quinta-feira, abril 29, 2004

Já agora.

Porque é que o Major Valentim ainda não renunciou ao cargo?

O regresso de Fátinha.



Fátima Felgueiras foi finalmente acusada no total de 28 crimes. A comunicação social, fiel à política do coitadinho, entrevistou em directo a senhora. Perante as várias insistências do jornalista, Fátima esquivou-se sempre a responder se voltava ou não a Portugal.

No entanto, conseguiu, a meio do habitual choradinho apelando ao coração do Portugal profundo, referir uma informação muito importante.

Pretendia defender-se perante a justiça portuguesa. Perante mas longe.

Novo chavão.

Confesso que gosto do novo chavão “num país aonde se prende para investigar e não se investiga para prender”. Só não compreendo porque ainda não foi fechada a secção de inquéritos da PSP em Alcântara, por exemplo. Por ali passam diariamente muitas centenas de inquiridos criminalmente que não estão presos.

Enfim, mais um chavão dirigido à inocência intelectual do Portugal profundo.

P.S. Sr Jorge Perestrelo. A PIDE é que investigava para prender. Em democracia investiga-se para inocentar o arguido do crime que é indiciado.

Interesse jornalístico versus segurança.

Segundo o "24 Horas", a comunicação social Búlgara, ao anunciar a visita do presidente da Bulgária, Gueorgui Parvanov, ao Iraque, permitiu que rebeldes xiitas assim informados, atacassem a coluna presidencial e chegassem mesmo a atingir o carro blindado do presidente. A troca de tiros com a coluna militar ainda durou cerca de cinco minutos.

Tratou-se de um golpe de mestre da comunicação social. Com uma só cajadada matou dois coelhos. Deu a notícia antecipadamente e ainda conseguiu fabricar outra com mais percussão.

Não se perdem estes rapazes.

Essa quero ver.

Durão Barroso, anunciou no final da reunião do Conselho de Ministros dedicada à reforma da Administração Pública, que todas as repartições de Finanças do país vão passar a ser sujeitas a uma avaliação de desempenho.

Essa avaliação está prevista para começar em Outubro. Confesso que fiquei muito curioso em verificar essas notas. Se chegarem a público claro

O mesmo de sempre.

Afirma José Alberto Carvalho na sua habitual crónica publicada no “24 Horas” ( edição de 26/04/04 ): “na semana em que o País celebrou os 30 anos da Revolução, assistimos à ignição da última mudança. A justiça deu sinais extraordinários de maturidade. Em primeiro lugar, porque Valentim Loureiro e a maioria dos suspeitos não ficaram em prisão preventiva. Os tribunais parecem finalmente escutar o apelo da razão. As medidas de coacção devem ser, de facto, proporcionais aos alegados crimes e à preservação da prova.

...Não se entende por que razão é que a decisão final tem de ser tomada por uma juíza. Uma única. Como acontece em todos os crimes, independentemente do volume e número de arguidos. Não se poderia recorrer à bolsa de juizes, por exemplo?”

Sobre o facto de Valentim não ter ficado em prisão preventiva, lembro que ele terá de pagar uma caução de 250 mil euros em duas semanas, ou seja, 50 mil contos em duas semanas!!!!!!!

Já em Dezembro de 2002, Pimenta Machado tinha pago uma caução de 1 milhão de euros. Ora se a caução foi de 250 mil euros, os crimes indiciados devem ser bem graves. Nem toda a gente pode pagar. Se a Fátima Felgueiras tivesse ficado em prisão preventiva ou pago uma caução, não se teria convertido na primeira refugiada política depois de 25/04/74.

Mas pronto, não se deve contrariar.

Quanto ao facto de a decisão ter de ser tomada por uma única juíza como acontece em todos os crimes, não se compreende a dúvida do jornalista.

Primeiro, porque nem todos os crimes comportam prisão preventiva.

Segundo, porque nem em todos os crimes que comportam prisão preventiva ela é exercida. Convém sim, deitar para a opinião pública a imagem do coitadinho preso preventivamente.

Terceiro, depois de o jornalista ter elogiado o bom trabalho da juíza afirmando “... acompanhando as escutas telefónicas ( ao contrário do que sucede com muitos juizes ), fiscalizando e ouvindo as gravações com particular atenção, os longos interrogatórios que manteve com cada arguido, que dão a entender que pretende esclarecer vastas ramificações”, ainda menos se percebe essa dúvida.

Repetindo. O jornalista não compreende porque, sendo a juíza Ana Nogueira a única a estar ao corrente do que se está a passar na investigação ( como ele próprio reconhece ), os arguidos não foram ouvidos por outros juizes, tirados à sorte de uma bolsa e, como tal, alheios ao processo.

Há uns tempos atrás queriam que o juiz de instrução fosse nomeado entre os mais experientes ( violando o tal princípio do juiz natural ), agora querem uma bolsa de juizes ( naturais “penso eu de que” ).

São estas dúvidas que explicam o posicionamento de Portugal na cauda da Europa.

Força Scolari.



Como era de esperar, os sucessivos comentários valorativos proferidos pela comunicação social sobre a nossa selecção, fizeram crescer nos portugueses uma ambição desmedida. De repente, passámos de modestos participantes a candidatos a campeões do Mundo.

Para agravar ainda mais o problema, a eterna pequenez clubistica, que atrofia os espíritos dos iluminados adeptos, impera, resultando em monstruosas assobiadelas e violentas escaramuças verbais com o treinador Scolari.

Os resultados também não têm ajudado. Talvez as experiências necessárias efectuadas sejam um factor desculpante. Ou talvez não.

Uma coisa é certa. Não se pode exigir mais à selecção do que o seu valor. Coisa que não está a acontecer.

Espero que, ao menos, a selecção já tenha cometido todas as infantibilidades e consiga fazer um Euro memorável. Um canto directo e um frango monumental já chegam.

P.S. Calma rapaziada. Ainda é cedo para questionar Scolari.

Políticas da memória





(...) Quando cheguei, deparei-me com uma coluna militar que cortava toda a rua e cercava o quartel. Eu não podia passar para casa, também não podia voltar para o liceu, e, ao que diziam, não convinha que ficasse na rua. Confesso que nesse momento de perplexidade e perante um tal aparato militar não se me pôs a dúvida se aquilo a que estava a assistir era uma Revolução ou uma Evolução.

Hoje, 30 anos depois, devo dizer que não é menor a minha perplexidade perante a polémica a que se tem reduzido o debate sobre as comemorações do 25 de Abril. O debate é tonto, embora o slogan que lhe deu origem - Abril é Evolução - seja tudo menos inocente. Vale a pena, por isso, que nos entendamos sobre os seus objectivos e o seu significado. O debate tem confundido, frequentemente, dois planos que são distintos: o da História, que é uma questão de ciência, e o da memória, que é uma questão de política. No plano da História, a questão não tem qualquer sentido. E não tem sentido porque, pura e simplesmente, não existe. Os historiadores e os cientistas políticos, familiarizados com a literatura sobre os processos de democratização, sabem bem que a democratização portuguesa conheceu dois momentos distintos, ambos fundamentais para a democracia em Portugal. A transição, entre 1974 e 1976, que, ao contrário da generalidade das outras transições democráticas, se caracterizou pela sua especificidade revolucionária. E a consolidação, que, a partir de 1976, se integrou no modelo geral a que Huntington chamou da «Terceira Vaga».

A transição operou-se por ruptura. Por ruptura, nas elites, e por irrupção maciça, na participação popular. Ruptura na esfera política, mas também na esfera económica e social. As lutas em torno do modelo político institucional foram acompanhadas por uma redistribuição brutal e compulsiva dos rendimentos e da propriedade que a Reforma Agrária e as nacionalizações concretizaram. Mas também e, simultaneamente, pela democratização do ensino, a criação do serviço nacional de saúde e do welfare State, com a institucionalização do salário mínimo, das férias e a universalização das reformas. E nem mesmo a dimensão internacional escapou à ruptura revolucionária. Foi ela que pôs fim à guerra colonial e permitiu a descolonização.

Para o bem e para o mal, a revolução está inscrita na matriz original da democracia portuguesa. O 25 de Novembro abriu caminho para a consolidação. E com esta, a democratização portuguesa aproximou-se do modelo «pactuado» das outras democratizações. Regressam as elites tradicionais que, em boa parte, se integram e partilham poder e influência com as elites democráticas. À ruptura substitui-se a integração. No plano económico-social, inicia-se o processo de desmantelamento da herança revolucionária: as indemnizações, as privatizações, rumo à economia de mercado e à modernização, que persiste e vai deixando pelo caminho direitos sociais, então, adquiridos. No plano político, define-se o modelo institucional e triunfa a democracia pluralista. A revisão constitucional de 1982 e a extinção do Conselho da Revolução põem termo à última herança da legitimidade revolucionária e encerram período de democracia tutelada. Estava consumada a consolidação democrática no plano interno. A integração europeia, em 1986, concluiu a consolidação externa e definiu, definitivamente, o novo modelo de inserção internacional. No plano simbólico, a Europa ocupou o vazio deixado pelo Império. Tudo isto é certo e sabido. Mas nada disto é o que está em causa no debate sobre o 25 de Abril.

Porque o que se discute não é a História. É a memória. E é aí que está o não dito. As comemorações não são um acto inocente. Pelo contrário, são um acto político. De política da memória. Uma política que reactualiza a oposição entre a memória individual e a memória colectiva e em que o poder político que comemora se apresenta como o legítimo herdeiro daquilo que comemora. Mais, em que se assume como o intérprete legítimo da memória colectiva. É isso que está em causa no 25 de Abril: a apropriação da memória. A direita contra-revolucionária nunca teve dúvidas de que o 25 de Abril foi uma revolução.

Pelo contrário, acentuou-lhe o carácter revolucionário para se demarcar dela. A esquerda também nunca teve dúvidas. O 25 de Abril era património seu e apropriou-se da sua memória. Há depois um centro-direita e por via da coligação uma direita envergonhada, hoje no poder, que se sentem excluídas dessa memória e que se querem apropriar dela. Abril é Evolução é só isso: um instrumento de apropriação da memória.


Nuno Severiano Teixeira, DN, 21-4-04

Cova da Moura ano 2010



Patrulhamento eficaz melhora qualidade de vida local.

Fauna iraquiana.

Do "Público"


O engano do 25 de Abril...

"Distinga-se o 25/A do 1/Maio/74. Este – a que alguns, mentindo, chamam “25 de Abril” – nada mais é que a origem da deriva “esquerdista” e “proto-totalitária” pretendida por alguns... e apoiada por outros. No Estádio 28 de Maio, naquela solarenga tarde, foi delicioso ouvir Mário Soares, ao lado de Cunhal, bradando contra o “imperialismo norte-americano” e o “capitalismo”. Observar o seu incómodo quando o líder comunista, ignorando-o, agarra dois atrapalhados jovens militares, fixando uma imagem para o futuro: se “o Povo está com o MFA”, saibam “com quem está o MFA”! E reparem Álvaro Cunhal, a cerrar de lábios, claramente recusando acompanhar o Povo que cantava “A Portuguesa”... desconhecia a letra ou não o reconhecia como o seu hino?!?
Não é este o “25 de Abril” que celebramos. Portugal não comemora (nem podia comemorar) a tentativa de implantação do bárbaro e canalha totalitarismo comunista – que ceifou centenas de milhões de vidas! Esse é o “25 de Abril” do PCP, de Vasco Gonçalves e da 5ª Divisão, de Otelo e das perseguições do COPCOM!

