade económica em que Portugal se atolou tornou-se no álibi perfeito dos líderes políticos. Após anos sucessivos de pequenas facadinhas nas contas e na gestão do país, o crime é revelado – vamos agora apurar os culpados.

Tem sido nisto que governantes demissionários e candidatos eleitorais andam entretidos há semanas: a apontar o dedo aos suspeitos do costume e a trocar acusações inconsequentes. Enquanto isso, os gabinetes ministeriais andam ocupados pelos senhores da ‘troika' que, nesta fase, mais parecem uma equipa subcontratada para fazer em trabalho temporário aquilo que os governos anteriores se esqueceram de fazer ou fizeram mal.

Esta zanga de comadres políticas que se anda a exibir na praça pública não passa disso mesmo: de uma briga caprichosa. Primeiro, porque os culpados da crise há muito que estão identificados e nem por isso vão pagar pelas más práticas - esse custo já está a ser apresentado, em jeito de factura detalhada (e agravada), mas aos contribuintes portugueses. Depois, porque uma luta política que se preze devia contribuir com ideias e soluções para os problemas mais urgentes da nação. Em vez disso, tem sido um debate oco e inconsequente, onde as poucas ideias acabam atropeladas até dentro dos próprios partidos.

É este espírito de "faz-de-conta-que-estamos-empenhados-em-descobrir-uma-saída-para-o-país" que parece mover os políticos nacionais. Infelizmente, não os tem comovido o suficiente para que passem do estágio do "faz-de-conta" para a fase do "isto-agora-é-mesmo-a-sério". Nem mesmo os últimos apelos públicos de Cavaco Silva ou as influências mais discretas de Durão Barroso, pedindo consenso, unidade - ou, numa palavra mais simples, juízo -, parecem ter sensibilizado as máquinas partidárias. O objectivo é chegar à meta em primeiro no dia 5 de Junho e, com essa proeza, ganhar o direito (ou a possibilidade) de escolher aliados e equipa governativa a seu bel prazer.

O problema é que, até lá, há decisões vitais que têm de ser tomadas. Entre elas, é imperativo que os principais partidos políticos assumam o compromisso público de que, seja qual for a combinação política que resulte das próximas eleições, o programa que está a ser decidido pelo FMI e pela União Europeia seja cumprido à risca. É isso ou, já se sabe, Portugal terá de esperar mais tempo pelo dinheiro. É a primeira grande exigência que a ‘troika' apresenta aos responsáveis políticos portugueses: entendam-se. Devia ser fácil dizer sim. Mas não. Em vez disso, continua o bate-boca político e juntam-se vozes críticas como a do social-democrata Alexandre Relvas, para quem, "nas últimas semanas, a elite política não esteve à altura das responsabilidades". Mas será que, ao sugerir que o País ficará melhor servido com um futuro Governo formado por PSD, CDS e PS (como outras figuras também defendem), tudo muda? Esta ‘troika' partidária pode ser possível, até provável, mas há dúvidas sobre se é viável. Se realmente é possível, então o que os impede de dar essa prova já?
"

Helena Cristina Coelho

2 Comments:

Blogger skeptikos said...

O que é imperativo é levar todos os abutres que nos andaram a roubar descaradamente, isso sim! Fica aqui um link com uns bons comentários: http://alt01.despesapublica.com/ajustes-directos/view/?ID=A8E6B4E2963C46E58D79175A145794AC

domingo, maio 01, 2011  
Anonymous Anónimo said...

Só quando em S. Bento, onde continuas a pavonear-te, fôr tudo regado e limpo com criolina e o povo inaugurar lá uma mais que necessária ETAR é que, tanto o Tejo, como o Paìs que "poluiste", ficam despoluidos ! É preciso ser persistente e começar as obras em 5 de Junho p.f. Reconheço no entanto que neste evento há alguma vontade de "limpar e eliminar" a muita caca que fizeste nos últimos 6 anos.Qual a primeira que usaste na inauguração!? (Escrito de acordo com o acordo ortográfico JLello"
Só quando em S. Bento, onde continuas a pavonear-te, fôr tudo regado e limpo com criolina e o povo inaugurar lá uma mais que necessária ETAR é que, tanto o Tejo, como o Paìs que "poluiste", ficam despoluidos ! É preciso ser persistente e começar as obras em 5 de Junho p.f. Reconheço no entanto que neste evento há alguma vontade de "limpar e eliminar" a muita caca que fizeste nos últimos 6 anos.Qual a primeira que usaste na inauguração!? (Escrito de acordo com o acordo ortográfico JLello"

terça-feira, maio 03, 2011  

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