quarta-feira, março 31, 2004

Negociações

Negociar é de facto a especialidade do Dr. Mário Soares!

Importa questionar, o que é que ele enquanto primeiro ministro, negociou com as FP-25?

É que, sempre que ele negociou alguma coisa quem saiu a perder foi o Portugal!!

A propósito de lucidez...

Estranha forma de lançar um livro, com um debate entre dois politicos e o escritor!

Precisará tanto o escritor, Nóbel de alma lusitana, de recorrer a dois politicos para que o seu livro obtenha alguma notoriedade?

Bom...

Quanto à lucidez do mesmo, não sei porque não li, mas sei que não gosto.Claro que, depois do que saiu na comunicação social (1º poder em Portugal?) fácil se torna de ver que o mesmo nada masis é do que um apelo a um golpe de Estado efectuado mediante o "voto em branco".

Esquece o escritor, que, em 75, apelava ao voto na novel democracia lusitana, sem no entanto obter o êxito que o seu PC tanto aspirava!

Ora, se 80% da população votasse em branco e partindo do pressuposto que o fiel, mas caquético eleitorado comunista votava em massa, então teríamos o PC no Governo.

Só me espamta como é que o Prof. Marcelo, aceita debater este livro, com um escritor arrependido e um politico que já devia estar na parteleira há muito tempo!!

Estranho exemplo de lucidez!

Comunicação social.

O despacho emitido pelo juiz do caso “Ponte Entre-os-Rios” tem 140 folhas.

Curiosamente a comunicação social resumiu tudo à curta frase “causas naturais”.

Foi essa a ideia que lhes interessou passar à opinião pública por dois motivos:

1/ alimentando a polémica do mau funcionamento da justiça, aumentam as audiências;

2/ aproveitam para “financiar” interesses obscuros de bastidores.

Escusado será dizer que a nossa comunicação social cada vez presta menor serviço à comunidade.

Se é que ainda presta algum.

Pura coincidência.

"Oito homens, suspeitos de estarem envolvidos em acções terroristas, foram ontem detidos numa das maiores operações anti-terrorismo até hoje realizadas pela polícia britânica. Mais de meia tonelada de material explosivo foi apreendida na mesma operação. Os suspeitos, todos eles cidadãos britânicos de origem muçulmana e com idades compreendidas entre os 17 e os 32 anos, foram detidos em várias localidades do sul de Inglaterra, nos arredores de Londres.

Público

P.S. Acreditamos piamente que o facto de terem origem muçulmana é pura coincidência. Ou melhor. É pura isloamofobia. Os manos estão inocentes.



Coitadinhos.

"A situação não é nova mas tem vindo a piorar nos últimos meses, cada vez mais os muçulmanos são os principais suspeitos", afirmou ontem ao PÚBLICO Massoud Shadjareh, presidente da Comissão Islâmica para os Direitos do Homem (IHRC). "Não é possível fazer queixa de todos os casos que ocorrem, a solução passa antes por uma alteração na atitude", adiantou.

Para Camill Tawil, comentador político do "Al-Hayat" - jornal árabe sediado em Londres -, a situação tem vindo a agravar-se com os ataques terroristas assinados pela Al-Qaeda. E não se trata apenas de "islamofobia" nas ruas: também nos aeroportos e nas fronteiras "os árabes têm cada vez menos liberdade e os recentes ataques em Madrid vieram agravar a situação".


Público

P.S. Oh que chatice. Não deixam a rapaziada passear as bombas livremente.

Santana passou por aqui?



A Lei de Programação Militar e as sua opções



Em termos de compras de equipamento militar há que fazer opções, já que os dinheiros públicos não são infinitos, e como para breve não se vislumbra nenhuma ameaça credível que ponha em causa a integridade do território, essas opções criteriosas nas aquisições são fundamentais.

É sabido que cabe em primeiro lugar ao militares definir as priorirzar as necessidades para os três ramos das Forças Armadas (FA), expôr essas necessidades, e que depois cabe ao poder político decidir em conformidade com as disponibilidades orçamentais, com as opções de política governamental, e adequa-la à nossa política externa e de defesa.

Mas também cabe ao cidadão comum discutir e apreciar as propostas e projectos que se adivinham através da apresentação da nova Lei de Programação Militar, cuja discussão pública decorreu em 2003.

Jugo ser defensável que em situação de crise se devia sacrificar a opção dos submarinos para a Armada.

Repare-se:

Apenas 2 submarinos é muito pouco, uma vez que apenas um permanecerá em estado de prontidão, enquanto o outro acosta para manutenção, e para a área marítima sob a responsabilidade de Portugal um submarino é ridiculamente pouco.

Desse modo, o dinheiro dos submarinos deveria ser canalizado para a manutenção e up-grade das fragatas Vasco da Gama (que está prevista), para a substituição das 3 fragatas João Belo por 5 fragatas usadas até 12 anos (e não apenas 3 como está previsto), que no fim de contas é práticamente o que já têm as Vasco da Gama, e acelerar o programa de construção do Navio Logístico Polivalente, bem como dos "patrulhões" oceânicos, que presumivelmente virão a substituir as corvetas.

É que apenas 6 fragatas, sem que nenhuma flotilha de 2 cruzadores com capacidade de projecção de forças a juntar ao projectado NPL, é muito pouco!

Deste modo poderia haver a capacidade de, em permanência termos 2 fragatas a patrulhar as águas nacionais e a prestar apoio aos PALOP's, que já nos solicitaram esse apoio (S. Tomé e Príncipe).

Quanto aos aviões de transporte, aos actuais 6 C-130 devia ser dada a oportunidade de receberem beneficiações para se manterem por mais 10 ou 12 anos, num programa semelhante ao projectado para os P3 Orion, e simultaneamente manter a compra dos 6 novos C-130-J, para que Portugal passasse a ter uma base de 12 aviões de transporte estratégico, o que não me parece pouco para um país com interesses territoriais como o nosso, e com crescentes participações em missões internacionais.

Ao fim desses 12 anos, abatiam-se os actuais C-130 e comprar-se-iam outros 6 novos.

Também a cooperação com os PALOP's requer a capacidade de projecção aérea de forças para acudir a catástrofes naturais ou humanas e esses aviões poderiam ser um instrumento por excelência para isso, bem com para o transporte de víveres ou outros equipamentos, e reservando-se ainda um para missões de observação científica, e meteorológica, ao serviço dos institutos e universidades que assim poderia ter um instrumento por excelência.

Ainda com a poupança na compra desses submarinos (apenas 2), poderíamos investir no médio prazo para a aquisição de uma esquadrilha de 18 ou 20 aviões tipo F-18, para que Força Aérea pudesse ter alguma paridade com Espanha.

Ainda seria necessário construir um navio-hospital dedicado, que Portugal já teve no passado, para acudir a catástrofes naturais (de que os Açores são férteis) e instrumento de cooperação com o espaço lusófono, ou ainda para missões militares em que Portugal participasse no quadro das Nações Unidas.

Finalmente, para que o Exército não passe de um imenso museu militar, é necessário, e concordo com a substituição dos blindados de rodas e das armas ligeiras, ou com a aquisição do hospital de campanha.

Mas não seria igualmente necessário que se investisse em blindados de transporte mais recentes, para maior mobilidade de tropas e num sistema integrado de defesa anti-aérea moderno, bem como em artilharia móvel?

Quanto à aviação ligeira para o Exército, 8 ou 10 helicópteros ligeiros não será pouco?

Para que se atingisse um nível de operacionalidade credível deveriam ser adquiridos 5 ou 6 helicópteros pesados com capacidade de transporte de tropas e capacidade de transporte de veículos ou peças de artilharia por ar, e uma esquadrilha de 12 helicópteros mais ligeiros para rotação de tropas em teatro de operações e com capacidade de combate através de lançadores de mísseis/foguetes e canhões.

Julgo que esse força para o Exército seria mais credível.

Quanto à 2ª esquadrilha de F-16, para quando a sua operacionalização?

É por isso, que temo que esta LPM represente "muita parra e pouca uva".

E julgo que se fossemos pelo caminho de aumentar a frota de fragatas, acelerar a construção dos patrulhas oceânicos e avançar "rapidamente e em força" para a construção de um NPL e do navio-hospital, a Marinha aceitaria sacrificar a força submarina, pelo menos para já.

Infelizmente continuamos a assistir a umas FA enfraquecidas em quantidade e qualidade e com programações para décadas, o que não augura nada de bom para a defesa da soberania portuguesa.

É que descansar sob o “chapeu de chuva” da NATO é pouco, e como agora se diz, sob o “chapeu de chuva” americano, é um pouco como vender a alma ao diabo, e trair os princípios e valores da UE em que estamos inseridos.

E para mais, Portugal só poderá ter um papel relevante no seio da NATO ou da UEO, se as suas FA forem credíveis e com capacidade operacional e de projecção.

Como de igual modo só poderá ser credível para o seu espaço natural da lusofonia, a que nos ligam laços culturais e históricos, se for relevante no plano das relações internacionais, nomeadamente no seio da Europa a que já pertencemos de direito e de facto.

terça-feira, março 30, 2004

Parabéns Dr. Rui Teixeira.


1/ “Serra Lopes, advogado de Carlos Cruz, criticou ontem a oportunidade da entrevista de Rui Teixeira ao DN. É a única voz discordante entre a defesa do processo Casa Pia, mesmo naqueles que destacam as ilegalidades cometidas”.

P.S. Claro que só os advogados de defesa devem ter direito a criticar o andamento processual, apesar de os respectivos estatutos da Ordem não permitirem tal.
Curiosamente só o advogado de Bibi é alvo de inquérito disciplinar pela Ordem por esse motivo.

2/ “A entrevista foi criticada por Serra Lopes: “Está-lhe a puxar a perna para a dança, apetece-lhe continuar dentro do processo, sem estar nele".

P.S. evidente que nada disso é verdade. O juiz está contente por estar livre desse buraco como podemos ler na sua entrevista:

“E resolveu ser firme, algo do género «vou demonstrar que ninguém me influencia»?

«É um pensamento do povinho pensar que um juiz quer um processo para se chatear. Não ganho nem mais nem menos dinheiro ou mais benesses. A minha carreira é feita no dia a dia, nos julgamentos, nas decisões que tomo. E durante este ano despachei muitos processos».

Mas esses não têm visibilidade pública.

«Compreendo que existam pessoas que gostem de tudo isso. Uma coisa é aparecer nas revistas cor de rosa, nas festas, outra é ser conhecido por algo que só dá trabalho. Nestes processos há coisas que tenho que explicar e dizer que noutras situações três ou quatro linhas seriam suficientes.».

3/ “A mandatária da Casa Pia, Sónia Pedrosa, foi ontem impedida pela defesa de Carlos Cruz de assistir ao primeiro dia de inquérito a dez das vinte testemunhas abonatórias arroladas pelo ex-apresentador. «Não vejo qualquer valor em que a Casa Pia esteja constituída como assistente do processo», disse Serra Lopes ao fim da manhã, justificando esta decisão

A defesa do ex-apresentador permitiu, contudo, que o representante do MP, bem como o advogado do embaixador Jorge Ritto, Joaquim Moreira, assistissem ao interrogatório. «Por vontade do doutor Serra Lopes apenas a Casa Pia não vai estar representada», disse Sónia Pedrosa, relembrando que desde Janeiro que a instituição foi admitida a intervir como assistente do processo”.

P.S. Então o assistente não pode assistir? Assim não pode fazer defender os interesses dos seus clientes.