Portugal aplaude o 25/A da Liberdade. Que lhe possibilita questionar, concordar ou discordar. Que propôs que a Nação, em Liberdade, escolhesse o seu Futuro. Um 25/A de Homens verticais e de Honra, como Salgueiro Maia ou Sanches Osório – verdadeiros “capitães de Abril” e não “revolucionários” da 25ª hora (alguns até viviam à custa do regime que abjuraram) que, a mando de um certo sector político, se infiltraram para preverter o sentido e o espírito do Programa.

É de Sanches Osório o livro a quem pedi emprestado o título desta crónica. Escrito no exílio, quando foi perseguido pelos cobardes que, abusando do espírito tolerante dos que fizeram o 25/A, procuraram emporcalhar a Honra e vergar a Seriedade de homens bons! Nele confirmamos que o 25/A não é de ninguém, pois «o Movimento dos Capitães não tinha nenhum compromisso político definido com qualquer corrente da oposição ao regime deposto». É legítimo afirmar-se que a adesão da população da área de Lisboa ao golpe militar era fruto de uma vontade de mudança... mas daí descobrir uma vontade revolucionária é uma mentira descarada.

Descobrimos uma discussão entre Spínola e Costa Gomes/Rosa Coutinho, onde «por vontade de Costa Gomes e Rosa Coutinho, a PIDE/DGS haveria continuado» - ao contrário do que se defendia no Programa do MFA. De facto, a PIDE foi extinta, mas Costa Gomes/Rosa Coutinho levaram a melhor: ainda que de sinal contrário, continuaram «as detenções arbitrárias, sem mandato, sem juíz, sem assistência jurídica. As coisas não sucedem por casualidade... há um estado de espírito, uma atitude determinada por detrás delas». Assim se compreende o comportamento de Rosa Coutinho em Angola (onde confessa, censurou o discurso de resignação de Spínola, beneficiou o MPLA e tantas outras “acções democráticas”) e a conivência de Costa Gomes com Vasco Gonçalves e Otelo.

Importaria também esclarecer qual o objectivo do discurso proferido na Sexta-feira Santa de 74, no Barreiro, onde «Álvaro Cunhal e Rogério Carvalho afirmaram que seria necessário criar uma polícia política» (seria o KGB o modelo?). E não serve invocar o cenário da “guerra fria”: é desculpa igual aos que defendem as acções de Augusto Pinochet...

Conhecemos a urgência do MDP/CDE em assaltar a sede da Mocidade Portuguesa e destruír os arquivos. Parece que seria devastador conhecer imagens de dirigentes (alguns ainda no activo) uniformizados e alegres, rendendo honras às bandeiras da “juventude salazarista”? Diz Sanches Osório, «esse tipo de fotografias existiam... às centenas»!

E já agora: quem alterou o texto do Programa do MFA sobre os “Territórios Ultramarinos”? Na versão 25/A propunha-se a autodeterminação, através de referendos organizados e controlados pela ONU. A revisão “abrilista” consistiu apenas no seu abandono para pilhagem pelos partidos comunistas a soldo de Moscovo. Consequências? O declínio económico (Moçambique, em 1973, era o 2º território mais rico de África; em 1987, era o mais pobre). E milhões de mortos!

Nasci em 1967. Como o 25/A não é uma “vaca sagrada”, e tudo o que sei vem da pouca memória dos factos e algumas leituras. São normais as minhas dúvidas e legítimas as minhas perguntas! Respondê-las tornará as coisas mais claras... e mais verdadeiras!"

João Titta Maurício

Maio, mês de palestras na Faculdade de Ciências

O mês de Maio vai ser dedicado à astrofísica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com um conjunto de palestras, todas as quintas-feiras, para divulgar o trabalho dos investigadores.

Todas as quintas-feiras de Maio, das 17:00 às 19:00, serão apresentados trabalhos desenvolvidos pelos astrofísicos e os investigadores do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL) no OAL, e as últimas descobertas feitas.

Serviço cumprindo.

"Os italianos manifestam-se esta quinta-feira em Roma a favor da paz e da libertação dos três italianos raptados no Iraque, três dias depois de um ultimato dos sequestradores exigindo este tipo de protestos. "

P.S. Pronto. Esta cumprindo. os italianos são bem mandados. Agora já podem libertar os rapazes.

Volta Fatinha.

"O Ministério Público concluiu a acusação contra a presidente da Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, imputando-lhe 28 crimes, disse hoje à agência Lusa fonte judicial.

Fátima Felgueiras é acusada de 11 crimes de corrupção passiva para acto ilícito, cinco de participação económica em negócio, quatro de abuso de poder, três de prevaricação, três de peculato e dois de peculato de uso. "


P.S. 28 crimes??? Tantos??? Agora já pode voltar para defender-se. Tal como prometeu.

Olá.

"O caso «Apito Dourado» poderá ter sido o «pontapé de saída» para uma investigação em torno dos financiamentos partidários ilegais, avança a edição desta quinta-feira da revista Visão. "

P.S. Financiamentos partidários? Então não é pontapé de saída. É apito final. Vale a aposta?

Resistência.

"Grande parte dos atentados à bomba contra a coligação no Iraque, bem como os ataques mais sofisticados da guerrilha iraquiana em Falluja são organizados e frequentemente executados por membros dos serviços secretos do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, indica um relatório do Pentágono publicado esta quinta-feira pelo New York Times. "

P.S. Sempre dissemos que a esquerda gostava de defender os ditadores. Afinal a garbosa resistência iraquiana não passa dos esbirros de Saddam e terroristas estrangeiros da Al-qaeda.

Frente-a-frente.

"O deputado socialista Paulo Pedroso foi o único dos arguidos a estar frente-a-frente com Carlos Silvino na manhã desta quinta-feira. As acareações no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa foram interrompidas para almoço, devendo ser retomadas mais à tarde."

P.S. Ainda bem que foi frente-a-frente. Afinal o Tribunal ainda é um local sério.

Imitar a revolução

O «25 de Abril» foi feito porque o Exército, digo bem, o Exército (a Força Aérea e a Marinha não passaram de pequenos comparsas) não queria e, em certa medida, não podia, continuar a guerra. Não vamos discutir as razões (corporativas, demográficas, diplomáticas) deste facto, mas subsiste que ele esteve na origem de tudo. Os «capitães» (patente genérica) que se pronunciaram contra a ditadura (do pronunciamento falaremos depois) não tinham um plano, ou sequer uma ideia, para o país. Normalmente pouco educados, se pensavam no assunto, era para partilhar os lugares-comuns «socializantes» da oposição urbana e estudantil. Por si só, o famoso «Programa do MFA», incoerente e sumário, revela bem o vácuo para que se empurraram os portugueses, tanto aqui como em África. Por um lado, prometia eleições. Por outro, a «reforma agrária» e «uma estratégia antimonopolista», dois pontos cruciais, retirados da vulgata do PC. Suponho que à altura se tratava principalmente de angariar o apoio ecuménico da Esquerda e Centro-Esquerda contra a putativa resistência do regime. Como a seguir se constatou, ninguém mediu com seriedade, ou sensatez, as prováveis consequências do «Programa». A irresponsabilidade, típica entre militares, reinava. Pior ainda: como não se podia decentemente pôr um capitão ou um major à frente do Estado, o MFA entrou numa aliança indefinida com o general Spínola e o general Costa Gomes. Megalómano e autoritário e, além disso, ignorante, Spínola «escrevera» um livro (de facto escrito por oficiais da sua confiança), o Portugal e o Futuro, em que propunha uma «Comunidade Lusíada» ou coisa assim, e em que velhos preconceitos (do tipo: o nosso preto é nosso amigo) se misturam a uma inconcebível imprudência e à mais vertiginosa estupidez. Logo do princípio existiram, portanto, dois programas, um pior do que outro, e duas facções. Faltava «sair» e estabelecer o caos.

A «REVOLUÇÃO»

A «revolução de Abril», como romântica e fraudulentamente lhe chama a Esquerda, foi um mero pronunciamento clássico. Para quem não saiba: uma unidade ou grupo de unidades declara a sua oposição ao governo do dia (geralmente, mas não necessariamente, ocupando alguns lugares de importância estratégica - estradas, pontes, praças, portos, aeroportos, telégrafo, telefones, rádio, televisão e por aí fora) e, a seguir a esta desobediência activa, espera para ver o que decidem as forças militares fora da conjura. Se estas não marcham em massa contra os insurrectos, se não se mexem ou se aderem, o «golpe» ganhou. Manda a tradição que não haja violência. O pronunciamento é, como se dizia, um exercício de «contar espingardas». Quase nenhuma espingarda se apresentou a defender Caetano e as que apareceram, examinada a situação, retiraram em paz. Só a Guarda Republicana, aqui e ali, resistiu algum tempo; não muito e não muito convictamente.

Verdade que em Lisboa o «povo» veio desde o começo para a rua aplaudir as tropas e que esse apoio cresceu com a certeza da impunidade. E verdade também que, uma vez consumada a derrota do regime, houve por Portugal inteiro manifestações de grande entusiasmo e extraordinária dimensão. Isto, de certa maneira, legitimava o «golpe» contra uma ditadura, a que o país tinha um ódio tão universal e tão violento. Não legitimava mais nada. Como não legitimava nada, o assalto, inaugurado a 26 de Abril, a toda a espécie e género de autoridade, ligada ou não ao regime, que nos primeiros meses chegou espontaneamente a inimagináveis proporções. À sombra do Salazarismo e do Caetanismo viviam e cresciam mil tiranias diversas. O ajuste de contas era inevitável (e não deixou, em parte, de ser salutar), mas também não permitia que se tirasse dele qualquer conclusão política. Infelizmente, o MFA, já «aconselhado» pela Extrema-Esquerda, pelo PC e até pelo PS, resolveu arrogar para si, na única base da efervescência popular, uma fiança metafísica, com a designação absurda de «legitimidade revolucionária», com que durante anos justificou o seu poder absoluto e arbitrário. A revolução, propriamente dita, nunca existiu. Existiu, a partir de 28 de Setembro de 1974, uma tentativa, conduzida pelo Partido Comunista, para tomar conta do Estado e estabelecer pela força em Portugal um regime soviético, de que no seu lugar se tratará.

A DESCOLONIZAÇÃO

Para começar, convém esclarecer um equívoco hoje comum: apesar da propaganda jacobina e da pregação salazarista (o célebre mapa da Europa com as colónias sobrepostas), o nacionalismo português jamais verdadeiramente incluiu o império de África. Em 1910, a população branca em Angola e Moçambique andava por 15 000 pessoas; no fim da Segunda Guerra por 70 000. Só em meados da década de 50 e principalmente quando começou a guerra é que os números subiram. Os portugueses não emigravam para África. Emigravam para o Brasil e, a seguir, emigraram para a Europa. Para países ricos, não para países pobres. Como se compreenderá. O que, juntamente com a crónica miséria da «metrópole», teve dois consideráveis resultados. Por um lado, a colonização portuguesa, que durou de facto vinte anos (de 1955 a 1974), não chegou para criar em Angola e Moçambique (e menos na Guiné) uma sociedade moderna ou semimoderna, capaz de se autogovernar. E, por outro lado, os portugueses, a quem a ditadura obrigava a defender o império, não o estimavam e mesmo gostariam de o perder. Assim, sem colonização, a descolonização estava sempre condenada a ser um desastre e os portugueses assistiriam sempre, como assistiram, com indiferença a esse desastre.

