quarta-feira, março 31, 2010

31 de Março de 1889.


"A Torre Eiffel foi construída por Gustave Eiffel (1832-1923) para a Exibição Universal de 1889, em Paris, realizada na data do centenário da Revolução Francesa. Uma estrutura revolucionária para a época. Ainda hoje, é um dos principais símbolos de Paris e da França. A Torre levou dois anos para ser concluída e foi inaugurada pelo Príncipe de Gales que, posteriormente, tornou-se o Rei Eduardo VII do Reino Unido.

Até a época da construção da Torre Eiffel, a edificação mais alta erguida por seres humanos era a Grande Pirâmide de Quéops, no Egito, com 138 metros de altura e quase cinco mil anos de idade. A Torre Eiffel permaneceu como a construção mais alta do mundo até 1930.

A Torre tem 300 metros de altura. Somando-se a extensão da antena, a altura total da Torre é de 320,75 metros. Seu peso total é de sete mil toneladas, incluindo 40 toneladas de tinta. Possui 15 mil peças de aço e 1652 degraus até o topo. Felizmente, um sistema de elevadores também foi instalado.

A Torre possui três plataformas. Do topo, o ponto mais alto de Paris, tem-se uma vista panorâmica da cidade. De tirar o fôlego quando existem poucas nuvens."

Completo.

Uns euros pelo Vítor

"O governador do Banco de Portugal é, de facto, um caso sério nas suas previsões. O homem que inventou um défice em 2005 para o Governo do senhor engenheiro relativo aumentar os impostos não sabia que o buraco das contas do Estado em 2009 tinha disparado para 9,4% do PIB e em Janeiro, qual menino bem-comportado, alinhava o crescimento económico para este ano com a previsão do Governo.

Agora, dá o dito pelo não dito, e vem dizer aos súbditos que a economia só vai crescer 0,4% e que, novidade das novidades, vão ficar mais pobres pelo menos até 2011. Graças a Deus que vai pregar em Junho para outra freguesia. Mas como dizem que as exportações são a nossa salvação, talvez o Banco Central Europeu queira dar qualquer coisinha por esta triste figurinha
."

António Ribeiro Ferreira

Dueto de cordas

"Com Sócrates e Passos Coelho, a política portuguesa é dominada por dois tenores de fino recorte e discurso extremo. Sócrates ameaça com a catástrofe se o PEC for boicotado pela Oposição.

Passos Coelho prevê o desastre se o PEC for concretizado pelo Governo. Sócrates desliza a faca da demissão pela garganta da Oposição. A Oposição engole em seco e garante que não vai andar com um Governo morto ao colo. Se o Governo não morre e a Oposição não mata, o país está condenado a um faz que vai mas não anda até um qualquer e irresistível desenlace final. Entretanto é a realidade de um país em ‘stand-by' à espera que o dinheiro venha de onde vier e que a crise morra de morte natural. Ou talvez não.

Vejamos a questão da crise. Passos Coelho afirma que o PEC representa a ruína iminente e que a única solução para o impasse nacional reside no confronto eleitoral antecipado. Em sintonia com o Presidente da República, Sócrates elogia as virtudes da estabilidade e denuncia o aventureirismo de uma crise política como uma irresponsabilidade lesa-pátria. A conclusão óbvia aponta para uma confluência de interesses entre Belém e São Bento no sentido de gerir esta fase da vida política sem ímpetos e precipitações. Passos Coelho tem de perceber que Cavaco Silva é um institucionalista, moldando o perfil da intervenção política à letra da Constituição e ao espírito da instituição Presidência da República. Ao contrário do consulado de Mário Soares, com Cavaco Silva não existem estratégias de oposição política em que a Presidência é instrumental para a mudança efectiva da cor do Governo. A grande prova política de Passos Coelho consiste na manutenção de uma agressiva moderação e na prática de uma frenética paciência.

A dura realidade demonstra que Portugal vive em permanente ‘jetlag' económico. Com uma dívida per capita de 18 mil euros, com um esforço fiscal de 136% quando comparado com a média da União Europeia, com uma dívida das empresas e das famílias que atinge 159% do PIB, Portugal respira a crédito um tempo emprestado e alimenta uma ilusão verdadeiramente insustentável. Julgando estar mais rico, o país enfrenta agora a perspectiva de uma correcção dolorosa centrada na austeridade e no empobrecimento. Em todos estes anos, só o Estado cresceu em Portugal. Passos Coelho propõe uma mudança de sexo para o Estado em Portugal, uma mudança do género social para o género liberal. A operação promete ser difícil, mas talvez inevitável. A seu tempo, resta saber se existe coragem e vontade política.

Depois de ter esgotado todas as soluções, o PSD resolve finalmente tomar uma decisão que parece ser a mais correcta. Perdidos 15 anos, a escolha do PSD não encerra nenhuma virtude. A eleição de Passos Coelho ainda não representa o fim de nada, quando muito poderá representar o começo de uma nova história. Veremos
."

Carlos Marques de Almeida

Entre o bicho come e o bicho pega...

"Se o Programa de Estabilidade e Crescimento for cumprido, a economia portuguesa afunda outra vez. Se o plano não se concretizar, a economia... afunda outra vez. Estamos no mundo em que "se ficarmos o bicho come, se corrermos o bicho pega", como dizem os brasileiros.

Previsões menos sombrias dependem daquele tipo de raciocínios que ouvimos em geral no futebol, do género: "se aquele perder, o outro ganhar e aqueloutro empatar, então teremos um ano melhor."

O clube mais importante, para Portugal como para o euro, é obviamente a Alemanha. Se o governo de Angela Merkel adoptar medidas de expansão da procura interna, o efeito depressivo das políticas de redução do défice público nos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) poderia ser mais do que anulado pelas importações dos alemães.

O cenário da Alemanha a consumir mais é, contudo, muito improvável. Apesar de toda a pressão internacional, Berlim não quer ser expansionista e deseja, também e como sempre, crescer por via das exportações.

E, mesmo que o governo de Merkel estivesse disponível para incentivar a despesa interna, não é certo que os alemães reagissem a esse estímulo. Fica na memória a altura recente em que, anunciado o aumento do IVA na Alemanha, com vários meses de antecedência, os alemães, em vez de correrem às lojas, a antecipar compras, pouparam para enfrentar o futuro agravamento dos impostos.

Os outros clubes são os Estados Unidos e a China. Se os chineses deixarem a sua moeda valorizar e aumentarem ainda mais a sua despesa interna, a Alemanha poderá crescer, como gosta, pelas exportações e arrastar assim o resto da Zona Euro. A valorização do renmimbi permitiria ainda que os norte-americanos ganhassem competitividade dinamizando a sua economia também pela oferta. Mas também este cenário tem uma probabilidade baixa. A China não quer valorizar a moeda.

O único clube que resta é a América dos EUA, na expectativa de que "jogue" como sempre jogou, com a resistência e agilidade que a conseguiu retirar rapidamente das crises e reassumir o papel de locomotiva da economia mundial.

Uma coisa é certa, não vamos conseguir, todos, recuperar a economia pelas exportações. O globo é uma economia fechada, caso ninguém tenha reparado. E, como diz João Rodrigues no blogue Ladrões de Bicicletas, vamos todos, os países do mundo, exportar para onde, para Marte?

Caso os países com excedentes nas contas externas, como a Alemanha, a Holanda e a China, não se convençam de que têm de crescer um pouco mais pela despesa interna para os outros, como Portugal, crescerem, como devem, pelas exportações, uma nova recessão parece inevitável. Mesmo que os Estados Unidos voltem a ser rapidamente os grandes consumidores do mundo, apesar de endividados e porque são a potência imperial, essa retoma não chegará a tempo de evitar um novo mergulho europeu este ano. Claro que a correcção dos desequilíbrios mundiais ficará por resolver e a América lançará o mundo para uma nova crise, alimentada pela sua dívida vestida de inovação financeira.

Em Portugal pouco mais podemos fazer do que cumprir o Programa de Estabilidade, controlando o nosso caminho de arrefecimento da economia em vez de sermos atirados para uma crise descontrolada pelos mercados financeiros. Entre ser comido pelo bicho ou ser agarrado, sempre é melhor ser agarrado. Porque podemos lutar para o bicho nos largar
."

Helena Garrido

terça-feira, março 30, 2010

30 de março de 1974


Os Ramones dão o seu primeiro concerto no CBGB em Nova York. O trio Joey Ramone na bateria, Johnny Ramone na guitarra e Dee Dee Ramone no baixo e vozes abre as hostilidades. Depois de tocarem várias noites no CBGB, conseguem assinar um contrato com a Sire Records no outono de 1975 e gravam o seu primeiro disco Ramones por USD 6000.

Biografia.

Anytime

Finalmente, oposição?

"A vitória de Pedro Passos Coelho não deixa dúvidas no PSD, deixa esperanças. O partido já lambe os beiços quando olha para o trono onde se senta Sócrates, supondo que controla o calendário da sua queda: em 2010 parece que já não apetece, em 2011 depois das presidenciais é garantido. Assim dizem. Assim pensam. Mas a política não se faz em piloto automático.

O líder já ganhou o PSD, o PSD ainda não ganhou o líder. Pedro Passos Coelho teve uma vitória arrasadora, o que lhe dá tempo para se impor. Mas não tardará muito até que seja necessário mostrar o que vale. Começando pela economia. Pelo PEC.

A moção de apoio ao Programa de Estabilidade e Crescimento, da semana passada, é coisa de político: para parecer em vez de ser. Mesmo que tivesse sido aprovada por aclamação, a moção era vazia de conteúdo. Porque será preciso votar medida a medida no Parlamento. O aumento de impostos. O corte nas deduções fiscais. A redução dos apoios sociais. A alteração na idade de reforma. Em cada um desses momentos veremos o que faz o PSD: se faz do impopular PEC o trampolim para conquistar a sua própria popularidade, dizimando o seu conteúdo e o Governo que o propôs; ou se vai viabilizando as medidas, mesmo com mola no nariz, para o necessário seja feito e para que o estrago social seja assumido pelo PS.

O PEC é um bom documento de medidas más. Há outras formas de atingir os mesmos fins mas todas são dolorosas. Sem uma boa execução de muitas medidas do PEC, Portugal não sai da espiral viciosa que nos arrasta para o fundo do mar. Saber de quem é a culpa do nosso descalabro pode vir depois de sair dele. Até a Grécia é ajudada pelos alemães, que têm muito menos a ver com Esparta que o PSD tem com esta urgência de ser espartano.

Pedro Passos Coelho é a esperança, legitimada, do PSD sair de um longo período de autodestruição. E do país voltar a ter Oposição, após um interregno demasiado longo, desde o Verão, quando Manuela Ferreira Leite passou a ser o corpo que aquecia a cadeira do seu sucessor.

O que Passos Coelho tem de bom e tem de duvidoso está dito. O seu discurso liberal, que os leitores do Negócios puderam ler nas suas colunas mensais no último ano, é sedutor para a Direita mas muito mais fácil de enunciar do que de aplicar. O seu discurso, só agora terá adversários e então se verá se Passos Coelho é o anti-Sócrates ou se é o outro Sócrates. Mas, sobretudo, Passos Coelho precisa de mostrar que é o contrário do homem do "Monstrengo" de Pessoa, que ali ao leme não é mais do que ele, não é presa nas garras dos falcões do partido que o lançaram.