4/ Quanto à culpabilidade de Carlos Cruz, devemos ter em conta:

“Porque é que no caso de Hugo Marçal diz que há apenas «indícios» da prática dos crimes de que é acusado e no de Carlos Cruz que há «indícios fortes»?

As situações são diferentes.

Qual é a diferença?

A probabilidade de ocorrência dos factos criminosos imputados a cada um é diferente. Suscitam-me mais dúvidas num caso do que noutro. Porque têm vidas diferentes, são pessoas diferentes, apresentaram provas diferentes.

Carlos Cruz é acusado de menos crimes.

O número de crimes não é relevante nesta fase, mas na de imposição de uma pena. Qualquer um dos crimes mais graves é punido com pena de prisão superior a três anos, o que legitima a imposição de uma medida de coacção grave. Não é o facto de ser culpado ou não que está em causa.

O que é que está em causa?

No momento de inquérito é saber se existem indícios da prática de um crime. Se têm uma consistência tal, que uma vez reproduzidos no julgamento levam necessariamente a uma condenação. E aqui é que há uma destrinça entre a situação de um e de outro. Foi meu entendimento que, se tivesse que presidir ao julgamento do dr. Hugo Marçal não entrava com a certeza absoluta de que ele seria culpado. No caso do senhor Carlos Cruz entendi que essa certeza existia face às provas apresentadas naquele momento. Porque o processo não acabou. As provas podem mudar, tornarem-se mais ou menos consistentes e isto vai tudo evoluindo no dia a dia.

As decisões que tomei, naquele momento processual, foram as correctas face à prova que existia no processo. Nunca formei nenhum juízo de culpabilidade sobre as pessoas. O que eu disse foi: «naquele momento, aquela prova levou
àquele resultado”.

Houve alguma altura em que sentiu que a investigação não suportava bem as decisões que tinha tomado?

Quando senti isso não decretei medidas de coacção graves, decretei medidas mais leves. Ou havia prova ou não, não me compete avaliar a investigação. A avaliação das provas compete ao MP.


P.S. Parece que o habitual sensionalismo jornalistico criou a ilusão, junto da opinão pública, que o juiz considerava Carlos Cruz culpado. O habitual. O juiz limitou-se a explicar porque manteve a prisão preventiva.


5/ “Quanto ao facto de Rui Teixeira dizer que não sustentou as decisões nos depoimentos de Carlos Silvino, o advogado diz que o juiz está fora do caso e que o conteúdo da entrevista tem um tempo histórico. «O processo continua e há novas fases”.

P.S. Se o juiz não necessitou do depoimento de Carlos Silvino, imagine-se agora com este, como a matéria acusatória deve ser, de facto, muito desfavorável a Carlos Cruz.

6/ “Não ando de gravata em casa e não ando no tribunal porque tenho de vestir uma beca, não me sinto bem. Agora há lugares e ocasiões que implicam um determinado traje e, nesses momentos, vou de gravata e fato. Gosto de me vestir como me sinto bem, não é como os outros idealizam as coisas.”

P.S. Nem mais.

Alvo dos ataques pessoais mais baixos jamais vistos, a entrevista só peca por curta. Espero que, findo o processo, o juiz esclareça tudo. Nem que escreva um livro como é prática corrente.

Seria interessante verificar, até que ponto, a comunicação social fabricou notícias e quais os seus intuítos.

segunda-feira, março 29, 2004

Parabéns Rui.




Para quando o regresso?

Diálogos segundo Soares.

"Diz Mário Soares na sua crítica semanal do Expresso “já era gente, quando Chamberlain e Daladier foram a Munique humilhar-se perante Hitler, abdicando dos valores democráticos que lhes cumpria defender. Esse acto de cobardia ficou gravado, indelevelmente, no meu espírito então jovem”.

Tendo nascido em 1924, Soares tinha nessa altura pouco mais de 14 anos. O suficiente, no entanto, para ficar marcado.

Quanto ao seu famoso e necessário diálogo com os terroristas, basta ficar pelo exemplo dado pelo próprio.

O diálogo que Soares efectuou com os “terroristas” das nossas ex–colónias, homens que lutavam contra a colonização dos seus povos, teve como resultado uma retirada precipitada, tipo fuga, entregando-lhes os referidos países, sem que tenha sido providenciado uma passagem de testemunho.

E, sem essa passagem de testemunho, a democracia não entrou com a independência, ficando as populações à mercê de mortíferas guerras civis que só recentemente acabaram.

Além da independência formal, ninguém ganhou nada com as negociações. Pelo contrário.

P.S. 1/ Dadas as diferenças ideológicas existentes entre Agostinho Neto, Holden Roberto, Amílcar Cabral, Samora Machel, etc., e Bin Laden, a comparação só pode ser um insulto.

2/ Ao contrário do que afirma na sua crónica, não foi a América que negociou com a Líbia, mas sim esta que avançou para a negociação após ter anunciado ao mundo que desistia do seu programa atómico.

Programa esse que estava bastante avançado, criando mesmo surpresa aos inspectores que foram ao local verificar.

Não terá sido por medo que Kadhafi renunciou?

3/ Soares confunde terroristas sem estado com estados terroristas ( Líbia e Coreia do Norte ).

4/ Curiosamente, sendo ele adepto do diálogo, recusou o confronto com Paulo Portas.

Isso só pode significar que Portas não é terrorista.

Curtas.

1/ Muitas vieram criticar o Conselho Superior de Magistratura por não destacar juizes experientes e de competência inatacável para os processos excepcionais.

Mas, meus amigos, isso não é uma clara violação ao princípio do juiz natural que tanto têm defendido ?

2/ Candidato nas listas do PCP às europeias, José Saramago pede aos eleitores para votarem em branco.

3/ Será que o “Expresso” vai transformar-se num novo “24 Horas”?
Aquela notícia do fim da relação entre Margarida Mareante e Emílio Rangel na primeira página ...

4/ Há muito tempo quietinho, João Soares não aguentou mais. Temos candidato à “liderança” frouxa de Ferro Rodrigues. Talvez não seja a melhor , mas é uma alternativa.

P.S. pena que depois de criticar a instabilidade da vítima intima do “livre” Santana Lopes, o bom pai de família, João Soares, abandone a família para juntar-se à sua amante grávida.

5/ A esquerda continua a insistir na grande mentira da insegurança mundial nascida com a guerra do Iraque, porque descobriu nela uma maneira fácil de amedrontar os apoiantes da política de Bush.

Quem conhece a história, sabe que a esquerda sempre foi assim. No grande combate contra o imperialismo vale tudo e todos são aliados. Até os covardes terroristas.

Razão porque o Bloco de Esquerda nunca condenou os terroristas, sejam eles da ETA, Hamas ou da Al-Qaeda.

6/ Segundo o jornal italiano “Corriere della Sera”, um tunisino, identificado sob o falso nome de Ahmed, membro da Al-Qaeda, foi capturado em Itália em 2001 antes dos atentados do 11 de Setembro nos Estados Unidos, afirmou que Bin Laden planeou um atentado contra a gare central de Milão semelhante ao perpetrado a 11 de Março em Madrid, o comissariado da polícia e instalações do comando dos «carabinieri» em Milão, a base da NATO de Mondragone, perto de Nápoles, e diversas personalidades italianas.

O relato do projecto de atentado contra a gare central de Milão inclui pormenores idênticos aos dos atentados de Madrid, designadamente o transporte dos explosivos em sacos e as explosões em simultâneo.

A explicação só poderá ser que o visionário Bin Laden já previa a associação criminosa da Itália à América na invasão do Iraque 2 anos depois.

7/ Até a nossa Galp está na rota do financiamento do terrorismo com ligação a empresa conotada com Al-Qaeda ( Asat Trust ).
Pelo menos logo que tomaram conhecimento, em Junho de 2003, que os bens da ASAT Trust tinham sido congelados, decidiram acabar com a “brincadeira”. Pena é que já em Setembro de 2002 a administração Bush tenha congelado as transacções e bens da empresa.

Curiosamente a Galp afirmou que a ligação foi sugerida por um os maiores escritórios de advogado de Lisboa.

Mário Soares


O velho Mário Soares sabe muito.

No mesmo fim de semana em que João Soares assume candidatar-se à liderança do Partido Socialista, considerando que a actual direcção nacional do PS (de que ele faz parte) não está a fazer uma verdadeira oposição ao governo, considerando que o PS limita a sua intervenção política aos corredores e hemiciclo do Parlamento, o velho Mário Soares indiferente aos disparates que sobre ele se disseram acerca das suas declarações sobre a necessidade de se ouvir os grupos islamistas e tentar compreendê-los, promove na Casa Museu João Soares em Leiria um encontro.

E nesse encontro, para além de estar o PS em peso esteve, voi lá, o próprio Guterres, renascido das cinzas, e falando de política interna, não obstante ele ter estado nos últimos tempos mais empenhado ns suas actividades decorrentes da liderança da Internacional Socialista, de que é presidente.

E Guterres deu o seu primeiro passo para uma eventual candidatura a Belém.

Explicou o que todos sabiamos.

Que a causa directa para a sua saída intempestiva do Govero em 2001 deveu-se à impossibilidade de governar, à "santa aliança" existente entre os partidos à direita e o PCP e BE.

A essa "santa aliança" que inviabilizava toda e qualquer medida, e deu o exemplo do escândalo que era aproveitar a abstenção do deputado de Ponte de Lima para passar durante dois anos o Orçamento de Estado.

Esqueceu-se (ou talvez não) de dizer que o que ele fez, governar entre 1995 e 1999 em minoria foi muito mais corajoso que a atitude de Durão Baroso que tendo ganho as legislativas em 2002 com apenas mais 2% de votos que o PS, não teve a coragem política de formar um governo minoritário, preferindo-se aliar a um pequeno partido de 8%, o CDS-PP para confortavelmente governar o país, e imprimindo a este Governmo a maior carga ideológica neo-conservadora e liberal desde o 25 de Abril de 74.

De caminho deixou a imagem correcta de desapego ao poder.

Guterres explicou-se aos militantes e à população portuguesa.

E nessa explicação foi apadrinhado por Mário Soares, o anfitrião.

Mário Soares percebeu que só Guterres terá capacidade de congregar votos à esquerdea e ao centro para vencer aos pontos (ou aos votos) a previsível e única candidatura séria que a direita tem perfilada de momento: a de Cavaco Silva.

Soares sabe o que faz.

E não é a sua idade avançada que o fez perder qualidades.

Antes pelo contrário.

Prefere o combate político e a troca de ideias em Lisboa, em vez de se deixar continuar confortavelmente instalado no "exílio dourado" de Bruxelas, como deputado europeu.

E mais:

Soares continua a ser uma das garantias de unidade do PS.

Como ontem disse Marcelo Rebelo de Sousa, o futuro de Ferro Rodrigues na liderança do PS depende fundamentalmente dos resultados que o partido obtenha nas próximas europeias de 13 de Junho.

Este avanço de João Soares é prematuro e arriscado, não se lhe negando contudo o facto de ser corajoso.

Simplesmente, se Soares filho quiser apoderar-se da liderança do PS pela esquerda, tem pouca margem de manobra, já que à esquerda de Ferro pouco sobra.

Soares filho pode ter instinto, coragem e ambição.

Mas não é definitivamente o "animal político" que ainda é Mário Soares.

sósia

A defesa de Paulo Pedroso encontrou um sósia para demonstrar que se a foto dele fosse mostrada às testemunhas, estas poderiam indicar o nome do ex-deputado.