O MFA nascera para impor o abandono imediato de África. A «liberdade», a democracia e o socialismo real ou irreal eram, se eram, corolários desse objectivo e ocupavam na cabeça dos «capitães de Abril» um lugar remoto e obscuro. Spínola, na sua perpétua inconsciência, ainda tentou impor a «Comunidade», que tão laboriosamente congeminara, e até desceu a discursar às tropas, certamente estupefactas, sobre as pseudoglórias de Marracuene e Magul. Mas Spínola não tinha peso militar e em Julho, no essencial, perdera. Não podia senão perder. O exército no terreno não esperara um minuto para se render e já em Maio, da Guiné a Moçambique, confraternizava aliviada e ardorosamente com o inimigo.

Neste clima, negociar era impossível, porque era claramente inútil. Não se negoceia depois da derrota e essa fora consumada. Restava combinar, e apenas combinar, a entrega de África aos vários «movimentos de libertação», mesmo sabendo que eles não controlavam nada, nem ninguém. Não existia alternativa, excepto evidentemente a de entregar Portugal à Extrema-Esquerda, ao PC e aos «capitães», para garantir que, ele também, seria destruído. Mas, nesta altura, é bom lembrar que o MFA gozou do apoio unânime do país. Não me refiro aos slogans pleonásticos que se escreviam nas paredes. Lembro que não se ouviu um protesto, uma crítica, o mais vago lamento. Para espanto dos que não o conheciam bem, o país mostrou com um silêncio clamoroso que não queria a guerra e que não queria a África. E que não dispensava a menor solidariedade ou compaixão aos brancos que, para seu mal, lá viviam. Nos negros nem pensou.

AVENTURAS DE SPÍNOLA

No Verão de 1974, a insurreição contra a autoridade mudou de carácter e começou a ser obviamente dirigida pelo PC e pela Extrema-Esquerda e a atingir, além do Estado (e daquilo que dele dependia), empresas privadas, fundações (como a Gulbenkian), a propriedade urbana, a propriedade rural (no Ribatejo e no Alentejo), a banca e os seguros. Spínola, então Presidente da República, e a Junta de generais que o acompanhava não tinham maneira de parar isto. O Governo era um apêndice sem força, nem prestígio. Os partidos, excepto o PC, ainda na infância, não contavam. E o MFA (por razões que se explicarão) incitava o tumulto, em vez de o limitar.

A única maneira de estabelecer alguma ordem neste caos crescente era criar uma legitimidade superior à legitimidade «revolucionária» de que o MFA se reclamava. Era simplesmente e, por outras palavras, fazer eleições. Mas, se o «Programa» do MFA prometia eleições para uma futura Constituinte, agora os perigos de uma consulta formal à cidadania (e não ao «povo» que berrava na rua) e do que essa Constituinte viesse a decidir estavam à vista. Se a Direita ganhasse, afastaria fatalmente o MFA de cena e não trataria com brandura os fautores da descolonização e do «levantamento» interno. A ruína (em África) de interesses materiais de peso, 800 000 brancos sem destino, o assalto ao Estado e a devastação da economia interna não se podiam esquecer ou perdoar. Em Agosto, o medo entrou, para ficar, na política portuguesa. O medo do conservadorismo indígena, abalado como nunca na história; o medo dos larguíssimos milhares de voluntários da «revolução», sobre quem pesava a eventual vingança da gente que haviam humilhado ou liquidado; e, acima de tudo, o medo do MFA. O medo, muito mais do que qualquer ideologia ou plano consciente, iria dali em diante determinar a acção à Esquerda e à Direita. Sem perceber esta realidade básica, não se percebe muito.

Spínola resolveu cortar o mal pela raiz, como quem comanda uma operação na Guiné. Do alto da sua inenarrável arrogância, o problema parecia elementar. Primeiro, provocava a sua eleição para Presidente da República: um Presidente com poderes sem limite, que disporia do exército, da GNR e das polícias. Depois, fabricava diligentemente uma Constituição a seu gosto e medida. E, por fim, posto o «povo» no seu lugar, referendava a Constituição. Esta manobra presumia a total passividade da Extrema-Esquerda, do PC e do PS e também que o MFA se deixaria pacificamente imolar. Não admira que as coisas não corressem bem. Falhou uma tentativa ingénua de usar o Governo para os preliminares, de que Sá Carneiro foi em parte responsável e que, na prática, só serviu para remover o Governo (o I Provisório) e dar lugar a outro (o II), presidido pelo coronel Gonçalves, de futura fama. Cortado este caminho, Spínola apelou directamente ao país. A «maioria silenciosa» devia manifestar o seu desejo de ordem e o seu horror ao comunismo e ele, em resposta, convocaria (sem autoridade) a imediata eleição do Presidente. Era a velha ideia de opor a «rua» moderada à «rua» revolucionária. Mas, por enquanto, a «rua» moderada, pouco inclinada a melodramas, ficou tranquilamente em casa e a loucura culminou com uma patética tourada no Campo Pequeno. O miguelismo, sempre o último recurso da Direita portuguesa, encontrava o espírito «moço de forcado» para salvar a Pátria com meia dúzia de nacionalistas, neofascistas, filhos-família e os basbaques do costume. O espectáculo não impressionou o MFA, que prendeu uma centena de pessoas (por um puro motivo político) e na cadeia deliberadamente as maltratou. Spínola, esse, saiu logo de cena com um discurso apocalíptico. O MFA seguiu para a Esquerda, em direcção ao PC. A hipótese de casamento andava no ar.

O MOMENTO DE ÁLVARO CUNHAL

Retrospectivamente, parece impossível como não se percebeu desde o princípio a estratégia de Cunhal. O desembarque no aeroporto da Portela (que vi sem ver) foi uma cópia fiel (e, de resto, encenada) do desembarque de Lenine na estação da Finlândia. O rápido desenvolvimento do partido, com uma política de «porta aberta» para quem fosse útil, era um exercício de manual. A conservação da CDE, agora supérflua, cumpria a regra de «unir» para mandar. A eficiência e rapidez com que o partido tomou conta dos sindicatos vinha nos livros. Como vinha nos livros a necessidade da «Aliança Povo-MFA», na verdade PC-MFA, para infiltrar e eventualmente dominar o exército. E, por último, lá estava a receita universal de uma outra aliança, a aliança operário-camponesa, no caso um ersatz que a ocupação do Estado, a «reforma agrária» e as nacionalizações deviam tornar «realidade». Contra os conselhos do poder soviético (ou, pelo menos, da sua ala mais sóbria), Álvaro Cunhal queria mesmo repetir em Portugal a revolução de Outubro e, é permitido suspeitar, não se achava muito inferior ao mestre.

Este programa, que parece impraticável, tinha no entanto uma grande vantagem: só ele oferecia, à superfície, uma absoluta segurança ao MFA e uma carreira aos seus cabecilhas. O MFA, convém repetir, vivia no medo da retribuição. Demolir Spínola e a Direita política, sobretudo aquela Direita política, não garantia nada. Se não se arrasassem as forças que dominavam a economia, tarde ou cedo uma nova Direita fundaria o seu regime e tarde ou cedo o MFA pagaria com a obscuridade e a miséria (e até talvez, muito «legalmente», com a cadeia) a sua espécie de «libertação». Para sobreviver, o MFA precisava de enterrar o mundo velho. E mais: precisava de preservar indefinidamente o seu poder. Os «capitães» não descobriram isso depressa. Não compreenderam à partida o significado e o alcance do abandono de África. Nem sequer pressentiram a infalível queda do antigo regime e até houve uma altura em que, para evitar sarilhos, se tentaram entender com Caetano. Aceitaram o «programa» do MFA como quem aceita uma formalidade. E, no Verão de '74, ainda alguns se inclinavam para Sá Carneiro. A necessidade é que os trouxe ao PC. Porque o PC oferecia a tábua rasa; e porque, como eles, não queria eleições.

Em Janeiro de 1975, a revolução de Álvaro Cunhal estava a caminho. Os «saneamentos» continuavam com entusiasmo e, agora, com método. O partido controlava ministérios, controlava câmaras, controlava quase toda a imprensa, a televisão e a rádio. Através das «comissões de trabalhadores» (outra figura clássica), conseguia estabelecer um clima de intimidação em centenas de empresas, que, por seu lado, os sindicatos levavam lentamente à parede. E, como sempre, a «inteligência» indígena proclamava como glória a sua vassalagem ao poder do dia. Felizmente, a estratégia de Cunhal tinha dois pontos fracos, de que ele não se apercebeu; ou que o exemplo de Lenine (como a versão soviética o apresentava) não permitia considerar.

Em primeiro lugar, a base social e geográfica da presuntiva revolução era estreita. Geograficamente, o território comunista não ia além da grande Lisboa, do vale do Tejo e do Alentejo (o velho território do jacobinismo). Um exame dos movimentos de Cunhal em '74 e '75 mostra que ele quase nunca passou a sua fronteira. Este limite, no entanto, não decidia tudo. Com pouco mais do que isso, Afonso Costa dominara o país pelo terror e Lenine partira, em proporção, com muito menos. Socialmente, também o PC se reduzia aos «trabalhadores» e a uma modesta parte da pequena-burguesia. Na «rua» faziam com certeza uma enorme impressão. Mas Cunhal, com trinta anos de cadeia e de exílio, vivia em 1940 (como o Rumo à Vitória claramente prova) e não vira, ou registara, a transformação da economia e a emergência de uma nova classe média, com alguma instrução e prosperidade, que a tornavam incapaz de embarcar numa aventura soviética. Essa classe, «progressista» mas conservadora, não existia na época revolucionária histórica. O abismo entre as «duzentas famílias» da imaginação marxista e as «massas» que «nada tinham a perder» fora preenchido. E a «força do PC» talvez não bastasse.

Em segundo lugar, a aliança com o MFA punha um problema, que Álvaro Cunhal sempre ignorou ou fingiu ignorar (pelo menos, não disse ou escreveu uma palavra sobre ele): o problema da divisão do poder. O MFA e, em geral, os militares «comprometidos» não se importavam de colaborar e proteger o PC, na medida em que o PC os servia. Mas, fora uma minoria militante, recentemente convertida, por muito que declarassem o seu amor à revolução, não tencionavam ficar subordinados à hierarquia do partido, quando as coisas viessem a estabilizar. Se não gostavam da ideia de eleições, rejeitavam a autoridade magistral, perpétua e absoluta do PC. Queriam o que Cunhal não lhes podia dar: a partilha do poder. Não um acordo formal, que sabiam precário. Uma partilha que implicasse a independência do MFA. Mas como, sem eleições, garantir essa independência?

ILUSÕES

Entre Setembro de '74 e Março de '75, a situação ficou indefinida. A força do PC aumentava, embora muita gente não acreditasse ainda que seriamente pretendia instalar em Portugal um regime soviético. O PS e o PPD estavam no governo e começavam a criar uma organização nacional. Spínola, retirado e em silêncio, era uma esperança e ameaça pendente. Corriam as noções mais disparatadas. Como de costume, o indígena, na sua fertilidade, ia buscar lá fora os «modelos» da moda: o regime militar, e corria que socialista, do Peru; o «compromisso histórico» com PC, à italiana; o gaullismo com Spínola; a Jugoslávia sem Tito. De qualquer maneira, havia o sentimento de que se devia passar do provisório ao definitivo. Mas, significativamente, não se pensava em resolver a questão com uma campanha eleitoral e com eleições.