Antes de querer ser governo, o PSD tem de querer ser Oposição. Só assim fará bem uma coisa e merecerá ser a outra. De outra forma, terá uma grande desilusão. Em 2010 parece que já não apetece, em 2011 depois das presidenciais é garantido.
"

Pedro Santos Guerreiro

Abriu a caça aos padres

"Há razões para escândalo internacional com a pedofilia na Igreja Católica. Há casos que foram provados e a sua hierarquia, para evitar a vergonha, não denunciou padres culpados, mesmo pondo em perigo outras crianças com essa omissão. Tudo isso é verdade, mas só é verdade inteira se acrescentarmos: houve casos em que assim foi. Casos. Dir-me-ão: mas não é claro que ninguém generaliza à Igreja Católica os abusos sexuais a menores? Não, não é claro. Jeff Anderson, o advogado americano especializado em processos à Igreja Católica por abusos de menores, considera que esse problema, a pedofilia, é "verdadeiramente endémico na cultura clerical [católica]" (Le Monde, ontem). Endemia: doença que grassa num povo ou numa região, e que depende de causas meramente locais. Na minha vida, dei com alguns padres repugnantes (e jornalistas também, mas estes não vêm ao caso). Ora, essa tal doença endémica nos padres, escapou-me, a mim, ateu desde sempre. Mas o que não me escapa agora é a caça ao padre. Já começou, e vai continuar. Vai, vai. É uma fé que tenho: acredito na má-fé dos imbecis. Imbecis, porquê? Quem em nome de uma causa (combater a pedofilia) atira a torto e a direito, serve aqueles que combate porque banaliza os pulhas e até acaba por os ocultar. Imbecis, portanto. "

FERREIRA FERNANDES

Não há almoços grátis

"De onde vêm os bebés? De Paris, trazidos por uma cegonha. E de onde vem o dinheiro? Dos bancos, que o vão buscar a Paris, a Londres, a Amesterdão e por aí fora.

Durante uma década, o país deixou de se questionar de onde vinha o dinheiro, e tudo era comprado a crédito: casas, carros, frigoríficos, microondas e por aí fora. Resultado: no final da década, os portugueses (empresas e famílias) já deviam mais de 260.000.000.000 euros à banca.

E onde é que os banqueiros vão buscar tantos zeros para emprestar? Vão buscá-los lá fora, a outros bancos e ao próprio banco central, e não o fazem a custo zero. Resultado: a nossa dívida ao estrangeiro já representa o triplo do valor do nosso PIB, sendo que aqui o Estado também contribui para desequilibrar estas estatísticas.

Quem tem de manter os balanços equilibrados são os bancos, que têm de prestar contas aos accionistas. O dinheiro actualmente é um bem escasso e cada vez mais a banca tem mais dificuldade em encontrar ‘funding' barato para depois emprestar aos clientes. Resultado: a torneira de crédito está a fechar e os bancos estão a compensar os juros baixos e o esmagamento da margem com o aumento das comissões e com a subida dos ‘spreads' cobrados aos clientes.

Resultado: desde Janeiro de 2008, os ‘spreads' mínimos praticados, por exemplo, no crédito à habitação já triplicaram de valor, o que está a dificultar a vida de quem quer comprar casa.

Esta dificuldade em obter financiamento bancário, bem como a descida na avaliação dos imóveis para valores abaixo do preço do mercado fazem com que as vendas de casas tenham caído de forma acentuada nos últimos meses, o que não é necessariamente mau.

Resultado: o mercado de arrendamento está a dar sinais de recuperação e as imobiliárias estão a trocar o negócio de fazer casas pelo da reabilitação.

É o país, o mercado e a banca a ajustarem-se à realidade. Depois de tantos anos a viver acima das nossas possibilidades e a gastar aquilo que não produzimos, é chegada a altura de o país perceber que não há almoços grátis. Que o digam as Islândias, os Dubais ou as Argentinas desta vida que continuam a recuperar da indigestão do excesso do crédito. Já somos crescidinhos para perceber que a única coisa que vem de Paris é dinheiro emprestado
."

Pedro Carvalho

Animais ferozes

"Até princípios de Setembro o Presidente da República pode usar a bomba atómica e obrigar os súbditos a voltarem às urnas.

Poder, pode, mas só o fará com uma moção apontada à cabeça. Cavaco não quer nada que perturbe o caminho para um segundo mandato.É evidente que o senhor engenheiro relativo pode andar tentado a provocar eleições porque sabe melhor do que ninguém o que aí vem em matéria de impostos, cortes de benefícios sociais, desemprego e pobreza. E Passos Coelho, com medo de ser fritado em lume brando, é bem capaz de andar a sonhar com um tudo ou nada neste Verão. É certo que os dois animais ferozes vão passaro tempo a falar em crises e a fazer ameaças com bombase bombinhas. Mas, como se sabe, cães – salvo seja – que ladram nunca mordem
."

António Ribeiro Ferreira

segunda-feira, março 29, 2010

29 de março de 1461.


Guerra das Rosas – Batalha de Towton: Eduardo de York derrota os Lancasters de forma estrondosa e torna-se Rei de Inglaterra; Margarida de Anjou foge de Inglaterra e Henrique VI é preso na Torre de Londres

De 1455 a 1485 as casas reais inglesas de Lancaster (rosa vermelha) e de York (rosa branca) travam a Guerra das Duas Rosas. Ricardo de York, o maior senhor feudal inglês, aspira ao trono e aprisiona o rei Henrique VI, mas é derrotado na batalha de Wakefiel, em 1460. Eduardo IV, de York, vence a batalha de Towton, em 1461, e ascende ao trono, sob a tutela do conde de Warwick. Mas este se alia aos Lancaster e devolve a Coroa a Henrique VI. Na batalha de Barnet, em 1471, Warwick, Henrique VI e outros membros da Casa de Lancaster são mortos. Em 1483 morre Eduardo IV e o trono é usurpado por seu irmão Ricardo III, após mandar estrangular os sobrinhos e herdeiros da Coroa. Mas o herdeiro conjunto das Casas de Lancaster e York, Henrique VII, desembarca em Gales em 1485, derrota Ricardo na batalha de Bosworth e funda a dinastia Tudor.

Wikipédia.

O PEC, os avisos do BCE e a propaganda estúpida

"Nout Wellink, membro da comissão executiva do BCE, aconselhou ontem Portugal a tomar medidas adicionais para tornar o Pacto de Estabilidade e Crescimento "realmente credível". Na prática, Wellink diz é que aquilo que está escrito no PEC não chega para os mercados nos levarem a sério. Porque lhe faltam soluções estruturais para sanear as nossas finanças públicas. O problema é que cá no burgo ninguém ligou nenhuma às suas palavras: o ministro da Presidência passou o dia a fazer alertas para a necessidade de apoio do PSD à resolução sobre o PEC; Teixeira dos Santos fez o mesmo. Esqueceram-se de que os mercados não olham apenas para as questões formais (mero apoio a uma resolução), mas para a substância: os dois partidos do arco da governação partilham mesmo as soluções previstas no PEC? Ora, como qualquer bicho careta (mesmo que não perceba nada de economia) percebe que não, imagine-se os mercados...

Como se tudo isto não bastasse, o Governo deixou ontem sair a informação de que a Administração Fiscal fez a primeira devolução de IRS. Catorze dias depois da entrega da declaração de rendimento ao Fisco. E logo de quatro mil euros...! Ou seja, para acção de propaganda não está mal: deixa lá ver se acalmamos a malta numa altura em que a Imprensa só fala em redução de benefícios fiscais.

Em qualquer país a sério, coisas como esta seriam interpretadas como uma irresponsabilidade ou uma brincadeira de mau gosto. Por cá ninguém se insurgiu. O que, em si, não deixa de ser um belíssimo retrato do País: com papas e bolos
..."

Camilo Lourenço

domingo, março 28, 2010

28 de Março de 845.

Os Vikings cercam Paris. Os Normandos ("homens do Norte"), nome dado, na época carolíngia, aos piratas vindos por mar da Escandinávia (noruegueses, suecos e dinamarqueses), e que se chamavam a si próprios vikings, percorreram as costas da Europa no séc. VIII. Sob o nome de varegos, ocuparam, em meados do séc. IX, o vale superior do Dnieper, Smolenski e Kiev, e espalharam-se até Constantinopla. Tornaram-se, no plano comercial, os intermediários entre Bizâncio e o Ocidente, entre cristãos e muçulmanos. Mas era o Ocidente que, principalmente, os atraía. Descobriram a Islândia (séc. IX), a Groenlândia (séc. X). Os noruegueses colonizaram o norte da Escócia e da Irlanda; os dinamarqueses instalaram-se no nordeste da Inglaterra (séc. IX). Organizados em pequenos bandos, reunidos em flotilhas de grandes barcos, chegaram, após a morte de Carlos Magno, a desembarcar na entrada dos principais rios do reino franco. Carlos, o Calvo, teve de, mais de uma vez, pagar para que se retirassem. Em 886, sitiaram Paris, valentemente defendida por Eudes e o bispo Gozlin; mas Carlos, o Gordo, entrou em acordo com eles mediante enorme resgate e a autorização de saquearem a Borgonha. Em 911, no Tratado de Saint-Clair-sur-Epte, Carlos III, o Simples, cedeu ao chefe deles, Rollon, a região actualmente conhecida pelo nome de Normandia, exigindo em compensação que o conde normando e seus súbditos se fizessem cristãos, abandonando a selvajaria em que viviam, e reconhecessem Carlos, o Simples, como suserano.

Foi da Normandia que, no séc. XI, partiriam para conquistar a Inglaterra. Após o acordo firmado por Rollon as invasões cessaram, mas o gosto pelas expedições a terras distantes persistiria entre os normandos, que fundaram principados no sul da Itália e na Sicília (séc. XI-XII). Foi Richard, conde dos normandos, descendente de Rollon, que encomendou em 994 de um cónego da região dos francos, Saint-Quetin-Dudon, a história do principado que tinha sob seu domínio, assim como de seus ancestrais. Nessa obra é encontrada um fato que teria ocorrido logo após o baptismo de Rollon, em 911:
"Como símbolo de segurança restabelecida, o duque proibira recolher os arados. Eles ficariam expostos no campo. Um lavrador veio almoçar em casa, deixando o instrumento no lugar. Como muitas mulheres, a sua era maldosa: foi apoderar-se do jugo, da relha e da lâmina. O camponês queixou-se ao duque, que o indemnizou, ordenando uma investigação na aldeia. Recorreu-se ao ordálio, à prova de fogo em nome de Jesus Cristo, sem sucesso, e Rollon, recém-batizado, inquietava-se, perguntava ao bispo: 'Se o Deus dos cristãos vê tudo, por que não desmascara o culpado?'.

Interrogado, o camponês revelou que apenas sua esposa podia saber onde se encontrava o arado. A mulher foi presa, chicotearam-na com varas. Ela confessou. Então o duque perguntou ao camponês: 'Sabias que tua mulher era ladra? Então mereces a morte e por duas razões: és o chefe de tua esposa, devias controlá-la, impedi-la de causar dano. Se, no par conjugal, o homem não segura o leme, tudo vai por água abaixo. Além do mais, devias denunciá-la, entregá-la à justiça do povo, portanto és seu cúmplice'. A mulher e seu marido foram enforcados". Para Guillaume de Jumièges, monge que no século XI escreveu a biografia de Guilherme, o Conquistador, também descendente de Rollon, apenas a esposa foi punida. Vararam-lhe os olhos.
Nessa época escrevia-se pouco, e raramente em veículos duráveis. Todo poder exercia-se sobretudo pela palavra e gestos. As fontes de informação são esporádicas. A cultura escrita era monopólio dos padres.

Para os povos bárbaros o mais importante era o facto criminoso considerado objectivamente. A razão da pena era a "quebra da paz" pública ou privada e baseava-se na vindicta. Não havia muita preocupação com a culpa (sentido amplo), ou com o elemento subjectivo do delinquente; o dano material causado tinha sempre um valor predominante.A prova de fogo: ordálio ou juízo de deus que consistia em submeter a testemunha ou o acusado ao contacto com o fogo, após o que aguardava-se um determinado tempo, se houvesse queimaduras estava mentindo, se não houvesse, estava falando a verdade. O responsável pela paz voltava-se para o Deus justiceiro exortando-o a baixar ele mesmo a sentença.A condenação acima mostra que apenas os homens haviam sido submetidos à prova: não mais que os animais domésticos, as mulheres não eram da alçada da coisa pública, são objectos, móveis.