Há que louvar os homens. Este sósia é, de facto sósia, ao contrário do outro, arranjado à pressa pela defesa de Carlos Cruz.

Pobre diabo.

GRITO DE REJEIÇÃO EM FRANÇA

..

SemPre que Durão Barroso se congratula com um pretenso êxito do seu Governo, significa para os cidadãos deste País, mais desemprego, menores salários, menos investimento, menor qualidade de vida, e a contabilidade “criativa” do défice orçamental, traduz-se em saúde menos acessivel, autoestradas mais caras (que implicam mais custos de produção, que se repercutem em preços mais elevados no consumidor) cortes nas reformas que se tormam mais penosas, mais dificeis de suportar.
Esta imagem que nos dá o Poder em Portugal, vem acontecendo um pouco por toda a Europa de Governos neo-liberais, para quem o economicismo troglodita entronizado, tudo sacrifica ao lucro levado a principio sagrado.

.
O resultado das eleições regionais francesas, que se salda por uma derrota esmagadora dos Partidos do Poder, são um voto de raiva dos cidadãos contra este estado de coisas..É um dizer-não a estas políticas anti-sociais, que tratam as pessoas como restos de uma mera conta-de-diminuir.
Não, não é uma rejeição partidária, e mais que isso, é uma rejeição civilizacional a um modelo que “despede” cidadãos como se os Países fossem empresas direccionadas ao lucro “srtictu-sensu”.
Esta foi uma derrota do neo-Malthusianismo retardado e acéfalo.

sexta-feira, março 26, 2004

Lisboa, séc. XXI




Terminada a época das castanhas assadas e estando a dos gelados ainda distante, há quem se dedique aos ofícios tradicionais e é possível depararmo-nos com um amola-tesouras. Sorte a nossa, pela contemplação do anacronismo; azar dele, porque remetido a um biscate tão pouco compensador.

Mas verificando bem, este amola-tesouras é muito diferente dos antigos. Em primeiro lugar pela oficina ambulante, que deixou de ser o velho mas digno carrinho de madeira e foi substituído pela bicicleta. A estrutura metálica assinalada com c) permite pô-la em pé, sendo a pedra de afiar (b) movida pela roda traseira, esta pedalada...com a mão.

A carismática flauta (a) há muito deixou de ser o instrumento metálico de sonoridade inconfundível, substituída que foi pelo de plástico. A própria melodia não passa já de uma caricatura, uma evocação normalizada dos virtuosos que introduziam subtis variações pessoais como marca pessoal e distintiva.

O próprio ofício quase abdicou das tesouras e das facas, especializando-se preferencialmente na reparação de chapéus-de-chuva. Deve vir daí o mito zombeteiro do amola-tesouras como anunciador de chuva.

Também o verbo amolar resolveu desvernacular-se, abdicando da sua raiz que vinha de mó, adoptando o significado brasileiro de molestar. Hoje afia-se, principalmente a língua, mas em série.

Ele há almoços estranhos.

«Esse almoço concreto que o arguido Carlos Silvino referiu e que imputa a presença de Paulo Pedroso nunca existiu», afirmou Celso Cruzeiro, acrescentando que a defesa vai provar isso mesmo.

TSF

“Ainda de acordo com a notícia avançada pela TVI a foto corresponde ao almoço referido por carlos Silvino à juíza Ana Teixeira e Silva, na passada sexta-feira. Um almoço que a defesa do ex-deputado voltou a negar que tenha existido.”

Portugal Diário

“A roupa de Paulo Pedroso tornou-se o busílis da questão, na sequência da divulgação de fotografias que mostram Paulo Pedroso a participar num almoço realizado na Casa Pia, em 7 de Abril de 2001. Tratou-se de um almoço de despedida a Vieira da Silva, quando este secretário de Estado de Ferro Rodrigues no Ministério do Emprego e da Segurança Social e que o acompanhou quando, após a queda da ponte de Entre-os-Rios transitou para o Ministério das Obras Públicas.

O mistério poderá ser desvendado hoje. E ficar claramente esclarecido se Silvino disse à magistrada judicial lembrar-se de Paulo Pedroso "estar de fato e gravata" ou "não estar de fato e gravata". A primeira é a versão sustentada pela defesa do ex-porta-voz do PS, ao passo que a segunda versão é sustentada por fontes próximas do advogado José Maria Martins."

Público

"As gravatas da maioria das pessoas que estiveram no almoço de homenagem a Vieira da Silva, que decorreu no Colégio Pina Manique, em 7 de Abril de 2001, foram metidas num saco preto e oferecidas à Casa Pia - este é um dos pormenores do evento que reuniu mais de 200 pessoas, entre as quais Paulo Pedroso, que Carlos Silvino vai contar à juíza Ana Teixeira e Silva, na próxima vez que prestar declarações. "

Correio da Manhã

Almoço complicado aonde os convidados aparecem sem irem, bem vestidos sem o estar.

Será que ainda vamos chegar ao pormenor de discutir a côr?

Casino de Lisboa



Faltou a estrelinha da sorte que assiste o FCP.


Foto da claque do ( ainda ) Milão de Rui Costa em San Siro.



Novamente o Benfica foi afastado de uma competição por um misto de azar e erros defensivos.

Se na primeira mão o empate espelha o muito azar da equipa da Luz, a derrota em Milão espelha os habituais erros defensivos.

Resta uma consolação. O Benfica não foi afastado por mérito do Inter mas sim por culpa própria e muito, muito azar.

P.S. para quando a contratação de bons defesas e um médio criativo?

Parabéns Dr. Marinho


Como é sabido, geralmente não concordo com as acusações que Marinho costuma fazer à actuação da justiça, quer pela forma, quer pela conteúdo.

Pela forma, visto que a utilização do estilo “guerrilheiro” não lhe dá a vitória pela razão que eventualmente lhe assista mas, sim pelo abandono do “inimigo” saturado pelo “status quo”.

Pelo conteúdo que, geralmente baseado em narrações parciais e, por vezes, divergentes da verdade factual, levantam legítimas dúvidas sobre a existência de razão nas alegações proferidas.

Mas hoje, tenho de o reconhecer, “o senhor que está a falar de Coimbra” esteve sublime na SIC, ao invocar o distanciamento crescente entre eleitos e eleitores, o obscuro financiamento dos partidos e respectivas relações de dependência daí resultantes, a necessidade do recurso à “cunha” para que o cidadão consiga satisfazer os seus mais elementares direitos, o desinteresse pelo cidadão dos governantes e o “lobby” governativo resultante das “castas”.

Finalmente reconheceu que o mal não está só na justiça. É geral e que, dentro dessa generalidade, o mal da justiça é o menor deles, porque não atinge a generalidade dos cidadãos, enquanto que o mal político afecta o país inteiro ( governação ).

Só é pena que o Dr. Marinho, fiel àquela política, não altere o seu habitual estilo e diversifique o alvo.

É que se as suas crónicas, cuidadosamente fundamentadas tivessem, também, outros alvos como os acima mencionados e fossem isentas do habitual seguidismo político, por certo teriam maior credibilidade e utilidade para a tão desejada denúncia e combate aos males que enfermam a democracia e que impedem este país de alcançar a União Europeia em qualidade de vida.

quinta-feira, março 25, 2004

Culpados a todo custo.


É curioso ver que os mesmos que defendem não haver acusações no “Processo Casa Pia” só para poder dizer-se que houve culpados condenados, defenderam agora que deve haver culpados, à força toda, no processo da “Ponte Entre-os-Rios” para que a “culpa não morra solteira”.

Já com a desistência, por parte das vítimas, em acusar os areeiros por insuficiência de provas, se indiciava a dificuldade de conseguir-se um desfecho favorável às suas pretensões.

Se o juiz teve o cuidado de explicar que não foi produzida prova bastante em tribunal para assegurar uma futura condenação daqueles arguidos (cinco técnicos da antiga Junta Autónoma de Estradas, o responsável por uma empresa projectista, 22 areeiros e o antigo presidente do Instituto de Navegabilidade do Douro), e por essa razão foi obrigado a arquivar o caso, o que quer que façam?

Que se julgue e condene estes arguidos só para ficarmos com a ideia de que há justiça em Portugal?

E se eles estão inocentes?

P.S. 1/ ao afirmar que a falta de vigilância às condições da ponte não pode ser atribuída às pessoas que estavam constituídas como arguidos, o juiz deixa no ar a existência de outros culpados que deveriam estar sentados no banco dos arguidos;

2/ Não se pode acusar o juiz de falta de coragem por não ter acusado os arguidos, visto estes não serem figuras de relevo da sociedade portuguesa;

3/ Esta decisão só prova que, ao contrário do que se diz, é difícil um arguido ser facilmente condenado em tribunal como no tempo do Santo Ofício.

4/ A opinião pública, com a sua dualidade de critérios, demonstra assim como é facilmente manobrável pelos interesses alheios.

quarta-feira, março 24, 2004

O vinho, esse eterno sedutor.



PEQUENO ECO DA DISCUSSÃO DE ONTEM


Na passagem de ano de 2002 para 2003, véspera do primeiro post do BdE, estive numa festa, em Paris, onde se discutiu acesamente a questão do Médio Oriente. Ali, num círculo de amigos, à volta de uma mesa, por entre copos de vinho, ouvi as críticas mais violentas que se possam imaginar a Ariel Sharon, ao Estado de Israel, aos colonatos e à repressão do povo palestiniano. Ao pé daqueles amigos, garanto-vos, senti-me um moderado. Aspecto curioso: os autores das críticas eram todos israelitas e (pelo menos culturalmente) judeus.

Publicado por José Mário Silva no Blogue de Esquerda."


Sempre acreditámos nas propriedades transcendentais do vinho. Mais uns copinhos e lá iam eles e os Macdonald´s de Paris pelos ares.

Polícia detém dois espanhóis com 1300 quilos de explosivos

"Dois espanhóis foram detidos em Guimarães, na terça-feira, com 1300 quilos de explosivos. Os dois homens, entre os 30 e os 50 anos, dizem que os explosivos se destinavam a empresas nacionais, mas não possuem qualquer documento.

Entre os 1300 quilos e explosivos encontravam-se 200 quilos de explosivos rápidos, que não são usados para o fabrico de fogo de artifício, segundo referiu a PSP."

Notícia completa.

P.S. Como diria Sousa Tavares excesso de zelo da polícia.

o Escândalo das declarações de Mário Soares


Depois do que durante anos se disse de Kaddafi e do seu regime, da "revolução verde" por ele trazida para os desertos líbios, do isolamento, das alegadas ligações do seu regime ao terrorismo, dos apoios que a Líbia deu ao IRA, do envolvimento de agentes líbios por detrás do atentado de Lokerbie, seria impensdável que alguem no ocidente que se ufana de uma guerra sem tréguas e sem tibiezas ao terrorismo internacional estabelecesse bases de entendimento com o mesmo regime, liderado pelo mesmo ditador.

Mas não é isso que acontece.

O secretário de estado dos EUA visita Tripoli, e tudo está encaminhado para o melhor dos mundos.

Os escribas da nossa praça jornalística entraram em histeria colectiva a propósito das declarações atribuídas a Mário Soares quando este alvitrou que para se conhecer as motivações do terrorismo, se teria que encetar um diálogo com os seus mentores.

Escândalo!

Capitulação!

Nem os resultados eleitorais espanhois escaparam à acusação de capitulação ao terrorismo.