Porquê? Porque a «revolução» pertencia aos «revolucionários» (ao MFA, ao PC, à Extrema-Esquerda e até a uma franja do PS) e os «revolucionários» (por razões conhecidas) se recusavam a deixar «tudo na mesma» e sensatamente suspeitavam que, com eleições, não mudariam nada ou não mudariam aquilo que pretendiam mudar. Assim, e por paradoxal que pareça, não podia haver eleições sem uma prévia «mudança» em ditadura e, para haver essa mudança, era necessário primeiro decidir aproximadamente qual, ou seja, que houvesse uma espécie qualquer de entendimento entre os partidários do «socialismo» e os partidários (na altura, envergonhados) da «democracia burguesa». Daqui nasceu o «Plano Melo Antunes».

Melo Antunes, um homem sem formação académica ou outra, que lera o marxismo de rigor na época (principalmente, a intrujice francesa), era o «intelectual» do MFA. Fechado num hotel de Sesimbra, com uma dúzia de «notabilidades», começou diligentemente o trabalho de estabelecer que reformas levariam a sociedade portuguesa a um «socialismo» democrático. Só a atmosfera política do tempo e uma infinita presunção explicam este exercício sem precedente conhecido. O espírito do «25 de Abril» está todo nele: a ilusão de omnipotência, o desprezo pela realidade do mundo, o autoritarismo, a irresponsabilidade. O «Plano» em si próprio não vale o papel em que foi escrito e nem sequer como tentativa de conciliação serviu. Poucos dias depois de ter sido finalmente publicado, veio o «11 de Março».

O «11 DE MARÇO»

O «11 de Março» é um episódio misterioso, que ninguém até hoje esclareceu. Convém por isso relembrar os factos sem especulação: na manhã de 11 de Março de '75, houve um pequeno grupo de unidades que se insurreccionou; uma delas (de resto, nada impressionante) apareceu em frente de um quartel de Lisboa, estabeleceu conversa com um oficial que por acaso lá estava e um ajuntamento ocasional de populares e acabou por se render (tudo isto se viu em directo na RTP); entretanto, um avião obsoleto metralhou o quartel e um soldado morreu; à noite, o general Spínola, sem se explicar, fugiu para Espanha num helicóptero militar. Esta aventura, desmiolada, confusa e frouxa, foi imediatamente promovida a «contra-revolução fascista» pelo MFA e o PC. Existem duas teses sobre o episódio. Primeira, que Spínola era suficientemente insano para ter organizado e desencadeado a coisa (o que, dada a sua história pregressa, não exige uma especial credulidade). E, segunda, que Spínola caiu numa armadilha do PC e da ala radical do MFA (o que, à superfície, é verosímil). Claro que Spínola não tinha um motivo tão forte como o MFA e o PC, porque naquele momento a sua simples presença em Portugal pesava a favor de que se fizessem eleições, que lhe iriam com certeza dar uma influência decisiva (mas não se pode conceder uma presunção de racionalidade a Spínola). Pelo contrário, o PC e os radicais do MFA precisavam desesperadamente de liquidar o «Plano Melo Antunes», liquidando com ele o compromisso com a «burguesia», e, caso não conseguissem evitar eleições, precisavam, pelo menos, de as tornar inócuas.

De qualquer maneira, depois de cenas de histerismo na televisão, em que o primeiro--ministro (o coronel Gonçalves) em especial se distinguiu, e de uma purga no exército e no MFA, os «revolucionários» chegaram aos seus fins. A «reforma agrária» permitiu ocupar os «latifúndios»: «latifúndios» que o «povo» por si só não ocuparia. E, de Lisboa, o governo nacionalizou a banca, os seguros, parte da indústria e centenas de empresas, que resolveu achar incompatíveis com o socialismo que se anunciava. Fora meia dúzia de excepções (nos redutos do PC e da Extrema-Esquerda), esta operação, executada a frio, não respondeu ao mais vago sentimento ou vontade popular. No terreno, a gente do PC e afim bastou para intimidar os gestores (e o resto do pessoal), que passaram a trabalhar para o «socialismo» com o mesmo zelo com que antes trabalhavam para o «capital». Com o tempo, muitos deles viriam naturalmente a ser ministros do PSD e ferozes defensores das «privatizações». Em '75, diziam o que hoje não se atreve a dizer a Extrema-Esquerda.

O «socialismo» português não passou assim de um «estado de coisas», determinado por decreto e, no vale do Tejo e Ribatejo, provocado e dirigido por activistas do MFA e do PC, sem mandato formal ou informal. Tirando a miséria e o atraso a que levou a economia, a «revolução» não tocou no país.

MÁRIO SOARES

Os «capitães» de Abril, que sobreviveram com voz, criaram o mito de que o MFA cumpriu honrada, livre e voluntariamente a sua promessa de fazer eleições. Nada mais falso. Se o fez foi apenas por duas razões: o seu interesse e Mário Soares. Comecemos por Mário Soares. Em toda a Esquerda, que se opunha ao regime mas recusava ser subordinada ou absorvida pelo PC, só ele percebeu que não existia independência possível sem apoio internacional, como sem apoio internacional não existiriam instituições democráticas. Vinte anos de experiência tinham mostrado que o PC era um inimigo sem escrúpulos de qualquer força anti-salazarista (ou antimarcelista), que não controlasse. Sem aliados, ninguém se aguentaria contra ele. E, por isso, enquanto as facções da Esquerda se divertiam com disputas teológicas, Soares criou o PS, com a ajuda do SPD (Partido Social-Democrata Alemão), do Partido Socialista Francês e do Partido Trabalhista. Além do dinheiro, obviamente indispensável, estas ligações (que em absoluto faltavam ao PPD e a Sá Carneiro) permitiram que Soares (não o PS, naquele tempo uma entidade duvidosa) aparecesse aos portugueses como o representante por excelência da Europa, ou seja, da espécie de sociedade em que eles gostariam de viver. Mais: se o PC e a facção radical do MFA decidissem de prescindir de eleições, Soares podia convocar contra eles forças consideráveis. Portugal não é uma ilha como Cuba, é uma parcela da Ibéria com fronteiras porosas, que em '75 tinha um milhão e tal de emigrantes (de primeira geração) em França e na Alemanha. A ideia de uma ditadura soviética, com o país fechado, roçava o delírio. Até Cunhal preferia uma fachada, como, por exemplo, um regime meio militar, em que ele mandasse. Mas, sem a passividade ou a colaboração de Soares, esse caminho estava fechado; e Soares queria eleições.

Por outro lado, também no MFA havia gente que apreciava o perigo, para si e para o país, de não pôr qualquer limite à «revolução» de Cunhal. O exército português, embora derrotado em África e dizimado por sucessivas purgas, não se tornara ainda um ersatz de Exército Vermelho, nem achava a perspectiva agradável. Em última análise, preferiu eleições e uma facção inventou mesmo a obtusa habilidade do «voto em branco», que era supostamente um voto MFA. Mas, mesmo assim, o MFA exigiu garantias e obrigou os partidos a subscrever um «Pacto», em que se comprometiam a respeitar as «conquistas» de «Abril», tanto passadas como futuras; e também a instituir como órgãos de soberania uma Assembleia do MFA e um Conselho da Revolução. Com estas precauções, os «capitães» autorizaram que o país votasse. Os resultados foram devastadores. Com 12,5 por cento para o PC e 7 por cento para o «voto em branco», a «revolução» era clamorosamente rejeitada e Soares, com 38 por cento, era, de facto, o representante do país.

A CONSTITUINTE

A eleição punha agora, e apesar do «Pacto», um problema crucial ao PC e ao MFA: além de mostrar o seu relativo isolamento, criava uma legitimidade nova, a legitimidade democrática, igual ou superior à legitimidade espúria a que chamavam «revolucionária». Em bom princípio, perante ela, não existia, ou devia existir, qualquer outra legitimidade. Quem lera a cartilha sabia muito bem que do sufrágio saía sempre a «contra-revolução». Lenine avisara. Só que Lenine tinha dissolvido à mão armada a Constituinte dele e a situação em Portugal exigia mais subtileza. De qualquer maneira, para a Esquerda e a Extrema-Esquerda era imperativo anular o efeito do voto. A história dos meses seguintes foi a história do esforço para que a vontade do «povo progressista» prevalecesse sobre a vontade dos portugueses. O MFA e o PC insistiram logo, invocando o «Pacto», que a revolução não acabara. O que eventualmente decidissem os representantes do país não podia prejudicar o «avanço» triunfal da «revolução», nas direcções que determinasse a sua vanguarda civil e militar. A Constituinte não devia ir além do seu mandato, ou seja, devia produzir uma Constituição e, sobretudo, não se devia imiscuir na vida política corrente, exercendo o seu direito de vigiar o PC e o MFA. Em S. Bento - e para tornar absoluto este interdito - até o período dito «antes da ordem do dia» suscitou a fúria do PC, que terminantemente o recusava, não se lembrasse alguém de falar na Assembleia sobre o que se sucedia cá fora.

Entretanto, a televisão e os jornais condenavam a própria ideia da Constituinte como inútil e «reaccionária» e ridicularizavam na prosa grosseira do PC, na altura em moda, as sessões que se iam fazendo numa atmosfera de constrangimento. O jornalismo (depois, democrático) desceu sem dificuldade ao fundo da subserviência e da sordidez. Pior: foram muitas vezes jornalistas que instalaram na RTP e na imprensa «comissões de censura» para zelar pela pureza «revolucionária» ou denunciaram quem achavam incapaz de se «adaptar» ao «processo em curso». Isto, como de costume, copiava a táctica de Lenine. E não se trata aqui de uma figura de estilo: apareciam artigos fielmente plagiados do cânone comunista. Cunhal, que ordenara este exercício, seguia as regras.

Além destas pressões directas, também vários grupos militares tentaram insistentemente que a Constituinte alargasse o seu poder para além do «Pacto». Corriam de mão em mão Constituições que davam ao MFA um terço dos lugares numa putativa assembleia unicamaral (os deputados seriam escolhidos por eleição interna) ou criavam uma espécie de Senado, exclusivamente extraído do MFA, para vigiar a câmara baixa e, através dela, como se calculará, os portugueses. Não admira. A eleição de '75 confirmara as piores suspeitas dos «capitães de Abril» e transformara em pânico o já vasto medo de represálias. Claro que esse pânico talvez se viesse a transformar - como se transformou - num desesperado desejo de compromisso. Em Maio de '75, no entanto, ainda não chegara o momento. O objectivo principal era liquidar Soares, porque sem Soares nem a legitimidade eleitoral, nem a Constituinte valiam nada.

ATAQUE E RESISTÊNCIA

Com a imprensa, a rádio e a televisão controladas por fanáticos da Extrema-Esquerda e do PC, e apesar da sua medíocre tiragem, A República do PS, como único jornal comprovadamente livre, simbolizava a determinação de resistência ao plano de instalar em Portugal um regime soviético. A 19 de Maio, a Extrema-Esquerda convenceu os trabalhadores (mas não os redactores) a «demitir» a direcção. A 20, indiferente a algumas manifestações de protesto, uma unidade militar evacuou e fechou as premissas. Injustificável e provocatória, esta operação (a que o PC, no fundo aprovando, ficou pudicamente alheio) suscitou um escândalo na Europa e esclareceu a opinião socialista, que admirava os «capitães de Abri» e desconfiava de Soares, sobre a genuína natureza do «processo revolucionário» português. Da usual peregrinação de «intelectuais» maravilhados (entre eles, como sempre, Sartre e Beauvoir, no seu último espectáculo de indigência e má fé), o clima foi mudando para um apoio cada vez mais largo e mais convicto à resistência do PS.