Fontes: - "Damas do Século XII", Georges Duby,

Ed. C. das Letras, 1995.- "Idade Média na França",

Georges Duby, JZE, 1992.- Enciclopédia Koogan-Houaiss Digital, 1999.-

"Princípios de Direito Criminal", Ferri.

PEC

"Com a apresentação do PEC, que é a negação em toda a linha do programa eleitoral com que o PS se apresentou aos portugueses ainda há seis meses, a casa socialista começa a vir abaixo. «Não podemos estar assim a desbaratar o nosso próprio património», protesta Soares. É «um custo social excessivo que vai recair sobre a classe média e média baixa», acrescenta Alegre. «O PS entrou numa deriva à direita», diagnostica Cravinho. «Confesso a minha incapacidade em aceitar que um Governo de centro-esquerda tome esta opção», proclama Pedroso. E até no interior do Governo já aparecem ministros como Vieira da Silva a confessarem publicamente: «Esta situação que nós vivemos, obviamente, não é uma situação que me deixa feliz».

Enquanto a casa socialista vem abaixo, José Sócrates mantém-se em estado de negação permanente e numa atitude de irremediável obstinação: «O PEC é credível. É o PEC de que o país necessita. Dizer que o PEC não aposta no crescimento não é verdade», repete o chefe do Governo em entrevistas e intervenções sucessivas.



A verdade é que este PEC representa, para o PS, o fim das ilusões. É a machadada final, e liberal, numa governação que perdeu qualquer marca de esquerda, que aumentou o desemprego, os impostos e o endividamento do país. Consuma a descrença numa liderança que arrastou o partido para uma teia de suspeições e casos obscuros, incapaz de lidar com a liberdade imprensa e de crítica. Anuncia o desmanchar da feira de um circuclo de poder que se vai esvaindo nas suas perversões e contradições.

Para Sócrates, as brechas que se abrem no PS e no Governo são o sinal de que o seu caminho está a chegar ao fim. Debilitado no plano pessoal pela sucessão de episódios mal esclarecidos, desacreditado no plano nacional pelos resultados medíocres de seis anos de Governo (e mais um PEC de austeridade e empobrecimento), também no plano partidário Sócrates começa agora a ser um líder cada vez mais só. Como se vê.

Não sendo provável, a nove meses de eleições presidenciais, uma convulsão política que leve à queda do Governo, Sócrates está obrigado a permanecer em S. Bento até 2011. Por força das circunstâncias e em lenta agonia política
. "

JAL

sábado, março 27, 2010

As reformas dos não reformados

"Os prémios milionários de gestores de empresas com capital público, que já têm vencimentos igualmente na média ou até acima dos praticados nos países mais ricos do mundo, são absolutamente imorais (uns e outros).

Sobretudo porque, em grande parte dos casos, os gestores em causa não chegaram lá por mérito e em razão da sua qualificação para o cargo e muito menos pelas suas capacidades e qualidades para gerarem valor para a empresa e seus accionistas e para melhorarem os serviços prestados ou a competitividade e a produtividade das companhias – o que dificilmente lhes permitiria ascender a lugares de topo nesses tais países com os quais, para efeito meramente justificativo, têm o costume de comparar Portugal.

É uma vergonha.

Tanto maior quanto o país vive situação crítica.

E não é admissível que o ministro das Finanças – o mesmo que afirma no Parlamento que não pactua com o que chama «money for the boys» referindo-se aos presidentes de junta de freguesia – venha atirar-se a um accionista privado que protesta em público contra os tais prémios atribuídos a administradores de uma participada do Estado, incluindo o presidente do conselho de administração que foi constituído arguido no processo Face Oculta (José Penedos).

E não se diga que os presidentes de junta não são virgens púdicas ou coisa do género. Porque, se são boys, são-no do povo – foram os eleitores quem lá os pôs. Enquanto os outros, os verdadeiros boys, foi o Estado (leia-se Governo ou partido maioritário ou, quando muito, bloco central de interesses) quem os nomeou.

É um escândalo.

Tão grande como o das reformas acumuladas por quem para tanto nunca descontou.



Reforma é a ‘prestação pecuniária, geralmente mensal, que um funcionário, um empregado, recebe da Segurança Social ou de uma instituição de seguros, após ter deixado a vida activa’.

Esta é a definição do Dicionário da Academia das Ciências e corresponde à norma da generalidade dos contribuintes, que leva a vida a descontar boa parte do salário para impostos e contribuições sociais.

Mas, no Portugal de sucesso dos ‘Zés-espertos’, há um outro conceito de reforma que se aplica só a alguns: a acumulação de pensões atrás de subvenções, mesmo por quem continua no activo.

Como bem diz o Dicionário citado, a reforma devia ser um direito de quem deixa de estar no activo. E devia ser ponderada de acordo com os descontos que ao longo da vida activa cada um efectivamente realizou.

Quanto maiores os descontos, maior a reforma. Justíssimo.

O que não é justo, embora legal, é que se acumulem reformas para as quais não se descontou.

Caso paradigmático é o de quem faz carreira na política, que só por ela desconta e que por ela ganha direito a subvenções ou reformas. E que, em acumulação (quantas vezes ainda com outras reformas ou pensões de regimes especiais), ganha também direito a somar (nalguns casos a dobrar) nas respectivas ‘carreiras’ da profissão de origem (que poucos anos exerceu e em que quase nada descontou) os anos que esteve em cargos políticos.

É imoral, absolutamente.



Muito mais quando esses que estão em lugares de topo na Administração Pública ou na gestão privada e/ou em empresas com capitais públicos, ou no activo mas já a receber reformas por isto ou por aquilo e a que por lei têm direito, são os primeiros a defender cortes nas reformas e pensões de quem para elas sempre descontou.

E mais ainda: quando são esses acumuladores de benefícios eticamente indevidos que, em lugares de Governo (e há-os) ou outros do topo da hierarquia do Estado ou da administração e da gestão públicas, defendem mais sacrifícios da restante e prejudicada generalidade dos contribuintes.

Esse é um dos defeitos graves do Plano de Estabilidade e Crescimento em cima da mesa.

O esforço e sacrifício colectivo é indispensável para enfrentar o estado calamitoso das contas públicas.

Mas não é moral que não se comece por reduzir privilégios e regalias irrazoáveis e sem sentido.

E não se diga ou pense que são poucos os casos: são aos milhares pelo país fora (políticos-professores, políticos-médicos, políticos-_-funcionários públicos... etc.).

Com imoralidades assim, e com tantas mais aberrações, não há sistema que resista. E quem sai prejudicado é quem verdadeiramente o sustenta.

É lamentável. Imoral
!"

MRamires

sexta-feira, março 26, 2010

26 de Março de 1942


Auschwitz recebe as primeiras prisioneiras.

"Que um campo de concentração tenha se transformado num museu é sinal da elasticidade de nossa linguagem. “Museu”: Mona Lisa, gravuras, esqueletos de dinossauros, belezas, moedas romanas, resquícios de uma veste normanda, lojinha e café. E mais pinturas, os impressionistas, espada japonesa, pilha de cabelos de prisioneiros de Auschwitz, ruínas de crematório, escultura, monumento, memorial. Museu. De coleção de arte a abrigo de peças passadas, removidas do contexto original e reinseridas num novo cotidiano, o nosso, a rotina de turismos e visitas a esses novos espaços sagrados em que não se toca nas coisas que estão atrás das vidraças, em que se percorrem as salas em seqüência como num ritual, em que se abaixa a voz respeitosamente na presença quase mística dos tais objetos históricos. Que um campo de concentração tenha se transformado num museu é sinal do lugar da memória da nossa cultura. Não que esse lugar seja estável, garantido. Tantos campos foram arrasados, transformados, na queima de arquivo durante a guerra pelos nazistas ou no esforço de esquecer e recomeçar depois. Outros campos foram enviesados em propaganda política, esquecidos das vítimas reais: no bloco Comunista, pouca menção a raça, religião, a ciganos ou judeus; em lugar disso, monumentos dedicados aos prisioneiros políticos, aos mártires do socialismo.

Mas hoje os campos de concentração têm os portões abertos, diligentes, na Alemanha, na Polônia, na República Checa. Com bilheteria, mapa, visita guiada, website. E, enquanto alguns campos são chamados apenas de monumentos ou memoriais, outros, como Auschwitz – o maior, mais famoso, onde mais pessoas morreram – tem o nome de “museu”. A intenção é preservar a evidência e o conhecimento do passado para além de livros e documentos: manter, no espaço aberto e enorme, nos barracões sombrios, a impressão do horror. Mas, para algumas pessoas, o museu é a banalização do mal: embalando os vestígios de um crime imenso nos modos confortáveis, limpos e acessíveis de uma exibição; inserindo os locais do genocídio – esses cemitérios gigantes – na rota turística, seja o turismo eclético (Louvre-Parque do Asterix-castelos bávaros-loja de departamentos), seja o turismo-peregrinação dos lugares de memória (Berlim-Verdun-Nurenberg…).


Assim, antes de ir a Auschwitz, ouvi de muita gente blasé: “Auschwitz virou Disneylândia.” Comparar o museu a um parque temático não surpreende nesta era de exposições artísticas “blockbuster”. Seja como for, ouvi muitos relatos torcendo o nariz para os ônibus fretados despejando turistas em Auschwitz, para os adolescentes e famílias falando alto, rindo, fotografando, comprando e comendo sorvete de vendedores poloneses (a venda foi desde então proibida). Ainda que haja o risco de que tudo isso neutralize o efeito de uma visita a Auschwitz – a desejada reflexão crítica sobre o passado-presente-futuro, o sentido da tragédia – ainda assim, cheiram um pouco a esnobismo esses comentários. Afinal, quanto mais gente visitar Auschwitz, mais gente terá visto, mais gente terá tido a chance de aprender. Não é essa a intenção? E quem somos nós para determinar os modos certos de ver, o tempo a passar em frente a um painel informativo ou objeto exibido, a correta expressão facial diante de uma informação?

Fui a Auschwitz, assim, esperando as filas de jovens com chapéus de Mickey e latas de Coca-Cola sob o sol do verão polonês num sábado de junho. Em vez disso, cheguei ao campo com a névoa fina e cinza da matina polonesa, um punhado de pessoas em duos ou sozinhas como eu, esperando pelos cantos ainda escuros da recepção modesta do museu – esperando o museu abrir. E, no dia inteiro que passei lá, o museu-campo imenso quase deserto engoliu os visitantes em tantos pontos diferentes – exibições, barracões, ruínas, monumentos – que, apesar de ter avistado um dos tais ônibus fretados, estive sozinha por quase todo o tempo.


E foi o campo me engolir com o céu de chumbo, que verão polonês pode ser frio e sombrio. Não havia vendedores de sorvete, mas havia a minha fome, meu cansaço, depois de doze horas de trem vinda de Berlim. Será indecente ter fome em Auschwitz? Onde mais de um milhão de pessoas sofreu de fome, de dieta ínfima, além dos demais maus-tratos? Será indecente, agora, eu escolher com cuidado as palavras deste texto, neste meu capricho estilístico, atentando aos vocábulos, será isso indecente diante do horror e da feiúra do que se passou em Auschwitz? Não preciso repetir Adorno, que disse que depois de Auschwitz não há poesia. Mas, sessenta anos depois (cinquenta e oito quando visitei o campo), minhas palavras se interpõem, embaçando a história. A memória não é, nem pode ser, o mesmo que a história.