Zapatero passou a ser um proscrito da religião dos cruzados de Bush & Blair.

E o que dizer da política de Bush e Blair em relação á Líbia?

Passou a ser Kaddafy um "bom terrorista"?

Um mistério de difícil resolução.

Para quem está com receio de um atentado no Euro ou Rock in Rio.

"Um relatório do SIS e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras recentemente revelado,informa que o atentado perpetrado nas cidades de Nova Iorque (11/09/2001) e Madrid (11/03/2004) estavam destinados a ser cometido, única e exclusivamente na cidade de Lisboa.

Por diversos motivos que passaremos a detalhar, segundo as informações entretanto recolhidas, 2 terroristas de algum lugar do Médio Oriente chegaram a Lisboa com a firme determinação de executar o "castigo de Ala para com os infiéis portugueses".
Tal castigo não pôde ser levado a cabo.
Eis a história e o itinerário seguido pelos 2 terroristas uma vez chegados ao nosso país:

Domingo 23h47

Chegam ao aeroporto da Portela, via aérea vindos da Turquia, saem do aeroporto com oito horas de atraso depois de conseguirem recuperar as bagagens que estavam perdidas. Apanham um taxi. O taxista vê-os pelo espelho e ao ver a pinta de turistas que tinham resolve passea-los por toda a Lisboa durante uma hora e meia. Ao ver que não abriam o bico depois de lhes ser cobrado 20 contos pela tarifa resolve tramá-los e por telemóvel chama um cúmplice que entra no táxi na Rotunda de Algés. Depois de uma carga de porrada e de lhes terem roubado todos os seus pertences, deixam-nos em Monsanto na companhia dos esquilos.

Segunda 4h30

Ao acordar, depois da carga de porrada, conseguem chegar a um Hotel da Segunda Circular.Ao voltar de carro do hotel para o centro, são confrontados com uma manifestaçãoo da Fenprof em conjunto com uma de funcionários camarários e outra de agricultores do Alentejo juntamente com alguns condutores de tractores do Oeste. Ficaram retidos no transito por tempo indeterminado.

--7h30

Chegam ao Rossio ( Por fim!). Precisam de trocar dinheiro para se movimentarem sem levantar suspeitas. Os seus dólares são trocados por notas de 50 Euros falsas!!!

--7h45

Chegados a Portela tentam embarcar num avião que se desfizesse sobre a Ponte 25 de Abril.Os pilotos da TAP estão em greve. Exigem que lhes quatripliquem o seu ordenado e reduzam as suas horas de trabalho. Os controladores de voo queixam-se do mesmo. O único avião em pista e da Sata Internacional e já tinha 13 horas de atraso em relação à hora prevista da sua partida. O pessoal de terra e os passageiros acampam no aeroporto gritam palavras de
ordem contra o governo e os pilotos. Chega a brigada de intervenção da PSP e distribui paulada por todos os presentes.

--19h05

Por fim, os ânimos acalmam-se. Dirigem-se ao balcão de uma companhia não identificada e pedem 2 bilhetes para o Porto. Sempre com a intenção de o desviar e fazê-lo explodir contra um dos pilares da ponte. Mas o funcionário do balcão ( um tal de Octávio Machado) vende-lhes bilhetes de um voo que já não existia.!!!

--19h07

Tendo em conta o avançado da hora, discutem entre si se deverão executar o seu plano ou não. Fazer explodir a ponte e tudo ao seu redor já lhes parece mais uma obra de caridade que um acto terrorista.

--20h30

Mortos de fome, vão comer algo no bar do Aeroporto pedem duas chamuças e rissóis de camarão com salada russa

Terca-feira --00h35

Recuperam no Hospital de São José de uma dose de cavalo de salmonela causada pela salada russa depois de ter esperado toda a noite para que os atendessem.A recuperação teria sido rápida não fosse o desmoronar do tecto da
enfermaria onde foram instalados.

Terça-feira seguinte--19h00

Uma semana depois tem alta do hospital e ao passarem pelo Bairro Alto veem-se envolvidos numa richa entre gangs rivais de skins que se unem para lhes dar outra valente sova. Decidem "dar de beber a dor que e o melhor" visto que nada lhes sai de feição. Várias garrafas de uisque de sacavém leva-os outra vez ao hospital com uma infecção por consumo étilico.

Quarta-feira

Escondem-se num contentor do primeiro barco que encontram e resolvem fugir do pais na esperança de chegar a Marrocos. Com uma ressaca monumental juram por Ala não voltar a tentar nada no nosso "abençoado" país.

Decidem faze-lo nos EUA por ser muito mais fácil!"

Autor desconhecido.

O Kadaffy pode ser um sacana, mas é o "nosso sacana"


Deste modo singelo, com a visita de uma delegação de alto nível norte-americana a Tripoli, e com o rápido e evidente degelo nas relações entre o ocidente, encabeçado pelos EUA e a Líbia do agora ditador aceitável Kadaffy, volta-se à velha política da guerra fria em que ditadores eram apeados ou impostos, apoiados ou guerreados de acordo com o mais elementar conceito geo-estratégico.

E até se assistiu, como no Chile em 73 a um presidente eleito democráticamente a ser deposto por um golpe de estado sanguinário, e esse golpe ter sido apoiado pela "pátria da liberdade".

Como Marcos da Filipinas já havia sido apoiado, Somoza da Nicarágua, Suharto na Indonésia, responsável por mais de um milhão de mortos após a deposição de Sukarno, e que só à conta de Timor-Leste terão perecido 200.000 almas ou actualmente o ditador militar Musharraff do Paquistão, tudo porque faz o favor aos americanos de estarem presentes no Afeganistão, não pela luta aos talibãs, mas para que os EUA reforcem a sua presença estratégica na Ásia Central.

Há sacanas bons e outros que nem tanto.

Em tempos não muito distantes, também Saddam Hussein o foi, mas curiosamente deixou de o ser a partir do momento em que interveio no igualmente ditatorial e teocrático estado do Kuweit.

Seria muito petróleo para um único estado.

Enfim...

Gostaria que os sacristões de serviço à grande religião universal do bem e da liberdade da nossa praça jornalística (José Manuel Fernandes, Pacheco Pereira, Ribeiro Ferreira, José António Saraiva ou Luís Delgado) escrevessem algo sobre isto.

E como é que estabelecem e justificam esta súbita "amizade", com os desígnios propalados pelos EUA de que querem democratizar a região.

Crises de pensamento

Com a devida vénia ao amigo Nuno Seara, não resisto a reproduzir o seguinte comentário:

"Cada vez mais as ideologias perdem a sua força em favor de um modelo racional que se distancia a passos largos dos grandes oradores do século passado. A interpretação errónea de conceitos como liberdade e igualdade deram origem a um discurso imberbe, bem como a numerosas batalhas eleitorais e também guerras sangrentas, resultantes da idolatria cega que caracterizou o Homem até aos tempos modernos. Existe a necessidade de acreditar em algo divino para explicar o desconhecimento, as impossibilidades da ciência, assim como para toda a comunidade tem de existir um líder que a conduza por forma a não só garantir o seu meio de subsistência mas também para incentivar ao trabalho no sentido de um objectivo comum, o do aperfeiçoamento constante visando o bem estar de todo um povo. Ao invés de efectuar uma abordagem científica, quase que heurística em termos de escolha partidária, o Homem optou pela via mais fácil, o seguidismo, limitando-se a ouvir os líderes partidários e a aceitar quase dogmaticamente o seu discurso desde que este satisfaça os seus desejos mais básicos, o que sempre aconteceu, já que qualquer político sabe quais os problemas com que se debate todo um povo e procura utilizar sempre o poder do verbo no sentido de ir ao encontro das necessidades das massas.

Porém, tínhamos ideologias que ergueram verdadeiros impérios, líderes que fizeram História durante todo um século que se por um lado foi o que mais se destacou em termos de evolução, foi sem dúvida onde ocorreram as guerras mais sangrentas, mundiais, culminando com o deflagrar da arma mais temível que o Homem concebeu para matar, a bomba atómica que hoje ameaça a sua própria existência. Se tínhamos líderes com ideais verdadeiramente enriquecedores, génios da esquerda à direita com vontade de mudar o Mundo para melhor, porque desmoronaram todas as ideologias e começamos a observar um fenómeno completamente novo caracterizado pelo absentismo eleitoral e a desconfiança generalizada na classe política ? Se nunca como hoje os conceitos de liberdade e igualdade de direitos e deveres estiveram na ordem do dia, porque é que cada vez mais sentimos que existe menos liberdade, aumentam de dia para dia o número de regras que temos de cumprir e notamos uma forte tendência de desconfiança dos cidadãos em todas as instituições, desde a religião às finanças passando também pela justiça ?

Desde o século XVIII que o Homem se começou a organizar em pequenos grupos de indivíduos de acordo com o grau de cultura e influência no meio onde se inseriam, começando por se cingir á área residencial e ao local de trabalho para mais tarde se alastrar a um círculo mais vasto de indivíduos até abranger toda a zona ou cidade onde vivia. As comunicações vieram facilitar a expansão deste tipo de sociedades que rapidamente começaram por se organizar entre si por forma a obterem alguma influência, exercendo esforços conjuntos para a realização de objectivos que não eram manuscritos mas permaneciam no seio de comunidades selectivas que os iam realizando a pouco e pouco, de acordo com as capacidades dos seus membros. Intitulando-se filantropicas, defendem o laicismo e o pluralismo como modo de vida e ambicionam alcançar aquilo que desde os tempos da alquimia se designou por gnose, constituindo uma espécie de ecletismo teosófico que é transmissível por iniciação e cuja prática se destina única e exclusivamente, pelo menos aparentemente, a ajudar a Humanidade a alcançar a Luz que foi perdida desde que o Homem foi expulso do Paraíso.

Enraizando-se em todas as áreas, desde a política à economia não esquecendo a justiça e até a própria religião, estes grupos começaram por ganhar maturidade ao angariarem elementos influentes nas áreas mais diversas exercendo as suas actividades no intuito do perfeccionismo mas sem nunca esquecer a sociedade que representavam e à qual pertenciam. Regendo-se por um secretismo absoluto, foram não só responsáveis por grandes progressos em áreas como o Direito e em acções humanitárias e educacionais como também por gigantescas convulsões e transformações na sociedade, verdadeiras revoluções quer materiais quer de mentalidades, sem que contudo algumas não deixem de ser questionáveis, já que o direito ao sufrágio deve ser sempre a primeira das opções e nenhum ser humano ou grupos de indivíduos tem o direito à pretensão de superioridade mental por forma a permitir-se iluminar as mentes de outrém de acordo com o que um grupo restrito entenda ser o caminho mais correcto, já que aquilo que para uns consiste no Conhecimento, para outros poderá ser uma clara violação dos seus direitos e princípios morais e é precisamente o respeito e o direito à opinião que classificam uma sociedade evoluída.

Por outro lado, não é de ignorar o comportamento desviante de alguns que, não obstante saberem que têm a irradiação garantida no caso de serem descobertas as suas intenções, são no entanto capazes de provocar danos irreparáveis no meio onde se conseguem encaixar enquanto o grupo de indivíduos não chega à conclusão que aquele elemento não perfilha dos mesmos ideais nem tão pouco é merecedor da confiança do clã onde se insere, já que se por um lado uma das características principais destas comunidades é serem constituídas por homens íntegros e de boa vontade, o certo é que a honestidade não é uma grandeza palpável, apenas poderá ser determinada através dos actos e estes nem sempre são perceptíveis e conclusivos.