Com o assalto à República, Soares perdeu a imprensa. Mas já o PC, a 30 de Abril, cinco dias depois da eleição que revelara a sua impopularidade e a sua fraqueza, se preparava para lhe tirar, por decreto, os sindicatos. O decreto em causa, aprovado pelo governo e pelo Conselho da Revolução estabelecia que só houvesse um sindicato por ramo de actividade - a «unicidade sindical» - coisa que, em princípio, permitiria ao PC penetrar e controlar os sindicatos da «classe média». Cunhal voltava com isto a exibir a sua incompreensão do país moderno. Nem os sindicatos tinham a importância e o peso que ele supunha, nem a classe média tencionava engolir o PC em paz. Pelo contrário, a oposição do PS à «unicidade sindical», inaugurada com um discurso de Salgado Zenha, contribuiu decisivamente para tornar a classe média militante e a fazer aceitar a direcção política de Mário Soares. Foi nessa altura que se inventou o slogan «PC escuta, o PS está em luta» e que o anti-comunismo desceu à «rua». A partir de Julho, a «rua», que antes pertencia à Esquerda e à Extrema-Esquerda, passou para o PS e para inumerável multidão que o seguia.

Este era um fenómeno novo para que a cultura «intelectual» vigente não preparara os «revolucionários». Segundo os manuais, os «moderados», uma excrescência da «burguesia», de resto numérica e politicamente sem significado, ficavam sempre entre a obediência e o exílio. Os mitos em que a Esquerda se educara eram taxativos. Em Paris, a «moderação» não marchara em defesa do rei, nem contra Robespierre. Em Moscovo e Petrogrado, emigrara para a Alemanha ou fora vender móveis na rua. Mas, surpreendentemente, em Lisboa e no Porto, andava em manifestações (cada vez maiores), berrando contra a «revolução». Como explicar esta inconcebível extravagância e, sobretudo, como a explicar aos militares, a quem fora garantida a infalibilidade do «marxismo» e de Lenine? Entre Junho e Julho, embora ninguém tivesse ainda consciência disso, a fantasia de «Abril» já se estava a dissolver. O PC, o MFA e a Extrema-Esquerda tinham perdido sem remédio a iniciativa. Soares estava senhor da situação. Só faltava o delírio final da «revolução».

Esse delírio, que, incidentalmente, custou a sofrer, veio mostrar o abismo da miséria e da ignorância portuguesa. Os desvarios do MFA (que se torcia e retorcia para tornar meter o génio na garrafa) atingiram os limites do indescritível. As facções, que ora se juntavam, ora se afastavam, iam publicando «planos» para a salvação da Pátria. Um deles declarava o MFA o «Movimento de Libertação do Povo Português»: entidade «suprapartidária», que se destinava a conduzir «o processo de descolonização interna» e a «construir uma sociedade socialista». Os meios desta obra variavam entre o «pluralismo», a «democracia directa» e, ajuizadamente, a censura. Outro «plano», o «Documento-Guia Povo-MFA», ideia do PC e de Otelo, achava melhor um sistema de «sovietes», como se julgava que existira na Rússia (não existira), enfeitado com uma Assembleia Popular Nacional (isto com a Constituinte em funções). À capa da legitimidade da G3, não houve cretinismo ou torpeza em que não se pensasse, para grande deleite da «inteligência» indígena. Felizmente, o exercício era na essência assobiar no escuro.

A 10 de Julho, A República reabriu com um coronel a director e uma redacção de Extrema-Esquerda e o PS saiu do governo. A 16, saiu o PPD. A 18, no Porto, e a 19, em Lisboa (na «Fonte Luminosa»), dois comícios do PS com centenas de milhares de pessoas ( seguramente, em conjunto, mais do que um milhão) pediram que o primeiro-ministro, e agora general, Gonçalves fosse demitido. Pior ainda para o PC e o MFA: a 17 de Julho (na Lourinhã e no Cadaval) começou uma ofensiva contra as «casas de trabalho» (as sedes) do Partido Comunista, que, semana a semana, alastrou para norte, com apedrejamentos, com incêndios, com a agressão de militantes. Por detrás deste movimento, em grande parte espontâneo, estava a Igreja, com o seu prestígio, a sua experiência e, principalmente, com um padre em cada paróquia. De repente, o mundo «revolucionário», o mundo triunfante da «verdadeira» Esquerda, tremia em Lisboa; e ficava reduzido às suas dimensões reais: o reino comunista do sul (excepto o Algarve) com a capital em Almada.

Perante o país sublevado, o MFA, esse dilecto «movimento de libertação», percebeu (com dificuldade) o que o PC e o radicalismo militar esperavam dele: muito simplesmente que ele se tornasse um «movimento» de ocupação e repressão como o fora na Guiné, em Moçambique ou em Angola. Desta vez, por azar, em Portugal. Mesmo os «capitães de Abril» eram capazes de entender que, se aceitassem esse extraordinário papel, correm à sua perdição. E o medo do que se preparava anulou instantaneamente o medo de retribuição pela fuga de África pelo caos de «Abril». Até ao Verão de '75 o MFA fugira para a Esquerda, dali em diante fugiria com igual entusiasmo para a Direita. Só a lógica não mudou. Em 7 de Agosto, um manifesto, o «Documento dos Nove» (Melo Antunes, Lourenço e sete sócios), que apesar da sua retórica «revolucionária» e socialista (e da condenação já litúrgica da social-democracia) rejeitava um regime soviético, condenava as divagações de Otelo e se decidia pelo «pluralismo», foi assinado por 80 por cento da oficialidade do Exército (com certeza por mais na Força Aérea). Acabara a «festa». Numa reunião em Almada, o próprio Cunhal reconheceu a derrota. E depois de uns dias de negociação e trapalhada, a 5 de Setembro, em Tancos, uma Assembleia do Exército expulsou seis comunistas (incluindo Gonçalves) do Conselho da Revolução e os «moderados» (evidentemente, os «nove») tomaram o poder.

OTELO E A GUERRA CIVIL

Quando o PS e o PSD saíram, caiu o IV Governo Provisório, que foi substituído por um V, em que Gonçalves continuava como primeiro-ministro. O V Governo, um ajuntamento fortuito de gente sem estatuto ou qualificação, caiu com Tancos. E veio a seguir outro (o VI), em substância do PS, com um almirante excêntrico à cabeça. Das «forças revolucionárias», restava o COPCON, sob o comando de Otelo e de Extrema-Esquerda. E o PC que, sem se querer arriscar a um confronto aberto com o Exército «moderado», queria, pelo menos, contribuir para a expeditiva remoção do VI Governo e explorar o vácuo, que se havia de seguir. Mas, para compreender esta nova situação, é preciso compreender um ponto básico: o COPCON (Otelo) e o PC não tinham meios para ocupar duravelmente o Estado e, sobretudo, não tinham um modelo de acção. O modelo jacobino de Lenine, e Cunhal, falhara. Da «democracia directa» não decorria manifestamente uma teoria revolucionária e era tarde para a inventar. Uma certa reserva e uma certa oscilação do PC nos meses que precederam o «25 de Novembro», indicam que Álvaro Cunhal, sem uma estratégia clara, improvisava: meteu um comunista no Governo; ajudou a promover a agitação em Lisboa; colaborava com o PS. Não sabia para onde ir. Principalmente, porque não tinha para onde ir. E talvez também porque não ignorava que um regresso do PC ao poder implicava uma repressão de massa, em si própria perigosa e de resultados duvidosos. Em Otelo, um mitómano pouco inteligente, que muitas vezes roçava o patológico, é escusado procurar um pensamento racional. A sua própria ideologia, aliás (se meia dúzia de slogans merecem o nome) o encorajava a esperar a salvação da iluminada iniciativa do «povo» e do tumulto «criador» que ela eventualmente produzisse. De Setembro em diante, Otelo foi uma força anárquica: entregou armas ( 3000 G3), sem razão ou desculpa, aos civis do PRP; indisciplinou e politizou a parte do Exército que lhe estava entregue; não mexeu um dedo para eliminar uma associação secreta de soldados (os SUV) ou para evitar que um grupúsculo de Esquerda ocupasse a Rádio Renascença; assistiu sem intervir a um cerco ao Governo (em S. Bento) e ao assalto à Embaixada de Espanha; permitiu um segundo cerco, agora à Constituinte; protegeu manifestações do PC e da Extrema-Esquerda ; deixou, pelo silêncio, que se inventassem boatos de «golpes» da Direita e que o PRP apelasse à insurreição armada, na mais total impunidade. Mas tudo isto não levava a nada, mesmo com a fraca resistência do Governo. Em Novembro o poder de Otelo não era maior do que em Setembro. Se alguma coisa, era menor. O seu único aliado, o PC, nunca o aceitaria como parceiro permanente e tencionava dispor dele na primeira ocasião. Horrorizado, o país, aqui e ali armado e activo, estava à beira de um levantamento. Otelo ia caminho de um paroxismo de violência e desordem de consequências quase incalculáveis.

Não é de qualquer maneira provável que, ganhando, tivesse levado Portugal a guerra civil: com o Norte contra o Sul e a Esquerda contra a Direita. Não havia dos dois lados nem tropas, nem dinheiro, para conduzir uma guerra por mais de uns dias, excepto com intervenção estrangeira; e é literalmente inconcebível que a América, a Europa e a URSS, em 1975, se envolvessem num conflito caro e perigoso, por vagos motivos de estratégia (Kissinger, por exemplo, achava que não havia nenhum) ou simples motivos de prestígio. Uma vitória militar de Otelo talvez desse oportunidade a uma matança, a uma larga matança, e a operações de polícia de tropas da NATO para «varrer» as ruas e restabelecer a autoridade do Estado: não parece que nessa eventualidade Brejnev viesse em socorro de Cunhal. Quanto a Otelo e aos seus camaradas «revolucionários», não existia no mundo quem os defendesse.

Foi este isolamento e este desespero político de Otelo e do PC que determinaram o modo e a conclusão do «25 de Novembro». A campanha contra o VI Governo precisava de um desfecho qualquer: muito simplesmente, não era possível viver assim. Ou caía o governo, ou Otelo se insurreccionava. Otelo hesitou, tanto mais que PC não se queria arriscar directa e ostensivamente na aventura. Esta hesitação convidava os militares «moderados» a enfraquecer ou disciplinar as unidades em que não confiavam. Uma delas, os pára-quedistas de Tancos, presumivelmente por causa do clima geral de ansiedade e suspeita, decidiu por sua conta inaugurar a insurreição. Prevenido tarde, o COPCON ainda conseguiu tomar algumas medidas de apoio. Mas, no momento crucial, Otelo resolveu abandonar o posto de comando e ir pacatamente para casa. Mais tarde, tentou explicar este acto em muito pormenor, sem convencer ninguém. Não podia evidentemente dizer, nem a si próprio, que uma política absurda e a frivolidade da insurreição o tinham paralisado. Também Álvaro Cunhal e o PC se conservaram em sossego, para não pagar o preço da derrota de Otelo, que uma parte da Direita (não tão insignificante como isso) lhes tencionava exigir.

O tardio realismo dos chefes, no entanto, não ajudou os peões. Decapitado o COPCON e com os comunistas passivos, Ramalho Eanes enterrou rapidamente a «revolução». Ou enterrou o seu cadáver visível, porque a Esquerda a transformou num mito, que persiste em viver.

UMA REVOLUÇÃO?

O «25 de Abril» foi uma revolução? Não foi. O pronunciamento militar liquidou o antigo regime e dali em diante tudo o resto sucedeu com a protecção e com frequência o incitamento do MFA ou parte dele. Os «revolucionários» (do PS ou de qualquer grupúsculo) agiram sempre em liberdade e completa segurança, pessoal e colectiva. Em '74 e '75 nunca tiveram de enfrentar uma oposição séria e, quando encontraram a mais leve resistência (um fenómeno raro) o Exército resolveu o problema. A sua acção não passou em geral de um exercício de pura prepotência. Nenhum morreu, nenhum esteve na cadeia (durante o PREC, claro), nenhum perdeu o seu emprego. Não por acaso os mais fanáticos continuam a falar da «festa de Abril». Só que não há revoluções sob o alto patrocínio do poder político.