Porque eu no campo com meu dia intenso, caminhando na vastidão de Auschwitz I e Birkenau, em meio às ruínas, às dezenas de barracões, às exposições, à remontagem de câmaras de gás, aos trilhos reais dos trens, às colagens de fotografias dos mortos – eu, mesmo no meio do cenário do horror, mesmo diante dos fatos e datas e informações, não posso ter idéia concreta do que lá se passou. A experiência imediata é impossível – algo que esquecemos facilmente diante de exibições interativas, reconstituições históricas “fiéis”, parques temáticos, filmes de Hollywood. O conhecimento é mediado pelas palavras, fotografias e tabelas, pelas interpretações. Mas será que, entre a experiência impossível e o conhecimento mediado, haverá um meio termo? Aquele ponto onde a consciência do evento nos ataca como um soco no estômago, onde sentimos a dor – que é apenas a nossa dor, mas que talvez possa nos transcender, “empática” aos mortos, ao passado?


Passei o dia andando e tiritando de frio, a chuva me pegou no meio do campo aberto onde as ruínas se estendem num vazio de grama e mato crescido; passei o dia em pé, andando, os pés doendo, as lágrimas escorrendo fáceis diante de qualquer coisa: o crematório explodido pelos alemães para apagar seus tracos; a fotografia das famílias mortas, os nomes, os beliches apertados em que os prisioneiros dormiam. Tive fome e, vergonha das vergonhas, comi em Auschwitz, o lanche trazido do dia anterior.

Assim é: impossível viver no passado e esquecer da vida de hoje que corre e demanda de nós as coisas rotineiras que chamamos “banais”. Oswiécim, a cidade polonesa em que está Auschwitz, quer viver além do campo e além do peso da sua memória. Seus habitantes procuram outras atividades ou tentam vender sorvete no campo; não querem ser conhecidos pelos crimes passados do povo invasor. Por outro lado, é o campo que dá fama e turismo à cidade, fregueses para hotéis e restaurantes, passageiros para os motoristas de táxi.

Ir a Auschwitz, ver o campo do lado de dentro dos portões: é preciso, ao menos para quem pode. Mas é preciso deixar o campo, voltar pelas ruazinhas vazias até a pequena estação de trem, tentar se comunicar com os poloneses, pegar o trenzinho antigo, e mergulhar de novo no mundo. Daqui, do lado de fora, mas com a memória do que seria ter visto o mundo de dentro dos portões fechados de Auschwitz."

Daniela Sandler

A utopia plausível

"Gostei das posições da Confap, que garante representar os encarregados de educação, às alterações do estatuto do aluno. Se este espanca com regularidade os colegas, a Confap é contra a sua suspensão preventiva e, sobretudo, contra a "devolução" (sic) do fedelho a casa, mesmo que apenas por uns dias. Se o aluno excede o limite de faltas injustificadas, a Confap é contra a respectiva reprovação. No fundo, a Confap luta pela utopia de inúmeros pais contemporâneos: um Estado que lhes guarde as crianças sem as traumatizar com exigências. Após quinze ou vinte anos, o Estado devolveria as crianças intactas (física e mentalmente) à procedência, munidas de um diploma e aptas para o subsídio de desemprego, o rendimento mínimo ou um cargo associativo, de acordo com a inclinação de cada uma. É uma das utopias mais alcançáveis que conheço. Só falta as escolas fornecerem dormidas de modo a evitar que, também de noite, as crianças partilhem o tecto com os pais que tanto as amam."

Alberto Gonçalves

quinta-feira, março 25, 2010

Mil mentiras e mil razões!


Por mil razões faltarei à verdade,
por mil verdades faltarei à razão,
e por mil vezes negarei, o que me for dito como verdade,
por mil mentiras direi que mentiras são,
por mil razões faltarei à verdade,
por mil vezes, faltarei as vezes necessárias para dizer a mentira,
mesmo que a saiba como verdade negarei sempre com ira,
mesmo que seja evidente e esteja perante os olhos dos outros,
como a limpidez de uma clara manhã, saberei mentir,
saberei dizer a verdade mentindo a todos,
porque a verdade é feita de mil mentiras que acabarão por vir,
e assim tudo negarei,
mesmo que saiba serem o que são,
assim, mesmo em vão,
por tudo o que amo mentirei.

When a blind man cries

O péssimo hábito de faltar à verdade ao país

"Teixeira dos Santos voltou ontem a insistir em duas supostas verdades do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC): 1 - não há aumento de impostos; 2 - a redução de benefícios fiscais tem a ver com razões de equidade fiscal.

Nada mais falso. O ministro, que é docente de Economia, tem obrigação de não brincar com palavras: o que interessa ao cidadão comum não é saber se a taxa de imposto aumenta, é a parcela do rendimento que entrega ao Estado. E esse total, por via do PEC, vai aumentar. Mas Teixeira dos Santos omitiu ainda outro pormenor: o congelamento da dedução específica (72% do salário mínimo) configura um verdadeiro aumento de impostos, porque qualquer aumento de salários passa a ser tributado.

A segunda falácia tem a ver com a equidade fiscal: quem tem mais rendimentos, deve pagar mais impostos. "Bullshit": o Governo mexe nos benefícios fiscais porque precisa de receita para fazer face ao disparo de despesa pública. Se estivesse preocupado com equidade fiscal teria tomado aquelas medidas mais cedo. Ou será que descobriu, repentinamente, as referidas injustiças?

Teixeira dos Santos e Sócrates deviam reconhecer que se enganaram quando "decretaram" o fim do problema orçamental português e que precisam de pedir novos sacrifícios ao país. O "Zé Pagante" aceita sacrifícios mas odeia que o tomem por parvo.

Dir-se-á que os políticos são mesmo assim. Não é verdade. Basta recordar outro ministro das Finanças, Ernâni Lopes, que em 1983 não teve pejo em dizer ao país que teria de pagar mais impostos. Mas essa era gente de outra cepa
."

Camilo Lourenço

A caixa-forte do PS

"Quando o Tio Patinhas tinha tanto dinheiro guardado debaixo do colchão que a sua cama ficava demasiado perto do tecto, teve de mandar construir uma caixa-forte. Aí podia, finalmente, exercer a sua actividade favorita: nadar entre as moedas e as notas. Portugal tem inveja do Tio Patinhas. Porque, em vez de nadar entre moedas, afoga-se no vácuo. A questão, claro, não tem a ver com passarmos das vacas gordas para as vacas magras, como há umas décadas. Tem a ver com termos sonhado, até há uns meses, que a nossa piscina era um repuxo de dinheiro. Esse sonho publicitário fazia parte da realidade virtual onde José Sócrates colocou Portugal. Sócrates criou um País virtual onde não havia espaço para a realidade. O programa eleitoral do PS espelhava isso. As múltiplas distribuições de pão em forma de rosas e os investimentos públicos foram a última fronteira electrónica do seu delírio. O PEC enterrou a alucinação colectiva que Sócrates prometeu, como se vivêssemos na digressão hippie dos Merry Pranksteers nos anos 60. O PEC é o novo programa do PS. E nele o PS renega tudo o que defendeu desde a sua criação. Cumprir este PEC é o purgatório do PS. Os políticos, sabe-se, têm uma grande capacidade para detectar os sintomas em vez das causas. Nesse aspecto, Sócrates e os seus esmeraram-se. Acabaram com o sonho dos portugueses, fuzilaram a ideologia do PS e riscaram Mário Soares do mapa. O PS perdeu-se no seu próprio labirinto. Já não é Teseu. É o Minotauro. E deixa-nos num labirinto sem saída à vista. "

Fernando Sobral

PEC: impostos, inverdades e erros trágicos

"Uma das questões que mais tem marcado a actualização 2010-2013 do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) recentemente conhecida é a que diz respeito aos impostos. E não tenhamos dúvidas: no PEC, o aumento de impostos e da carga fiscal é real, brutal e ocorre por quatro grandes vias:

• Redução de benefícios e deduções fiscais em sede de IRS (que afectam mais de 3.5 milhões de contribuintes, começando por aqueles que auferem mais de EUR 7 250 por ano, isto é, mais de EUR 517 EUR por mês (!));

• Criação de um escalão adicional de IRS (45% a partir de EUR 150 mil por ano);

• Redução da dedução específica para os pensionistas com reformas superiores a EUR 1 600 por mês;

• Aumento da tributação das mais-valias bolsistas (de 10% para 20% e fim da isenção depois de mais de um ano de detenção dos títulos).

Basta fazer algumas contas para concluirmos que (i) só a redução de benefícios e deduções em sede de IRS representará, de acordo com as estimativas do próprio Governo, um acréscimo de carga fiscal que equivale aproximadamente ao aumento de 1 ponto percentual do IVA (!); e (ii) ao todo, em média, as subidas de impostos atrás referidas retirarão aos contribuintes cerca de EUR 800 milhões em cada ano entre 2011 e 2013.

Sucede que, mesmo depois de ser conhecido este aumento de impostos para os portugueses em geral, quer o primeiro-ministro (PM), quer o ministro das Finanças (MF) continuam a defender que não há aumentos de impostos porque… as taxas não são aumentadas, com excepção da criação do escalão adicional do IRS. E, como José Sócrates (JS) referiu a este propósito, tendo sido amplamente citado na comunicação social "[quem vai ser afectado pela redução de benefícios fiscais são] alguns portugueses que têm elevados rendimentos e que tinham possibilidade de deduzir nos seus impostos o colégio dos filhos ou operações que fazem nos hospitais privados, e que agora vão ter uma limitação nos seus benefícios fiscais". "Alguns portugueses que têm elevados rendimentos"?... Como, se a partir de EUR 517 por mês todos serão afectados?!... Poderão estes contribuintes ser considerados "ricos"?!... De acordo com o PM, parece que sim… Mais palavras para quê?!...

Mas convém também relembrar a JS que não é só criada uma taxa mais elevada no IRS: a taxa de tributação sobre as mais-valias também é aumentada - deixando Portugal com um regime menos favorável do que a vizinha Espanha, por exemplo, o que contribuirá para tornar o nosso mercado (ainda) menos atractivo e mais periférico e ilíquido do que já é…

Aqui chegados, não posso deixar de recordar ao PM algo que ele muito bem sabe… mas finge não saber: subidas de impostos podem acontecer por aumentos de taxas, por criações de novos escalões ou por redução/eliminação de benefícios e deduções. Em qualquer destas formas, implicarão sempre uma diminuição do rendimento disponível dos contribuintes. E é isso mesmo que este PEC prevê - pelo que, quer JS o admita ou não, a esmagadora maioria dos Portugueses irá senti-lo no seu bolso.

Quanto a Teixeira dos Santos (TS), antes de nos apresentar este feroz ataque fiscal que consta do PEC dizia: "(…) não nos socorremos de medidas de natureza fiscal porque entendemos que parte da consolidação tem que vir do crescimento e acreditamos que mexer nos impostos ainda no rescaldo da crise ia ser contraproducente (…)". Como disse?!...Importa-se de repetir?!... Por favor!...

É, pois, uma pena que quer JS quer TS faltem desta forma descarada à verdade perante todos os Portugueses (acharão que somos todos tolos?...), o que em nada abona em favor da sua (já reduzida) credibilidade (da mesma forma que contribuem para deteriorar a imagem de todos os agentes políticos). Mas pena ainda maior é que não tenham, pelos vistos, percebido os erros trágicos cometidos em ajustamentos orçamentais anteriores, quando se tentou baixar o défice, em boa parte, pelo aumento de impostos - o que em muito contribuiu para conduzir Portugal à situação de definhamento económico que vivemos. Ora os números deste PEC são elucidativos: a descida do défice programada entre 2009 e 2013, de 9.3% para 2.8% do PIB, assenta em 48.5% no aumento da receita e em 51.5% na redução do peso da despesa no PIB. Quase metade-metade, ou seja, mais uma vez, um peso claramente excessivo da contribuição do lado da receita - e uma (fraca) vontade de agir do lado da despesa que, do ponto de vista estrutural, quase nada resolve. O resultado é uma enorme injustiça fiscal (a partir da classe média-baixa todos os contribuintes serão atingidos) e uma deterioração da atractividade e competitividade fiscal (IRS, tributação das mais-valias) numa sociedade que já há muito se encontra sufocada com impostos.

