domingo, maio 01, 2011

"Soundbites" cheios de decibéis

"Onde o autor oferece a sua ansiada visão sobre alguns eventos recentes, malhando a torto e a direito, enquanto deambula por sondagens e bancarrotas sortidas, reais ou imaginadas).

- As últimas sondagens vindas a público, mesmo submetidas a severa análise, visão criptográfica e mesmo alguma sevícia numérica, têm uma coisa em comum: são incompreensíveis, por incompatibilidade entre pressupostos e conclusão, pois não é racionalmente possível apontar o inimigo público José Sócrates como principal responsável pela massiva crise em que vivemos e pô-lo, todavia, em posição de vencer as eleições, isto mesmo que o adversário fosse Átila, o Huno. Claro que pode haver a distorção afectiva do refém, uma espécie de Síndrome de Estocolmo, como tem sido apontado, em que o eleitorado, abalado, confundido e ansioso, se deixou capturar em submissão. Até corre por aí, a propósito, uma excelente piada, segundo a qual, na hipótese de vitória do PS, se poderia montar um grande negócio à Futre, organizando charters, nos quais enxames de politólogos estupefactos viriam observar o fenómeno "in loco". Não seria apenas a inversão da dialéctica crime e castigo, uma coisa para ser trabalhada por um novo Tolstoi, com uma história às avessas; na época de rigor, contenção e sacrifício em que vamos cair, era por a decisão dos cortes e sacrifícios a uns tipos conhecidos por salvar os anéis, sacrificando os dedos, incluindo os usados para tocar a guitarra da festa acabada. Era caso para pensar que Portugal não necessita prioritariamente de melhores políticos mas, antes, de melhores eleitores.

- Agora que o FMI anda pelo Terreiro do Paço, de braço dado com o BCE e a CE, à cata de contas e notas de conto, dá nas vistas a posição barba rija do PCP e do BE, acompanhados da enfeudada Intersindical, condenando o pedido de ajuda (aliás mais que tardio). Essa prédica esquerdista, por relação, dá cátedra de economia ao discurso patriótico/pindérico de Sócrates, que punha entre ele e o FMI os dez milhões de portugueses (seguramente como reféns). Pelas esquinas, pelos jornais, pela blogosfora, corre, há já uns tempos, uma estória de heróica resistência da Islândia, recusando-se a aceitar as imposições de um "bail-out" exterior.

Como as coisas, no geral, estão a ir bem para os islandeses, o grito do povo deveria ser para fazer "igual", recusando as harpias da ajuda externa. Ora, a Islândia tem, sim, um problema com a Inglaterra e a Holanda, devido às perdas sofridas por nacionais destes países, alegadamente preteridos nas salvaguardas legais dos depósitos bancários no falido Landsbanki, cujo resgate o país recusou, em referendo. Não foi o estado soberano que declarou falência, pois a seguir à convencional receita do FMI, tomada e executada, a ajuda financeira permitiu à Islândia sair da crise. Logo, o exemplo islandês é bom, os factos é que estão mal contados. Não resgatar um banco é uma coisa, o Estado cessar pagamentos aos credores é outra, e a Islândia não rasgou qualquer compromisso. Custa lembrar, mas o Lehmans, o do descalabro, foi um banco que se deixou cair e na Islândia aconteceu o mesmo, também com graves sequelas, mas sem ruptura de pagamentos da dívida soberana que acarretaria a insolvência do Estado.

O que seria interessante era que tal gente das estórias ilusionistas recordasse um exemplo de efectiva bancarrota, como a Argentina em 2001, essa a verdadeira alternativa para o caminho tomado por Portugal. Lá, a fome chegou às classes médias, e as pessoas, mesmo despojadas de salários e pensões que só apareciam esporadicamente, nem dispor podiam livremente dos seus depósitos bancários, graças ao chamado "corralito", o exemplo acabado da poupança forçada. Quando a razia do valor chega a 75%, então esse caminho ou outro semelhante não é seguramente de apoiar, mesmo travestidos de amanhãs que cantam. Para o bem e para o mal, com o crédito não se brinca
."