Mas, tirando isto, e não é tirar pouco, transformou a «revolução», como alguns pretendem, a sociedade portuguesa? Não transformou. Não se muda uma sociedade com ocupações seja do que for ou «saneamentos» seja de quem for. Um dos grandes mitos da Esquerda radical a ocupação (de terra ou de uma empresa) é um exercício absurdo que se derrota a si próprio (eliminando o patrão, o capital e o crédito leva fatalmente à falência e ao desemprego). Quanto aos «saneamentos», para durarem, exigem a instauração e consolidação de um novo regime e que esse regime exclua sistematicamente a elite da véspera (uma coisa impossível que nem Estaline tentou). Não admira que em cinco anos restasse vestígio de qualquer ocupação e que os «saneados» voltassem tranquilamente aos seus lugares, quando não ao governo. A agitação «revolucionária» produziu ruído e conseguiu incomodar muito gente. De importante e de permanente não trouxe nada.

Falta falar da «reforma agrária» e das nacionalizações. Se não existem, como não existiam movimentos de massa que as reclamem e defendam, cedo ou tarde, quem a título de «reforma agrária» se apropria de terra alheia, devolve a terra; e as nacionalizações são invertidas por privatizações (tanto mais que, no caso da indústria e da banca, o pessoal dirigente trabalhou para o «socialismo» como trabalhara e depressa tornaria a trabalhar para o capitalismo). Até o PC que observou que a «reforma agrária» e as nacionalizações não eram por si a revolução. De facto. Foram, isso sim, a ruína da economia portuguesa e presumo que irritaram muito, sem consequência de maior, algumas famílias. Como resultado, não se recomenda.

Ainda se diz que Portugal deve agradecer a sua presente «liberdade» aos «capitães de Abril». Não se vê por que razão. A liberdade nunca ocupou o primeiro lugar no seu «pensamento» ou na sua política. E, se hoje há um regime democrático, o responsável é Mário Soares, que precisamente o impôs contra a vontade dos militares. A verdadeira revolução foi a dele.

Vasco Pulido Valente

Penoso.

"Ferro Rodrigues confessou aos investigadores do caso de pedofilia que a existir uma cabala, que o envolveu no processo de Casa Pia, poderia até vir dentro do próprio PS, apurou o CM. Isto é, quando em Junho do ano passado, foi ouvido pelos procuradores do Ministério Público, Ferro, sabe o CM, explicou que acredita que o seu nome foi envolvido no processo por existir uma urdidura resultante de interesses políticos. "

P.S. Dá pena ver este homem arrastar-se. Não há ninguém que nos poupe a este martírio?

quarta-feira, abril 28, 2004

Pois.

"Luís Figo nunca teve papas na língua quando chega o momento de expressar alguma opinião mais polémica. Ontem, não se escusou a falar da ausência de jogadores do FC Porto, admitindo que a Selecção possa ter ficado mais fragilizada devido à ausência de alguns habituais titulares. "Já estive em múltiplas frentes e não deixei de vir", disse"

Record

Jornalismo???

Dizem os ilustres colegas do Blog “Os Cordoeiros”:



“Todos sabemos da imprescindibilidade da comunicação social. Sabemos todos que é um elemento essencial à vivência democrática. Meu Deus, todos sabemos, igualmente, dos seus juízos ligeiros, das suas análises superficiais. De como transforma opiniões em factos. De como discutem, noite adentro, após uns copos num botequim, do futuro da nação, do destino de um ministro, das argoladas de um procurador. Quando lhes dá para isso, os homens da comunicação social arrasam tudo e todos. Entre umas chalaças e uns cigarros, nas redacções do jornal, nos sofás das televisões. Sempre foi e serás assim: a comunicação social resplandece, as suas vítimas, heróis de ontem, desfalecem e escondem-se, envergonhados hoje, vitoriadas ontem, na área restrita do condomínio, ou no local de trabalho.
Esta comunicação social vitoriou o procurador de Gondomar, pelo seu desempenho, na hora, quando aquilo era “caixa” e lhes deu alimento para alguns dias. Os jornais venderam-se de acréscimo, as televisões ocuparam os telejornais com noticiários, com entrevistas, com “bocas” de quem percebe e de quem nada percebe do assunto. É assim o mundo de hoje. Quem mais grita, mais razão tem.

Mas a imprensa, sempre solícita, coscuvilheira e bisbilhoteira, foi descobrir que o procurador não cumprira, segundo diz, uma instrução do PGR e que, sendo assim, “... arrisca processo disciplinar...”. Não sei se o procurador tinha, ou não tinha, como diz a imprensa, de efectuar qualquer comunicação prévia ao PGR. Não entendo nada de magistraturas, de direito e de hierarquias do Ministério Público. E quem sou eu para tecer anotações e notas de rodapé desdizentes de um procurador que foi capaz, cumprindo o seu dever, de dirigir um inquérito, durante tanto tempo, sem que os jornalistas e quejandos não lhe sacassem uma só palavra ou linha sobre as investigações que, sob sua orientação, a Polícia Judiciária levava a efeito, polícia que, no caso, igualmente merece uma palavra de louvor ?
Em tempos, um cordoeiro dissertou no respectivo blogue, sobre hierarquia. Tanto quanto percebi, e percebi muito, a hierarquia do Ministério Público não é paralisante, os magistrados têm competência própria que exercem, e devem exercer, sem pedir licença seja a quem for.

Foi, ao que parece, o que fez o procurador de Gondomar. Certo que, se penso bem, deveria ter comunicado a Souto Moura, se não comunicou, o que se passava. A Souto Moura. O mais é conversa e só, pela experiência que se sabe, serviria para abortar a investigação. Por óbvias razões.

Mas os jornais, lá bem no fundo, o que perseguem, diga-se com clareza, é enfraquecer a imagem do procurador, encomendar um processo disciplinar, desvirtuar, por essa via, a investigação. Os interesses em causa o ditam. Os jornais são um pouco como os políticos: não dizem o que querem dizer. Encomendam. Em boa verdade, que interessa para o processo em causa que o procurador tenha ou não cumprido um dever de informação à hierarquia? E se não interessa, onde a razão de páginas de jornais a tratar de matéria de somenos, assim a confundindo com a questão principal? A falta, se ocorreu, é só uma questão interna do Ministério Público que em nada briga com o processo. E, diga-se, pelo que me sopram, vejam lá, ao ouvido, e não sei se é facto, que o procurador terá comunicado, atempadamente, à hierarquia, a existência do inquérito e a mais não estava obrigado. Do que se espera, agora, é que a hierarquia lhe transmita o apoio necessário e proficiente para melhor cumprir o seu dever. Isto é que é hierarquia

Também o “professor”, na sua missa dominical da TVI, veio fazer uma revelação espantosa para um professor de Direito. Que teria havido violação de segredo de justiça por parte do que disse da “acusação”. Leia-se: do procurador de Gondomar. É lamentável que um professor de direito não saiba o que seja o dito segredo, como se fora violação o saber-se de que crimes estariam os arguidos indiciados. O prof. devia ler o CP e logo via que aí se fala de actos processuais e não de crimes. Se se falasse de crimes, e não fala, o professor devia fazer um esforço de contenção, pois toda a gente, ou a toda a gente, foi dito os crimes por que estavam indiciados. Mas o professor tem destas coisas: fala, sem contraditório.”



Vou mais longe. A comunicação social há muito que perdeu a sua imprescindibilidade. Os seus agentes, ou porque são mal formados tecnica e culturalmente, ou porque escrevem a soldo, deixam muito pouco campo de manobra ao jornalismo sério. E com o passar do tempo, vai piorar.

Quanto ao prof, ele sabe bem o que é o segredo de justiça. Então sendo constitucionalmente tutelada a obrigatoriedade de informar o arguido as razões pelo qual foi privado da liberdade e o prof dá aulas de Direito Constitucional, mais não digo.

Uma coisa é certa. Agora vai começar a chover notícias sobre o procurador.
Disso não tenham dúvidas.

terça-feira, abril 27, 2004

Sinais dos tempos.

“O grupo que mantém reféns três italianos que trabalhavam para uma empresa de segurança americana ameaçou matá-los daqui a cinco dias se os italianos não organizarem manifestações contra o envolvimento do seu país na ocupação do Iraque. O comunicado do grupo, que já executou um italiano, foi divulgado ontem pela televisão Al-Arabiyah. "Vamos mostrar boa fé e libertá-los, se vocês simpatizarem com a nossa causa, mostrarem solidariedade connosco e rejeitarem publicamente a política do vosso primeiro-ministro numa grande manifestação na vossa capital em protesto contra a guerra e pedirem ao vosso Governo para retirar do nosso país", diz o comunicado, assinado pela Brigada Verde. O Governo de Silvio Berlusconi continua a recusar qualquer tipo de negociações para obter a libertação dos cativos e tem repetido a intenção de manter no Iraque os cerca de 3000 soldados enviados por Roma.

Público


P.S. Enquanto essa rapaziada mantiver essas ideias, o seu “diálogo” vai encontrar, com facilidade, eco na esquerda “estudiosa”. Melhor. A esquerda até lhes agradece a generosa oferta de motivos para atacarem o “imperialismo” americano e os seus seguidores.

Para nós, também está tudo bem. O pior é quando eles começarem a exigir burkas nas mulheres, a proibição de carne do Porco, da vinhaça e da cervejola.

Nessa altura, vamos achar muita piada ver a reacção das feministas que agora os defendem. Muita mesmo.

Da "Bola" II.


Da "Bola"


Roma Antiga.

Graças ao amigo Vasco, descobri um Blog dedicado ao Império Romano.

Como pequeno contributo, sugiro uma olhada em "Decline and Fall of the Roman Empire" de Edward Gibbon.

Estranhos amigos.

"A sul de Bagdad, em Diwaniyah, uma patrulha espanhola matou seis iraquianos na resposta a um ataque. Responsáveis militares espanhóis atribuíram o ataque a membros do Exército de Mahdi, a milícia do radical xiita Moqtada al-Sadr que continua refugiado na cidade santa de Najaf, cercada há mais de uma semana pelos americanos.

A patrulha foi atacada numa das estradas que está a ser considerada para a retirada das forças espanholas em direcção ao Kuwait, na sequência da decisão do novo chefe de Governo de Madrid, o socialista José Luis Rodrigues Zapatero."


P.S. Não compreendemos. Então os novos amigos dos espanhoís estão a ajudá-los a fugir do Iraque o mais depressa possível, e esses ingratos matam-nos? Ainda por cima, eram inofensivos religiosos do grande amigo de Espanha Moqtada al-Sadr, que ainda à pouco tempo lhes prometeu tréguas.

Inocentes sim. Dificilmente acreditamos que os iraquianos tivessem faltado à sua própria palavra.

segunda-feira, abril 26, 2004

Sinais do Tempo.

A revolução envelhece e com ela a democracia. Não me atrevo a uma possivel comparação com o vinho do Porto.
Muitas ilusões e desilusões.
Mais e mais promessas. Umas renovadas, outras adiadas.
O poder económico domina cada vez mais o poder político. A perda da soberania nacional é galopante. A vida democrática empobrece cada vez mais. Os problemas giram á volta da falta de autoridade do Estado e numa cidadania irresponsável.