Há muitos anos (quase 10) que venho batendo nesta tecla. Infelizmente, tudo o que se tem passado tem-me dado razão. Fraco consolo, quando me dou conta que quem conduz os destinos do País persiste em aplicar a (mesma) receita perdedora - mas um incentivo para continuar esta (minha) batalha. Dela, pode o leitor estar certo que não desistirei
."

Miguel Frasquilho

Os delírios renováveis

"São muitas as utilidades das energias ditas renováveis. A principal é dar pretextos ao Governo para jurar regularmente investimentos desmesurados no sector e a criação de centenas de milhares de empregos. A jura da semana, inevitavelmente integrada numa "estratégia nacional", envolve 31 mil milhões de euros e 130 mil a 140 mil novos postos de trabalho. "Novos" é maneira de dizer: "hipotéticos" seria o termo correcto, que o prazo para a realização de tamanha proeza é 2020 e, até lá, não custa atirar números para o ar. Aliás, nem sei porque é que o dr. Vieira da Silva não prometeu 100 mil milhões e 600 mil empregos, uma ambição mais adequada aos desempregados existentes e igualmente isenta de verificação.

Nisso, na facilidade com que permitem inventar dados, as energias do futuro são o oposto dos velhos hipermercados, por exemplo. Estes, ou os seus proprietários, apenas reclamam a liberalização dos horários, medida que sem implicar o assalto aos contribuintes criaria de facto alguns empregos. Paulo Azevedo, que naturalmente defende os interesses da Sonae, falou há dias em dois mil no caso do Continente. Talvez se arranjassem seis mil no total. É pouco? Um único sujeito com trabalho autêntico é preferível a cem mil em cargos fictícios, ainda por cima quando os fictícios habitam a imaginação dos poderes públicos, cuja competência na matéria é semelhante à minha nas rendas de bilros.

A diferença é que eu nunca sonhei interferir na manufactura das rendas, enquanto o Governo continua a obstar à abertura dos hipermercados aos domingos. O argumento? É difícil perceber, mas encontra-se algures na intersecção do beatismo da Igreja com o beatismo da esquerda. A primeira garante que o domingo deve ser devotado à família, a segunda evoca os direitos dos trabalhadores. Pelos vistos, o pormenor de as famílias quererem passar os domingos nas compras e de, graças à actual lei, uma data de trabalhadores não ter trabalho não conta. O que conta é o princípio, e, graças a um Estado tutelar, milhares de portugueses podem aguardar o fim deitados ao sol, como os painéis com que se constrói o futuro
."

Alberto Gonçalves

quarta-feira, março 24, 2010

Estão preocupados?

O título pode elucidar alguma coisa.
O indivíduo que acha que este país existe está no mínimo confuso ou equivocado.
Se estiver confuso é bom para ele, porque os que ainda se lembram, recordam os indivíduos que de vez em quando saíam da clausura ou semi clausura do Júlio de Matos, indivíduo conotado com esta gente da III República, que ele decerto não se lembraria que iria acontecer, mas que mais alguns maçons e bombistas da I, (mataram tudo o que eram padres e opositores às novas e grandes ideias jacobinas, ligados ao ensino e aos jesuítas que eles tanto amavam), usavam um instrumento para medir o crânio dos desgraçados e conforme a forma, assim se decidiam a matá-los ali mesmo, e é isso, uma das coisas que esta gente quer comemorar, este ano.
Vão ter pouco tempo ou pouca oportunidade, porque nós já mudámos de nacionalidade, somos gregos, graças aos Barrosos, aos Guterres, aos Sócrates e trupe, Soares, Cunhal, (que fique muito tempo onde está, na companhia da Amália , mas sem muito boa gente que existe neste sítio mal frequentado e que decerto como em outras vezes levantará este país), Cavaco que está com a doença do tio alemão, só que ainda ninguém lhe disse, que o homem era inimputável nos actos que faz, mas que continua a ser incomodado pelo fumo de incenso que jogam nos olhos de muitos crentes, que nem lágrimas lhe provoca tal o avançado estado em que está, mas que vai fazer chorar muitos homens de bem deste pobre país.
Em resumo, a Europa como lhe gostam de chamar, vai-se partir toda, o Euro vai ser enterrado pelos que o criaram e os amigos americanos que não são nada nossos amigos, são nossos inimigos, ou melhor falando em português suave, são nossos concorrentes, no mercado livre, no free market, e nessas tretas inventadas pelos amigos de Wall Street e do Fed.
Ninguém sabia?
Então já se sabia da bolha imobiliária e não se sabia que iria rebentar?
Ninguém sabia dos subprime e das vigarices lá criadas para partir a Europa?
Ninguém sabia que os dirigentes europeus tinham de ser benzidos,( isto não tem nada a ver com cristianismo), antes de serem primeiros ministros e quem os escolhia eram os representantes das 100 mais poderosas famílias do mundo e que têm na sua posse 80% do Produto Mundial Bruto?
Decerto aqui neste sítio ainda não perceberam que com PEC ou sem PEC temos o destino traçado e a noite dos facas longas está aí.
Quanto mais cedo melhor.
Digo eu.
Voltemos ás taxas de juro normais, às taxas de câmbio, às fronteiras fechadas com alfândegas e sem acordo ortográfico, assim puro e duro, a democracia foi chão que deu uvas., mas espero que o chão deste país ainda volte a dar uvas e pão e se volte contra o muro de Espanha e que a Espanha se parta toda como vai acontecer, eles não nos odeiam, antes de se odiarem entre si.
Espero estar enganado, mas não acreditem que isto vai durar, se o governo cair, porque a cupa não morre solteira neste sítio a culpa está nos partidos políticos sem emenda, todos eles.
O PS de Soares e companhia, o PCP que ainda acredita na ditadura do proletariado, só que o exército deles, agora é lumpen, o PSD de barões e afins que imitam o PS, o BE de refinados filhos de...mamã e o CDS de gente que pensa sobre isto e aquilo.
Amanhã se o governo não cair será o dia em que lhe será escrito o epitáfio da tumba.
Esperam que novas eleições resolvam os problemas?
Estão enganados...
Somos gregos nesta Europa em mudança radical.
Espero estar enganado.
Sei que vão ler e muitos não vão gostar, mas esses são crentes, acreditam no secularismo evangélico do politicamente correcto, mas os tempos não estão para aí virados, o tempo mudou e os ventos também, são de mudança, como não sei, e não tenho dom da adivinhação, não sei como vai ser, mas que coisa está torta, está.

O que é que 'eles' andam a esconder?

"Ontem, no comboio para Coimbra, fiz um escabeche do gosto da maioria do povo português (se a opinião nos cafés, caixas de comentários de jornais e cidadãos que esperam a vez na barbearia representam essa maioria). Comboio Alfa, no lugar frente ao meu, sozinho, ia um deputado, cara que topo dos telejornais, usando o seu computador. Eu, que não tinha livro nem sono, levantei-me e fui sentar-me ao lado do deputado. Sou um cidadão que conhece os seus direitos e inclinei o pescoço para melhor ver o que estava no ecrã. O deputado lia um jornal pela Internet. Ele pareceu-me incomodado e virou o computador para a janela. Isso só espicaçou mais a minha cidadania, e disse-lhe: "Assim não vejo bem...", enquanto lhe encostava o ombro ao peito e estendia mais o pescoço. Ao mesmo tempo, sussurrei-lhe: "Artigo 16, ponto 6", para lhe fazer saber que conheço o Estatuto dos Deputados e quem lhe paga as telecomunicações (eu). E não é que o homem se insurgiu?! Estou nos 60 e já me fazem levantar mais facilmente do lugar que não é o meu, mas não me calei. Denunciei alto e bom som o eleito que não deixa o povo (eu, para o caso) ter acesso ao nosso (de um deputado, o que é o mesmo) computador. A carruagem aplaudiu-me. O presidente Jaime Gama tem base social de apoio. "

Ferreira Fernandes

A rolha e a garrafa vazia

"Toda a gente diz que a aprovação da proposta de Santana Lopes, que prevê a expulsão dos militantes críticos da direcção nos dois meses prévios a cada acto eleitoral, ofuscou o congresso do PSD em Mafra. É verdade. Resta apurar se isso é necessariamente mau: eu suspeito que o resto do congresso foi pior. Não importa que a galhofa dedicada pelos demais partidos à chamada "lei da rolha" possua o seu quê de alucinado (o PS, por exemplo, dispõe de uma lei quase igual). Importa que, sem a galhofa, o congresso mostraria com outra nitidez o que de facto acabou por ser: um prodigioso vazio.

Juro que, com os sacrifícios inerentes, incluindo um fim-de-semana arruinado, puxei do profissionalismo e tentei acompanhar o congresso à cata de meia dúzia de ideias. Excepto se jorraram nos longos períodos em que adormeci, dali não saiu sequer o fragmento de uma. Saiu Passos Coelho travestido de opositor de Sócrates, saiu Rangel perdido no nevoeiro "ideológico" e saiu Aguiar-Branco, o menos exótico, da corrida.

Por isso é que, antes de Mafra, se esperava que alguém (Marcelo? Rio?) surgisse das brumas e conquistasse pela palavra e pela aura os congressistas, que terminariam o fim-de-semana em euforia pré-governativa. Esta expectativa, que nenhum indício justificou, fundava-se num pressuposto desesperado e compreensível, o de que era impossível que os candidatos a liderar o maior partido da oposição fossem apenas aquelas melancolias ambulantes: tinha de haver outro, tinha de haver melhor.

Não houve. Ganhe quem ganhar, o PSD está entregue. O eng. Sócrates talvez possa agradecer. O País, se lhe sobrar um pedacinho de lucidez, não deve
. "

Alberto Gonçalves

terça-feira, março 23, 2010

Virgens ofendidas

"A pena de expulsão do partido», consagrada nos estatutos, é a celeuma político-partidária dos últimos dias. A expulsão poderá ser aplicada «por falta grave, nomeadamente o desrespeito aos princípios programáticos e à linha política do partido». Sendo que «se considera igualmente falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do partido».

Foi contra este articulado estatutário que Vitalino Canas, em nome do PS, esbaforiu a sua indignação? Afirmando, sem papas na língua, que «estamos perante uma verdadeira ‘lei da rolha’, uma lei estalinista implementada por um partido democrático»? Por acaso, não foi. Porque esta pena de expulsão em resultado de faltas graves, pormenorizadamente descritas no articulado acima transcrito, não é a que foi proposta por Santana Lopes e aprovada pelo Congresso do PSD do passado fim de semana. É, sim, a que há muito consta no artigo 94.º dos estatutos do PS. O que deixa bem patente até onde pode ir a farisaica hipocrisia de Vitalino Canas e da direcção socialista.



O episódio, que encheu páginas de jornais e noticiários televisivos e radiofónicos, suscita quatro observações.

Primeira, a da ligeireza jornalística que embarca em ondas de excitação noticiosa sem cuidar de saber se a ‘novidade’ não está há muito presente no mundo real (e nos estatutos dos outros partidos...).

Segunda, a do oportunismo dos três candidatos à liderança do PSD – Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar-Branco – que no interior do Congresso não disseram uma palavra contra a alteração estatutária em causa e, à saída, percebendo a onda mediática, juraram a pés juntos estarem contra tal medida. Bom exemplo de liderança...

Terceira, a da insensatez política de Santana Lopes ao copiar, na sua ânsia de ajuste de contas com o passado, as normas estatutárias do PS.