Poder-se-à então especular sobre o verdadeiro calcanhar de Aquiles das democracias contemporâneas. Qual o impacto de um comportamento desviante oriundo de um grupo restrito no seio de um partido político, numa comunidade religiosa ou até mesmo nos meandros da justiça ? De que modo poderão influenciar o sentido dos mesmos ? Em 1998, a Grã-Bretanha debateu-se com um problema desta natureza, tendo o parlamento exigido a identificação não só dos deputados pertencentes a sociedades secretas como inclusivé os que estavam também ligados ao aparelho judicial, partindo de uma suspeita de casos de corrupção e influencias em processos judiciais. Perante isto, fazendo uso do livre arbítrio que nos é concedido por direito, não será legítimo pensar numa solução para estes problemas por forma a consolidar o pensamento democrático, passando obrigatoriamente por uma clivagem entre as sociedade secretas, a religião, a política e a justiça sem que contudo deixemos de ter em mente a importância isolada de cada uma delas e que deverão ter um objectivo comum que é o desenvolvimento da Humanidade ?

Nunca como hoje ouvimos falar tanto de "lobbies" e de uma multiplicidade de pressões aos governos por parte de sectores secundários que, se por um lado não constituem a classe política nem representam minimamente a vontade popular, por outro conseguem exercer a sua influência no seio político. Nunca como hoje vimos o Homem pôr em causa todas as instituições que ele próprio criou para delinear os trilhos que a sociedade deverá percorrer no sentido do progresso. Nunca como hoje deparamos com tanta gente incrédula que ao contemplar a crise de valores que grassa pelo país se interroga quanto ao porquê de tanta decadência sem que para tal exista uma razão aparente. Afinal, da esquerda à direita as intenções até são boas, os objectivos principais, na sua essência, convergem todos para um mesmo sentido, apesar da diferente fraseologia empregue e a imagem dos diferentes líderes partidários continua a pautar-se pela excelência. O que provoca então o desmoronar de todos os valores, o que faz com que toda uma sociedade viva por viver e tenha deixado de acreditar nos seus próprios ideais ? Não estará na altura de se fazer uma reengenharia ao pensamento político e purgá-lo de todos os seus excedentes ? Penso que a maior dificuldade que o Homem moderno poderá enfrentar será superar-se a si próprio no sentido de encontrar erros onde estes nunca se colocaram, estabelecer uma analogia entre o pensamento científico e o político por forma a poder excluir todas as variáveis supérfluas para que a engrenagem a que chamamos desenvolvimento não seja travada por nenhuma circunstância alheia aos interesses da maioria. "

terça-feira, março 23, 2004

O Escândalo das declarações de Mário Soares


O que causou certo escândalo, pelas declarações timoratas do experiente e batido Mário Soares foi ele ter sugerido em público que se deveriam estudar fromas de estabelecer contacto com grupos fundamentalistas islamistas, eventualmente ligados à Al Qaida.

Sendo estranho encarar a hipótese de se estabelecer contacto com os líderes de uma organizção muito difusa nos seus liocais e lideranças e ainda mais nos seus objectivos (Al Qaidda não é a ETA, o IRA os as Brigadas Vermelhas), parece-me que Soares terá penas e sobre o terrorismo que alastra pensado alto.

Mas qual é o escândalo afinal?

Por se tratar de uma organização que utilizam, métodos terroriostas como forma de afimação política ou religiosa?

E que dizer da comunidade internacional que autoriza e protege embaixadas de um esatdo terrorista como o de Israel que utuiliza de igual forma métodos terroristas.

Ou o assassinato extra-judicial não é uma forma de terrorismo de Estado?

Terrorismo de Estado


Quando há anos certos círculos dos serviços secretos espanhóis formaram os GAL que serviam para matar elementos da ETA, numa prática de "terrorismo de estado" e quando isso foi descoberto, houve investigações, julgamento e condenações dos responsáveis.

Não porque o estado espanhol transigisse com a ETA mas porque não cabe a um estado de direito civilizado como a Espanha e a qualquer estado civilizado no mundo praticar a mesma linguagem dos grupos terroristas.

Por isso o terrorismo de Estado espanhol, dos GAL foi erradicado, mas a ETA continuou a ser combatida política e policialmente.

No caso de Israel pratica-se alegre e irresponsavelmente a mais bárbara forma de terrorismo de estado contra populações e organizações que apesar da linguagem violenta que por vezes utilizam, lutam apenas pelo que é seu de direito, ou seja a soberania sobre territórios ocupados ilegalmente por Israel (estado criado artificialmente em 1947).

A linguagem e políticas dos talhantes de Telavive alimenta-se do terror mútuo para permanecerem no poder.

Eles não sobreviveriam politicamente a um período de entente e de pacificação entre israelitas e palestinianos.

Por isso este golpe de força.

O que se espera do Hammas que se até agora reagiu violentamente sempre que os helicópteros israelitas matavam extra-judicialmente activistas da independência palestiniana, agora vê o seu líder espiritual bárbara e cobardemente abatido sem dignidade, e acompanhado pelos tristemente habituais "danos colaterais"?

Julgo que se a decisão de assassinar o líder Yassin foi tomada a 14 de Março, e será essa a data em que Sharon e os outros nazis de Telavive começaram a redigir a certidão de óbito para si e para o seu povo, o povo de Israel.

E que ontem, com a execução sumária de um líder incómodo para os desígnios dos açougueros de Telavive, essa certidão de óbito foi assinada e carimbada.

Será uma questão de dias.

Porque o Hammas não perderá a face perante o que se passou.

Pode não agir nos próximos dias.

Deixará assentar o pó.

Mas agirá.

Fulminantemente.

E nessa altura o povo de Israel vai perceber finalmente o fim para que foi encaminhado por estes líderes sanguinários que os governam.

Porque o fim foi ontem traçado.

É inevitável

UM ANO DEPOIS


Decorrido um ano desde que foi iniciada a guerra ao Iraque e subsequente invasão e ocupação daquele país, um ano ou pouco menos após o colapso do “temível” exército de Saddam Hussein, uns meses após a sua detenção, como está o Iraque e o mundo?

Um ano depois está pior em vários aspectos.

A União Europeia dividiu-se como nunca nos meses e semanas que antecederam o desencadear desta guerra.

Fracturou-se entre os “atlantistas” e os “continentais”.

Ao primeiro grupo juntaram-se os futuros estados da UE, estados do leste europeu, e também a mais valia desta nova aliança de cruzados, a Espanha e a Itália.

A presença destes dois países não pelo potencial bélico ou presença numérica no território ocupado, mas mais pela forma como deixaram as suas alianças tradicionais e as linhas de política externa, e se juntaram ao eixo atlantista liderado pelos EUA e pela Grã-Bretanha deram a este eixo uma “legitimidade” que permitiu aos seus promotores disfarçarem o evidente isolamento internacional em que caíram ao quererem forçar uma agressão a um país soberano e independente.

Esse isolamento ficou patente nas tentativas frustradas dos EUA junto do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em que nem os países da América Central ou de África conseguiram aliciar.

Mas conseguiram atingir dois desígnios dos ideólogos que aconselham (mal) o Presidente George W. Bush: dividir a União Europeia, enfraquecendo-a politicamente, e fragilizar o papel das Nações Unidas no mundo.

Um ano depois foram dadas todas as condições ao terrorismo que se diz combater, o terrorismo sem rosto da Al Qaidda, do extremismo islamista, um espaço que não tinha antes (o Iraque) e motivos ou pretextos para que os ódios ao ocidente destes cruzados germinasse ainda com maior vigor.

Um anos depois multiplicam-se os ataques bombistas disseminados pelo mundo, desde Bali, na Indonésia, de que a maior parte das vítimas foram turistas ocidentais, até à Turquia, Arábia Saudita, a Marrocos ou a Espanha.

Um ano depois a Al Qaidda continua a manter o seu poder de ataque contra os interesses ocidentais em qualquer parte do mundo.

Um anos depois a Europa lambe as feridas da sua fractura, e assina a certidão de óbito da sua almejada política externa comum, para a qual contribuíram as atitudes de alguns jovens líderes timoratos que alinharam acéfala e acriticamente à política ideologizada da administração Bush, desde sempre acompanhada de perto pela indefectível Grã-Bretanha.

E um anos depois, o “elo mais fraco” desta nova coligação de cruzados já quebrou – a Espanha, por força do voto popular, legítimo de democrático, o governo britânico está politicamente morto, a administração norte-americana corre sérios riscos de não ser reconduzida para um segundo mandato, a população europeia e mundial continua hoje a penar o que pensava antes do desencadear das operações, o Iraque continua instável, social e politicamente, diariamente continuam body-bags a regressar recheados aos EUA apesar das apregoadas mas mal fundamentadas afirmações de estabilização e pacificação do território, os ataque aos ocupantes multiplicam-se para lá dos limites do chamado triângulo sunita, a guerra civil no Iraque pode rebentar a todo o instante, a população iraquiana, como a de qualquer nação deste mundo em que vivemos não quer vera as suas casas, ruas e avenidas devassadas por tropas estrangeiras que ali estão sob o falso pretexto de acabar com o terrorismo que recrudesce diariamente, e a pretexto de umas armas de destruição maciça inexistentes.

O mundo está farto desta guerra sem sentido, que apenas vai tendo o apoio dos mais indefectíveis de Washington, que provavelmente nem sabem porque o apoiam, a menos que acriticamente aceitem todas as orientações e explicações da “sua” Administração, sem pestanejar numa pungente e patética atitude de seguidismo semelhante à atitude do PCP nos anos 70 após a invasão do Afeganistão pela URSS.

Infelizmente o terrorismo sem rosto e cego da Al Qaidda está bem e recomenda-se, apesar desta guerra e do desfile de sangue e de mortes que diariamente são facturadas à conta desta aventura sem sentido e sem explicação racional.

O dia 30 de Junho, data para a retirada das forças internacionais e data para a devolução da soberania iraquiana a quem for capaz de manter aquele país unido, tarefa que se afigura de muito difícil concretização, a menos que se trate da imposição pelas armas de um regime fantoche, apoiado e guardado por forçar ocidentais e que terá, tal como no Afeganistão dos nossos dias, muitas dificuldades para sair dos seus palácios e da sua capital, aproxima-se rapidamente.

Gostaria de conhecer os planos que os aventureiristas que se abalançaram para esta invasão e ocupação têm para o dia seguinte ao 30 de Junho de 2004.

Mas julgo que nem o mundo nem eles próprios o sabem.

Tal como ninguém sabe exactamente como se vai sair desta situação criada.

Por fim, e para que insanidade seja total, uma sondagem estranha, alegadamente encomendada por órgãos de informação independentes, mas de cujos autores e com que métodos e amostragem utilizada se mantém uma nebulosa tal que mais leva a acreditar tratar-se de mais um embuste propagandístico de que as guerras são férteis, e que surpreendentemente sustenta que os iraquianos estão maioritariamente satisfeitos com a situação actual.

Diz essa sondagem que os iraquianos estão satisfeitos, porque a luz e a água já jorram pelas casas de Bagdad, de Mossul e de Bassorá.

Mas não a paz.

Mais que a água jorra sangue.

O dos mártires de uma invasão sem sentido, e das vítimas inocentes de um conflito encomendado, concebido e praticado nos corredores de algumas chancelarias ocidentais, à revelia do sentir das populações de todo o planeta.