Primavera.

Sente-se o aproximar da primavera. Ela aspira-se no ar perfumado e leve, no azul do céu, nos vários cânticos transportados pela aragem. É a vida renovada que se espera ansiosamente, que desanuvia os olhos e faz irradiar beleza nos lugares mais obscuros.

Força Teresa.


No ínicio deste mês, disputou-se na Praia Nova da Costa da Caparica, o Iner-regional de Surf, body-board e long-board. A nossa Teresa Abraços foi a vencedora disputando a final com Inês Tralha (2ºlugar), Maria João Frade (3º lugar) e Rita Piçarra (4º lugar).

Ficamos a torcer para o próximo Maio

Dois 25 de Abril.

Uma versão interessante do 25 de Abril, dada pelos ilustres colegas do Blog Blasfémias:


"Existem, pelo menos, dois 25 de Abril: o mítico e o histórico.

O 25 de Abril lendário conta-nos a odisseia de um punhado de bravos militares, que enfrentando uma tirania sangrenta e uma ditadura de ferro, em nome da santa liberdade e da mais pura democracia, destemidamente a enfrentaram e derrubaram. Fala-nos da falta de liberdade política, da censura, das prisões políticas, e contrapõe-lhes um regime de tolerância e democracia, que a revolução florida teria implantado.


Ora, o 25 de Abril histórico desmente cabalmente esta versão dos factos.

Desde logo, na natureza do regime deposto: não se consegue compreender, por mais distraída que seja a alma portuguesa, que uma tirania com aquelas características não tenha dado, como não deu, um tiro em sua defesa.
Como, também, não foge à verdade lembrar que não se implantou a democracia em Portugal naquela data. Pelo contrário, foram proibidos inúmeros partidos políticos (o Partido da Democracia Cristã, o Partido Social Democrata Independente, o Partido Liberal, o Partido do Progresso, o MRPP) e presos muitos dos seus dirigentes, sem qualquer acusação ou indícios da prática de crimes, que não fossem políticos. O CDS escapou por pouco e os seus congressos e comícios, com os do então PPD, eram atacados por energúmenos agitados pelo Partido Comunista e pela «vanguarda da revolução». A Rádio Renascença foi atacada, a comunicação social nacionalizada, ficando nas mãos do Partido Comunista e da extrema-esquerda. A «lei Jesuíno» (lembram-se?) tentou repor a censura e ninguém podia escrever ou falar contra o socialismo, sob pena de ser perseguido, despedido ou mesmo preso, como o foram milhares de pessoas. As redacções eram controladas ferreamente e até uma revista de humor, a «Gaiola Aberta» de José Vilhena, esteve suspensa por delito de opinião.

Muitos pides foram presos durante mais de dois anos sem serem ouvidos por autoridades judiciais, à semelhança do que tinham feito anteriormente. Por maiores que fossem os crimes que tivessem praticado, o que distingue em primeira linha um regime democrático de uma ditadura é a natureza moral do primeiro, que não utiliza nunca os instrumentos da segunda. Mesmo e sobretudo, quando estão em causa os seus adversários e inimigos. Como foi presa inúmera gente que nunca pertencera à PIDE ou à DGS, ou tão-pouco que tivesse funções políticas de especial relevo no regime deposto, libertada meses depois sem uma reparação, uma explicação ou um pedido de desculpas. Os exilados em Espanha e no Brasil foram às centenas.

De resto, à PIDE/DGS sucedeu uma polícia política bem mais temível, porque tentou agir «revolucionariamente», sem sequer se preocupar com aparências legais, ainda que eventualmente reduzidas. Foi o famigerado COPCON do major Otelo, eregido revolucionário romântico, poeta armado, Fidel de Castro da Europa. Cabotino, vaidoso, imbecil, Otelo Saraiva de Carvalho só não mandou os «fascistas» para o Campo Pequeno, onde lhes daria o tratamento que imaginamos, porque a resistência popular fê-lo, por amor à pele, pensar duas vezes. Tentaria repetir a «graça» alguns anos depois, com as FP-25.
Também sabemos, de há muito, que o Partido Comunista tinha listas de fuzilamentos elaboradas, às quais só não deu andamento pela resistência que lhe foi oferecida, sobretudo no norte de Portugal. Ainda hoje Arnaldo de Matos, que não era propriamente um «pide» ou um fascista, o recorda. Parece que também figurava nela.

Por outro lado, a democracia política tardou um ano e meio depois da revolução para timidamente se mostrar. As tentativas de adiar as eleições constituintes foram mais do que muitas, como se sucederam os governos provisórios atè às primeiras eleições legislativas. Os pretorianos do regime, instalados no «Conselho da Revolução», só foram afastados de um poder que exerciam sem legitimidade democrática, pela revisão constitucional de 1982, pela força do Estado de direito, contra a força bruta da ameaça das armas e dos quartéis. Até essa data, durante oito longos anos, o poder democraticamente eleito foi censurado, controlado e diminuído por um bando de capitães arvorados em pais da pátria, que se achava no direito de dizer o que era e não era conforme à Constituição, ao regime e à sua esclarecida visão de democracia de caserna.
A democracia sindical também tardou, e a nefasta CGTP-Intersindical, apoiada no Dr. Cunhal e no seu partido, pretendiam que o pluralismo sindical fosse uma traição à classe operária e, como tal, interdito por lei.

Por fim, façamos uma referência à liberdade económica, pura e simplesmente inexistente no pós-25 de Abril e nos anos que lhe seguiram: nacionalizações, ocupações, reforma agrária, colectivismo e o fim da propriedade privada como paradigma a alcançar. Nas empresas sucediam-se os despedimentos selvagens, promovidos por delegados sindicais e comissões de trabalhadores dominadas pelo Partido Comunista, onde esbirros e «democratas» de última hora, apontavam a dedo, perseguiam, humilhavam e despediam, quem muito bem lhes apetecia, sob a acusação de «fascismo». Foi, neste Portugal mesquinho que de há muito nos tornámos, o momento alto para o esplendor da miséria humana, em que a falta de carácter e de rectidão fez de delatores do passado, os delatores desse presente, e deixou vir ao de cima os instintos mais baixos de gente reles e rasteira. Como sucede quase sempre nos momentos ditos revolucionários.

Por tudo isto há que dizer que o que hoje se comemora é um logro da História.
O 25 de Abril foi uma reacção corporativa dos oficiais menores do exército português, que não queriam continuar a guerra de África. Era-lhes indiferente a implantação da democracia que, de resto, nem sabiam bem em que consistia, como os factos vieram a demonstrar. Ancorados nos generais, em vaidosos úteis como Spínola, Costa Gomes, Galvão de Melo, há muito tempo à espera do seu «momento histórico» para o qual não tinham, como se demonstrou, nem capacidade, nem categoria, gente que nunca controlou verdadeiramente coisa nenhuma na revolução e que, à primeira oportunidade, foi lançada «borda fora» e só não foi dizimada porque fugiu para o estrangeiro, os «capitães» derrubaram um regime político velho, podre e verdadeiramente patético e indefeso. Por isso mesmo, como faria notar o Senhor de La Palice se ao tempo fosse vivo, o regime não se defendeu. A «sangrenta ditadura» era mais uma dentadura gerontocrática em putrefação adiantada, dirigida por professores universitários em licença sabática para se dedicarem à política e ao governo, que se sustentava na imagem fantasmagórica de Salazar, cujos botins tinham engraxado durante décadas, e nalgumas chefias militares em manobras ultramarinas.

Do ponto de vista da História, da História grande e verdadeira, o 25 de Abril serviria para a União Soviética manipular alguns «revolucionários» de ocasião e deitar mão aos territórios africanos, que escravizou, roubou e onde condenou milhões à morte, à miséria e ao sofrimento. Que permanece ainda hoje, no trigésimo aniversário da revolução. Dizer que o 25 de Abril foi uma «revolução sem sangue» é uma piada de humor negro. Stricto sensu.

Contudo, as coisas poderiam ter sido diferentes, se se tivesse deixado a nova geração de políticos lançada por Marcello Caetano, chegar com naturalidade ao poder e fazer o que inevitavelmente faria. Como sucedeu em Espanha com os democratas-cristãos e liberais de Adolfo Suarez. Como sucederia em Portugal com homens como Mota Amaral, Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, Xavier Pintado, em suma, com a geração de trinta anos, a iniciar a sua aproximação ao poder, ao qual acabariam por ascender tardiamente e com uma revolução de permeio. Eles teriam promovido, como em Espanha, as reformas democráticas necessárias, teriam descolonizado o ultramar sem o entregarem à influência soviética, e poderiam ter-nos poupado ao descalabro económico que se seguiu e ao pluripatético espectáculo da democracia de caserna que hoje comemoramos. Todos teríamos ganho com isso e agora o dia 25 de Abril poderia até ser um dia respeitável. "

Parabéns FCP

Só por curiosidade:

1ª.Jornada
Porto 2 Braga 0

Fora de jogo mal assinalado a Castanheira, depois de passar por Baía, era golo do empate (1-1)

4ª.Jornada

Expulsão de Edson, numa possível penalidade a favor do Leiria, quando o resultado era (1-1) numa fase ascendente do jogo a favor do Leiria.

5ª.Jornada
Porto 2 Benfica 0

Três não-expulsões de jogadores do Porto (R.Carvalho-Costinha-Maniche) na analise do "jogo" por 3 arbitros foi confirmado,que deveriam ser expulsos,Ricardo Carvalho derruba Simão quando este se isolava para a baliza (26m)Costinha atinge Simão por trás em manifesta situação de colocar em perigo a integridade física do jogador (48m)Maniche pisa Petit na barriga propositadamente (74m).

6ª.Jornada
Guimarães 1 Porto 2

Golo mal anulado ao Guimarães, quando o resultado era de (1-1) milagre a contestação do Pimenta e Inácio tamanho foi o roubo...........

9ª.Jornada
Boavista 0 Porto 1

Golo mal anulado ao Boavista quando o resultado era de (0-0) golo do Porto procedido de falta sobre Filipe Anunciação. Deco e Nuno Valente, deveriam ser expulsos por entradas violentas, sobre Duda e Fary, (imprensa foi unanime).

11ª.Jornada
Moreirense 1 Porto 1
Penalti por marcar contra o Porto aos 90m.de jogo, opinam unanime dos comentadores desportivos, especialmente no jornal "O Jogo"

13ª.Jornada
Maritimo 2 Porto 2

Penalti inventado da igualdade ao FCP.O resultado era (1-0),imprensa confirmou.
Nas jornadas do Porto-Paços de Ferreira e Porto-Braga ficaram por marcar uma grande penalidade contra o Porto quando o resultado era de 2-0

15ª.Jornada
Alverca 1 Porto 2
Penalti por marcar contra o Porto com o resultado em 1-2.O segundo golo do Porto,nasce de uma falta contra o Porto que não foi assinalada. Expulsou jogador do Alverca por simular um penalti (duvidoso...) Mas o Deco caía constantemente e nem 1 amarelo .Couceiro disse ter abandonado o banco por sentir agonia com aquela arbitragem

16ª.Jornada
Porto 1 Rio Ave 0
Penalti não existente aos 90m de jogo dá vitória ao Porto depois de mal assinalados 2 fora de jogo, quando os jogadores do Rio Ave caminhavam isolados para a baliza.Uma série de faltas a entrada da area portista e nada assinalado. Faltas atrás de faltas contra o Rio Ave,enfim......... o jogador do Rio Ave (Mozer) no final do jogo disse não ser nenhum palhaço tamanho foi o roubo

Sporting 1 Porto 1

No penalti,Baía devia ser expulso,assim como o Deco (c/2 amarelo) e Paulo Ferreira na 2ª. Panalidade a favor do Sporting. Imprensa unanime.