Quarta, a da incomensurável desfaçatez política de Vitalino Canas, de Francisco Assis, do PS em geral, ao criticarem aos outros o que fazem na sua própria casa. Não têm mesmo vergonha na cara. Nem grandes escrúpulos na acção política
."

JAL

O 'hip hop' também mata

"Não tenho grande coisa a dizer sobre a morte, a tiros da PSP, de um morador de Chelas chamado Nuno Rodrigues e (moderadamente) conhecido por MC Snake. Não testemunhei a desobediência do sr. Rodrigues à paragem da polícia nem a perseguição subsequente. Apenas me parece que a execução sumária é uma resposta desproporcionada, e que as autoridades fariam bem em investigar o caso e, já agora, em reorientar o zelo de alguns dos seus agentes.

Mais fáceis de descrever, e mais extraordinárias, são as reacções à morte do sr. Rodrigues. Houve-as de dois tipos. As de júbilo notaram--se principalmente nos comentários da Internet, onde multidões de anónimos exibiram puro ódio a um sujeito de que nunca ouviram falar até às notícias do respectivo fim, as quais incluíam referências a uma temporada na prisão por tráfico de droga. A brutal expressão "Não faz falta nenhuma!" resume o sentimento desta, digamos, corrente de opinião.

As reacções de pesar não foram menos curiosas. Ao contrário dos familiares, de uma contenção apreciável dadas as circunstâncias, a maioria repetiu a tese de que o sr. Rodrigues morreu por ser preto, pobre, rapper e, aos olhos da polícia, um estereótipo. É possível, embora a responsabilidade pelo estereótipo caiba inteirinha ao sr. Rodrigues.

O rap ou o hip hop que o sr. Rodrigues praticava não o transformava no "músico" referido em diversos obituários. No seu primarismo, o hip hop tem pouco a ver com música e muito a ver com uma atitude de confronto face a uma sociedade que é, ou que se imagina, discriminatória. É, vá lá, um estilo de vida, traduzido à superfície no vestuário ridículo e nos gestos animalescos. E nas letras das "canções" (?). As letras, que certa "inteligência" considera "poesia das ruas", são, além de analfabetas, manifestações de rancor social. Por norma, são também glorificações do crime e panfletos misóginos.

O hip hop nasceu na América enquanto braço "musical" e tardio do black power, como os blaxploitation movies dos anos 1970 constituíram o seu reflexo "cinematográfico" (as aspas não são fortuitas). O princípio, se é que tais misérias possuem um, é o de que a "identidade negra" somente se define contra o "sistema", numa postura de desafio e fúria que a "inteligência" julga legitimada por uma suposta opressão. Vale a pena lembrar que, em tempos realmente opressores, os pretos inventaram o jazz, um dos maiores contributos da América para a humanidade. E vale a pena lembrar o exemplo de Louis Armstrong, um génio que os "radicais" achavam o paradigma do "traidor". Tudo porque, tendo sofrido na pele a discriminação, Armstrong preferiu combatê-la pelo talento e não agravá-la através de inanidades gritadas por cima de uma caixa de ritmos.

Obviamente, o hip hop é principalmente uma invenção das indústrias discográfica e televisiva, e não traria mal ao mundo se o mundo não se deixasse influenciar por semelhante patetice. Infelizmente, do Bronx a Chelas, essa celebração da boçalidade é erguida aos currículos escolares e milhões de jovens tomam-na por "afirmação". Na verdade, é o inverso: o hip hop é a sujeição dos pretos ao que o "multiculturalismo" em vigor deles espera. Ao trocar a literatura pela "poesia das ruas", a música pelo ruído, a educação pela agressividade, o esforço pela automarginalização, a única afirmação do hip hop é a da inferioridade. Se levado a sério, o paternalismo condescendente limita os membros de uma etnia a uma existência parcial nas franjas da legalidade. E não anda longe do folclore abertamente racista.

É claro que incontáveis pretos não engolem estas patranhas, e que vários intelectuais "afro-americanos" (o termo em voga), de Thomas Sowell a Thomas McWhorter, exprimem com frequência a repulsa que o atraso implícito e o "segregacionismo" assumido do hip hop lhes suscitam. Ou, nas palavras do historiador Stanley Crouch, "quem no seu perfeito juízo daria um bom emprego a 50 Cent (uma das vedetas do género que ainda não tiveram morte violenta)?"

Ninguém. O sr. Rodrigues, ou sr. "Snake", escolheu o seu próprio estereótipo. O que a polícia fez depois terá sido injustificável, mas não totalmente imprevisível
. "

Alberto Gonçalves

segunda-feira, março 22, 2010

22 de Março de 1965.



Um Bob Dylan "electrificado" lança Bringing It All Back Home. Depois de os últimos trabalhos revelarem que a pureza folk estava por terminar, em 1965, Dylan deu uma composição inédita, "Mr. Tambourine Man", para os debutantes meninos do Byrds gravar em seu álbum de estréia. O arranjo electrificado estourou a música.

A partir daí, quem gostava só de folk começou a ter vontade de atirar Dylan pela janela. Seu trabalho nos três álbuns seguintes, que formam o filé da obra do autor, nunca deixou de ser folk, mas ao mesmo tempo passou a ser a coisa mais rock´n roll que passava paralelo ao fenómeno febril de Beatles e Stones. Acompanhando pela Paul Butterfield Blues Band, Dylan mostrava ao público do festival de Newport, em 1965, o que seria Dylan dali para a frente, período de lançamento de Bringing It All Back Home. Bem, o público soltou uma vaia fenomenal que o levou ao choro. Já com a pecha de "traidor do movimento", Bob Dylan lançava no mesmo ano Highway 61 Revisited, berço de clássicos como "Like a Rolling Stone" e "Posivetly 4th Street". Com a cabeça dominada pelos esquizofrénicos versos da geração beatink (e também encharcada de tudo o que se consumiu pelo pessoal da época, de maconha a heroína, passando por muita anfetamina), o dono de mais 10 milhões de cópias vendidas até aquele momento, 1966, foi checar se a Europa seria um pouco mais "cabeça aberta" para a mudança que havia promovido em seu som.

Por onde passou, de Paris a Estocolmo, Dylan foi dizimado pela crítica, além dos fãs, que o chamaram de Judas no show de Manchester que daria origem ao disco duplo lançado apenas em 1998. A turnê promovia o terceiro grande álbum da cisão com a pura folk musica, Blonde On Blonde. Durante os shows europeus, foi acompanhado pelos Hawks, banda que já tinha acompanhado ídolo rockabilly e que viria a se tornar a grande "companheira" do cantor e compositor com o nome The Band."

Texto completo.

Girls of Summer

Gemidos socialistas

"Alguns ajudantes do senhor engenheiro andam em público e em privado a tentar mostrar aos súbditos que estão muito preocupados com as medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento.

Coitados, de almas despedaçadas e corações a sangrar, vão castigar os mais pobres, atirar para a pobreza mais uns tantos e atacar forte e feio a já desgraçada classe média. De almas despedaçadas e corações a sangrar, vão atirar para o desemprego com mais uns milhares. Os súbditos já sabem o que os espera. Ficaram mais pobres nos últimos dez anos e em 2020 vão ter saudades de 2010. É esta a herança que recebem de muitos anos de governação do PS. De gemido em gemido, de engenheiro em engenheiro, a desgraça e a miséria vieram para ficar
."

António Ribeiro Ferreira

Três saídas

"O PS faz lembrar aquelas famílias onde não há pão e todos protestam sem ninguém ter razão. Que diz a ala esquerda do partido? Diz que Sócrates se transformou num terrível ogre de direita, disposto a cortar prestações sociais e a atraiçoar o legado do PS. Só faltava mesmo acrescentar que esse legado conduziu o País à situação de decadência económica que o PEC, coitado, não conseguirá evitar.

E não conseguirá evitar porque o documento é uma colecção de remendos para tapar o buraco das contas públicas. Sobe-se aqui (impostos), corta-se ali (subsídios vários), vende-se mais além (privatizações) e, nos intervalos, reza-se: para que a economia, que não cresceu em tempos de vacas gordas, desate agora a crescer no tempo das magras. No meio do circo, não existe uma única ideia consequente sobre a necessidade de redimensionar um Estado que consome de mais, faz de menos e gasta o que não pode. Como diria um conhecido economista brasileiro, os portugueses de hoje têm três saídas: a liberalização do Estado; o Aeroporto da Portela; ou o Aeroporto Sá Carneiro. O resto é ruído
."

João Pereira Coutinho

A verdade da mentira.

"Há uma opção clara e fundamental de não aumento de impostos» no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), começou por anunciar José Sócrates ao país na passada segunda-feira. Para logo acrescentar: «Com uma única excepção...», a do novo escalão de 45% de IRS. Na verdade, não é uma excepção, são várias e numerosas, tendo em conta o aumento da carga fiscal que resulta da redução generalizada das deduções, os descontos agravados nas pensões ou o imposto sobre as mais-valias mobiliárias.

«Serão mantidas as opções já tomadas no que respeita aos grandes investimentos, como o novo aeroporto ou o TGV», continuou Sócrates. Para, de imediato, se desmentir a si próprio com mais algumas excepções: «Sendo adiadas as linhas de TGV Lisboa-Porto e Porto-Vigo...» .

Parece, pois, que a mentira ou a meia-verdade já se tornou um hábito de tal modo interiorizado pelo primeiro-ministro que este nem sequer resiste a utilizá-lo com abundância nos seus discursos ao país.

Percebe-se o aperto na garganta de Sócrates ao anunciar aos portugueses as medidas previstas no PEC. Pois cada uma delas vem desdizer o que o Governo e o seu chefe vinham afirmando, insensatamente, nos últimos meses. Que Portugal fora dos primeiros a sair da crise, que o desemprego já estava travado, que não haveria mais aumento de impostos, que o congelamento de salários era um caso pontual, que o TGV se iria manter em toda a sua megalomania, pois «ao contrário do que dizem, a crise é mais uma razão para fazermos o TGV», etc.

Este discurso fantasioso e cor-de-rosa ruiu como um castelo de cartas com o PEC. Um PEC que é, no seu conjunto de medidas liberais e privatizadoras, a antítese quase total do programa de Governo que o PS, há poucos meses, apresentou aos portugueses.

Mais importante ainda: ao apontar para crescimentos do PIB sempre inferiores a 2% até 2013 – confirmando que todos os anos da governação de Sócrates, desde 2005, colocaram Portugal a divergir e a empobrecer em relação à União Europeia – o PEC transforma-se num verdadeiro certificado de incompetência política.

Num atestado, assinado pelos próprios governantes, que oficializa um ciclo de resultados falhados e oportunidades desperdiçadas. Com muitas mentiras e meias-verdades de permeio
."

JAL

domingo, março 21, 2010

Euro mais fraco

"Foi preciso percorrer um longo e tortuoso caminho para ratificar o Tratado de Lisboa, por isso, é certo e seguro que Bruxelas prefere ir para o Inferno a ratificar um novo tratado.

Ora, o facto de a constituição alemã impor restrições de tal forma apertadas faz com que qualquer revisão da cláusula ‘no bail-out' do Tratado de Maastricht ou alteração à meta de estabilidade dos preços do Banco Central Europeu resulte na saída forçada da Alemanha da zona euro.

Perante isto, a pergunta que se coloca é: que mecanismos de ajustamento económico poderão ser usados na actual conjuntura política e constitucional? A única resposta política que podemos considerar como adquirida é a redução dos défices orçamentais para o tecto estipulado no Tratado de Maastricht, 3% do PIB. Esta meta será cumprida se não em 2012 um ou dois anos depois. Entretanto, a Alemanha prescreveu a si própria um tecto de 0,35% do PIB a partir de 2016. Também aqui haverá uma ligeira derrapagem, apesar de a zona euro tudo tentar fazer para consolidar a sua posição orçamental.