Triste sorte a da humanidade que dependa de tais decisores políticos.

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segunda-feira, março 22, 2004

Comunicado.

A comissão de mártires vem por este meio informar que o idoso Ahmed Yassin não vai ter direito a nenhuma das suas prometidas virgens, pelo facto de ser o principal causador do excesso de mártires abundantes por aqui.

Aproveitamos também para informar que, devido à devastação alarve que essa turba raivosa tem provocado nas nossas reservas virginais, a partir de hoje só serão servidas velhas gordas e usadas em lugar das delicadas clássicas virgens.


Com os melhores cumprimentos

A comissão de mártires.

Mais "Ensaios sobre a cegueira".

Vital Moreira, no seu Blog sai-se com esta pérola: “Assassinar com três mísseis disparados de um helicóptero um idoso tetraplégico numa cadeira de rodas à saída de um serviço religioso numa mesquita, matando também indiscriminadamente um número indeterminado de pessoas, mostra que Israel não pára na escalada dos seus alvos.

Mesmo tratando-se do chefe espiritual (mas não operacional) do Hamas.”

Esperava-se mais de Vital Moreira, dadas as suas responsabilidades, mas a cegueira “vermelha” não perdoa. Desde que o seu “irmão” Saramago lhe ofereceu “Ensaios sobre a cegueira”, Vital nunca mais foi o mesmo.

Então essa do “chefe espiritual mas não operacional” é de mestre.

Consciência de jornalista.

O Independente publicou na passada sexta-feira um artigo sobre a movimentação de pretensos grupos extremistas em Portugal.

Baseado num pretenso relatório do SIS, o artigo ao descrever as ligações dos visados e o seu "modus operandi", constitui, além de uma violação da ética jornalistas, um gritante atentado à própria segurança do Estado Português.

Se de facto a informação é verdadeira, qual a necessidade de os extremistas ficarem a saber que estão a ser investigados?

Se não é verdade, estamos perante uma flagrante violação do direito de imagem no intuito de aumentar as vendas de um jornal em declínio acentuado.

E agora não venham dizer, como nas cartas da Casa Pia, que essa informação devia estar bem guardada.
De qualquer forma, neste conflito de direitos, qual deles é superior? O direito à informação ou o direito à segurança do próprio Estado?

Ainda restam dúvidas que os jornalistas devem ser obrigados a revelar as suas fontes?

Depois aparecem umas certas vozinhas a dizer que gosto de perseguir os jornalistas.

Ahmed Yassin



O mundo anti – judaico chora a morte do Sheik Ahmed Yassin.

Fundador do movimento de resistência islâmica, foi responsável por alguns dos piores atentados terroristas contra Israel e um dos principais obstáculos ao processo de paz no Médio Oriente.

Paraplégico desde os 12 anos, em virtude de um acidente num jogo de futebol, comandava os seus esbirros suicidas, que espalhavam a morte em Israel, sentado na sua cadeira de rodas .

Infelizmente este homem finíssimo foi abatido por outro tipo de terrorismo, o de Estado.

Lisboa, século XXI



"You are here"


Acreditam que ao fim de trinca e cinco anos de carreira os UFO ainda mexem?

O facto é que lançaram mais um álbum de originais "You are here", sem o fabuloso guitarrista Michael Schenker mas com o extraordinário Vinnie Moore e, calculem, na bateria Jason Bonham, filho do malogrado John Bonham, também ele baterista, dos saudosos Led Zepplin, que se juntam aos velhinhos Phil Mogg, Paul Raymond e Pete Way.

Com esta formação de peso, arrisco a dizer que estamos perante o regresso de uma velha glória do hard rock.

Sim ao diálogo.

"O ex-Presidente da República e eurodeputado socialista Mário Soares defendeu hoje o diálogo com a organização Al-Qaeda, em alternativa ao uso da força, para perceber os objectivos da rede liderada por Osama bin Laden e combater o terrorismo."

Excelente ideia. Somos os primeiros a apoiar a ideia, sugerindo que tal diálogo seja levado a cabo pelo próprio Mário Soares.
Como o Bin Laden, por questões laborais, não dispõe de residência fixa, sugerimos a deslocação de Soares ao Afeganistão para se encontrar com o moço. Se for preciso, podemos iniciar a colecta para cobrir as despesas da iniciativa.

O Habitual.

“O uso, por parte dos investigadores do Caso Casa Pia, de fotografias de figuras públicas, para que as vítimas, eventualmente, reconhecessem um pedófilo entre elas, é intolerável.

Constitui uma violação grave do direito ao bom nome envolver, sem autorização, gente séria num escândalo com as proporções do da pedófilia.

Depois, é bom não esquecer, a sociedade da comunicação tem as suas regras e o Estado, autor da investigação, não pode ignorá-las”

António Pinto Leite
Expresso
2004-03-13


Face ao exposto, pode-se concluir que:

1/ as figuras públicas têm mais direitos que os anónimos;

2/ como toda a gente é séria antes de ser provado o contrário e não podendo ser envolvida em qualquer investigação sem previamente consentirem, ninguém será investigado, pelo que fica assim resolvido o problema do excesso da população prisional;

3/ o Estado deve condicionar a sua conduta às regras da sociedade da comunicação e não o contrário.

ZZ Top


Ao fim de trinta e quatro anos de carreira, os velhinhos ZZ TOP estão de regresso com o seu 13º álbum ( cd ) de originais.

“Mescalero” é o seu nome e apresenta 16 malhas que vão agradar por certo aos admiradores do grupo.

Oriundos do Texas, o trio formado pelo guitarrista Billy Gibbons, pelo baixista Dusty Hill e pelo baterista Frank Beard, os barbudos conseguem imprimir uma vibração única conferindo mais hard rock ao blues muito por culpa da guitarra de Gibbons.

Mas o lado picante das suas letras, geralmente dedicada à beleza do sexo feminino, é delicioso.

Um bom exemplo disso é o velhinho hit “legs” cujo título dispensa mais comentários, a não ser, vejam o teledisco.

sexta-feira, março 19, 2004

A Al-Qaeda

"Islão, Terror e Mentiras"

A crónica de MIGUEL SOUSA TAVARES incide hoje sobre “Islão, Terror e Mentiras”.

Começa por criticar a diligência de um cidadão que ao descobrir "cassetes cantadas em árabe e uns papéis escritos em árabe num contentor de lixo, correu a entregá-las à PJ”.

Como se este comportamento necessário fosse criticável no mundo em que vivemos.

Continua a crónica ironizando com o medo “de ser despachado para Guantanamo” por ter "casa cheia de coisas árabes, de livros (incluindo duas edições do Corão) a cassetes de música, passando por azulejos, tapetes, fotografias, desenhos, punhais, vasos, uma sela de camelo e uma espada tuaregue”.

Evidentemente que Sousa Tavares não corre esse risco. Guantanamo está reservado para “terroristas perigosos” e não para inofensivos aprendizes de comentador.

Continua a crónica com “Onde estão as vozes dos imãs, dos muftis, dos teólogos do Corão, para virem explicar aos seus seguidores que metade do que lá está escrito é letra tornada morta pela evolução da humanidade, e a outra metade jamais poderá ser aceite como mandamentos de um Deus que exige, perdoa e garante a vida eterna a quem deixa umas mochilas carregadas de dinamite nuns comboios para deixar no chão um mar de corpos e vidas esventradas, mulheres, crianças, cristãos e muçulmanos, despedaçados num horror que insulta a condição humana?

Para variar, continua a escrever sobre o que não sabe. Acontece que o Alcorão diz aos Muçulmanos para tratarem os "Povos do Livro" com respeito. Imagine-se que os povos do livro são os judeus e os cristãos.

Mais. “Muitas palavras arábicas significam, num contexto, uma coisa, e noutro, outra coisa. Por conseguinte, uma palavra pode abrigar diversos significados. Por isso, sempre prevaleceu no Ocidente um grande mal entendido , e continua a prevalecer, em relação ao conceito de "Jihad" no Islão, considerando-o apenas sinónimo de "guerra santa, empreendida para a expansão imposta do Islão". É realmente chocante verificar que, além dos jornalistas, até certas figuras chamadas eruditas, estudiosas e investigadoras, hoje em dia, não têm o cuidado sequer de consultar um dicionário da língua arábica, ou procurar uma tradução correcta e adequada do Alcorão, para, em relação à palavra "Jihad", conseguirem descobrir, imparcialmente, o seu verdadeiro sentido e significado na respectiva conjuntura.

A palavra "Jihad" não é usada, exclusivamente para lutar. E mesmo lutar, nem sempre significa "fazer guerra". O seu significado mais geral é: "esforço feito no caminho de Deus". Por exemplo, "Hajj" (Peregrinação a Meca) é considerada, no Islão, como "Jihad".

O Profeta disse: "A Hajj é a mais excelente das "Jihad"" (Bukhari, XXV:4). Um simples convite para o Islão é considerado como "Jihad" : "Devem os Muçulmanos orientar os seguidores do Livro para um caminho recto ..." (Bukhari, LVI:99
Fazer um esforço para adquirir conhecimento e transmiti-lo a outrem é, também, "Jihad". Portanto, "Jihad" inclui o serviço prestado ao Islão de várias formas através de palavras expressas pela boca, ou pela pena, ou, em último caso, pela espada, se para tal se é obrigado. A propagação do Islão é, sem dúvida, um dever religioso de todo o verdadeiro Muçulmano, que deve seguir o exemplo do Profeta Muhammad (Maomé), que a paz esteja com ele, para pregar a religião e estabelecer a Palavra de Deus na Terra. Mas "a expansão do Islão pela força" é facto que não está consoante a teoria e a prática do Islão, porque o Alcorão esclarece, textualmente, o seguinte: "Não há compulsão no Islão"

O mal não está no Alcorão. Está na interpretação distorcida.

P.S. Ainda bem que Sousa Tavares possui duas edições do Corão. Agora só lhe falta tempo para as ler.

"All we need is love"

Com a devida vénia dos ilustres colegas do blog "Blasfémias ", não resisto a reproduzir o seguinte comentário:

"Perceber o outro é fundamental" - Mário Soares dixit
Mário Soares, um dos poucos “senadores” da política portuguesa e europeia, provavelmente com a bononomia que sempre o caracterizou e, sobretudo, com a impunidade dos seus muito bem conservados oitenta anos, surpreendeu-nos, hoje, com a sua estratégia anti-terrorista: o diálogo, “em alternativa ao uso da força, para perceber os objectivos da rede liderada por Osama bin Laden e combater o terrorismo”! De um modo muito cristão, salientou ainda, a este propósito, que “perceber o outro é fundamental”.

Mas o ex-presidente da República não se ficou por aqui! Efectivamente, num forcing de ultra radical santidade cristã que talvez esteja mesmo para lá da redenção, ainda deixou cair, talvez caridosa e displicentemente, algumas pérolas como: "se fosse necessário falar com Hitler para evitar um ano de guerra, valia a pena". Apetece dizer, volta Chamberlain, que estás perdoado!

Há, contudo, vários equívocos que se vislumbram nas declarações de Mário Soares. Desde logo, o do pacifismo unilateral que esteve (e talvez ainda esteja) muito em voga, sobretudo, nos anos setenta, no auge da “guerra fria”. Na verdade, este equívoco propagado por uma certa esquerda ocidental “pró-soviética”, pretende fazer-nos crer que basta que nós não queiramos a guerra para que ela não exista – como se o estado de guerra dependesse apenas de uma parte, de um lado, de um beligerante! Foi a propósito desta pseudo-doutrina (equívoco intencionalmente semeado por uma certa esquerda) que o insuspeito Mitterrand afirmou, ainda no tempo do Pacto de Varsóvia : “é curioso, os pacifistas estão do lado de cá, mas os mísseis estão do lado de lá”!