24ª.Jornada
Académica 0 Porto 1
Duas expulsões (Pedro Emanuel/Nuno Valente)entradas violentas,quando o resultado era (0-0) para além de faltas inventadas,assim como uma delas quando Baía tirou a bola da cabeça de 1 adversário, colocando nos pés de outro com possibilidade de fazer o 0-1


25ª.Jornada
Porto 4 Belenenses 0
Dois primeiros golos ilegais (Jorge Coroado confirmou no Jogo) Três foras de jogo mal assinalados ao Belenenses,com possibilidade de fazer golo,faltinhas por tudo e por nada,amarelos para o Belenenses e Porto com entradas duras e nada.....para o Inácio contestar, imaginem

26ª.Jornada

Porto 1 Moreirense 0
Golo do Porto precedido de falta inventada ( alias era contra o Porto)aos 89m. As faltas eram tantas que o Moreirense não podia sair da area, é uma vergonha e inaceitavel nomearem um arbitro assumidamente portista para este jogo pois tantas faltas inventou que uma tinha que dar golo, alias a jogada nasce de mais uma falta sobre o guarda-redes (empurrão claro) e o arbitro marca canto......palavras do treinador do Moreirense

29ª.Jornada
Gil Vicente 2 Porto 0

Aos 15m. Baía defende a bola com as mãos fora da area, o arbitro nem falta nem vermelho, Deco tem 2 entradas violentas para vermelho e nem amarelo viu. Yuri caminhava isolado para a baliza e como de costume, fora de jogo erradamente.


28ªjornada(jogo em atraso)
Nacional-FC Porto

Maniche agride violentamente um jogador do Nacional...o árbitro nem amarelo mostra...no minimo era vermelho e cinco jogos de suspensão por jogo manifestamente violento

REPRESENTAÇÃO PÍFIA NA ASSEMBLEIA DA RÉPUBLICA

..
.

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Ouvi espantado aquele cromo açoreano, um tal Cruz, que levou à Assembleia da Républica, nas comemorações do 25 de Abril, a mais pífia de sempre, representação do PSD.
Se o Durão o quiz promover para próximo vencedor das Autárquicas dos Açores, deu com os burros na água, pois o que nos mostrou, foi uma criatura insegura, que leu um texto inenarrável, que demonstrou, pasme-se, desconhecer o conteúdo, tão mecânica e inexpressivamnte o leu. Com pausas desfazadas das vírgulas e dos pontos finais, o tal senhor, nem sequer entendeu o que estava a lêr, como se fosse um puto da pré-primára em dia de chamada indesejada, que obviamente se saldou com nota negativa.
Não , ele não mentiu, porque nem sequer teve consciência do que dizia. Foi tão fajuto como a engenharia contabilistica do défice da Manelinha dos truques

domingo, abril 25, 2004

Novo disco de Geoge Michael.


Obrigatório para a espécie que busca prazeres nos urinóis públicos.

Para os normais, tal como o título indica, sem interesse de maior.

P.S. O gajo nunca perdoou o polícia por o ter interrompido no urinol. Tratou logo de fazer um teledisco, aonde os polícias eram todos rabetas. Depois ainda dizem que estes tipos não são doentes.

"Esta é a madrugada que eu esperava"




25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo




Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

como puro inícío
Como tempo novo
Sem mancha nem vício


Como a voz do mar
Interior de um povo


Como página em branco
Onde o poema emerge


Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação

Sofia Mello Breyner

Fernando Salgueiro Maia – (1944 – 1992)


sábado, abril 24, 2004


11 Horas 45 minutos.

«Na sequência das acções desencadeados na madrugada de hoje com o objectivo de derrubar o regime que há longo tempo oprime o País, as Forças Armadas informam que de Norte a Sul dominam a situação e que em breve chegará a hora da libertação.

Reafirma-se o desejo veemente de evitar derramamento de sangue mas igualmente se reafirma a decisão inabalável de responder decidida e implacavelmente a qualquer oposição que as forças militarizadas e policiais pretendam oferecer. Recomenda - se de novo à população que se mantenha calma e nas suas residências para evitar incidentes desagradáveis cuja responsabilidade caberá integralmente às poucas forças que se opõem ao Movimento.

Chama-se a atenção de todos os estabelecimentos comerciais de que devem encerrar imediatamente as suas portas, colaborando desta forma com o Movimento, de modo a evitar açambarcamentos desnecessários e inúteis. Caso esta determinação não seja acatada será forçoso decretar o recolher obrigatório.

Ciente de que interpreta fielmente os verdadeiros sentimentos da Nação, o Movimento das Forças Armadas prosseguirá inabalavelmente a missão que a sua consciência de portugueses e militares exigem. Viva Portugal!»

10 horas 35 minutos.

«A população civil não está a respeitar o apelo já efectuado várias vezes para que se mantenha em casa. Muito embora o controlo das acções desencadeadas seja quase tota1, tendo já o ex-ministro do Exército abandonado o Ministério e entrado em contacto com oficiais superiores do comando do Movimento, pede-se mais uma vez à população que permaneça nas suas casas a fim de não pôr em perigo a sua própria integridade física. Em breve radiodifundido um comunicado esclarecendo o domínio da situação».

8 horas 30 minutos

"As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes de cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, ó poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a

expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica esperando a sua comparência nos hospitais a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja sinceramente desnecessária. A todos os elementos das forças militarizadas e policiais o comando do movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar. Apelamos portanto para que regressem aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas. Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem, por qualquer forma, conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas. Informa-se a população que no sentido de evitar todo e qualquer incidente ainda que involuntário deverá recolher a suas casas mantendo absoluta calma.

A todos os componentes das forças militarizadas, nomeadamente às forças da GNR e PSP e ainda as forças da Direcção-Geral de Segurança e Legião Portuguesa, que abusivamente foram recrutadas, lembra-se o seu dever cívico de contribuírem para a manutenção da ordem Pública, o que na presente situação só poderá ser alcançado se não for oposta qualquer reacção às Forças Armadas. Tal reacção nada teria de vantajoso pois conduziria a um indesejável derramamento de sangue que em nada contribuiria para a união de todos os portugueses. Embora estando crentes no civismo e bom senso de todos os portugueses no sentido de evitarem todo e qualquer recontro armado apelamos para que os médicos e pessoal de enfermagem se apresentem nos hospitais para uma colaboração que fazemos votos seja desnecessária.

Atenção elementos das Forças Armadas e policiais: uma vez que as Forças Armadas decidiram tomar a seu cargo a presente situação, será considerado delito grave qualquer oposição das forças militarizadas, e policiais às unidades militares que cercam a cidade de Lisboa. A não obediência a este aviso poderá provocar um inútil derramamento de sangue cuja responsabilidade lhes será inteiramente atribuída. Deverão por conseguinte conservar-se dentro dos seus quartéis até receberem ordens do Movimento das Forças Armadas. Os comandos das Forças Armadas e policiais serão severamente responsabilizados caso incitem os seus subordinados à luta armada."

7 horas 30 minutos

"Conforme tem sido transmitido as Forças Armadas desencadearam na madrugada de hoje uma série de acções com vista à libertação do país do regime que há longo tempo domina. Nos seus comunicados as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças Policiais com o objectivo de evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme não se evitará responder decidida e implacavelmente a qualquer oposição que se venha a manifestar. Consciente que interpreta os verdadeiros sentimentos da nação o Movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede-se à população que se mantenha calma e se recolha às mas residências. VIVA PORTUGAL.

4 horas e 32 minutos

«Daqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas»

As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos, sinceramente, que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom-senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário só poderia conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica esperando a sua ocorrência aos hospitais a fim de prestar eventual colaboração que se deseja sinceramente desnecessária.»


25 de Abril de 1974, pelas 00 horas e 20 minutos

Grândola Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena


Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade


Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

ZECA AFONSO

Portugal no seu melhor.

" A justiça faz-se nos tribunais e não na praça pública"

Ferro Rodrigues.

P.S Há pessoas que deviam estar caladas. Mas como não tem vergonha ...

sexta-feira, abril 23, 2004

Notícia retardada?



Cerimónia de Inauguração do "Bairro Doutor Durão Barroso", em Gondomar

Os habituais delírios.

Infelizmente são poucas as vezes que Sousa Tavares se esquece de tomar os compromidos. Felizmente hoje é um desses dias.

Então não é que atacaram o seu ídolo? Há que defender o Pintinho a tudo o custo.

Ler aqui o referido comentário.

Pontos altos do delírio:

1/ “Mas não é só o envolvimento a ferros do nome de Pinto da Costa neste processo que caracteriza a cegueira da imprensa responsável. Levados por um entusiasmo que tem raízes patológicas na clubite desportiva que a todos toca, ninguém se deteve a pensar - como tantas vezes tem sucedido no caso Casa Pia - em "detalhes" do procedimento judicial que são preocupantes, tanto mais que tendem a tornar-se regra.”

Gostei da frase “na clubite desportiva que a todos toca, ninguém se deteve a pensar”. Acenta-lhe que nem uma luva.

2/ “Desde logo, os sinais inequívocos de que estamos perante mais uma situação em que as pessoas são presas, não porque existam fortes suspeitas ou indícios de prova contra elas, mas sim na expectativa de que sejam a prisão e o interrogatório a fornecer esses indícios. “

Tratando-se de um processo com mais de 1700 páginas, aonde só Valentim Loureiro viu as suas conversas ao telefone gravadas pela Polícia Judiciária durante três meses, num processo de escuta que abarcou 14.947 chamadas, as quais preenchem 35 CD´s, dificilmente se encontrará algum indício de prova.

3/ “Depois, o procedimento totalmente abusivo de deter para interrogatório pessoas que já se sabe só serão ouvidas daí a um ou dois dias - e não mais, porque a lei o não permite. A coisa não é inocente, de outra forma o juiz só assinaria o mandado de captura quando soubesse que tinha disponibilidade para ouvir de imediato o detido e confirmar ou não a prisão, conforme a lei e o Estado de direito estabelecem. O que se pretende com a estadia prévia na prisão é, desde logo, perturbar e abalar psicologicamente o suspeito, desacreditá-lo socialmente e em termos públicos se for alguém conhecido e, através do isolamento prévio, quebrar-lhe as defesas no interrogatório. Pode ser uma boa estratégia policial, até pode ser um método eficaz de chegar mais depressa à verdade, se ela for a da acusação, mas é um método ilegítimo e desleal.”

Esta dissertação vinda de alguém formado em Direito só revela má-fé.

4/ Ainda e aonde a lei estabelece que o detido deve ser obrigatoriamente presente a um juiz no prazo máximo de 48 horas, a fim de ser ouvido e validada ou não a prisão, a juíza de Gondomar, incapaz de cumprir o prazo legal - porque prendeu os suspeitos antes de tempo -, resolveu interpretar a lei à sua maneira, substituindo a audição do preso por um "termo de identificação".

Idem. Esta dissertação vinda de alguém formado em Direito só revela má-fé.

Operação "Apito Dourado".

Dizia Luís Delgado que o nome de código “operação «Apito Dourado» é bizarro”.

Mas analizando bem, não é assim tão bizarro. A designação não foi escolhida ao acaso. O Gondomar Futebol Clube oferecia apitos de ouro aos árbitros designados para os encontros da equipa. Coisa para 750 euros cada apito.

Mas há que desculpa Delgado. Afinal ele limita-se somente a escrever sobre o que não sabe.

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