A Comissão de Orçamento do Parlamento alemão já entrou em acção. Na última sexta-feira, começou por reduzir o orçamento de 2010 do ministério das Finanças em cerca de 6 mil milhões de euros. Se a consolidação orçamental avançar, como irá a economia da zona euro ajustar-se? É um facto económico que a soma dos défices de sector público e privado deve ser igual ao défice na balança de transacções correntes (BTC). Provocar uma subida nos défices públicos obrigaria a um destes cenários: redução dos défices do sector privado, reequilíbrio da BTC ou uma combinação dos dois.

No primeiro, a BTC da zona euro mantém-se praticamente na mesma e os ajustamentos têm lugar reduzindo os défices do sector privado. Na semana que passou, a Grécia resolveu o seu problema orçamental criando um problema de igual dimensão no sector privado. Quer isto dizer que a zona euro, ao cumprir as regras da política orçamental, corre o risco de desencadear uma crise no sector privado, que afectaria essencialmente os países do Sul. Mais: aumentaria as probabilidades de ruptura.

No segundo cenário, todos os ajustamentos seriam feitos através da BTC, que passaria de ligeiramente negativa para substancialmente positiva. Não vejo como se pode fazer isto sem uma desvalorização acentuada do euro. Nesse caso, o euro passaria a integrar a lista das moedas que resolveram os seus problemas mediante uma depreciação competitiva. Entre outras consequências, agravaria os desequilíbrios globais.

Qualquer dos cenários implica o enfraquecimento do euro. A zona euro até pode aceitar uma maior derrapagem na consolidação orçamental do que aquela que eu sugeri, mas não é isso que vai ajudar o euro. Porquê? Porque os mercados passariam a duvidar da longevidade da união monetária por razões políticas. Ora, sempre soubemos que, no longo prazo, não pode haver uma união monetária sem uma união política. Nos EUA, há investidores que apostam que o longo prazo está, afinal, ao virar da esquina
."

Wolfgang Münchau

sábado, março 20, 2010

A Great Man's Return

Passos seguintes

"O novo líder do PSD tem rosto e nome: Pedro Passos Coelho. Faltam-lhe agora armas para saber se tem mãos para confirmar a lei de Durão Barroso: será primeiro-ministro, não se sabe é quando.

Pedro Passos Coelho conquistou o PSD. Não precisou de guiar um Citroen nem de investir longas horas de preparação ideológica. Bastou arrancar no tempo certo - o que em política conta quase tudo - e ter este aspecto bem--posto que Obama celebrizou na política. A guerra vai começar já na próxima semana - e o que importa agora entender é o que pode o país ganhar com uma oposição renovada. Leia-se por etapas.

Primeira: Sócrates não perdeu ainda o país. A convicção de que a crise internacional tem a maior fatia da culpa do que se passa em Portugal, juntamente com a ausência de respostas em todos os processos judiciais que ensombram o primeiro-ministro, criam nos eleitores a convicção de que a culpa não pode ser só dele.

Segunda: ao mesmo tempo, todas estas trapalhadas e sobretudo a falta de dinheiro empurraram a ideologia para bem longe do palco político. O que preocupa os portugueses é o dinheiro com que chegam ao final do mês. O aumento de impostos, vendido como um não-aumento, só vai afectar o bolso das mais de 2 milhões de famílias em 2011. O poder não está em risco amanhã.

Terceira: sucede que o novo PSD tem pressa de chegar ao poder. Pressa e a convicção de que a estratégia de Ferreira Leite é culpada da situação de pré-morte em que se encontra. Isto significa que a velha política de verdade e responsabilidade só pode ser substituída por agressividade mediática. Será preciso atacar Sócrates - até porque uma boa parte do povo está apenas conformadamente do seu lado. Isto é, basta que se acenda o rastilho para que mudem de lado.

Quarta: soma-se a esta passividade popular o facto de Passos Coelho não controlar a bancada parlamentar. Tem lá gente sua, mas não são os seus deputados - não é o princípio de um governo. E por mais disparatadas que sejam algumas discussões no Parlamento, é ali que se faz política.

Quinta: percebe-se aqui a dificuldade - Sócrates não perdeu o país, Passos Coelho não tem ainda armas suficientes para o combater. Claro: toda a estratégia de Passos será orientada para provocar eleições com rapidez. Pode não ser a melhor estratégia, mas é bem provável que ele prefira estar na oposição depois de ir a votos a estar na oposição sem todas as armas para combater publicamente o primeiro-ministro. E o país?

Sexta: a guerra política vai explodir - o PEC será a primeira desculpa para lançar bombas, todas elas concentrando o seu impacto na pressão fiscal a que os portugueses estão obrigados. Logo a seguir chegarão os elefantes brancos, como a RTP, que Passos já prometeu privatizar. E o défice e o desemprego e o emprego e todas as fagulhas incandescentes que surgirão de repente, com o anúncio de novas falências, novos crimes, novos apertos na dívida pública e, claro, hesitações nas eleições presidenciais. O que permite a conclusão: se Passos Coelho está destinado a confirmar a lei de Durão Barroso (será primeiro- -ministro, não se sabe quando), precisa de ser claro no seu discurso. Na verdade, precisa do que falta à política portuguesa: ideologia. Terá?
"

Martim Avillez Figueiredo

As rolhas

"A ‘lei da rolha’ foi aprovada no congresso laranja e, nos dias seguintes, o mundo desabou sobre o dr. Santana. ‘Estalinismo’, disseram as comadres, com típico rigor histórico.

Perdoo-lhes, porque elas não sabem o que fazem. E, com total honestidade, envio um abraço ao dr. Santana: a ideia de punir militantes em vésperas eleitorais pode ser uma violência para quem preza a opinião livre. Mas quem preza a opinião livre tem sempre um caminho altamente meritório: não entrar para um partido ou, em alternativa, sair dele. Porque o PSD, ou o PS, ou até o PCP têm toda a legitimidade para organizarem a casa como entendem, desde que não imponham aos outros as regras que aplicam aos seus.

Claro que, à margem desta discussão, existe outra: a oportunidade. Um partido que denuncia a ‘asfixia’ fora de portas não devia exibir em público as suas ‘asfixias’ privadas. Mas esta questão táctica não altera o paradoxo essencial: os paladinos da liberdade são precisamente os mesmos que condenam as escolhas livres de um partido a que não pertencem. Haverá maior exibição de intolerância?
"

João Pereira Coutinho

Há uns mais iguais do que outros

"(Onde se reflecte sobre a irrespondível visão/análise de Medina Carreira mas se inflecte num ponto: são todos maus, realmente, mas há os péssimos, principalmente porque se situam no centro do problema e no nevoeiro da incerteza e porque eles é que estão lá, ao leme(?)).

"Aumentos de impostos? Era só o que faltava. Numa altura em que o País enfrenta uma crise destas, acha que proporia aumentar os impostos?".

"Acabar com as deduções fiscais conduziria a um aumento fiscal brutal para a classe média".

"Não aumentamos os impostos".

Estas três frases têm em comum o facto de todas elas terem sido pronunciadas em curto lapso de tempo, respectivamente em Setembro antes das eleições e em Março actual, após a apresentação do Plano de Estabilidade e Crescimento, pelo mesmo personagem, o primeiro-ministro José Sócrates - a quem um locutor há dias, em "lapsus linguae" possivelmente freudiano, chamou "José Trocas-te" (sic).

Não julguem os leitores que este intróito contém qualquer intuito de proselitismo da virtude cívica e muito menos da chamada ética republicana que, como se sabe, anda mais rota que as sandálias de um peregrino (1). Todos sabemos que, nos tempos que correm, na luta política vale tudo menos tirar olhos (2), mas aqui as responsabilidades deterioram-se ou, pelo menos, tornam-se mais sensíveis por dizerem respeito ao mandato político, ao contrato entre eleitores e eleitos.

Nas democracias mediáticas e de satisfação instantânea em que vivemos, não é difícil congeminar um dia em que a alternativa se ponha entre a suspensão da democracia por seis meses ou o espectáculo de mentira e palhaços na oferta de ilusões permanentes. Pela parte que me toca, e julgo que à dos meus compatriotas, não agrada nem o "casse-tête" nem o vigésimo premiado e julgo que merecemos mais e melhor do que um travesti chavista ou uma junta post-moderna , com óculos de aros leves.

Nestas coisas da verdade e da mentira em política gosto de me lembrar das eleições, já pré-históricas, entre George Bush e Bill Clinton, em 1992. Bush, um patrício, vinha da maior popularidade de sempre de qualquer presidente, auditada em sondagem, mas perdeu. As razões estudadas são várias mas aqui vou destacar uma que desagradou profundamente aos republicanos de direita e poderá, nessa quantidade, ter mudado para o outro lado o sentido do voto. GB prometera não aumentar os impostos e até usara uma ênfase facial ao vivo, com os lábios ("read my lips"). Este foi um permanente tema de campanha, provavelmente fatal (mesmo para além do "it's the economy, stupid"). Bush não mentira, teve sim de enfrentar o que se chama, em Direito, no domínio das declarações, "alteração imprevisível de circunstâncias" (3).

No caso de Sócrates, o homem até começou logo por abrir as hostilidades faltando, por completo, às promessas eleitorais de 2005 e, talvez por isso, iniciou um governo promissoramente reformista, numa aparência de governação para as necessidades objectivas do país. Mas o problema é que o cidadão referido é completamente errático, diz o que for conveniente na altura e, como apontou Rebelo de Sousa, "mente tanto que até se esquece do que diz". Não dá sequer para se fazer um jogo à Von Neumann em que haja que descortinar o sentido das palavras de quem mente sempre. O problema aqui é de tempo, lugar e aleatoriedade. É muito para se poder perceber.

Como afirmei acima e agora repito, o meu ponto de vista não tem como núcleo o amor à verdade, antes, pragmaticamente saber o que o governo vai fazer e para onde quer levar o país. É tudo uma questão de, nós, sofridas famílias e empresas, sabermos com o que podemos contar para dar destino às nossas vidas. Temos que programar e gerir eventos e expectativas, para nós, filhos, dependentes… sem estar à espera dos humores socráticos ou de este ter ou não acabado de ler o "Keynes for Dummies", da famosa colecção, ou de querer conservar o poder a todo o custo.

A época está para sacrifícios, mas com rumos sérios e transcendentais para o país, não de TGVs para Mértola ou computadores para casais homosexuais.

É por estas e por outras que, apesar da choldra geral, há uns que são mais iguais que outros.


(1) Elegante variação do velho lugar comum "chapéu de um pobre".
(2) Não consegui proeza verbal, desta vez: Isto está mesmo de tirar olhos.
(3) Aqui no sistema, primeiro mente-se, a seguir justifica-se com a alteração de circunstâncias e, finalmente, mente-se de novo sobre a dita alteração. O chamado deboche
. "

Fernando Braga de Matos

Um País congelado

"Portugal não fica no Pólo Norte, mas os portugueses, com o PEC, ficarão congelados. Portugal vai tornar-se uma arca frigorífica, tal é o congelamento de tudo, dos salários aos investimentos. E os portugueses vão transformar-se em pinguins do filme "Madagáscar". Não será grave, se Portugal continuar a existir depois deste PEC.

É claro que nem o Governo nem a oposição sabem se isso será possível. É fácil prever a felicidade quando há crédito. É impossível quantificar a infelicidade quando há descrédito. Tudo seria simples se o Estado emitisse moeda e fizesse investimentos. O sistema rolaria por si próprio.

O problema é conciliar o congelamento com as eleições. Os blocos de gelo não se transformam em votos. Afinal vivemos em democracia: não fazer nada é politicamente impossível. Mover-se, nem que seja para ficar na mesma, é um sinal de acção. Não é por acaso que, sem ter tempo de olhar para o PEC, Durão Barroso e Juncker elogiaram o documento como se fosse uma nova maravilha do mundo. Compreende-se o dilema europeu: o euro está prestes a ser electrocutado. Até agora tudo corria bem: os alemães vendiam e os europeus do Sul compravam. Agora se o Sul ficar sem dinheiro, como comprará aos alemães? Todo o sistema baseou-se no consumo dos cidadãos.