Depois, o mais banal dos equívocos dos tempos que correm, designadamente, a propósito das novas manifestações do terrorismo actual: tudo merece uma explicação, de acordo com os nossos cânones; todos são dignos de uma compreensão desculpabilizante e desresponsabilizante! Os terroristas, coitados, lá no fundo, terão as suas razões! Nós – ocidentais, democratas e, - ó, sacrilégio! - capitalistas, é que não os compreendemos... Enfim, trata-se do retorno ao velho mito de Rousseau, que está na base do que é intrinsecamente o pensamento da esquerda clássica: no fundo, no fundo, não há homens maus, todos – e em particular os exóticos terroristas incompreendidos – somos uns “bons selvagens”.

O problema, realmente, será nosso, porque já não somos selvagens! Expiemos, portanto, a nossa culpa; revoltemo-nos contra a nossa civilização e, por consequência, desculpemos todos os que nela não se revêm, nem que manifestem tal rejeição à lei da bomba e nos digam “vocês amam a vida, nós amamos (ansiamos) pela morte”!"

A maçada das eleições que dão a vitória à esquerda


Parece-me que depois de ler e ouvir muitos dos comentários que encheram televisões e jornais esta semana, uma coisa se tornou clara:

A esquerda está com o terrorismo islamista radical, em Espanha, o PSOE claudicou contra esse terrorismo, cedeu aos terroristas, os articulistas de esquerda estão a favor das acções da Al Qaidda e do terrorismo internacional.

Que do lado da segurança está a direita pura e dura, securitária, zeloza dos interesses da segurança dos estados e dos povos.

Que a direita, cujo grande guru dos tempos modernos dá pelo nome de Bush (não fosse o facto de ele ser rodeado de conselheiros, eles sim os verdadeiros ideólogos do neo-conservadorismo e da teoria da guerra permanente) acha que só ela tem competência para governar os estados e os povos.

Vimos mesmo a surpreendente crónica de Pacheco Pereira no PÚBLICO em que ele fez tábua raza das suas críticas à aliança PSD/CDS para agora em histeria gritar que essa aliança merecerá todo o seu apoio desde que não vacile perante o eixo Paris-Berlim-Moscovo, e que não se afaste da opção atlantista.

Guerra é Guerra !

E portanto, já nem serão necessárias eleições nesse países porque se acaso for a esquerda a vencê-las isso apenas representará perda de tempo, já que como é sabido a esquerda é irresponsavel e desbarata o dinheiro do Estado, tendo depois a direita que perder tempo a recuperar as finanças e a economia desses estados, e portanto nunca terá oportunidade de mostrar ao povo as delícias de uma governação permanentemente de direita, securitária, conservadora nos costumes e liberal na economia.

O paraíso sempre adiado, devido aos irritantes hiatos que uma ou duas legislaturas de esquerda provocam.

Por isso a irritação provocada pela derrota do PP de Aznar em Espanha.

A irritação provocada por se ver a Espanha a ficar arredada da coligação do bem universal, da prospridade económica, já que agora com o PSOE toda a economia espanhola entrará em recessão após o desbaratar das finanças que o PP tão diligentemente construiu ao longo de 8 anos.

Uma maçada estas eleições !

quinta-feira, março 18, 2004

Os convertidos.

Com a devida vénia dos ilustres colegas do blog "Crítico", não resisto a reproduzir o seguinte comentário:

"Os especialistas já realçaram a importância do sistema de franchising na Al-Quaeda. Desmantelados os campos de treino no Afeganistão, a Al-Quaeda opera agora com locais que reagem ao nome e imagem da Al-Quaeda, evitando deslocações suspeitas, contando com os recém-convertidos ao islamismo.

Naipaul retrata a conversão de um jovem de Oklaoma da seguinte forma: “ toda a gente nasce muçulmano, sem pecado, dissera ele na cerimónia de conversão. A consequência disso- embora ele o não tivesse dito- era que, no mundo exterior ao islão, todos laboravam no erro e talvez estivessem algo incompletos até encontrarem o seu eu muçulmano... O Corão é um sistema de valores. É como um carro. Um carro é um sistema: se apenas tiver o motor e a roda, não tem o automóvel. O Islão é um sistema. Tem de tê-lo todo ou tem de o abandonar. Não se pode ser meio-muçulmano ou muçulmano a três quartos. Ou a pessoa se torna muçulmana com todo o coração ou então não vale a pena”.

Mais à frente, é um poeta paquistanês de uma família hindu recém-convertida que explica o islamismo nos seguintes termos: “ O islamismo não é como o cristianismo, dizia ele. Não é uma religião de consciência e de prática privadas. Vem acompanhado de determinados “conceitos legais”. Estes têm um significado cívico e instauram uma certa ordem social. O ideal religioso não pode ser separado da ordem social”."

A verdadeira vitória.


Por mais que Ana Gomes e os seus Chamberlainianos proclamem ““magnífica lição deram os espanhóis ao mundo! Recusando o jogo dos terroristas: em defesa da democracia, votando em massa. Ordeiramente. Sem medo. E com a tranquilidade que a dor, a indignação e a raiva permitiam. Votando com a cabeça e o coração, como se deve votar”“, a verdade, cada vez mais notória, é que foi mesmo uma vitória do terrorismo.

Conscientes das limitações democráticas europeias, os terroristas sabiam que não precisavam esforçarem-se muito para atingir os seus objectivos.

O seu sentimento de domínio é tão grande que, na hora da vitória, até se dão ao luxo de mostrar alguma piedade para com os vencidos.

Al-Qaeda.

A Al-Qaeda, é uma organização terrorista por definição e, por consequência, não pode renunciar à violência para passar à política.

Assim, a sua existência depende exclusivamente da publicidade feita aos seus atentados.

Enfraquecida com a intervenção do Afeganistão e incapaz de perpetuar atentados tão sofisticados como os de Nova Iorque, procura agora nos alvos fáceis aqueles que darão seguramente uma boa notícia.

Com os seus esbirros impossibilitados de privar com os líderes de topo, receber treino e com a mobilidade cada vez mais reduzida, a organização está limitada a trabalhar com grupos implantados no terreno.

Grupos esses que constrangidos a sair da sua base estritamente "islâmica" pelo aumento da pressão policial, vêem-se agora obrigados a recorrer a uma nova espécie de mão-de-obra, os "convertidos".

São esses operacionais denominados de “convertidos”, que até agora estavam à margem da sua confiança, os que representam o maior perigo.

Ao contrário do vulgar extremista islâmico, cuja diferente fisionomia pode causar suspeitas, o “convertido” é “prata da casa” e como tal praticamente insuspeito.

Reduzida a estas características, a Al-Qaeda tem de ser combatida através da polícia, dos serviços de informação, dos próprios cidadãos e essencialmente impedida ter bases sociais.
Mas será que a sociedade, norteada pela obsessão da defesa dos direitos humanos, consegue não atrapalhar?

Finalmente.


Ao fim de 7 anos de ausência, o Benfica regressa finalmente a uma final da taça.

Não havia necessidade daquela segunda parte.

Enfim.

quarta-feira, março 17, 2004

Quantas mochilas consegue transportar um Renault Kangoo ?



Nova estratégia.


A insistência com que o chavão “Apoio de Aznar a Bush leva a derrota do PP>” passa nos debates e nas entrevistas mais não visa que a interiorização de uma falsa causa / efeito, com o objectivo de ser utilizada pela esquerda nacional para derrubar o governo.

Tal como as palavras de Ana Gomes bem o demonstram: ““Já sabíamos que a Direita que o Primeiro Ministro encabeça é de segunda, paroquial, subserviente, julgando engrandecer-se na prestação de vassalagens. Não tardará muito, os portugueses explicar-lhe-ão que só lhe resta mesmo a companhia que adulava e o caminho que ela levou: com o PP, Aznar e Rajoy, para o olho da rua!”

DIREITA, ESQUERDAS & TERRORISTAS, SA.

Com o inesperado resultado eleitoral em Espanha, observou-se da parte de alguns analistas e comentadores situados mais à direita uma explicação que pela sua simplicidade de raciocíno não podem deizar de espantar quem os lê.

Dizerem que a vitória do PSOE foi uma cedência ao terrorismo, como se os espanhois alguma vez tivessem cedido ao terrorismo da ETA ao longo de décadas.

Dizem que foi a esquerda que aliciou os espanhois a votarem no PSOE através da manifestação de sábado, como se o número de manifestantes fosse suficiente para alterar o resultado eleitoral.

Ou como se os espanhois, como qualquer povo, não soubesse pensar e decidir pela sua própria cabeça.

Dizem ainda que a esquerda está aliada ao terrorismo, ao ser branda, como se não houvesse tanta falta de segurança no mundo como desde que os falcões neo-conservadores de Washington tomaram o poder e iniciaram após o 11 de Setembro uima política baseada na teoria da guerra eterna.

Se fizermos um paralelismo com o que se passa em Israel pode-se considerar que a população israelita votou no Likud e em Sharon por medo dos extremistas palestinianos, mas que no fim se verifica que nunca a população israelita teve tanta falta de segurança como agora, com Sharon no poder.

Porque os extremismos se alimentam da violência e do medo.

Nunca da paz e do diálogo.

Os problemas políticos resolvem-se políticamente e nunca militarmente.

A história da humanidade dá-nos muitos exemplo de que assim é.

Por isso parece-me que é de mau perder, próprio de quem não é democrata querer fazer dos resultados eleitorais em Espanha uma cedência ao terrorismo, ou ao querer muito forçadamente estabelecer as ideias de esquerda como irmanadas com as do obscurantismo da al Quaedda.

Pelas barbas do Profeta




Em Janeiro de 2002, João Paulo II presidiu em Assis a reunião de todos os líderes religiosos, sem distinção de crenças, naquilo que foi provavelmente um dos acontecimentos mais importantes com vista à instalação de um princípio ético na condução das relações entre os povos.

Do seu discurso aos chefes religiosos, destaco alguns recortes:

Viemos (...) em peregrinação de paz. Encontramo-nos aqui como representantes das várias religiões, para nos interrogarmos (...) sobre o nosso compromisso pela paz, (...) para dar testemunho do nosso anseio conjunto por um mundo mais justo e solidário.
Queremos oferecer a nossa contribuição para afastar as nuvens do terrorismo, do ódio, dos conflitos armados, nuvens que nestes últimos meses se adensaram de modo particular no horizonte da humanidade. Por isso, queremos ouvir-nos uns aos outros: já isto, sentimo-lo, é um sinal de paz. (...) Fazemo-lo, conscientes de interpretar o sentimento mais profundo de cada ser humano.

No final da reunião, os chefes religiosos proclamaram o seguinte compromisso a que se deu o nome de “Decálogo de Assis para a Paz”:

1. Comprometemo-nos a proclamar a nossa firme convicção de que a violência e o terrorismo estão em oposição com o verdadeiro espírito religioso e, ao condenar qualquer recurso à violência e à guerra em nome de Deus ou da religião, empenhamo-nos em fazer tudo o que for possível para desenraizar as causas do terrorismo.

2. Comprometemo-nos a educar as pessoas no respeito e na estima recíprocos, a fim de poder alcançar uma coexistência pacífica e solidária entre os membros de etnias, culturas e religiões diferentes.