Fernando Braga de Matos

2 Comments:

Anonymous menvp said...

Há pois é... continua a existir um silenciar do FULCRO da Revolução na Islândia!!!
.
NOTA: o FULCRO da Revolução na Islândia não é o discutir "pagamos" versus "não pagamos"... mas sim, o 'corte' com as regras da superclasse (alta finança - capital global):
- a superclasse (nota: controlam os media) quer Democracias-Fantoche... leia-se: Democracias facilmente manobráveis por lobbys...
- a superclasse não está interessada em Democracias aonde os cidadãos exijam, não só maior transparência aos governos, como também o Direito de VETAR as 'manobras' com as quais não concordam!
.
UM EXEMPLO: Esta história do TGV nem era assunto de grande conversa!!!... Visto que:
- "Existindo várias empresas de transportes por rentabilizar (leia-se, com grandes prejuízos) como, por exemplo, a CP, a Transtejo, o Metro do Porto, etc; e estando o país sob a ameaça da bancarrota...vai-se construir mais uma empresa deficitária: o TGV!!!... Meus meninos (leia-se políticos) deixem-se de brincadeiras porque a coisa será VETADA pelo contribuinte! Mais, meus meninos (leia-se políticos) preocupem-se é em incentivar o aparecimento de empresas sustentáveis sem 'assalto' ao contribuinte".



ANEXO:
«A VERDADE INCONVENIENTE é que não existiam, na economia portuguesa, razões substantivas quer em termos do sector financeiro, quer em termos de dívida (mais baixa do que a da Itália), quer em termos de défice (mais baixo do que o de vários países da UE) que justificassem a dimensão dos fortíssimos ataques especulativos de que foi vítima, ao contrário da Irlanda ou da Grécia...»
.
1- Os 'ataques' dos corruptos poderão custar milhares (ou milhões)... todavia, o cidadão poderá fazer alguma coisa...
2- Os 'ataques' dos especuladores custam milhares de milhões... e... o cidadão está de mãos atadas - não pode fazer nada!
.
Resumindo e concluindo: é urgente uma nova alínea na Constituição: o Estado só poderá pedir dinheiro emprestado nos mercados... mediante uma autorização obtida através da realização de um REFERENDO.



P.S.
A superclasse é anti-povos que pretendem sobreviver pacatamente no planeta...
A superclasse protege o pessoal gerador de caos no planeta!
Um exemplo: o pessoal que anda numa corrida demográfica pelo controlo de novos territórios.
[nota: a superclasse ambiciona um Neofeudalismo - uma Nova Ordem a seguir ao caos... consequentemente, a Superclasse pretende dividir/dissolver Identidades para reinar...]

segunda-feira, maio 02, 2011  
Anonymous Anónimo said...

Só quando em S. Bento, onde continuas a pavonear-te, fôr tudo regado e limpo com criolina e o povo inaugurar lá uma mais que necessária ETAR é que, tanto o Tejo, como o Paìs que "poluiste", ficam despoluidos ! É preciso ser persistente e começar as obras em 5 de Junho p.f. Reconheço no entanto que neste evento há alguma vontade de "limpar e eliminar" a muita caca que fizeste nos últimos 6 anos.Qual a primeira que usaste na inauguração!? (Escrito de acordo com o acordo ortográfico JLello"
Só quando em S. Bento, onde continuas a pavonear-te, fôr tudo regado e limpo com criolina e o povo inaugurar lá uma mais que necessária ETAR é que, tanto o Tejo, como o Paìs que "poluiste", ficam despoluidos ! É preciso ser persistente e começar as obras em 5 de Junho p.f. Reconheço no entanto que neste evento há alguma vontade de "limpar e eliminar" a muita caca que fizeste nos últimos 6 anos.Qual a primeira que usaste na inauguração!? (Escrito de acordo com o acordo ortográfico JLello"

terça-feira, maio 03, 2011  

Enviar um comentário

<< Home

Divulgue o seu blog!