Se estes não tiverem crédito e forem assaltados pelos impostos, não compram.

E sem consumidores lá se vai a democracia de consumo que a Europa criou à sombra do euro. No meio de tudo isto o Governo português caminha num campo de minas. Colocou-as. Nada garante que não lhe rebentem debaixo dos pés
."

Fernando Sobral

O comunismo a pedais

"Para os que perguntavam se Lula da Silva se tinha civilizado desde que chegou ao poder ou se parecia civilizado face ao soba médio da América Latina, o Presidente brasileiro viajou até Cuba, comparou, com nojo, os presos políticos de Havana aos presos por crime comum em São Paulo e, afinal, respondeu: não e não, é igual ao que sempre foi e aos restantes sobas. A formação em ideologias assassinas é como andar de bicicleta. Nunca se esquece. "

Alberto Gonçalves

sexta-feira, março 19, 2010

Saramago contra todos

"No meu tempo, "fundação" era sinónimo de Gulbenkian, o legado de um milionário em prol de aspirações comunitárias. Hoje, não há dicionário capaz de explicar convenientemente o alcance da pessoa jurídica que as fundações são. Mas não andariam longe se dissessem mais ou menos o inverso: legados da comunidade em prol de aspirantes a milionários.

É óbvio que um ou dois punhados de instituições sérias não cabem na definição. Quanto às restantes, não poria as mãos no fogo. É que, a julgar pelos números, não falta quem ponha as mãos no dinheiro do Estado de modo a satisfazer ambições íntimas: o país dispõe de mil e duzentas fundações, na maioria fresquinhas e de propósitos curiosos. Públicas ou privadas, nascem por regra da necessidade de servir os amigos do governo em funções e, claro, de isentar as verbas em causa de maçadas burocráticas e fiscalizadoras. No primeiro caso, temos os exaltantes exemplos da Fundação para a Prevenção e Segurança ou a das Comunicações Móveis. No segundo, destacam-se pela notoriedade a Fundação Mário Soares e a Fundação José Saramago.

Esta última foi notícia recente devido à aprovação, pela Câmara de Lisboa, do restauro da respectiva sede. Relembremos. À semelhança das "fundações" modernas, a de Saramago não afectou património a determinados fins, mesmo porque, além de propaganda marxista, terceiro-mundismo e ego, não possuía nenhum. Pelo contrário, arrancou à autarquia lisboeta a Casa dos Bicos, para onde o escritor prometeu um "projecto de agitação". Até ver, a agitação lá dentro resumiu-se ao pessoal da construção civil, que se encontra a terminar obras orçamentadas inicialmente em 545 mil euros e, agora, em 2,2 milhões. Há dias, um vereador do CDS questionou a legalidade e a utilidade disto. A responsável da fundação, por incrível coincidência mulher de Saramago, chamou à questão "rasca, absurda e estúpida".

Razão teve o Nobel indígena, que quando nomeou presidente a sra. Del Rio lhe pediu que "defendesse [a fundação] contra tudo e contra todos". Todos os contribuintes, presume-se
."

Alberto Gonçalves

quinta-feira, março 18, 2010

Texto fora do meu contexto

Grande Benfica, que me desculpem os dragões, os leões e outros , mas quem viu o jogo, esquecendo as desgraças e o facto do Iberismo ser aquilo que se viu às portas de Alvalade, relembro a vergonha que foi em Madrid os adeptos do Sporting terem sido recebidos à bastonada, e por polícia a cavalo.
Eu digo que as polícias estão muito mal e eu colaborar com os castelhanos, nem pensar.
Infelizmente o Sporting não começa bem, mas no momento que escrevo o Sporting volta ao jogo, que Deus os ajude.
Abro aqui uma excepção ao tipo de texto que escrevo, é para desanuviar.

A artista é uma boa artista

"Ao que julgo, as correntes audições na Comissão Parlamentar de Ética deveriam ajudar a esclarecer um único ponto: houve uma tentativa do Governo para controlar os media? Após o desfile de inúmeras personalidades, estamos cabalmente esclarecidos, mas sobre a extravagância do exercício: a conclusão a retirar da Comissão de Ética é o respectivo e definitivo encerramento.

Não é que, como entretanto se tornou consensual, aquilo não sirva para nada. Mário Crespo aproveitou para promover o seu livro de crónicas. O rapaz do PS que se demitiu da PT evocou o avô enterrado com a bandeira do Futebol Clube do Porto. Os convidados que, sabe-se lá porquê, aceitaram o convite contaram, com credibilidade diversa, a sua versão da história ou histórias. E sobretudo Inês de Medeiros mostrou-se ao mundo.

A deputada do PS, que era actriz em filmes que ninguém viu, alcançou finalmente certa fama nas sessões da comissão, através de prestações sorridentes e, ao que percebi, mudas. Embora secundário, o desempenho chamou a atenção da Sábado, que a chamou para o papel principal numa entrevista, também disponível em som e imagem no site da publicação. Aí, a sra. Medeiros prova abundantemente o talento que Deus lhe deu. Sobre as viagens semanais a Paris, entende que os contribuintes a devem financiar na medida em que, cito, vai lá fazer compras e confirmar se os filhos fizeram os trabalhos de casa (e depois ri-se imenso). Sobre os subsídios que recebeu da PT (por intermédio de Rui Pedro Soares) e da REN, encolhe os ombros e confessa relativa amnésia (e depois ri menos). Sobre o eng. Sócrates ter mentido ao Parlamento na história da TVI, acha que a mentira "não é assim muito grave" (e depois volta a rir com gosto).

Inês de Medeiros desperdiçou anos em dramas quando o seu génio propicia naturalmente a comédia. Só é pena que estas saiam directamente em vídeo
"

Alberto Gonçalves

quarta-feira, março 17, 2010

O 'apartheid' que não indigna ninguém

"Kathryn Bigelow ganhou o Óscar de melhor realizador por Estado de Guerra. O filme? Não vi. E muitos dos que viram não ajudam: talvez por a fita tender para o "reaccionário" (dizem-me), preferem dedicar-se a conjecturas sobre o facto de a sra. Bigelow ser a primeira mulher a ganhar o referido troféu. Pelos vistos, isto constitui uma proeza qualquer e merece, por si só, festejos à parte.

Eu aconselho calma. Claro que tudo indica a feminilidade da senhora, mas é preciso notar que ela é caucasiana e, ao que li algures, heterossexual. No que respeita a Hollywood, ainda há ali imenso atraso. O autêntico progresso civilizacional só será obtido no dia em que o prémio maior for para uma aborígene nascida homem, de credo tauista e, preferencialmente, anã.

A desvantagem da luta pelos direitos civis é ser um processo em aberto, em que há sempre metas por alcançar. A vantagem também, já que isso entretém o tipo de gente que se entretém a catalogar gente sob toda a sorte de critérios: género, raça, credo, etc. Sem uma nova "causa" em perspectiva, como ocupariam o tempo os activistas contemporâneos, desses que em lugar de arriscarem a prisão arriscam assinar blogues e manifestos onde escrevem os artigos "o" e "a" com um "@"?

A principal característica dos actuais esforços em prol das "minorias" (estatísticas ou sentimentais) prende-se com os seus objectivos. Tradicionalmente, exigia-se igualdade; hoje, reivindica-se, sublinha-se e celebra-se a diferença. Eis porque se garante que a mulher possui uma "sensibilidade especial", se organizam estudos específicos de História Negra (?) e se montam feiras de emprego exclusivamente destinadas a homossexuais, de que a MILK, que decorreu no passado fim-de-semana em Munique, é exemplo. No Ocidente inteiro, está em curso um apartheid de múltiplas frentes, e o facto de os seus impulsionadores se julgarem herdeiros dos que antes combatiam a verdadeira discriminação é um caso tão intrigante quanto psiquiátrico
."

Alberto Gonçalves

terça-feira, março 16, 2010

Entardecer


De mil cores com milhares de tons,
são feitas as paisagens que mudam incessantemente,
trata-se decerto da natureza e dos seus sons,
e, como tu mudaste o meu estado de alma com o teu sorriso permanente,
e no entanto parece que não sorris sempre,
como o pôr do sol, com mil tons de cor e sempre diferente,
na verdade trata-se de um milagre da natureza as permanentes mudanças,
mas nós nunca os vemos mesmo que os tenhamos na frente,
daí, meu amor, ganhei a calma que me deste num instante,
como num instante,
muda a cor da nuvem e da luz do entardecer,
vou-te dizer, devo-te bastante,
sei que não queres que diga,
aconteça o que acontecer, foi naquele pequeno instante,
que me aconteceu tornar-me um ser melhor,
sei que por pouco tempo,
porque tenho muitos defeitos, eu sei,
mesmo com um pôr do sol pouco brilhante,
deste-me alento e ganhei ao tempo,
daí a gratidão daquele momento instante,
em que me tornaste um ser melhor em construção,
que todos o somos,
apenas um segundo na vida, é como uma ideia em gestação,
ganhei calor e alegria neste pobre coração.

Working Class Hero

Longa vida PS

"Os que anunciam a morte do partido do chefe bem podem esperar sentados. É que para mau já basta assim.

Pois é. A vidinha tem destas coisas tristes. O Partido Socialista tem um chefe acossado por todos os lados menos por um. Desde há anos que o senhor presidente relativo do Conselho, o dito chefe, anda nas bocas do mundo pelas piores razões. São licenciaturas ao domingo, projectos de gosto mais do que duvidoso com assinaturas mais do que duvidosas, são licenciamentos polémicos investigados pela polícia, são processos mais ou menos ocultos, são escutas completamente ocultas, são amigos por todo o lado metidos em negócios completamente escuros. Pois é. Acontece que o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, sobreviveu a tudo e a todos e venceu as legislativas de Setembro.

É verdade que deixou de ser o senhor presidente do Conselho e passou a ser apenas o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe. Pois é. Mesmo com a crise instalada, com o desemprego, o défice, a dívida e o endividamento externo em níveis históricos, o senhor presidente relativo do Conselho impôs um Orçamento miserável à Oposição e agora meteu-lhe pela boca abaixo um Programa dito de Estabilidade e Crescimento para Bruxelas e os famosos mercados acreditarem que este sítio pobre, deprimido, manhoso, corrupto e, obviamente, cada vez mais mal frequentado tem gente séria a governá-lo e não está literalmente no caminho da falência. Pois é. Tudo isto acontece porque existe um PSD que tem sido um fortíssimo aliado do senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, e do seu partido. Sete líderes em 15 anos, quatro derrotas em cinco eleições legislativas, lutas intestinas entre barões e baronetes, propostas erráticas e agora, qual cereja em cima do bolo, uma norma estatutária que é um verdadeiro atentado à liberdade de expressão, um tema tão caro ao partido de Sá Carneiro e Cavaco Silva que o tem ocupado intensamente na Comissão de Ética da Assembleia da República. Pois é.

Os campeões da dita liberdade, tão preocupados com a expressão, a verdade, a ética e a asfixia dos outros, decidiram asfixiar qualquer indígena laranja que diga mal do líder 60 dias antes de qualquer acto eleitoral. Pois é. Com esta extraordinária decisão do PSD, o Governo do senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, bem pode aumentar a carga fiscal da classe média, reduzir as pensões, congelar os salários dos funcionários públicos, manter o TGV para Madrid e ter a pouca-vergonha de prever um crescimento miserável, muito abaixo da média europeia, até 2013. Pois é. Os que anunciam a morte do partido do chefe bem podem esperar todos muito bem sentados. É que para mau já basta assim
. "

António Ribeiro Ferreira

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