3. Comprometemo-nos a promover a cultura do diálogo, para que se desenvolvam a compreensão e a confiança recíprocas entre os indivíduos e entre os povos, pois são estas as condições para uma paz autêntica.

4. Comprometemo-nos a defender o direito de todas as pessoas humanas de levar uma existência digna, conforme com a sua identidade cultural, e de fundar livremente uma família que lhe seja própria.

5. Comprometemo-nos a dialogar com sinceridade e paciência, não considerando o que nos divide como um muro insuperável, mas, ao contrário, reconhecendo que o confronto com a diversidade do próximo pode tornar-se uma ocasião de maior compreensão recíproca.

6. Comprometemo-nos a perdoar-nos reciprocamente os erros e os preconceitos do passado e do presente, e a apoiar-nos no esforço comum para vencer o egoísmo e o abuso, o ódio e a violência, e para aprender do passado que a paz sem justiça não é uma paz verdadeira.

7. Comprometemo-nos a estar da parte de quantos sofrem devido à miséria e ao abandono, fazendo-nos a voz dos que não têm voz e empenhando-nos concretamente para sair de tais situações, convictos de que, sozinhos, ninguém pode ser feliz.

8. Comprometemo-nos a fazer nosso o brado de todos os que não se resignam à violência e ao mal, e desejamos contribuir com todos os nossos esforços para dar à humanidade do nosso tempo uma real esperança de justiça e de paz.

9. Comprometemo-nos a encorajar qualquer iniciativa que promova a amizade entre os povos, convictos de que, se não há um entendimento solidário entre os povos, o progresso tecnológico expõe o mundo a riscos crescentes de destruição e de morte.

10. Comprometemo-nos a pedir aos responsáveis das nações que façam todos os esforços possíveis para que, quer a nível nacional quer internacional, seja edificado e consolidado um mundo de solidariedade e de paz fundado na justiça.

___________________
Na Europa, onde a Igreja está separada do Estado, o fundamentalismo islâmico aproveita-se de legislações feitas a pensar nos direitos de quem quer ser livre e não para servir quem tenha intuitos de proselitismo.

Em França, antes da nova lei, uma argelina foi proibida pela entidade patronal de ir trabalhar coberta por um véu. O tribunal achou que se tratava de um caso de discriminação ligada às convicções religiosas, e deu razão à argelina. A questão era um véu, mas pergunto-me se o mesmo tribunal condenaria também um cirurgião que se recusasse a fazer uma excisão do clítoris ou um pediatra que se recusasse a enfaixar uma criança pequena.

Em Barcelona, o imã Mohamed Kamal Mostafa publicou um livro intitulado ‘Las mujeres en el islam’. Ali pode ler-se que ao bater-se numa mulher «se devem administrar os golpes em partes concretas do corpo, como os pés ou as mãos, devendo utilizar-se para esse fim uma vara não demasiado grossa, ou seja, fina e ligeira para que não deixe cicatrizes ou hematomas.» A razão é «fazer sofrer psicologicamente e não humilhar e maltratar fisicamente».

A propósito do Festival Islâmico realizado em Mértola em Maio de 2003, saiu uma notícia no Jornal do Fundão que ia além do pitoresco, das danças, cantares, artesanato e comida. Segundo a jornalista Maria do Carmo Piçarra, «dentro da biblioteca, o discurso radicaliza-se e um dos líderes da Comunidade Islâmica de Espanha responde a um mertolense que não há outra hipótese de colaboração entre as várias comunidades religiosas que não passe pela conversão dos descrentes ao islamismo.»

Razão tem o Pulido Valente: trata-se de uma civilização medieval e fracassada.

Independentemente do Aznar e do Sapatero e das motivações dos eleitores espanhóis, aqueles braços erguidos empunhando cartazes a dizer «PAZ» só têm uma leitura por parte do mundo islâmico em geral e dos fundamentalistas em particular: o início da capitulação da civilização ocidental.

As-salam-alaik

A DERROTA

Com o resultado eleitoral em Espanha, inesperado como foi, já que a dúvida até dia 11 de Março era se o Partido Popular teria maioria simples ou absoluta, houve uma brecha importante no “partido dos Açores”, no dizer de um articulista espanhol.

Esse “partido dos Açores”, partido da guerra e do desrespeito pelo Direito Internacional, partido do unilateralismo, partido do grupo de “amigos de Washington”, partido do neo-conservadorismo libertário mundial, partido dos novos cruzados foi derrotado.

Antes de Março de 2003, antes do início da agressão ao Iraque, país soberano e independente, a população europeia, para não dizer mundial, foi maioritariamente contra essa aventura militar.

Na Europa e não só.

Os EUA e Inglaterra, sua indefectível aliada, ficaram sós no Conselho de Segurança das Nações Unidas, após verem gorados os aliciamentos que tentaram junto de países da América Central e de África.

Apenas lhes restaram os países do leste europeu, desejosos de adoptar uma estratégia de colagem aos EUA para que se defendam da proximidade da Rússia e, novidade, a Espanha e a Itália de Berlusconi.

Com estes dois países, a Polónia, a República Checa, a Bulgária ou a Roménia já não ficariam isolados no plano internacional, já que politicamente a aliança da Inglaterra aos EUA, por ser recorrente, nada traria de novo.

Por isso a entrada da Espanha para este “partido dos Açores” foi importante para a estratégia atlantista dos EUA e Inglaterra.

Trazia para o seu campo um tradicional aliado da Europa continental, enfraquecia a EU (constituindo desse modo um desígnio estratégico dos EUA), e sendo a Espanha uma potência emergente, só traria vantagens políticas a quem queria sacudir a ideia de que a aventura iraquiana tinha sido obra de poucos.

Por isso se explica a pressa (e desespero) da Polónia e Roménia no apelo que fizeram no dia 15 ao futuro PM espanhol para que não retire as tropas do Iraque.

Não porque os 1.500 militares espanhóis representem tácticamente uma mais valia relevante para o esforço de guerra, mas exactamente pelo peso político que a presença espanhola representa.

Com a Espanha e a Itália, a que se juntaram os aliados de ocasião, os que gostam de estar sempre do lado do mais forte, (mas não necessariamente do lado do que tem mais razão), como a Dinamarca ou Portugal, a coligação militarista parecia suficientemente abrangente e assim ganhar foros de legitimidade internacional, não se cansando Bush e seus conselheiros de repetirem até à exaustão a existência de 27 países que apoiaram a política americana, não esquecendo países de grande importância na cena mundial, como a Nicarágua, Guatemala, Burundi, Eritreia ou Tuvalu.

Com a reviravolta política espanhola neste domingo, de que só o PP tem culpa, pela inabilidade e evidente aproveitamento eleitoralista que quis fazer da tragédia do 11 de março em Madrid, e pela ausência de uma informação livre e independente por parte da TVE, controlada pelo Estado e pelo Governo, a Espanha está agora prestes a sair desta coligação, ou do “partido dos Açores”.

Porque a Espanha retomará as linhas de política externa tradicionais, como contribuir para o reforço do chamado eixo franco-alemão, da construção europeia, e do Direito Internacional.

Responsavelmente a Espanha não retirará apressadamente, mas até 30 de Junho.

Responsavelmente a Espanha e seu governo farão jus ao discurso de Luis Zapatero há um mês, em que disse que no mundo a única arma de destruição maciça verdadeiramente mortal e perigosa era a fome no 3º mundo.

E porque até Portugal ficará mais isolado na Europa e no mundo, após, de uma forma irresponsavelmente entusiástica, Durão Barroso ter dito num comício de campanha eleitoral espanhola que o povo português estava com o PP espanhol.

Perdeu o “partido dos Açores” e ganhou a paz.

Escusado será agora virem os profetas da desgraça, acabrunhados que ficaram com este resultado eleitoral, dizerem que a retirada espanhola da coligação dos senhores da guerra será uma cedência ao terrorismo da Al Quaedda, ou aos interesses dos países árabes.

Argumentam ainda que agora o terrorismo, essa entidade difusa, passa a poder condicionar de forma activa os resultados eleitorais e as políticas dos estados, esquecendo que cedência seria adiar as eleições ou passarem as populações a terem um comportamento diferente, de medo, ou se se estabelecessem políticas securitárias no ocidente europeu.

A Espanha, habituada há anos a conviver com o terrorismo nunca cedeu a chantagens da ETA, a sua população faz sempre uma vida normal, e os resultados eleitorais em cada momento são resultado e prova da vitalidade democrática dos estados.

O governo de Aznar alinhou nesta coligação do “partido dos Açores” contra o povo espanhol e contra a comunidade internacional.

Perdeu.

Arruinou as suas não escondidas ambições para uma carreira política relevante na Europa, com o apoio dos conservadores.

E perdeu o partido da guerra.

Por isso é que um jornal americano fez manchete a propósito dos resultados eleitorais espanhóis dizendo:

“Bush já perdeu as eleições em Espanha”.

terça-feira, março 16, 2004

Dúvida.

Na sua habitual crônica no Público, Vital Moreira afirma “Com mais ou menos ressentimento ou agressividade, os que apoiaram os Estados Unidos na invasão do Iraque lamentam amargamente a inesperada e pesada derrota do PP de Aznar nas eleições espanholas de domingo, que atribuem ao massacre terrorista de quinta-feira, acusando de forma mais ou menos explícita os eleitores espanhóis de terem cedido à chantagem e de terem "recompensado" o crime terrorista. Seguindo o que se foi escrevendo desde domingo à noite quer nos jornais, quer nos blogues de direita, é fácil dar conta da onda de denúncia e de condenação dos resultados eleitorais, não faltando mesmo as referências a Munich e a Chamberlain!

A censura é duplamente injuriosa. Primeiro, porque quem, como os espanhóis, sofre na carne desde há muitos anos o terrorismo basco e o combate sem desfalecimento, não pode ser aleivosamente acusado de acobardamento perante o terrorismo que vem de fora. Segundo, porque, mesmo que a derrota de Aznar tivesse sido predominantemente motivada pelos atentados, esse voto foi mais do que justificado, tendo em conta a esmagadora oposição contra o seu alinhamento com George Bush na invasão e ocupação do Iraque, que pelos vistos colocou a Espanha na mira da Al-Qaeda.

Parece incontestável que sem os ataques terroristas de Madrid, o PP teria obtido uma nova vitória eleitoral, embora muito provavelmente sem maioria absoluta…

O voto de domingo é por isso não somente um voto de protesto contra a entrada espanhola na guerra do Iraque e contra a subsequente desconsideração da ameaça terrorista islâmica que dela resultou, mas sobretudo contra a arrogância e a desonestidade política que se seguiram aos terríveis massacres de 11 de Março. Mais do que à Al-Qaeda, o PP deve atribuir a responsabilidade pela derrota a si mesmo.”


Dúvida: se o próprio Vital afirma “parece incontestável que sem os ataques terroristas de Madrid, o PP teria obtido uma nova vitória eleitoral, embora muito provavelmente sem maioria absoluta” como pode ele afirmar depois que “o voto de domingo é por isso … um voto de protesto contra a entrada espanhola na guerra do Iraque”?

Para mais a “a questão do Iraque não chegou a ser um tema central da campanha eleitoral antes de quinta-feira, e as sondagens pareciam indicar que os espanhóis estavam dispostos a renovar a maioria no PP, apesar da sua política de alinhamento com Washington e a sua decisão de enviar soldados para Bagdad”

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